Alta Idade Média: Invasões Bárbaras e Cristianismo

Alta Idade Média: Invasões Bárbaras e Cristianismo

Como vimos no texto sobre o Império Romano, em 476, Roma foi invadida e saqueada pelos hérulos, um povo germânico. Essa data marcou o fim do Império Romano do Ocidente e junto com ele, da Antiguidade. Cronologicamente, esse evento marca o fim da Idade Antiga e o início da Idade Média, também conhecido como Alta Idade Média.

Apesar desse marco histórico, ouve uma transição gradual entre essas duas épocas. Mantiveram-se aspectos do período anterior, mas foram incorporadas novas práticas culturais, políticas, econômicas. Para as pessoas que viveram esse processo essas mudanças não eram tão claras como se tornaram posteriormente.

A Alta Idade Média

A era medieval perdurou por quase dez séculos. O período posterior, o moderno, denominou esse período de mil anos de “Idade das Trevas”, porque consideravam que a humanidade tinha vivido um período de escuridão. Sem que qualquer coisa houvesse acontecido ou sido criada, uma fase de atraso, sem desenvolvimento cultural ou social. Hoje, no entanto, os historiadores combatem essa denominação, já que como pretendemos demonstrar, esse período foi de enorme importância para muito do que veio depois.

Por se tratar de um período bem longo, costumamos dividi-lo em dois: Alta e Baixa Idade Média. A primeira compreende do século V ao X. É marcada, no Ocidente, a) pelas invasões bárbaras e pela fragmentação política e territorial do antigo Império Romano, que deu origem aos feudos; b) pela decadência das atividades comerciais e urbanas;  e c) pelo crescimento e fortalecimento da agricultura (que se tornou a principal atividade econômica). No oriente, desenvolveram duas importantes civilizações: a bizantina e a muçulmana.

Invasões Bárbaras

As invasões bárbaras (conhecidas também com migração dos povos germânicos) tiveram início ainda durante o Império Romano. Os bárbaros eram chamados assim pois não falavam latim e tinham costumes diferentes dos romanos. Esses povos habitavam a borda do território romano e foram ao longo dos anos migrando para as regiões romanas.

Esse povos (godos, vândalos, alamanos, suevos, francos, dentre outros) se organizavam em tribos. Seus chefes eram os senhores da guerra e as decisões eram tomadas em assembleias entre os homens livres e os guerreiros. Seu direito, ao contrário do romano, era consuetudinário, ou seja, se baseava nas tradições.

Como mencionado anteriormente, o Império Romano, já enfraquecido por uma série de fatores, ruiu em 476, quando o último imperador, Rômulo Augusto foi deposto e um germânico, Odoacro, chefe dos hérulos, assumiu o poder.

Mudanças significativas

Essa ruptura política não significou o fim imediato de toda a tradição romana. Mas, aos poucos, ela foi sendo assimilada, fragmentada e suplantada por costumes germânicos. Por sua vez, esses costumes reconfiguraram o mundo europeu ocidental.

Dentre essas mudanças, as mais significativas foram: o rompimento da unidade política vigente em Roma, dando lugar a vários reinos bárbaros; a adoção do direito consuetudinário; e o surgimento da ideia de obrigações recíprocas entre o rei e os guerreiros (comitatus).

No território do antigo Império Romano, um dos reinos que ficou mais conhecido foi o dos Francos. Localizado na região da Gália, esse reino possuiu duas importantes dinastias: os merovíngios e os carolíngios. Além da unificação política, sua importância consiste principalmente pelo papel que teve no fortalecimento e consolidação do Cristianismo. A religião cristã passou de perseguida durante o império romano para a crença mais importante do ocidente.

Clovis foi o primeiro rei germânico da dinastia merovíngia a converter-se ao cristianismo. A conversão lhe garantiu o apoio da Igreja e do campesinato na unificação do reino franco.

Pepino, o Breve, primeiro rei da dinastia carolíngia entregou ao papado todas as terras italianas que tomara dos lombardos e institui o que ficou conhecido como Patrimônio de São Pedro, a base dos Estados Pontificais.

Carlos Magno, sucessor de Pepino, estendeu as fronteira do reino franco, fazendo com que quase toda a Europa cristã estivesse sobe domínio carolíngio. Coroado pelo papa Leão III, o imperador dos Romanos passou a ter o dever de manter e disseminar a fé cristã como líder do poder civil e militar e sua legitimidade havia sido dada pela Igreja.

Carlos Magno (óleo de Alberto Durero)

O cristianismo

Com o fim do Império Romano, uma nova instituição de fortaleceu e consolidou: o Cristianismo. A religião, antes subversiva, aumentou sua influência e se tornou uma das principais instituições do mundo medieval.

Durante esse período, a Igreja estabeleceu seus dogmas e também as heresias, em encontros chamados Concílios. O poder central ficou nas mãos do bispo de Roma, depois conhecido como papa.

A maior parte da produção intelectual desse período ficou a cargo da Igreja. Quase todos os homens alfabetizados pertenciam a ela.

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