Resumo de biologia: Desequilíbrios ambientais: Poluição



Poluição atmosférica: Gases nocivos

Poluição é a introdução de substâncias ou agentes prejudiciais ao ambiente, em grande parte produzidas pelo homem, com origem industrial, veicular, agrícola ou doméstica, que são lançadas no ar, na água ou no solo, causando danos à fauna, flora e aos ecossistemas como um todo, provocando impactos negativos no meio ambiente e na saúde das pessoas.

A chuva ácida é um dos problemas causados pela poluição atmosférica, que ocorre quando certos poluentes, como dióxido de enxofre (SO2) e óxidos de nitrogênio (NOx), emitidos principalmente por usinas termelétricas, veículos e indústrias, reagem com o vapor de água na atmosfera, formando ácidos sulfúrico (H2SO4) e nítrico (HNO3), que são transportados pelas correntes de ar e incorporados às nuvens. Quando a chuva cai, ela carrega consigo esses ácidos, resultando na chuva ácida, que podem causar danos significativos a ecossistemas, corpos d'água, plantações e edificações, além de afetar a saúde humana.

O monóxido de carbono (CO) é um gás incolor, inodoro e altamente tóxico que se forma principalmente devido à combustão incompleta de materiais ricos em carbono, como combustíveis fósseis (gasolina, diesel, carvão e gás natural), além de estar presente em outros processos de combustão, como incêndios florestais e queima de biomassa. O CO se liga à hemoglobina presente no sangue de forma mais eficiente do que o oxigênio, formando carboxiemoglobina, resultando na redução da capacidade do sangue em transportar oxigênio para os tecidos, levando a dores de cabeça, tonturas, náuseas, vômitos, confusão mental e fraqueza. Em níveis mais elevados de exposição, pode levar a danos cerebrais, convulsões, coma e até mesmo à morte.

Os Clorofluorocarbonetos (CFCs) são compostos químicos sintéticos que foram amplamente utilizados em refrigeradores, aerossóis, sistemas de ar-condicionado e espumas durante o século XX. Infelizmente, quando liberados na atmosfera, os CFCs têm um impacto significativo na camada de ozônio, pois quando chegam à estratosfera, são transformados na presença de luz ultravioleta, liberando átomos de cloro que interagem com ozônio, provocando sua decomposição, destruindo gradualmente a camada de ozônio. Conscientes dos danos causados pelos CFCs, os países concordaram em adotar o Protocolo de Montreal em 1987, comprometendo-se a eliminar gradualmente a produção e o consumo dessas substâncias para proteger a camada de ozônio e a saúde do planeta. 

Outro gás poluente que devemos nos lembrar é o gás metano (CH4), pois é um poderoso gás de efeito estufa, contribuindo para o aquecimento global. Sua origem decorre da agropecuária extensiva, já que o metano é gerado pela digestão de animais e processos agrícolas intensivos. 

 

Efeito estufa, aquecimento global, ilhas de calor e inversão térmica

O efeito estufa é um fenômeno natural e vital para a vida na Terra, que ocorre devido à presença de gases na atmosfera, como dióxido de carbono (CO2), metano (CH4), óxido nitroso (N2O), dentre outros, que atuam como uma "cobertura" que retém parte do calor do Sol na superfície do planeta, mantendo a temperatura média global adequada para a existência de vida. No entanto, a atividade humana, especialmente a queima de combustíveis fósseis, desmatamento e produção agrícola intensiva, tem levado a um aumento significativo das concentrações desses gases na atmosfera, intensificando o efeito estufa, resultando no aquecimento global, uma mudança climática em escala planetária que traz consigo impactos severos, como o derretimento das calotas polares, elevação do nível do mar, eventos climáticos extremos, alterações nos padrões de precipitação e ameaça à biodiversidade.

Para combater o aquecimento global, são necessárias ações globais e locais que reduzam as emissões de gases de efeito estufa, como a diminuição na utilização de combustíveis fósseis, adoção e investimento em outras fontes energéticas limpas e renováveis, diminuir o desmatamento e iniciativas para reflorestar áreas degradadas, promover a, além de medidas de adaptação para enfrentar os impactos já inevitáveis das mudanças climáticas.

