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Questões de português - IME 2009

Questão
2009Português

(IME-2009)  TEXTO 1 Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem NEVES, Auricléa Oliveira das. Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem. Amazonas: Universidade do Estado do Amazonas, 2008. As viagens têm um profundo significado na história da humanidade. Inicialmente, no período da coleta, as migrações se faziam pela necessidade de buscar alimentos, posteriormente elas foram realizadas para conquistar espaços mais apropriados para o bem estar da comunidade. Outros objetivos também suscitaram o deslocamento do homem: a posse de espaços territoriais, a exploração de riquezas, o conhecimento de novas terras, o estudo de locais específicos, ou simplesmente a viagem como forma de lazer. (...) No plano ficcional, vários autores no Ocidente, a partir do Homero, com a Odisséia, se dedicaram a usar as viagens como tema. Na literatura de língua portuguesa, os registros iniciais são oriundos dos relatos orais de marinheiros, apontamentos náuticos, diários de bordo, escritos de pilotos que, presumidamente, serviram de fonte para Gomes Eanes de Zurara, primeiro cronista conhecido das viagens oceânicas portuguesas. Na história literária na América e do Brasil, os primeiros registros advêm dos escritos de viajantes: o Diário de Critóvão Colombo e a Carta de Pero Vaz de Caminha. A revelação de novos espaços, paisagens, floras, faunas, costumes e religiões, as aventuras e peripécias de viagens mais fabulosas que dos romances de cavalaria e as dos poemas da Antiguidade, inspiraram [...] uma vasta literatura descritiva e narrativa, que assumiu várias formas desde os grandes tratados históricos ou geográficos em grossos volumes até às curtas reportagens em folhetos de cordel. (Saraiva & Lopes, 1982, p. 294). Em cada época, as jornadas se realizaram de formas e condições variadas, seus viajantes apresentam objetivos diversos como conquista, exploração, reconhecimento, administração, catequese, aventura ou lazer. Durante o iluminismo, com a mudança de mentalidade de muitos dirigentes, as relações entre os governos da Europa e suas colônias da América assumem novos significados, assim, as viagens passaram a ter o caráter científico. O empreendedor dessas jornadas tem a preocupação com a observação, a descrição e a classificação de tudo que há nas terras conquistadas no século XVI para que os governos possam inventariar a fortuna natural de suas colônias e obter controle sobre elas.   TEXTO 2 José de Anchieta, jesuíta hispano-brasileiro. UOL Educação. José de Anchieta, Jesuíta hispano-brasileiro. Disponível em: http://educação.uol.com.br/biografias/ult1789u421.jhtm>capturado em 18.05.09. José de Anchieta nasceu em família rica, numa das sete ilhas Canárias, de onde avistava os navios que se abasteciam no ponto de Tenerife para seguir rumo ao Oriente ou ao Novo Mundo. O pai era um nobre basco, e a mãe, uma judia conversa. Aos 14 anos foi estudar em Coimbra (Portugal). Sentia a vocação religiosa e, em 1551, foi admitido como noviço no colégio jesuíta da Universidade de Coimbra. Em 1553, com 19 anos, foi convidado a vir para o Brasil como missionário acompanhando Duarte da Costa, o segundo governador-geral nomeado pela Coroa. No comecinho de 1554, chegou a São Vicente, a primeira vila fundada no Brasil. Lá teve o primeiro contato com os índios. No mesmo ano, junto com o jesuíta português Manuel de Nóbrega, subiu a serra do Mar até o planalto que os índios denominavam Piratininga, ao longo do rio Tietê. Os dois missionários estabeleceram um pequeno colégio, e, em 25 de janeiro de 1554, celebrou-se ali a primeira missa. Anchieta começou o trabalho de conversão, batismo e catequese. Para os índios, foi médico sacerdote e educador: cuidava do corpo, da alma e da mente. Na catequese, usava o teatro e a poesia, tornando a aprendizagem um processo prazeroso. Ensinou latim aos