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Vida de Bixo: Gabi Herculano

Para quem não sabe…

Olá, meu nome é Gabriella, tenho 20 anos – sendo três deles fazendo cursinho -, e agora neste semestre, consegui passar na faculdade de medicina pelo PROUNI.

Se eu disser que no começo não é desesperador, estarei mentindo. Isso porque pensamos tanto em passar, conseguir aquela tão esperada vaga, ficamos anos e anos estudando que não pensamos no depois.

Portanto, estarei aqui contando sobre minhas experiências, dando dicas e respondendo qualquer dúvida que apareça em vocês.

Então, sejam bem vindos à minha vida de bixo.

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Depois daqueles anos à espera de um tão sonhado ”aprovada em medicina”, é normal aquele frio na barriga só de pensar no primeiro dia de aula. Como eu fiquei mais de 3 anos sem contato com aprendizados novos ou ambientes novos (até porque o cursinho sempre gira em torno do ensino médio), me senti uma estranha no ninho.

Então eu separei aqui algumas dicas de acordo com o que aconteceu comigo na minha primeira semana de aula na faculdade.

1- Chegar o mais cedo possível.

Eu sei que vocês devem estar pensando duas coisas: ou eu sou muito ansiosa e quero que vocês não se atrasem ou eu sou louca. Mas eu juro que não é isso!

Há muitos cursos iniciando junto com o seu (tudo bem que o de medicina é integral, mas ele começa no mesmo horário que os cursos matutinos) e em que isso acarreta? Em centenas de estudantes desesperados e perdidos no meio dos corredores e os funcionários que auxiliam os calouros ficam com filas enormes e isso leva muito tempo.

Então, tente chegar cedo para não ter essa dor de cabeça logo no seu primeiro dia.

2- Tentar amizade com veteranos?

Se tem algo que está facilitando meu começo na área médica, eu devo aos meus veteranos. Eles podem até me zuar, me chamar de bixo, ou fazer com que eu encha o copo deles (essa parte eu já explico), mas a ajuda que eles deram foi fundamental.

Os veteranos são quem conhece a escola e já passaram pelo mesmo momento que o meu e o seu (ou futuramente o seu), então eles conseguem te dar uma base sobre o que estudar, por onde estudar, quais materiais são realmente necessários agora e onde tem comida boa com preço pequeno (acho que esse foi o ponto mais importante para mim).

3- Fazer ou não o trote?

Eu tive muito receio pelo fato de ter tanta notícia sobre os abusos que acontecem nos trotes, em específico os de medicina. Conversei com vários veteranos até me convencer a ir… e foi a melhor decisão que eu fiz.

Antes do trote começar, nos foi perguntado sobre quais produtos eles iriam jogar na gente e, caso alguém fosse alérgico, avisasse a comissão do trote, que anotava com canetão para sinalizar.

As coisas que me jogaram: ovo, tinta, farinha, ketchup, sardinha, maionese, água e gliter. Fiquei bem suja e fedida pra pedir dinheiro no farol.

Mas tudo isso que eu fiz, foi porque EU REALMENTE QUIS. Em todas as etapas era perguntado a todos se queriam realmente fazer, alguns não quiseram e tudo bem.

Depois, todos se reuniram no bar para beber ou apenas conversar mesmo. Essa parte é bem bacana porque você conhece muita gente da faculdade que nem imaginava, e eles foram tão legais que uma veterana até me deixou tomar banho na casa dela para ir mais cheirosa pra casa.

Enfim, os trotes são legais se você tiver liberdade de dizer não e ser respeitada. Na minha foi assim, e deveria ser assim para todas, não só em medicina. O respeito tem que estar em qualquer curso e em qualquer faculdade.

4- O medo do PBL

A minha faculdade é totalmente método PBL (quem não souber ou ainda tiver dúvidas, me mandem mensagem que eu faço um texto só para explicar) e no começo tive muito medo de não aprender de verdade ou não me adaptar a nada. Mas uma coisa eu digo a vocês: esse método é sensacional. Você estuda muito, só que suas conexões e sua absorção com a matéria dada é muito maior do que qualquer outro método.

Dica: se forem para uma metodologia ativa, esqueçam totalmente do tradicional e abram suas mentes para novas informações e para esse novo conceito que eu tenho certeza que vocês vão se adaptar.

5- Homenagem ao cadáver

Antes de ter uma aula de anatomia ou morfo ( como é chamada na minha) existe uma homenagem às peças cadavéricas que nos auxiliam nos estudos.

Os alunos ficam envolta de um corpo coberto por um pano e ao longo da oração ao cadáver, os professores retiram o pano. É um momento bem complexo e que eu acho totalmente necessário para nós da medicina.

Isso porque quando entramos em uma sala de anatomia, estamos loucos para ver um corpo todo aberto, nossa curiosidade prevalece, e é normal. Só que, quando a homenagem começa e o pano cai, percebemos que fomos um pouco cruéis, porquê não olhamos ele como uma pessoa que teve família, amigos, amores e ao final de sua vida foi considerado indigente.

Essa visão e esse respeito por eles é de extrema importância para a nossa vida médica.

Gabi Herculano, Vida de bixo

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