As ilhas de calor são fenômenos urbanos caracterizados por temperaturas significativamente mais altas em áreas urbanas em comparação com as áreas circundantes rurais, causada principalmente pelas atividades humanas e características das cidades, como o intenso uso de materiais impermeáveis e que absorvem calor, pavimentação extensiva, edifícios altos, produção de calor por indústrias e veículos, além da escassez de áreas verdes. As ilhas de calor têm implicações para a saúde pública, a qualidade do ar, o consumo de energia e o bem-estar das populações urbanas, tornando-se um desafio importante para o planejamento urbano sustentável e a adoção de soluções para reduzir seus efeitos adversos.

A inversão térmica é um fenômeno atmosférico, ocorre principalmente nas estações mais frias do ano, que interfere na convecção natural do ar, não formando correntes de ar quente próximas a superfície, que quando sobem, acabam levando poluentes e partículas tóxicas para as camadas mais altas da atmosfera. Esse fenômeno é comum em áreas urbanas e regiões geográficas específicas, e pode causar a retenção de poluentes próximos à superfície, resultando em problemas de qualidade do ar, impactando negativamente a saúde das pessoas e o meio ambiente.
 

Poluição das águas: Eutrofização e outros poluentes

A eutrofização é um processo de degradação dos corpos d'água, como lagos, rios e lagoas, causado pelo aumento excessivo de nutrientes, especialmente nitrogênio e fósforo, em suas águas, proveniente, geralmente, de atividades humanas, como escoamento de fertilizantes agrícolas, esgotos domésticos e descargas industriais. O aumento das concentrações de nutrientes desencadeia um crescimento descontrolado de algas e plantas aquáticas, conhecido como floração, que cobre a superfície da água, bloqueando a luz solar de atingir as camadas mais profundas e reduzindo os níveis de oxigênio dissolvido, pois com o aumento da matéria orgânica no ambiente aquático, há aumento da decomposição aeróbica. Esse cenário prejudica a vida aquática, pois a fauna que depende de oxigênio sofre com a diminuição desse elemento essencial, levando à morte de peixes e outros organismos, além de causar mudanças drásticas no ecossistema aquático.

Além dos impactos na biodiversidade e na saúde dos ecossistemas aquáticos, a proliferação de algas tóxicas pode liberar toxinas prejudiciais à saúde humana e animal, além disso, a morte em massa de peixes e a deterioração da qualidade da água prejudicam as atividades econômicas e recreativas associadas aos corpos d'água. Para combater a eutrofização, é fundamental adotar práticas de gestão adequadas, como tratamento de esgoto, controle de uso de fertilizantes e manutenção de áreas de vegetação natural ao redor das fontes de água, a fim de reduzir o escoamento de nutrientes e proteger a qualidade dos ecossistemas aquáticos.

A acidificação dos oceanos é um fenômeno causado pelo aumento das concentrações de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, já que uma parcela desse gás é absorvida pelos oceanos, onde reage com a água para formar ácido carbônico, levando à diminuição do pH da água do mar. Esse processo tem consequências sérias para a vida marinha, especialmente para organismos como corais, moluscos e plâncton que dependem de carbonato de cálcio para formar suas conchas e esqueletos, ameaçando a biodiversidade e os recursos pesqueiros essenciais para bilhões de pessoas que dependem do oceano para sua subsistência. 

Quando ocorrem derramamentos de petróleo em oceanos, mares ou rios, grandes quantidades de óleo se espalham pela superfície da água, formando uma película que impede a entrada de luz solar, prejudicando a fotossíntese das plantas aquáticas e afetando toda a cadeia alimentar. Além disso, o petróleo contém compostos tóxicos que são liberados na água e afetam diretamente a vida marinha, causando danos às nadadeiras, penas e pelos dos animais, afetando sua capacidade de regular a temperatura corporal e levando à asfixia de animais aquáticos, como peixes, aves marinhas e mamíferos marinhos. A poluição por petróleo também tem impactos econômicos, prejudicando a pesca e a indústria turística em áreas afetadas, além de exigir esforços extensos e custosos para limpeza e recuperação dos ecossistemas marinhos e costeiros.
 

