Kuadro
Entrar
VestibularEdição do vestibular

(EsPCEx - 2020 -  Redação)

TEXTO I

Coisa mais preciosa

"Toda a nossa ciência, comparada com a realidade, é primitiva e infantil - e, no entanto, é a coisa mais preciosa que temos" (Albert Einstein: 1879 - 1955) (...)
O que quase nunca encontramos - nas bibliotecas públicas, nas revistas das bancas de jornal e nos programas de horário nobre na televisão - é a evidência, fornecida pelo deslocamento do fundo do mar e pelo movimento das placas tectônicas, e também pelo mapeamento do fundo do oceano, mostrando de forma inequívoca a impossibilidade de ter existido um continente [Atlântida] entre a Europa e as Américas num período que se aproxime da escala de tempo proposta.
Os relatos espúrios que enganam os ingênuos são acessíveis. As abordagens céticas são muito mais difíceis de encontrar. O ceticismo não vende bem. Uma pessoa inteligente e curiosa, que se baseie inteiramente na cultura popular para se informar sobre uma questão como Atlântida, tem uma probabilidade centenas ou milhares de vezes maior de encontrar uma fábula tratada de maneira acrítica em lugar de uma avaliação sóbria e equilibrada. (...)
A ciência desperta um sentimento sublime de admiração. Mas a pseudociência também produz esse efeito. As divulgações escassas e malfeitas da ciência abandonam nichos ecológicos que a pseudociência preenche com rapidez. Se houvesse ampla compreensão de que os dados do conhecimento requerem evidência adequada antes de poder ser aceitos, não haveria espaço para a pseudociência. Mas na cultura popular prevalece uma espécie de Lei de Gresham, segundo o qual a ciência ruim expulsa a boa.

Fonte: SAGAN, Carl. O mundo assombrado pelos demônios. São Paulo: Companhia das Letras, 1996 

 

TEXTO II

O conhecimento científico

Foi no início do século XVII, quando o mundo europeu passava por profundas transformações, que o homem de tornou o centro da natureza (antropocentrismo). Acompanhando o movimento histórico, ele mudou toda a estrutura do pensamento e rompeu com as concepções de Aristóteles, ainda vigentes e defendidas pela Igreja, segundo as quais tudo era hierarquizado e imóvel, desde as instituições e até mesmo o planeta Terra. O homem passou, então, a ver a natureza como objeto de sua ação e de seu conhecimento, podendo nela interferir. Portanto, podia formular hipóteses e experimentá-las, para verificar a sua veracidade, superando assim as explicações metafísicas e teológicas que até então predominavam. O mundo imóvel foi substituído por um universo aberto e infinito, ligado a uma unicidade de leis. Era o nascimento da ciência enquanto um objeto específico de investigação, com um método próprio para o controle da produção do conhecimento. 
Podemos afirmar, portanto, que o conhecimento científico é uma conquista recente da humanidade, pois tem apenas trezentos anos. Ele transformou-se numa prática constante, procurando afastar crenças supersticiosas e ignorância, através de métodos rigorosos, para produzir um conhecimento sistemático, preciso e objetivo que garanta prever acontecimentos e agir de forma mais segura. 
Sendo assim, o que diferencia o senso comum do conhecimento científico é o rigor. Enquanto o senso comum é acrítico, fragmentado, preso a preconceitos e tradições conservadoras, a ciência preocupa-se com as pesquisas sistemáticas que produzem teorias que revelem a verdade sobre a realidade, uma vez que a ciência produz conhecimento a partir da razão.  

(fonte:www.webartigos.com/artigos/a-importancia-do-conhecimento-cientifico/18633/ acesso 16 de Abril de 2020)
 

 

TEXTO III

Benefícios do investimento em ciência

Cerca de 50 dirigentes de organizações de fomento à pesquisa de 45 países reuniram-se em São Paulo entre os dias 1o e 3 de maio para discutir políticas de financiamento à ciência e compartilhar experiências no 8o Encontro Anual do Global Research Council (GRC), entidade criada em 2012 para estimular a cooperação entre agências e semear boas práticas de gestão. (...)
O físico Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, lembrou que os benefícios da pesquisa, às vezes, aparecem tardiamente e mencionou o Google como exemplo da dificuldade de medir o impacto. “Os dois criadores foram bolsistas da National Science Foundation [NSF] em 1994, em um programa que visava criar bibliotecas digitais e métodos para a classificação de livros. Em 1998, desenvolveram o algoritmo que ranqueia páginas de internet. Em 1999, tentaram vender a empresa por U$ 1 milhão, mas ninguém se interessou. Baixaram o preço para U$ 700 mil. Ninguém quis. Se fôssemos avaliar o impacto do Google naquele momento, seria considerado um fracasso”, contou Brito Cruz. (...)
A questão central é encontrar um equilíbrio no financiamento com o impacto econômico e social, que respondem à cobrança pelo retorno do financiamento público à ciência, e a projetos de investigação interessados primordialmente em fazer avançar o saber. (...)
A declaração de princípios ressalta a necessidade de investir em pesquisas de todos os campos do conhecimento, inclusive em áreas que podem não despertar interesse da sociedade em um momento específico. Isso porque a natureza dos desafios muda ao longo do tempo e é preciso estar preparado para enfrentá-los. “Manter uma ampla base de conhecimento é um pré-requisito para responder oportunamente quando surgem novos desafios da sociedade”, diz o documento.

