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Resumo de Sagarana, de Guimarães Rosa

Escrito por João Guimarães Rosa, “Sagarana” é um livro de contos e foi publicado em 1946. Com nove histórias sobre o sertão de Minas Gerais, o livro foi o primeiro de Guimarães Rosa a sair neste formato e está na lista de obras obrigatórias da FUVEST. Leia aqui o resumo de Sagarana!

Aspectos gerais

A primeira versão de “Sagarana” foi escrita em 1938, inscrita no concurso literário Humberto de Campos. Foi publicada somente oito anos depois, em 1946.

A obra marca a prosa regionalista brasileira. São nove contos sobre jagunços e vaqueiros do sertão mineiro e suas histórias, com características marcantes da região.

O título é um neologismo com as palavras “saga”, do português, e “rana”, de origem tupi, que significa “semelhante a”. Então, Sagarana é semelhante a uma saga. Neologismos são frequentes na trajetória literária de Guimarães Rosa.

Em 1973, o quarto conto do livro, “Duelo”, virou filme. Com direção de Paulo Thiago, o filme é baseado na história de Turíbio Todo, de perseguições e vinganças. No ano seguinte o filme foi indicado ao Urso de Ouro, prêmio de maior prestígio do Festival de Cinema de Berlim.

Cartaz do filme "O Duelo", baseado no conto de mesmo nome.

Cartaz do filme “O Duelo”, de 1973.

A unidade do livro

Sendo todos os textos no mesmo universo – o do sertão mineiro -, existe uma unidade ao longo das nove histórias. Os contos abordam a vida e aspectos psicológicos e sociais dos locais.

Embora inicialmente a temática dos contos seja bem delimitada, a narrativa do livro aborda temas universais, como a morte, o medo e o amor.

Contexto histórico

Publicada como livro pela primeira vez em 1946, a obra “Sagarana” foi criada ao longo de um momento de grandes mudanças.

A Crise de 1929, nos Estados Unidos, e posteriormente a Segunda Guerra Mundial desestabilizaram as relações entre os países.

No Brasil, a Era Vargas vigorava com um governo autoritário, com poder centralizado, e grande modernização econômica, seguindo o movimento que acontecia em outros países.

Corrente literária

Guimarães Rosa fez parte da 3ª geração do Movimento Modernista, que foi a geração com mais traços de regionalismo. Fizeram parte dele também os autores João Cabral de Melo Neto e Clarice Lispector.

Entre as características da 3ª fase do Modernismo estão:

  • Retorno ao passado;
  • Experimentações artísticas;
  • Realismo fantástico (forte na obra de Guimarães Rosa);
  • Regionalismo;
  • Temática social e humana.

 

Narrativa

Intencionalmente, Guimarães Rosa foca sua linguagem e coesão na oralidade. Os contos são narrados em terceira pessoa, com exceção dos contos “Minha Gente” e “São Marcos” (narrados em primeira pessoa).

As histórias se assemelham à “contação de causos” típica da linguagem oral do grupo popular que ele deseja representar. Uma história é inserida dentro da outra de modo muito cuidadoso para que o leitor não se perca durante as histórias.

Resumo de Sagarana: separação por conto

1. O burrinho pedrês

Personagens:

Sete-de-Ouros (burrinho pedrês), Major Saulo (fazendeiro), Fracolim (“secretário” de Major Saulo), Silvino (vaqueiro), João Manico (vaqueiro pequeno) e Badu (vaqueiro).

História:

Uma boiada faz uma viagem pelo sertão durante o período de chuvas. Velho e à beira da morte, Sete-de-Ouros acompanha a travessia com os cavalos da fazenda.

Durante toda a travessia, existe uma tensão entre os vaqueiros Badu e Silvino. Na ida tudo corre bem, apesar da tensão entre eles.

Até que na volta, já sem a boiada, ocorre uma tragédia. Durante a travessia do rio, que ficou cheio por conta das chuvas, todos os vaqueiros morrem.

Os únicos sobreviventes são Fracolim e Badu e quem os salva é Sete-de-Ouros. Fracolim sobrevive montado no burrinho e Badu se agarra ao rabo.  Os três terminam a travessia por teimosia de Sete-de-Ouros.

2. A volta do marido pródigo

Personagens:

Lalino Salathiel, Ramiro, Maria Rita e Major Anacleto.

História:

Malandro e cheio de conversa, Lalino um dia decide ir para o Rio de Janeiro após uma conversa com amigos. Abandona Maria Rita, sua esposa, e seu trabalho na estrada de ferro.

No Rio de Janeiro, Lalino gasta seu dinheiro todo os festas. Sem dinheiro e sem ter como se manter, acaba voltando ao arraial.

De volta, Lalino vê que Maria Rita estava agora casada com o espanhol Ramiro, respeitado na comunidade e dono de uma posse com outros espanhóis. Lalino ficou com má fama, conhecido por ter vendido sua esposa a um estrangeiro.

O filho de Major Anacleto vê Lalino como um possível cabo eleitoral. Os dois estabelecem uma relação e, graças a Lalino, Major Anacleto ganha as eleições.