índios, aprendeu tupi-guarani com eles e (seguindo a tradição missionária, que mandava assimilar e registrar os idiomas) escreveu a “Arte da Gramática da Língua Mais Falada na Costa do Brasil”, publicada em Coimbra em 1595. O colégio de São Paulo da Piratininga, como era chamado, logo expandiu seu núcleo. Mas, ao longo do litoral de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, as tribos formaram uma aliança (conhecida como Confederação dos Tamoios) que atacou São Paulo diversas vezes entre 1562 e 1564. Anchieta e Nóbrega tiveram um conflito com Duarte da Costa e decidiram iniciar as negociações de paz com os tamoios em Iperoig (hoje Ubatuba). Anchieta, falando tupiguarani e viajando por toda aquela costa, foi crucial para ganhar a confiança dos índios, e, após muitos incidentes, estabeleceu-se a paz entre tamoios, tupinambás e portugueses. Nessa época, Anchieta escreveu o “Poema em Louvor à Virgem Maria”, com 5.732 versos, alguns dos quais traçados nas areias das praias. Em 1565, entrou com Estácio de Sá na baía de Guanabara, onde estabeleceram os fundamentos do que viria a ser a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.   TEXTO 3 Padre Fernão Cardim FREYRE, Gilberto. Casa Grande & Senzala – Introdução à história da sociedade colonial no Brasil – Formação da Família Brasileira sob o Regime da Economia Patriarcal. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio. Ed. 1993, 20ª ed. É certo que o Padre Fernão Cardim, nos seus Tratados, está sempre a falar da fartura de carne, de aves e até de frutas com que foi recebido por toda parte no Brasil do séc. XVI, entre os homens ricos e os colégios de padres. Mas de Cardim deve-se tomar em consideração o seu caráter de padre visitador, recebido nos engenhos e colégios com festas e jantares excepcionais. Era um personagem a quem todo agrado que fizessem os colonos era pouco: a boa impressão que lhe causassem a mesa farta e os leitos macios dos grandes senhores de escravos talvez atenuasse a péssima, a vida dissoluta que todos eles levavam nos engenhos de açúcar: “os peccados que se cometem nelles (nos engenhos) não tem conta: quase todos andam amancebados por causa das muitas occasioes; bem cheio de peccados via esse doce por que tanto fazem; grande é a peciencia de Deus que tanto soffre”.   TEXTO 4 Retirantes da educação MARCH, Rodrigo. Retirantes da educação. Caderno Boa Chance: O GLOBO, 10 de maio de 2009. Irinilda da Silva, de 31 anos, deixou de amamentar a filha, de quatro meses, que ficou em casa com o pai. Robéria Gomes, de 36, viajou grávida e seu bebê, João Vitor, nasceu na quinta-feira passada, no Hospital Central do Exército, em Benfica. As duas são retirantes da educação: integram um grupo de 12 professores do Acre que cruzou 4521 quilômetros de Brasil, superando uma série de dificuldades, para fazer uma pós-graduação. Um exemplo das barreiras de qualificação profissional no país. Hoje, 53% dos cursos de mestrado e doutorado estão no Sudeste; só 3,8% na Região Norte, a de menor cobertura. Eles estão aproveitando um convênio firmado entre a Universidade Federal do Acre (UFAC) e a Universidade Federal Fluminense (UFF), de Niterói. Onze fazem mestrado e uma, doutorado. Todos em educação – mesmo as faculdades particulares do Acre não têm curso de pós-graduação nessa área. Nove deles dividem a mesma casa em São Domingos, Niterói, como num Big Brother, só que sem conforto algum. Para se ter uma ideia, a TV foi emprestada por uma colega de curso, e quase todos dormem em colchonetes. Apesar da proximidade à Faculdade de Educação da UFF, só andam em grupos: por insegurança, sensação que ainda não tinham experimentado. O périplo deles começou antes mesmo de a parceria com a UFF ser fechada, já que eles já tinham tentado convênios com outras instituições, mas que não possuíam cursos com nota cinco em avaliação, uma determinação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), da qual são bolsistas. Foram oferecidas 