Fonte: https://revistapesquisa.fapesp.br/2019/06/07/beneficios-do-investimento-em-ciencia/ (licença Creative Commons CC-BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nd/4.0/). Acesso em 11 de abril de 2020. 

TEXTO IV

Ciência e tecnologia: mudar de rumo para não perder o futuro

Você quer uma receita simples para nunca mais se preocupar com as baterias do seu smartphone? Ou para diminuir sua culpa porque perdeu a data de vacinação do seu bebê? Ou, ainda, para jamais se atrasar porque não consegue encontrar as chaves do seu carro?
É fácil. Basta fechar os olhos e imaginar um mundo sem ciência e sem tecnologia, em que nós faríamos parte de uma civilização sem telefone, automóvel ou vacinas. E também sem a eletricidade, o avião, o trem e navios; ou os avanços da medicina, da engenharia, da física, das ciências humanas e da biologia. Sem a escrita, a linguagem e a busca pelas nossas origens jamais chegaríamos a conformar o arsenal gigantesco das ciências da vida, que nos permite valorizar, ampliar e buscar sentido para nossa existência. (...)
A computadorização da ciência não significa apenas a possibilidade de se lidar com gigantescos bancos de dados e com sistemas estatísticos mais sofisticados. A pesquisa atual é capaz de empregar algoritmos de machine learning que detectam padrões, inferências e correlações que os olhos e mentes humanos não conseguem identificar, nem relembrar e muito menos prever. Os novos campos de pesquisa permitem que os processos naturais sejam revisitados, que novos materiais sejam desenhados e modelos matemáticos simulados.
Ao longo da história, muita gente imaginou o potencial dessas técnicas e métodos, mas em anos recentes o grau de complexidade alcançado pode afetar não somente a produtividade das economias, mas também fundamentos sociais. A constelação de tecnologias que compõem a inteligência artificial desponta como a mais promissora em meio à onda atual de inovações e como fonte de esperança para as sociedades, ainda que estimule preocupações quanto à privacidade, desemprego e desigualdade. A física, a química, a biologia, as engenharias e todas as ciências sociais já estão sendo questionadas em seus fundamentos com os avanços da inteligência artificial. O poder de transformação de suas técnicas aponta para a sua configuração como uma tecnologia de propósito geral, capaz de penetrar por todos os ramos da ciência e pelos poros das sociedades.


Fonte: ARBIX, Glauco. Ciência e tecnologia: mudar de rumo para não perder o futuro. Jornal da USP, 12/09/2018. Disponível em: <http://jornal.usp.br/?p=194659>. Acesso em: 16 abr. 2020.
 

OBSERVAÇÕES: 

 

  1. Aborde o tema sem se restringir a casos particulares ou específicos ou a uma determinada pessoa. 
  2. Formule uma opinião sobre o assunto e apresente argumentos que defendam seu ponto de vista, sem transcrever literalmente trechos do texto de apoio.
  3. Não se esqueça de atribuir um título ao texto.
  4. A redação será considerada inválida (grau zero) nos seguintes casos: 
  • texto com qualquer marca que possa identificar o candidato;
  • modalidade diferente da dissertativa
  • insuficiência vocabular, excesso de oralidade e/ou graves erros gramaticais;
  • constituída de frases soltas, sem o emprego adequado de elementos coesivos;
  • fuga do tema proposto
  • texto ilegível
  • em forma de poema ou outra que não em prosa; 
  • linguagem incompreensível ou vulgar;
  • texto em branco ou com menos de 17 (dezessete) ou mais de 38 (trinta e oito) linhas; e 
  • uso de lápis ou caneta de tinta diferente da cor azul ou preta.

 

  1. Se sua redação tiver entre 17 (dezessete) e 24 (vinte e quatro) linhas, inclusive, ou entre 31 (trinta e uma) e 38 (trinta e oito) linhas, também inclusive, sua nota será diminuída, mas não implicará em grau zero.