Ramiro, enciumado com a presença de Lalino, ameaça Maria Rita, que foge e busca abrigo junto ao Major Anacleto. Major, acolhendo a moça e satisfeito com os feitos de Lalino, expulsa os espanhóis da região. Por fim, com apoio do Major, Maria Rita e Lalino ficam juntos novamente.

3. Sarapalha

Personagens:

Primo Ribeiro e Primo Argemiro.

História:

Este conto mostra a história de dois primos que vivem em Sarapalha, um lugar devastado pela malária. Ambos vivem com a doença e passam os dias na varanda, conversando entre as crises.

Os primos vivem praticamente sozinhos: parte da população faleceu e outra parte fugiu, como a esposa de Ribeiro, Luísa. À beira da morte e buscando a consciência tranquila, Argemiro revela ao primo um antigo um interesse por Luísa.

Sentindo-se traído, Ribeiro expulsa Argemiro de casa, que tenta se explicar mas é impedido. Expulso de casa, Argemiro então sai andando e, com tremedeiras por causa da doença, se deita no chão e pensa em Luísa.

4. Duelo

Personagens:

Turíbio Todo, Silvana, Cassiano Gomes e Vinte-e-um.

Histórias:

Turíbio Todo é um homem simples que passa a maior parte de seu tempo pescando. Casado com Silvana, um dia a flagra com o ex-militar Cassiano Gomes.

Turíbio deseja vingança matando Cassiano, mas sabe que suas chances são poucas perto da habilidade de um militar. Por isso, planeja sua vingança com calma.

No dia de sua vingança, Turíbio se confunde e mata por engano o irmão de Cassiano Gomes. A vingança então muda de lado e Cassiano deseja matar Turíbio Todo para vingar a morte de seu irmão.

Turíbio então foge para o sertão com o plano de cansar Cassiano Gomes, que tem problemas no coração. Até que Cassiano adoece e é ajudado pelo sertanejo Vinte-e-um. Os dois estabelecem uma amizade e Cassiano Gomes ajuda a salvar a vida do filho de Vinte-e-um.

Turíbio Todo se cansa da fuga e volta para casa para rever a esposa, de quem sente saudades. Durante a cavalgada de volta, ele encontra um cavaleiro de figura estranha.

Os dois cavalgam juntos até que o cavaleiro misterioso se revela sendo Vinte-e-um, que jurou vingança ao amigo Cassiano Gomes, e mata Turíbio Todo.

5. Minha gente

Personagens:

Emílio (narrador), Ramiro Gouveia, Maria Irma e Armanda.

História:

O narrador é Emílio, mas não é identificado logo no início do texto, sendo chamado somente de Doutor. Emílio é um estudante e está de volta a Minas Gerais.

Em seu caminho de volta, Emílio conhece Santana, um inspetor de escola viciado em jogar xadrez. Os dois jogam uma partida, que é interrompida pela probabilidade de Santana

Um dia, Emílio visita a fazenda de seu tio que é candidato político. Durante a visita, o estudante se apaixona por Maria Irma, sua prima, que não corresponde aos sentimentos dele.

Maria Irma é, na verdade, apaixonada por Ramiro, que é noivo de Armanda. Tentando enciumar a prima, Emílio finge estar apaixonado por outra moça, mas seu plano falha.

Emílio recebe então uma carta de Santana, o inspetor, a respeito da solução para o jogo de xadrez. Inspirado pela carta, Emílio volta à casa de Maria Irma para tentar reconquistá-la.

Ao chegar na casa da prima, ele conhece Armanda e se apaixona imediatamente por ela. Então tudo se acerta: Emílio casa-se com Armanda e Maria Irma se casa com Raimundo

6. São Marcos

Personagens:

José (narrador e também conhecido como Izé), Aurício Maquintola e João Mangolô.

História:

José, embora conheça inúmeras feitiçarias conta o azar, é um homem culto que se diz contrário a superstições. Izé zomba de feiticeiros, em especial João Mangolô, e um dia recita banalmente a oração de São Marcos a Aurísio Maquintola. Em seguida, Aurísio o repreende por zombar de uma prece poderosa.

Um dia, ao parar para observar os animais à beira de um lago, Izé perde a visão repentinamente. Com raiva e guiado pela audição, Izé chega cai e se machuca. Recorre então a uma reza brava. Com ela, sai do mato e consegue chegar à casa de João Mangolô.

Ao chegar, Izé parte para cima de João e os dois brigaram até que José voltasse a enxergar. Ao retomar a visão, José percebe que o negro João Mangolô tinha, na verdade, colocado uma venda nos olhos de um retrato de Izé.

A ação de João tinha sido uma vingança por conta das zombarias de Izé, para que ele não precisasse ver “negro feio”.

7. Corpo fechado

Personagens:

Manuel Fulô, feiticeiro Antonico das Pedras-Águas, Targino e Das Dores.

