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Setembro Amarelo: vestibular e saúde mental

Você conhece o Setembro Amarelo? Neste post a gente conta sobre a campanha e sua relação com vestibular e saúde mental de estudantes!

O que é o Setembro Amarelo?

Iniciado em 2015 em Brasília (DF), o “Setembro Amarelo” é uma campanha brasileira de prevenção ao suicídio. A iniciativa surgiu como uma parceria entre o Centro de Valorização da Vida (CVV), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

O mês de setembro foi escolhido porque no dia 10 deste mês se comemora o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.

A ABP publicou em 2014 uma cartilha a respeito do tema. Quero ler a cartilha.

Jovens em foco no Setembro Amarelo

Os números sobre suicídio no Brasil e no mundo mostram que os jovens estão entre os grupos mais propensos.

Segundo dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (2017), o suicídio é a quarta maior causa de morte entre jovens de 15 e 29 no Brasil. No mundo, a situação é ainda pior: o suicídio é a segunda maior causa de morte desse grupo, atrás somente da violência.

Embora nos últimos dois anos o número de casos tenha estabilizado no país, houve crescimento entre os anos de 2011 e 2015.

Inúmeros fatores são levados em consideração quando falamos de suicídios entre pessoas mais jovens. Transtornos mentais costumam estar associados às tentativas, especialmente quando combinados com angústias sociais (aceitação, cobrança de familiares e da escola, bullying, entre outros).

É comum que alguns desses fatores ocorram simultaneamente. Para muitos adolescentes e jovens adultos pode ser difícil lidar com as frustrações.

O estudo “Coping e saúde mental de adolescentes vestibulandos fala sobre o tema. Realizado por pós-graduandas da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), o estudo afirma que a adolescência pode ser “um momento de fragilidade para alguns indivíduos, potencializando o surgimento de eventuais crises decorrentes de mudanças físicas, psicológicas, sociais e culturais”.

Em entrevista ao jornal G1, o psiquiatra Elton Kanomata, do hospital Albert Einstein (SP) reforça a ideia. Kanomata afirma: um dos pontos de diferença entre jovens e pessoas mais velhas é que a parte cognitiva do jovem ainda está em desenvolvimento.

Pressão, vestibular e saúde mental

Dentro desse contexto, a pressão pré-vestibular entra como um fator que pode afetar a saúde mental de muitos estudantes. Quem já passou pelo vestibular ou acompanha o processo de algum conhecido sabe como o período pode ser desgastante.

O estudo da PUC-GO afirma que o vestibular pode ser entendido nesse processo como: “um dos geradores ou agravadores de crise, podendo ser um evento estressante para o adolescente”.

Sentimentos como estresse e a insegurança costumam ser comuns em vestibulandos. Esses sentimentos costumam pegar especialmente os que têm a autoestima mais baixa.

 A frequência deles pode desencadear na ansiedade. A ansiedade é um estado emocional de reação a situações de perigo, causa sintomas físicos como taquicardia, tremores e suor.

Psicóloga clínica comportamental, a Ma Aline De Marco Silveira trabalha com vestibulandos explica como se dá a situação para esse grupo:

“Sentir ansiedade para passar em uma prova para a qual viemos nos preparando há um ano é sinal de que nos importamos com aquilo. Nesse aspecto a ansiedade vem como um mecanismo natural para nos impulsionar e motivar. Entretanto, o que chamamos de ‘sentir pressão para passar no vestibular’ sinaliza que, provavelmente, estamos descrevendo uma série de consequências negativas diante da possibilidade de não passar. Tais como: ‘se eu não passar terei que fazer outro ano de cursinho’, ‘se não passar meu esforço foi em vão’, ‘se não passar terei falhado no que me propus'”.

É importante salientar que esses pensamentos negativos são socialmente aprendidos, ou seja, aparecem como consequência dos ensinamentos de outras pessoas com quem o indivíduo convive.

O que está por trás do estresse pré-vestibular?

Há alguns fatores que podem tornar o vestibular em uma fase conturbada.

1. Escolha da carreira e as consequências para o futuro

A adolescência marca a passagem da infância para o início da vida adulta. O vestibular, por envolver o futuro profissional, traz grandes preocupações ao vestibulando por conta da grande responsabilidade que a escolha da carreira exige.

É comum que vestibulandos escutem que a escolha do curso define tudo que farão profissionalmente. Portanto, essa decisão deve ser o mais acertada possível.

Lucas Carvalho, aluno do Kuadro aprovado em Engenharia Aeroespacial na UFSC, conta sua visão:

“A maior dificuldade foi justamente encontrar o caminho que eu ia seguir, para qual área. É praticamente você decidir nesse ano o que vai fazer para o resto da vida. É um peso muito grande para aguentar nas costas”.

Veja o depoimento dele abaixo:

Para os vestibulandos, geralmente entre 17 e 22 anos, a pressão embutida nessa ideia pode ser perigosa. Isso porque a maioria nunca teve experiências (pessoais ou profissionais) que deem a dimensão de em qual profissão atuar.

Esse contexto faz com que o estudante tenha poucos parâmetros na hora de escolher o curso para o vestibular. É comum que ele(a) considere:

a) as matérias em que tem mais afinidade;

b) a profissão de pais ou outros familiares por quem ele tem apreço;

c) informações como salário médio e estabilidade encontradas em guias informativos ou na internet.

