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Resumo de filosofia: Francis Bacon e o Empirismo inglês



Francis Bacon e o Empirismo inglês 

Figura 1 - Retrato de Francis Bacon - Paul van Somer I - c.1617 - Paul van Somer I [Public domain], <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Somer_Francis_Bacon.jpg">via Wikimedia Commons</a>

O início da Modernidade ficou marcado pelo Renascimento cultural e científico. A Filosofia fez parte desse movimento por trazer novas abordagens para a construção do saber, criando metodologias com rigor a ser seguido. René Descartes (1596-1650) é considerado o “pai da Filosofia moderna” devido seu argumento que relacionava lógica, razão e individualidade. Veremos aqui um contemporâneo do francês, o inglês Francis Bacon (1561-1626) que foi um dos principais pensadores da época e criou o método baseado na indução e no empirismo.

Francis Bacon nasceu em Londres e frequentou a Universidade de Cambridge. Se tornou advogado e iniciou sua carreira política, que teve duas fases específicas. Apesar de ter acesso à corte e ter sido protegido por nobres, sofreu um pouco mais de dificuldade na época do reinado de Elizabeth I. Somente com a coroação de James I que alcançou algum progresso, assumindo o cardo de procurador-geral em 1607 e lorde chanceler em 1618. Em 1620, publicou o Novum Organum sua obra mais conhecida e logo teve um revés na sua profissão ao ser condenado por corrupção. O resultado, apesar de negativo, foi revertido e ficou pouco tempo preso na Torre de Londres.

Desde a época da universidade, começou a questionar filósofos da Antiguidade, sobretudo Aristóteles. Era comum os pensadores dos séculos XV, XVI e XVII discutirem as obras dos antigos, com destaque à existência de método de análise ou não. Isso se deve à nova maneira de adquirir o conhecimento e a verdade.

Desde o final do século XVI ele já produzia sobre a moral e a política. Ele era muito produtivo, escreveu diversas obras e em cada uma delas estabeleceu partes do seu argumento geral sobre como se devia entender e fazer a ciência. Sua influência nos autores modernos foi profunda, inclusive nos filósofos iluministas do século XVIII. De forma geral, Bacon fez parte de uma tradição inglesa que desenvolveu a teoria do Empirismo, que era o ato de se descobrir o saber por meio dos sentidos, ou seja, novamente circunscrevendo o conhecimento ao homem. É mais observação do que apenas reflexão, sendo mais técnico e prático do que metafísico.

Essa orientação do pensar era bem característica da Inglaterra, que já se organizava para dominar os mares e destituir o poder absolutista. A base do empirismo foi criticar os ensinamentos de Aristóteles, sobretudo sua lógica, seu raciocínio, que está relacionado ao ato de deduzir. Dessa maneira, pensavam que essa prática era falha e não pressupunha nenhuma inovação ao pensamento. Bacon acreditava no ato indutivo, que pedia o experimento. A ciência deve ser feita por meio da experimentação para que um resultado seja pertinente.

Outro ponto do seu método foi criticar a idolatria ou ídolos porque buscava o avanço e o progresso da ciência. Foi a chamada Teoria dos ídolos, pela qual exemplificou seu argumento:

1. Ídolos da Tribo – aqui existe o sentido de comunidade e sociedade, significa que os laços feitos nesse ambiente conhecido inibiriam os sentidos do indivíduo, que não conseguirá entender a sua volta sem esse filtro.

2. Ídolo da Caverna – são as amarras que o sujeito cria para si que não permitem observar o mundo a sua volta. É o lado subjetivo que deve ser atenuado para se fazer ciência.

3. Ídolos do Foro – se relaciona à comunicação dos homens entre si. Aqui, a linguagem adequada para cada situação seria fundamental para o entendimento entre os pares.

4. Ídolos do Teatro – são os da filosofia e ele argumenta que as teorias filosóficas formuladas até então são mais como peças encenadas por atores – os filósofos – do que caminhos que culminaram no avanço científico. Ele subdividiu essa categoria entre os sofistas, que teorizavam sem qualquer empirismo; os empíricos, que tentavam alguma metodologia, mas pouco sofisticados para produzirem resultados satisfatórios. Contudo, apresentavam essas respostas como teorias filosóficas, como Aristóteles e a dedução; e os supersticiosos, que se utilizavam de argumentos de uma base mitológica e combinavam com teorias filosóficas, como os escolásticos.

 

Vale destacar que para desenvolver esses pensamentos, Bacon teve muito contato com os antigos greco-romanos e os filósofos medievais. É errôneo acreditar que ele desprezava o que foi feito anteriormente. O ponto é que o inglês defendia o progresso científico e a filosofia deveria se adequar aos novos tempos, nos moldes de Descartes, mas este apostava na argumentação baseada na razão, ou seja, com uma ação reflexiva. Além disso, toda a teoria e metodologia baconiana se orientava na de Aristóteles, nem que fosse na negação.