15 vagas no mestrado, porém dos 19 inscritos, só 11 foram aprovados. No doutorado, apenas três se inscreveram, mas só uma passou na seleção. A dificuldade seguinte foi encontrar uma casa para alugar em Niterói. A professora de letras Sâmia El-Hassani, de 46 anos, veio 15 dias antes para tentar resolver o problema. O marido dela, Dalbi D’Ávila, também é de letras e faz o mestrado. Trouxeram os filhos, que foram matriculados numa escola. – Niterói não aluga imóvel por temporada, pelo menos na área do Centro e da Zona Sul – observa Sâmia, que também achou os preços altíssimos. Com muito custo – e também por falta de opção –, eles conseguiram uma casa que estava à venda, mas que sequer tinha torneiras. O dono aceitou fazer um contrato de três meses com pagamento antecipado de R$ 6.800,00 enquanto não acha um comprador. Mas eles vão precisar renovar mais um mês, já que estarão na cidade até 17 de julho – no segundo semestre, os professores da UFF vão ao Acre dar as aulas, sendo que ano que vem, o vaivém se repete, pois o curso de mestrado é de dois anos.   Considere o título do texto 1 destacado abaixo e as afirmativas a seguir.  Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem.    I. De acordo com o texto, relatos orais não podem ser considerados registros de viagem. II. A expressão “Entre a lembrança e a realidade” pode ser considerada como preocupação com a memória enquanto dado histórico de uma nação. Esta afirmativa pode ser comprovada com a seguinte afirmação da autora: “O empreendedor dessas jornadas tem a preocupação com a observação, a descrição e a classificação de tudo que há nas terras conquistadas nos século XVI para que os governos possam inventariar a fortuna natural de suas colônias e obter controle sobre elas”. III. O objetivo primeiro das viagens, segundo a autora, foi: “serem realizadas para conquistar espaços mais apropriados para o bem estar da comunidade”.  Pode-se dizer que está(ão) correta(s) apenas a(s) afirmativa(s): 

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(IME-2009)  TEXTO 1 Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem NEVES, Auricléa Oliveira das. Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem. Amazonas: Universidade do Estado do Amazonas, 2008. As viagens têm um profundo significado na história da humanidade. Inicialmente, no período da coleta, as migrações se faziam pela necessidade de buscar alimentos, posteriormente elas foram realizadas para conquistar espaços mais apropriados para o bem estar da comunidade. Outros objetivos também suscitaram o deslocamento do homem: a posse de espaços territoriais, a exploração de riquezas, o conhecimento de novas terras, o estudo de locais específicos, ou simplesmente a viagem como forma de lazer. (...) No plano ficcional, vários autores no Ocidente, a partir do Homero, com a Odisséia, se dedicaram a usar as viagens como tema. Na literatura de língua portuguesa, os registros iniciais são oriundos dos relatos orais de marinheiros, apontamentos náuticos, diários de bordo, escritos de pilotos que, presumidamente, serviram de fonte para Gomes Eanes de Zurara, primeiro cronista conhecido das viagens oceânicas portuguesas. Na história literária na América e do Brasil, os primeiros registros advêm dos escritos de viajantes: o Diário de Critóvão Colombo e a Carta de Pero Vaz de Caminha. A revelação de novos espaços, paisagens, floras, faunas, costumes e religiões, as aventuras e peripécias de viagens mais fabulosas que dos romances de cavalaria e as dos poemas da Antiguidade, inspiraram [...] uma vasta literatura descritiva e narrativa, que assumiu várias formas desde os grandes tratados históricos ou geográficos em grossos volumes até às curtas reportagens em folhetos de cordel. (Saraiva & Lopes, 1982, p. 294). Em cada época, as jornadas se realizaram de formas e condições variadas, seus viajantes apresentam objetivos diversos como conquista, exploração, reconhecimento, administração, catequese, aventura ou lazer. Durante o iluminismo, com a mudança de mentalidade de muitos dirigentes, as relações entre os governos da Europa e suas colônias da América assumem novos significados, assim, as viagens passaram a ter o caráter científico. O empreendedor dessas jornadas tem a preocupação com a observação, a descrição e a classificação de tudo que há nas terras conquistadas no século XVI para que os governos possam inventariar a fortuna natural de suas colônias e obter controle sobre elas.   