Modalidades de redação

Ao fazer o vestibular, o candidato é avaliado não só pela sua capacidade de solucionar questões variadas de conteúdos diferentes, como também pela sua capacidade de elaborar um texto de acordo com o tema e proposta determinados pelo vestibular. E, para que você desenvolva ainda mais essa capacidade de elaboração textual, vamos definir aqui as modalidades de redação que você pode encontrar no dia da prova.
Para compreender melhor o que é a modalidade de redação, vamos definir dois conceitos: o gênero textual e o tipo textual.

O que é gênero textual?

O gênero textual é o texto materializado. Sabe aquele poema modernista que você precisa ler para estudar para o vestibular? É um gênero textual. Sabe aquela charge engraçada e ao mesmo tempo crítica que você lê em jornais, revistas ou sites? É um gênero textual.  O gênero textual são os meios de veiculação dos textos e basicamente todos os nossos meios de comunicação são determinados por um gênero textual.

Além disso, os gêneros tem uma relação sociolinguística, ou seja, são influenciados pelo homem. Mas, como assim? Isso significa que é necessário um contexto para caracterizar o gênero, como: qual a finalidade do texto? Para quem ele foi escrito? Onde ele será publicado? Quem é o autor? Todas as respostas para essas perguntas determinam o gênero textual.

Exemplos: Bula, e-mail, artigo, carta, etc.

O que é um tipo textual?

O tipo textual é mais abstrato do que o gênero textual, o tipo textual é um recurso para você compor o seu texto, ou seja, ele está relacionado à estrutura textual. Para entender melhor, lembre-se que nós, como seres humanos, somos dotados de capacidades cognitivas (e que podem ser aprimoradas através da prática) como por exemplo: narrar, descrever, argumentar e dissertar. Os tipos textuais estão interligados à essas capacidades, por isso são definidos como recursos textuais, ou seja, que nos ajudam a produzir os nossos textos. O tipo textual compõe o gênero.

Exemplo: tipo argumentativo, narrativo, dissertativo e descritivo.

Agora que você já sabe a diferença entre esses dois conceitos, vamos entender quais são as modalidades de redação que poderemos encontrar no vestibular:

Tipo dissertativo

  • Função: Expor, articular e mostrar informações.
  • Onde encontramos: Na redação de vestibular, na monografia (aquele texto que você provavelmente vai ter que fazer para se formar na faculdade), artigo, etc.
  • Estrutura típica: Introdução (apresentação de tema), desenvolvimento (expor a finalidade da dissertação, através de uma discussão criada a partir da reflexão sobre as informações expostas) e conclusão (retomada do tema e considerações finais).
  • Características linguísticas: linguagem denotativa (clara e objetiva, sem uso de metáforas e outras figuras de linguagem), normativa (padrão) e impessoal.
  • Nos vestibulares encontramos a dissertação como modalidade mais comum de redação e normalmente vem acompanhada da argumentação em vestibulares como Fuvest, Enem, Unesp, Unicamp e outros.

Tipo argumentativo

  • Função: Persuadir, convencer alguém sobre algo.
  • Onde encontramos: artigos de opinião, carta aberta, editorial, etc.
  • Estrutura típica: Tese (ideia principal do texto, a sua opinião que será defendida ao longo do texto), argumentação (estabelecida a partir de uma linha de raciocínio, com o uso de dados legitimados, usados em defesa da tese) e conclusão (retomada da tese, considerações finais).
  • Características linguísticas: linguagem denotativa (ainda permanece o uso de linguagem clara e objetiva), normativa (padrão) e impessoal (ainda que a argumentação seja pessoal, afinal estamos falando sobre uma opinião, os dados são apresentados de forma impessoal, embasados em questões lógicas e não pessoais).
  • A argumentação é a campeã dos vestibulares, sendo cobrada na maioria deles.

Tipo narrativo

  • Função: Recriar a realidade.
  • Onde encontramos: Romance, parábola, novela, conto, etc.
  • Estrutura típica: Apresentação (devemos introduzir os personagens, espaço, tempo e o enredo), desenvolvimento (a trama da história acontece a partir de um fato que desencadeia algum conflito e que leva ao clímax da história), clímax (é o ápice da história, é o momento de maior tensão) e desfecho (conclusão da história, com a resolução dos conflitos e consequências do clímax).
  • Características linguísticas: linguagem conotativa ou denotativa (é muito comum o uso de figuras de linguagem, que marcam o sentido conotativo), a formalidade é variável (o uso da norma padrão é variável, uma vez que determinados personagens podem, por exemplo, utilizar de uma linguagem informal) e pessoalidade variável (a narração pode ser pessoal ou impessoal, variando de acordo com o narrador).
  • A narrativa é uma modalidade menos cobrada no vestibular em comparação com a dissertação argumentativa, mas ainda pode ser encontrada em vestibulares como Unicamp e UFPR.

Tipo descritivo

  • Função: Caracterizar.
  • Onde encontramos: Romance (ao caracterizar personagens, por exemplo), relatório (descrição de atividades), laudo pericial (com a descrição de cena do crime), etc.
  • Estrutura típica: Não há uma estrutura específica para o tipo descritivo, porém alguns elementos não são necessários na descrição, como o tempo. O tempo normalmente é estático na descrição, ele é atemporal, não há uma passagem de tempo no tipo descritivo.
  • A descrição pode ser de diversas ordens, como física, psicológica e outras.
  • Características linguísticas: linguagem denotativa ou conotativa (a descrição pode ser feita por meio de figuras de linguagem, sendo variável), formalidade variável (a linguagem pode ser formal ou informal) e a pessoalidade também é variável (a descrição pode ser pessoal, com impressões pessoais sobre algo ou alguém, assim como também pode ser uma descrição geral, impessoal, puramente física).
  • O tipo descritivo pode ser encontrado em outros tipos textuais, como a narrativa, dissertação, etc.

Para saber mais sobre as modalidades de redação, dê uma olhadinha na aula da professora Gianne:

A Marina é graduanda em Letras pela UNIFESP. É orientadora pedagógica e monitora do Kuadro. Sabe tudo sobre língua portuguesa e redação. Tire suas dúvidas aqui nos comentários!

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