No entanto, esses parâmetros não envolvem outras questões importantes. É importante, por exemplo, o conhecimento de mercado (possibilidades profissionais) e a noção do cotidiano de trabalho (se haverá chances de trabalhar no fim de semana ou se precisará viajar com frequência, por exemplo).

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2. Concorrência e aprovação

A escolha da carreira já é um passo bastante complexo. Além disso ainda é ainda necessário que o aluno garanta a sua aprovação em provas de alta concorrência.

Lucas Carvalho conta: “A questão do vestibular que eu escolhi tentar ser um dos mais concorridos era uma cobrança muito alta que eu tinha sobre mim mesmo”.

Fotografia de estudante sentado olhando para cima. Ilustra a ideia de vestibular e saúde mental.
Muitos estudantes se sentem desamparados durante o período pré-vestibular.

Pesquisadoras da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) publicaram em 2003 um estudo com cerca de 400 jovens a respeito do vestibular. Nele os estudantes pontuaram como fatores principais da ansiedade em vestibulando:

– o medo da reprovação (57,8%);

– a quantidade de conteúdos para estudar (48,2%);

– e o número reduzido de vagas no ensino superior público (36,4%).

3. Contexto socioeconômico

Além disso, as condições socioeconômicas do vestibulando influenciam a relação entre vestibular e saúde mental.

O estudo feito pelas pesquisadoras da PUC-GO pontua que o vestibular é um foco de inquietações tanto para alunos de baixa quanto de alta renda.

Segundo as pesquisadoras: “o nível superior é entendido pelos jovens de baixa renda como uma oportunidade de ascensão social. Contudo, para os jovens de classe média, a faculdade é uma condição sine qua non para garantir a manutenção do nível socioeconômico”.

Portanto, o vestibular pressiona tanto estudantes de baixa renda quanto de alta renda. No entanto, é importante lembrar que as pressões são diferentes e trazem diferentes consequências.

Veja também: 4 Passos Simples para Combater o Estresse Pré-Vestibular

Apoio nos momentos de tensão

Para ter uma preparação pré-vestibular com qualidade, evitando a sobrecarga, é necessário que o aluno tenha o direcionamento certo e, principalmente, apoio a todos os momentos.

É importante que ele ou ela se lembre de que a calma é importante para a aprovação e que o resultado do vestibular não faz dele ou dela uma pessoa pior.

No Kuadro, esse é o papel do acompanhamento pedagógico. Os alunos têm uma equipe responsável por motivá-lo e ajudá-lo a manter o foco durante os estudos. É papel dessa equipe também ouvir e entender os problemas do aluno.

O aluno aprovado do Kuadro Vinicius Araújo, aprovado no ITA, conta que seu orientador pedagógico, Markan Filho, o ajudou a manter a calma nos momentos de tensão: “Foi importante para manter minha tranquilidade”.

O Kuadro entende que o período do vestibular é bem importante na vida de um estudante e, por isso, é importante dar a devida atenção a cada aluno.

Por isso também apoiamos a campanha Setembro Amarelo! Faremos uma transmissão ao vivo para conversar com vestibulandos de todo o Brasil sobre vestibular e saúde mental.

Ainda há muitos movimentos que podem ser feitos para a conscientização sobre vestibular e saúde mental em jovens, mas falar sobre o tema é o primeiro passo!

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Cuide da sua saúde mental

Tanto para ter uma vida saudável quanto para ter um bom desempenho no vestibular é importante cuidar do próprio bem-estar.

Aline De Marco afirma que é importante “priorizar uma rotina de estudos que faça sentido e se encaixe na vida do aluno, mas não objetive a produção excessiva nem abra mão do sono, alimentação e momentos agradáveis”.

Por isso separamos alguns hábitos que vão te ajudar a cuidar do seu bem-estar nesse período:

– Alimentar-se bem: comer frutas, verduras e alimentos que dêem energia durante o dia e beber bastante água.

– Praticar atividades físicas: ajudam a manter a qualidade do sono, melhoram o estresse e a vitalidade do corpo.

– Dormir bem: deixar o corpo descansado para conseguir manter a rotina de estudos.

– Ter momentos de lazer: descansar a mente para evitar a sobrecarga.

Não sou vestibulando(a) mas conheço um(a) e quero ajudar. O que posso fazer?

Se você é parente ou amigo(a) de um(a) vestibulando(a), há algumas ações que você pode fazer para ajudá-lo a passar pelo período pré-vestibular de maneira mais tranquila.

A psicóloga Ma Aline De Marco dá algumas sugestões:

“Uma boa saída é sempre valorizar o desempenho diário, nos livrando da amarras do que esperamos encontrar no desempenho dos filhos e encarando que muitas vezes o aluno está dando o melhor que consegue com as ferramentas que tem. Entender demonstrações de cansaço, angústia e irritação como formas que o aluno encontrou de demonstrar o que está se passando dentro dele e, neste momento, caminhar no sentido de reconhecer esse sofrimento, buscando realizar conversas francas e acolhimento”.

Ajuda profissional

Se você precisa de apoio emocional, procure o Centro de Valorização da Vida (CVV). O serviço é anônimo, gratuito e atende em todo o país. É possível falar por diferentes meios:

Telefone: 188

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