TEXTO 2 José de Anchieta, jesuíta hispano-brasileiro. UOL Educação. José de Anchieta, Jesuíta hispano-brasileiro. Disponível em: http://educação.uol.com.br/biografias/ult1789u421.jhtm>capturado em 18.05.09. José de Anchieta nasceu em família rica, numa das sete ilhas Canárias, de onde avistava os navios que se abasteciam no ponto de Tenerife para seguir rumo ao Oriente ou ao Novo Mundo. O pai era um nobre basco, e a mãe, uma judia conversa. Aos 14 anos foi estudar em Coimbra (Portugal). Sentia a vocação religiosa e, em 1551, foi admitido como noviço no colégio jesuíta da Universidade de Coimbra. Em 1553, com 19 anos, foi convidado a vir para o Brasil como missionário acompanhando Duarte da Costa, o segundo governador-geral nomeado pela Coroa. No comecinho de 1554, chegou a São Vicente, a primeira vila fundada no Brasil. Lá teve o primeiro contato com os índios. No mesmo ano, junto com o jesuíta português Manuel de Nóbrega, subiu a serra do Mar até o planalto que os índios denominavam Piratininga, ao longo do rio Tietê. Os dois missionários estabeleceram um pequeno colégio, e, em 25 de janeiro de 1554, celebrou-se ali a primeira missa. Anchieta começou o trabalho de conversão, batismo e catequese. Para os índios, foi médico sacerdote e educador: cuidava do corpo, da alma e da mente. Na catequese, usava o teatro e a poesia, tornando a aprendizagem um processo prazeroso. Ensinou latim aos índios, aprendeu tupi-guarani com eles e (seguindo a tradição missionária, que mandava assimilar e registrar os idiomas) escreveu a “Arte da Gramática da Língua Mais Falada na Costa do Brasil”, publicada em Coimbra em 1595. O colégio de São Paulo da Piratininga, como era chamado, logo expandiu seu núcleo. Mas, ao longo do litoral de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, as tribos formaram uma aliança (conhecida como Confederação dos Tamoios) que atacou São Paulo diversas vezes entre 1562 e 1564. Anchieta e Nóbrega tiveram um conflito com Duarte da Costa e decidiram iniciar as negociações de paz com os tamoios em Iperoig (hoje Ubatuba). Anchieta, falando tupiguarani e viajando por toda aquela costa, foi crucial para ganhar a confiança dos índios, e, após muitos incidentes, estabeleceu-se a paz entre tamoios, tupinambás e portugueses. Nessa época, Anchieta escreveu o “Poema em Louvor à Virgem Maria”, com 5.732 versos, alguns dos quais traçados nas areias das praias. Em 1565, entrou com Estácio de Sá na baía de Guanabara, onde estabeleceram os fundamentos do que viria a ser a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.   TEXTO 3 Padre Fernão Cardim FREYRE, Gilberto. Casa Grande & Senzala – Introdução à história da sociedade colonial no Brasil – Formação da Família Brasileira sob o Regime da Economia Patriarcal. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio. Ed. 1993, 20ª ed. É certo que o Padre Fernão Cardim, nos seus Tratados, está sempre a falar da fartura de carne, de aves e até de frutas com que foi recebido por toda parte no Brasil do séc. XVI, entre os homens ricos e os colégios de padres. Mas de Cardim deve-se tomar em consideração o seu caráter de padre visitador, recebido nos engenhos e colégios com festas e jantares excepcionais. Era um personagem a quem todo agrado que fizessem os colonos era pouco: a boa impressão que lhe causassem a mesa farta e os leitos macios dos grandes senhores de escravos talvez atenuasse a péssima, a vida dissoluta que todos eles levavam nos engenhos de açúcar: “os peccados que se cometem nelles (nos engenhos) não tem conta: quase todos andam amancebados por causa das muitas occasioes; bem cheio de peccados via esse doce por que tanto fazem; grande é a peciencia de Deus que tanto soffre”.   