História:

O falastrão e falso valente Manuel Fulô e o feiticeiro Antonico das Pedras-Águas cobiçam coisas um do outro. Antonico deseja a mula de Manuel e este deseja uma sela que Antonico possui. A mula de Manuel é muito amada pelo dono, pois sempre o salva de suas enrascadas.

Manuel fica noivo de Das Dores e bebe muito durante a comemoração de seu noivado. Enquanto isso, Targino, o verdadeiro homem valente, chega e diz que dormirá com Das Dores.

Preocupado, Manuel Fulô chama Antonico das Pedras-Águas e o feiticeiro topa ajudá-lo com uma troca: fechar-lhe o corpo em troca de receber a mula de Manuel.

O acordo é feito e o duelo com Targino acontece. Manuel vence, matando Targino, e finalmente é reconhecido como valentão do lugar. No entanto, é um valentão “decorativo”, que continua bebendo e dormindo no lombo da mula, que agora pega emprestada.

8. Conversa de bois

Personagens:

Tiãozinho, Didico, Agenor Soronho e Brilhante (boi).

História:

O Tiãozinho, menino, e Didico fazem uma viagem em um carro de bois levando um defunto, pai de Tiãozinho, e uma carga de rapadura. O carreiro Agenor não é bem-visto por Tiãozinho, porque mandava no menino e era mau com ele. Além disso, Agenor havia sido amante da mãe de Joãozinho durante a doença de seu pai.

À frente, os bois que puxa, o carro conversam sobre homens e sobre um boi que pensava como homem. O boi Brilhante conta aos outros a história do boi Rodapião, o boi que pensava como homem. Os pensamentos do menino Tiãozinho se misturam com a conversa dos bois.

Durante o trajeto, Agenor deseja mostrar a Tiãozinho que era bom carreiro e força os bois a puxarem o carro em uma grande ladeira. Agenor consegue o feito e depois cochila tranquilamente.

Com raiva pelos maus tratos, os bois percebem o descanso do homem e, para machucá-lo, puxam o carro bruscamente. Agenor cai e a roda do carro passa por cima de seu pescoço.

9. A hora e a vez de Augusto Matraga

Personagens:

Augusto Esteves, Major Consilva, Ovídio Moura e Joãozinho Bem-bem.

História:

Dono de muitos bens por conta de seu pai, Augusto Esteves tem grande influência no povoado onde vive. Até que seu pai falece e Augusto perde seus bens.

Um dia, é avisado de que seu maior inimigo, Major Consilva, tomou todos os seus capangas e que sua esposa e sua filha fugiram com Ovídio Moura. Augusto tenta recuperar os capangas para buscá-las, mas é agredido por eles. Os funcionários, que agora recebiam um salário melhor, eram fiéis a Major Consilva.

Machucado, Augusto é encontrado por um casal de idosos simples que o levam para casa e cuidam dele. O jovem recebe constantes visitas de um padre até que passa por uma transformação espiritual: todo seu sofrimento é uma demonstração da vida no inferno. A partir daí, seu maior objetivo se torna ir para o céu.

Após um tempo, Augusto se recupera e se muda com o casal para a única propriedade que lhe resta. Trabalha arduamente para pagar seus pecados e recompensar o casal que o salvou.

Até que Joãozinho Bem-Bem, maior jagunço do sertão, e seu bando chegam na cidade. Augusto e Joãozinho estabelecem uma grande amizade, mas pouco tempo depois o jagunço segue seu caminho.

Pressentindo a própria morte, Augusto resolve deixar a cidade e, por acaso, encontra Joãozinho Bem-Bem. O jagunço estava prestes a matar uma família por vingança, mas Augusto pede para que ele não cumpra a execução. Se sentindo afrontado, Joãozinho Bem-Bem trava um duelo com Augusto e, no fim, ambos morrem.

Sobre o autor

Nascido no interior de Minas Gerais, João Guimarães Rosa nasceu em 27 de junho de 1908 e faleceu aos 59 anos, em 19 de novembro de 1967. Durante a infância iniciou os estudos em francês sozinho e, posteriormente, estudou também holandês e alemão.

Estudou Medicina e se formou, atuando como médico durante um período de sua vida. Deixou a função por vários fatores, mas principalmente pela falta de estrutura onde vivia. Antes de atuar publicar suas obras, Guimarães Rosa foi também diplomata.

 

João Guimarães Rosa. Foto: FolhaPress

Foto: FolhaPress

Guimarães Rosa publicou seus primeiros contos somente aos 38 anos. O conhecimento que adquiriu em seu trabalho como médico e como diplomata ajudou a moldar o estilo de sua escrita.

Três dias antes de falecer, Guimarães Rosa ocupou a cadeira nº2 na Academia Brasileira de Letras. Também chegou a ser indicado para o prêmio Nobel de Literatura, mas faleceu no mesmo ano, o que cancelou sua participação.

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Jornalista formada pela UNESP e analista de mídias sociais do Kuadro. É responsável por administrar as postagens do Blog, do Facebook, do Instagram e do Twitter. Se tiver sugestões de conteúdo deixe nos comentários!

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