O seu método é empírico, baseado na observação da experiência realizada pelo homem. Assim, conseguiria a resposta que deveria ser analisada e direcionaria os rumos daquele experimento. Esse “passo-a-passo” era utilizado para entender a ciência humana, o alcance do ser humano no mundo, sua ação e reflexão. Em suma, deve-se reunir os saberes acerca do objeto analisado, observar o que foi esquecido e se este esquecimento se deu pela inexistência do saber ou por metodologia equivocada. Inicia o seu caminho empírico para estabelecer a resposta geral, que alia os dados colhidos pela observação e análise do experimento e o ato de refletir acerca deles.

Bacon não nega o uso da razão, muito pelo contrário. Para evoluir cientificamente, é necessário compreender, executar e interpretar as etapas do método demonstrativo. Novas descobertas estavam relacionadas a esse ato de reflexão racional em conjunto com o método científico. A questão aqui, e por isso que muito o nomeiam como “pai do empirismo”, é que ele queria o desenrolar da técnica mirando o progresso. Mesmo que a filosofia tratasse de assuntos teóricos, Bacon acreditava que elas deveriam evoluir, serem postas à prova.

Francis Bacon é um dos principais filósofos da modernidade por criar a metodologia baseada no empirismo. Para os vestibulares é importante ter uma noção geral do seu argumento e saber diferenciá-los de contemporâneos como David Hume, Réne Descartes e John Locke.

1. (Uel 2018) Leia o texto a seguir.

Resta-nos um único e simples método, para alcançar os nossos intentos: levar os homens aos próprios fatos particulares e às suas séries e ordens, a fim de que eles, por si mesmos, se sintam obrigados a renunciar às suas noções e comecem a habituar-se ao trato direto das coisas.

(BACON, F. Novum Organum Trad. José Aluysio Reis de Andrade. São Paulo: Abril Cultural, 1973, p. 26.)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre o problema do método de investigação da natureza em Bacon, assinale a alternativa correta.

a) O preceito metodológico do “trato direto das coisas” supõe que cada um já possui em si as condições para realizar a investigação da natureza.   

b) A investigação da natureza consiste em aplicar um conjunto de pressupostos metafísicos, cuja função é orientar a investigação.   

c) As “séries e ordens” referentes aos fatos particulares resultam da aplicação dos pressupostos do método de investigação.   

d) A renúncia às noções que cada um possui é o princípio do método de investigação, que levará a ida aos fatos particulares.   

e) O método de interpretação da natureza propõe uma nova atitude com relação às coisas e uma nova compreensão dos poderes do intelecto.   

2. (Unesp 2016)  Os ídolos e noções falsas que ora ocupam o intelecto humano e nele se acham implantados não somente o obstruem a ponto de ser difícil o acesso da verdade, como, mesmo depois de superados, poderão ressurgir como obstáculo à própria instauração das ciências, a não ser que os homens, já precavidos contra eles, se cuidem o mais que possam. O homem se inclina a ter por verdade o que prefere. Em vista disso, rejeita as dificuldades, levado pela impaciência da investigação; rejeita os princípios da natureza, em favor da superstição; rejeita a luz da experiência, em favor da arrogância e do orgulho, evitando parecer se ocupar de coisas vis e efêmeras; rejeita paradoxos, por respeito a opiniões vulgares. Enfim, inúmeras são as fórmulas pelas quais o sentimento, quase sempre imperceptivelmente, se insinua e afeta o intelecto.

(Francis Bacon. Novum Organum [publicado originalmente em 1620],1999. Adaptado.)

Na história da filosofia ocidental, o texto de Bacon preconiza

a) um pensamento científico racional afastado de paixões e preconceitos.   

b) uma crítica à hegemonia do paradigma cartesiano no âmbito científico.   

c) a defesa do inatismo das ideias contra os pressupostos da filosofia empirista.   

d) a valorização romântica de aspectos sentimentais e intuitivos do pensamento.   

e) uma crítica de caráter ético voltada contra a frieza do trabalho científico.   

Gabarito: 

Questão 1 - [E] – Francis Bacon defendia o método indutivo para a interpretação da natureza, e sempre baseado na observação e experimentação. Ele se afasta do foco da reflexão como a única maneira de se obter conhecimento.

Questão 2 - [A] – Aqui, o aluno tem que conhecer a Teoria da Idolatria de Bacon, que argumenta que os ídolos influenciam o homem a ter preconceitos e noções pré-determinadas que dificultam encontrar a verdade.

Francis Bacon (1561-1626) – 1620 - Novum Organum

Teoria do Empirismo – observação e ato indutivo

Teoria dos ídolos - Ídolos da Tribo; Ídolo da Caverna; Ídolos do Foro; Ídolos do Teatro

Método é empírico