Poluição das águas e do solo: Magnificação trófica e resíduos sólidos

A magnificação trófica é um fenômeno no qual certos poluentes, como pesticidas e metais pesados, aumentam sua concentração à medida que são transferidos de um nível trófico para outro em uma cadeia alimentar. Quando esses poluentes são introduzidos no ambiente, são frequentemente absorvidos por pequenos organismos, como plâncton ou peixes menores e à medida que esses organismos são consumidos por predadores maiores, os poluentes são transferidos e acumulados em seus tecidos em concentrações cada vez mais altas. Esse processo resulta em altas concentrações de poluentes nos topos da cadeia alimentar, como peixes grandes, aves de rapina e mamíferos marinhos, representando um risco significativo para a saúde dessas espécies e, potencialmente, para a saúde humana, caso consumamos alimentos contaminados ao longo dessa cadeia. 

Os lixões são depósitos inadequados de resíduos sólidos, onde o lixo é simplesmente descartado sem tratamento ou medidas de controle adequadas. pois os resíduos biodegradáveis se decompõem de forma anaeróbica, liberando gases de efeito estufa, como metano, e lixiviados tóxicos, como o chorume, que contaminam o solo e as águas subterrâneas. Quando resíduos não biodegradáveis chegam ao ambiente, como plásticos, metais e alguns tipos de vidros, eles não sofrem decomposição de maneira natural, portanto a crescente produção e descarte inadequado desses materiais resultam em problemas ambientais graves, como a poluição do solo, água e ar. 
 

Desenvolvimento sustentável

O desenvolvimento sustentável é um conceito que busca atender às necessidades das gerações presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atenderem às suas próprias demandas, englobando a integração de aspectos econômicos, sociais e ambientais, buscando um equilíbrio entre o crescimento econômico, a inclusão social e a proteção ambiental. O desenvolvimento sustentável reconhece a interdependência entre esses três pilares e procura promover a conservação dos recursos naturais, a redução das desigualdades sociais e a promoção de práticas econômicas responsáveis e inclusivas, como por exemplo a implementação de fontes de energia renovável, como energia solar e eólica, para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e mitigar as mudanças climáticas, a promoção de programas de reciclagem e gestão adequada de resíduos sólidos contribui para a redução do desperdício e a conservação de recursos naturais, a proteção de áreas de conservação, como parques nacionais e reservas naturais, preservando a biodiversidade e os ecossistemas essenciais para o equilíbrio ecológico. 

A Agenda 2030 é um marco global adotado pelas Nações Unidas em setembro de 2015, que visa acelerar o progresso em direção ao desenvolvimento sustentável em todo o mundo até o ano de 2030. O documento apresenta 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que englobam áreas como erradicação da pobreza, saúde e bem-estar, educação de qualidade, igualdade de gênero, acesso à água potável, energia limpa, crescimento econômico sustentável, redução das desigualdades e proteção dos ecossistemas e biodiversidade, entre outros. A Agenda 2030 visa mobilizar ação conjunta de governos, sociedade civil, setor privado e organizações internacionais para enfrentar os desafios globais e construir um mundo mais próspero, justo e ambientalmente responsável para as gerações presentes e futuras.

A pegada ecológica é um indicador que mede o impacto ambiental de uma pessoa, comunidade ou país em relação aos recursos naturais disponíveis e através desse cálculo, podemos avaliar a sustentabilidade dos padrões de consumo e estilo de vida, identificando se estamos utilizando mais recursos do que a capacidade de regeneração do planeta. Uma pegada ecológica excessiva pode levar à degradação ambiental, esgotamento de recursos naturais e agravamento das mudanças climáticas, portanto, é essencial adotar práticas mais sustentáveis, como o consumo consciente, a promoção da reciclagem e a preservação dos ecossistemas, para garantir a saúde do planeta e o bem-estar das futuras gerações.