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Resumo de filosofia: Filosofia Medieval – São Tomás de Aquino



Filosofia Medieval – São Tomás de Aquino

Figura 1 - São Tomás de Aquino - Fra Angelico - c. 1438-1440 - Collezione Vittorio Cini - Veneza - Fra Angelico [Public domain], <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Angelico,_san_tommaso_d%27aquino_alla_fondazione_cini.jpg">via Wikimedia Commons</a>

A Idade Média  foi um período longo que abarcou diversas fases culturais e políticas. A filosofia medieval é dividida em dois momentos: a Patrística, encabeçada por Santo Agostinho, que vimos em Filosofia Medieval - Santo Agostinho , e a Escolástica, que abordaremos aqui. A principal característica desta era a união entre razão e , a relação com Aristóteles e a base empírica para desenvolver seu método. Vamos lá.

Tomás de Aquino (1225-1274) foi um eclesiástico italiano pertencente à Ordem dos Dominicanos e conhecido pela contribuição para o desenvolvimento da Escolástica, filosofia medieval nascida nos mosteiros europeus. Ele viveu no século XIII, momento em que as universidades já eram uma realidade, assim como o monasticismo, que era parte da vida religiosa dos monges. Dessa maneira, se educou em teologia, tornando-se doutor em 1259. Lecionou na Itália e na França, e faleceu no seu país natal em 1279.

Em uma vida dedicada aos estudos, procurou desenvolver o pensamento teológico cristão que ganharam força no medievo. Diferente de Santo Agostinho, que escreveu suas teses no fim do Império Romano do Ocidente e no início da expansão da Igreja.

Já Aquino conhecia um Cristianismo consolidado e um Catolicismo que se fortaleceram após o Cisma do Ocidente, de 1095. A Baixa Idade Média é caracterizada pela difusão cultural e comercial, que modificaram, aos poucos, a sociedade europeia. Ainda assim, a grande dualidade encontrada nos seios intelectuais era a relacionada à Razão e à , o que era a principal preocupação dos pensadores, lidar com o canônico para a Igreja e o que os filósofos antigos diziam.

Aquino não era um grande conhecedor das línguas antigas, como o grego, dominava apenas o latim, então seu contato com autores clássicos ocorreu por meio de traduções. Dessa forma, encontrou os escritos de Aristóteles, até então proibidos pela Igreja, após a tradução feita pela Escola de Tradutores de Toledo, que se dedicava a traduzir filósofos da Antiguidade em geral, não apenas gregos, para o latim.  Foram essenciais para a disseminação do pensamento crítico antigo durante a Idade Média, auxiliando no que se desenvolverá no Humanismo, por exemplo.

A alta hierarquia da Igreja considerava que a obra de Aristóteles contradizia os ensinamentos católicos e a tornaram proibida para consumo depois do Concílio de Paris de 1211. Houve, contudo, uma pressão interna, pois esses escritos seriam fundamentais para o desenvolvimento erudito, por exemplo. O Papa Gregório IX (1145-1241) passou a liberar, aos poucos, a leitura, o que agradou os teólogos.

No caso de Aquino, o encontro com o pensamento aristotélico foi um ponto nevrálgico para a construção da sua teoria. Os escritos do filósofo grego eram vistos como incompatíveis com a visão de mundo pregada pelo Cristianismo. Aristóteles não negava Deus, mas não desenvolvia esse Deus cristão onisciente, onipresente e criador de tudo e de todos. Contudo, uma das fórmulas utilizadas pelos medievalistas era a interpretação e adaptação das teorias antigas à sua visão cristã de mundo.

A teoria criada por São Tomás de Aquino se chamou Tomismo, que faz parte da Escolástica. Seu ponto de partido era a metafísica, as discussões ontológicas sobre ser e existir, balizadas pela teologia. Escreveu diversas obras, sendo as principais: Suma contra os gentios, de 1264 e a Suma Teológica, produzida entre 1265 e 1273, mas só foi publicada em 1485, na qual se dedicou aos principais pontos da sua teoria. Ele criou uma metodologia que alinhava Razão e que provava, empiricamente, a existência de Deus em cinco graus:

1. Movimento do Universo – Aristóteles dizia que tudo tem uma origem e causa, e Aquino as atribuiu a Deus.

2. Causa – mesmo que tudo tenha uma causa, Deus não foi originado de algo, ele é o início em si e essa ideia deve ser aceita, pois ela é a base de tudo para se levar uma vida plena de fato.

3. O necessário e o possível – apesar do mundo se transformar constantemente, isso só seria possível devido à vontade de Deus, que criaria o que era necessário mesmo. Deus é visto como aquele que movimento as vidas, as necessidades e possibilidades para que o ser possa, realmente, existir.

4. Níveis de perfeição – observa-se, claramente, a base platônica da sua ideia. A perfeição de tudo possui graus de alcance e o primeiro referencial é a verdade, ou seja, quanto mais próximo dela mais perfeito. E o que (ou quem) é a verdade? Deus. Ou seja, os caminhos guiam até eles.

