Setembro Amarelo: Breve história e como esse programa tem ajudado pessoas no mundo inteiro

O Brasil é o oitavo país em número absoluto de suicídios. Em 2012 foram registrados 11.821 mortes, cerca de 30 por dia, sendo 9198 homens e 2623 mulheres, Entre 2000 e 2012, houve um aumento de 10,4% na quantidade de mortes, sendo observado um aumento de 30% entre jovens.  Os números brasileiros devem, entretanto, ser analisados com cautela. Em primeiro lugar, porque deve haver uma subnotificação do número de suicídios, em segundo lugar porque há uma grande variabilidade regional das taxas. 

Os processos seletivos concorridos e/ou as negligências das universidades brasileiras são determinantes sérias e reconhecidas como agravantes ou causas da depressão, o principal motivo que desencadeia o suicídio, do jovem brasileiro. Durante muito tempo se evitou tocar no assunto, mas agora, mais do que nunca, é o momento para fazermos o que está ao nosso alcance para ajudar os jovens brasileiros! 

E o Kuadro não poderia deixar de falar sobre! Afinal, nos importamos com nossos alunos e tudo o que envolve o percurso deles em busca da tão sonhada faculdade nos interessa, e a saúde emocional faz parte desse percurso. 

Esse mês temos a campanha Setembro Amarelo. Mas o que é realmente essa campanha e como ela pode ajudar?

Abaixo, um trecho de como tudo começou, retirado do site oficial da campanha: 

“Desde 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP, em parceria com o Conselho Federal de Medicina – CFM, organiza nacionalmente o Setembro Amarelo®. O dia 10 deste mês é, oficialmente, o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, mas a campanha acontece durante todo o ano.

São registrados cerca de 12 mil suicídios todos os anos no Brasil e mais de 01 milhão no mundo. Trata-se de uma triste realidade, que registra cada vez mais casos, principalmente entre os jovens. Cerca de 96,8% dos casos de suicídio estavam relacionados a transtornos mentais. Em primeiro lugar está a depressão, seguida do transtorno bipolar e abuso de substâncias.

Com o objetivo de prevenir e reduzir estes números a campanha Setembro Amarelo® cresceu e hoje conquistamos o Brasil inteiro. Para isso, o apoio das nossas federadas, núcleos, associados e de toda a sociedade é fundamental.

Como resultado de muito esforço, em 2016, garantimos espaços inéditos na imprensa e firmamos muitas parcerias. Conseguimos também iluminar monumentos históricos, pontos turísticos, pela primeira vez o Cristo Redentor, espaços públicos e privados no Brasil inteiro. Centenas de pessoas participaram de caminhadas e ações para a conscientização sobre este importante tema.”

Porque a cor da campanha é amarelo?

A cor da campanha foi adotada por conta da trágica história que a inspirou. Em 1994, um jovem americano de apenas 17 anos, chamado Mike Emme, tirou a própria vida dirigindo seu carro amarelo. Seus amigos e familiares distribuíram no funeral cartões com fitas amarelas e mensagens de apoio para pessoas que estivessem enfrentando o mesmo despreparo de Mike, e a mensagem foi se espalhando pelo mundo.

É importante destacarmos alguns mitos referentes ao suicídio: 

  • É proibido que a mídia aborde o tema suicídio: a mídia tem obrigação social de falar sobre esse importante assunto de saúde pública e abordar esse tema de forma adequada. Isso não aumenta o risco de uma pessoa se matar, pelo contrário, é fundamental dar informações sobre o problema, onde buscar ajuda, etc. 
  • Quando uma pessoa pensa em se suicidar terá risco de se suicidar pelo resto da vida: O risco de se suicidar pode ser eficazmente tratado e , após isso, a pessoa não estará mais em risco.
  • Quem fala sobre suicídio não está falando sério: Se alguém fala a respeito, está buscando ajuda e suporte. Um número significativo daqueles que completam o suicídio estão passando por ansiedade, depressão e falta de esperança e podem sentir que não há outra alternativa.
  • A maior parte dos suicídios ocorre sem aviso prévio: A maioria dos suicídios é procedida por diversos sinais de alerta verbais ou comportamentais. É importante entender quais são esses sinais e procurar por eles, como: tentativa prévia de suicídio, distúrbios mentais, histórico familiar, falta de esperança, abuso de álcool e outras substâncias, genética e fatores biológicos, etc. 
  • Alguém com propensão ao suicídio está determinado a morrer. Pessoas com tendência suicida são pessoas ambivalentes sobre viver ou morrer e o ato pode, ainda que raramente, ocorrer por impulso. Acessos a apoio emocional nessa hora pode ser determinante para evitar o suicídio. 
  • Não devemos falar sobre suicídio, pois isso pode aumentar o risco: Falar sobre suicídio não aumenta o risco. Muito pelo contrário, falar com alguém sobre o assunto pode aliviar a angústia e a tensão que esses pensamentos trazem. 

Diversos fatores podem impedir a detecção precoce e, consequentemente, a prevenção do suicídio. O estigma e o tabu relacionados ao assunto são aspectos importantes. Durante séculos de nossa história, por razões religiosas, morais e culturais, o suicídio foi considerado um grande pecado, talvez o pior deles. 

Por essa razão, ainda temos medo e vergonha de falar abertamente sobre esse importante problema de saúde pública. Um tabu arraigado em nossa cultura, por séculos, não desaparece sem o esforço de todos nós. Tal tabu, assim como a dificuldade de procurar ajuda, a falta de conhecimento e de atenção sobre o assunto por parte dos profissionais de saúde e a ideia errônea de que o comportamento suicida não é um comportamento frequente constroem barreiras para a prevenção. 

Lutar contra esse tabu é fundamental para que a prevenção seja bem-sucedida. 

Site oficial da campanha: https://www.setembroamarelo.com/

Texto criado por: Renata Lott,

Psicóloga, psicopedagoga, coach e empreendedora com experiência em ajudar adolescentes e jovens a vivenciarem suas novas descobertas através do processo de autoconhecimento e desenvolvimento emocional.   

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