5. Ordem de tudo – partindo da ideia aristotélica de fim, no sentido de finalidade, Aquino afirma que havia uma intenção no universo para que essa finalidade fosse alcançada, e quem moveria o mundo para que pudessem chegar nela seria Deus. Essa perspectiva abarcava a todos os homens, os conscientes galgavam o próprio caminho, enquanto os inconscientes também poderiam alcançar, e a palavra divina era o guia.

Assim, vemos que Deus é a unidade comum e primeira, que deu ao mundo a possibilidade de existência e desenvolvimento. O homem deve trilhar sua vida, dada por Ele, e buscá-Lo, haja vista que nossas ações estariam condicionadas à vontade Dele. Essa teoria só foi possível ser concebida a partir da leitura da Bíblia, além dos textos filosóficos. Observa-se a hierarquia da criação e uso da Razão para justificar a Fé. Elas são complementares e não antagônicas. A natureza e a vida no geral possuem uma origem definida, mas esta pode ser investigada, analisada, mesmo que a causa primeira fosse Deus.

Vale mencionar que, após sua morte, parte das suas ideias foram condenadas por membros da Igreja, sobretudo ao atestar a necessidade da evidência para crer. Isto é, Aquino acreditava que, pelo empirismo, era comprovável a existência e ação de Deus. Contudo, por tempos, essas ideias se tornaram heréticas. A contribuição da Escolástica para o pensamento medieval foi importante e será retomada posteriormente.

A Escolástica e o Tomismo de São Tomás de Aquino são cobrados nos vestibulares, geralmente, em comparação à Patrística e na contextualização da Idade Média. Enquanto a teoria de Santo Agostinho se relaciona com o início do período, a de Aquino ocorreu no final, quando as mudanças ficaram mais latentes.

Dica: Vejam O Nome da Rosa, escrito por Umberto Eco e que se tornou filme nas mãos de Jean-Jacques Annaud, lançado em 1986.

1. (Enem 2018) Desde que tenhamos compreendido o significado da palavra “Deus”, sabemos, de imediato, que Deus existe. Com efeito, essa palavra designa uma coisa de tal ordem que não podemos conceber nada que lhe seja maior. Ora, o que existe na realidade e no pensamento é maior do que o que existe apenas no pensamento. Donde se segue que o objeto designado pela palavra “Deus”, que existe no pensamento, desde que se entenda essa palavra, também existe na realidade. Por conseguinte, a existência de Deus é evidente.

TOMÁS DE AQUINO. Suma teológica. Rio de Janeiro: Loyola, 2002.

O texto apresenta uma elaboração teórica de Tomás de Aquino caracterizada por 

a) reiterar a ortodoxia religiosa contra os heréticos.    

b) sustentar racionalmente doutrina alicerçada na fé.    

c) explicar as virtudes teologais pela demonstração.    

d) flexibilizar a interpretação oficial dos textos sagrados.    

e) justificar pragmaticamente crença livre de dogmas.   

2. (Enem 2015) Ora, em todas as coisas ordenadas a algum fim, é preciso haver algum dirigente, pelo qual se atinja diretamente o devido fim. Com efeito, um navio, que se move para diversos lados pelo impulso dos ventos contrários, não chegaria ao fim de destino, se por indústria do piloto não fosse dirigido ao porto; ora, tem o homem um fim, para o qual se ordenam toda a sua vida e ação. Acontece, porém, agirem os homens de modos diversos em vista do fim, o que a própria diversidade dos esforços e ações humanas comprova. Portanto, precisa o homem de um dirigente para o fim.

AQUINO. T. Do reino ou do governo dos homens: ao rei do Chipre. Escritos políticos de São Tomás de Aquino. Petrópolis: Vozes, 1995 (adaptado).

No trecho citado, Tomás de Aquino justifica a monarquia como o regime de governo capaz de

a) refrear os movimentos religiosos contestatórios.   

b) promover a atuação da sociedade civil na vida política.   

c) unir a sociedade tendo em vista a realização do bem comum.   

d) reformar a religião por meio do retorno à tradição helenística.   

e) dissociar a relação política entre os poderes temporal e espiritual.   

Gabarito: 

Questão 3 - [B] – A questão é pura interpretação do texto, não é necessário ter uma noção aprofundada do assunto e sim saber entender o que o enunciado pede. Vemos que a citação discute o uso da razão para defender a existência de Deus, uma das características da Escolástica.

Questão 4 - [C] – Mais uma vez temos interpretação de texto. Neste caso, usa a metáfora do navio para discutir a onisciência e onipresença de Deus, que conduz a tudo para a verdade e o bem-comum. 

Tomás de Aquino (1225-1274) - Ordem dos Dominicanos

Escolástica e Tomismo

Razão e – base: Aristóteles – metodologia - evidência

Obras: Suma contra os gentios, de 1264 e a Suma Teológica, produzida entre 1265 e 1273

Teoria de cinco graus:

1. Movimento do Universo

2. Causa

3. O necessário e o possível

4. Níveis de perfeição

5. Ordem de tudo