TEXTO 4 Retirantes da educação MARCH, Rodrigo. Retirantes da educação. Caderno Boa Chance: O GLOBO, 10 de maio de 2009. Irinilda da Silva, de 31 anos, deixou de amamentar a filha, de quatro meses, que ficou em casa com o pai. Robéria Gomes, de 36, viajou grávida e seu bebê, João Vitor, nasceu na quinta-feira passada, no Hospital Central do Exército, em Benfica. As duas são retirantes da educação: integram um grupo de 12 professores do Acre que cruzou 4521 quilômetros de Brasil, superando uma série de dificuldades, para fazer uma pós-graduação. Um exemplo das barreiras de qualificação profissional no país. Hoje, 53% dos cursos de mestrado e doutorado estão no Sudeste; só 3,8% na Região Norte, a de menor cobertura. Eles estão aproveitando um convênio firmado entre a Universidade Federal do Acre (UFAC) e a Universidade Federal Fluminense (UFF), de Niterói. Onze fazem mestrado e uma, doutorado. Todos em educação – mesmo as faculdades particulares do Acre não têm curso de pós-graduação nessa área. Nove deles dividem a mesma casa em São Domingos, Niterói, como num Big Brother, só que sem conforto algum. Para se ter uma ideia, a TV foi emprestada por uma colega de curso, e quase todos dormem em colchonetes. Apesar da proximidade à Faculdade de Educação da UFF, só andam em grupos: por insegurança, sensação que ainda não tinham experimentado. O périplo deles começou antes mesmo de a parceria com a UFF ser fechada, já que eles já tinham tentado convênios com outras instituições, mas que não possuíam cursos com nota cinco em avaliação, uma determinação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), da qual são bolsistas. Foram oferecidas 15 vagas no mestrado, porém dos 19 inscritos, só 11 foram aprovados. No doutorado, apenas três se inscreveram, mas só uma passou na seleção. A dificuldade seguinte foi encontrar uma casa para alugar em Niterói. A professora de letras Sâmia El-Hassani, de 46 anos, veio 15 dias antes para tentar resolver o problema. O marido dela, Dalbi D’Ávila, também é de letras e faz o mestrado. Trouxeram os filhos, que foram matriculados numa escola. – Niterói não aluga imóvel por temporada, pelo menos na área do Centro e da Zona Sul – observa Sâmia, que também achou os preços altíssimos. Com muito custo – e também por falta de opção –, eles conseguiram uma casa que estava à venda, mas que sequer tinha torneiras. O dono aceitou fazer um contrato de três meses com pagamento antecipado de R$ 6.800,00 enquanto não acha um comprador. Mas eles vão precisar renovar mais um mês, já que estarão na cidade até 17 de julho – no segundo semestre, os professores da UFF vão ao Acre dar as aulas, sendo que ano que vem, o vaivém se repete, pois o curso de mestrado é de dois anos.     “Sentia a vocação religiosa (...)” (Texto 2, linha 2).  A opção em que o verbo “sentir” tem o mesmo significado do período acima é: 

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2009Português

(IME-2009)  TEXTO 1 Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem NEVES, Auricléa Oliveira das. Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem. Amazonas: Universidade do Estado do Amazonas, 2008. As viagens têm um profundo significado na história da humanidade. Inicialmente, no período da coleta, as migrações se faziam pela necessidade de buscar alimentos, posteriormente elas foram realizadas para conquistar espaços mais apropriados para o bem estar da comunidade. Outros objetivos também suscitaram o deslocamento do homem: a posse de espaços territoriais, a exploração de riquezas, o conhecimento de novas terras, o estudo de locais específicos, ou simplesmente a viagem como forma de lazer. (...) No plano ficcional, vários autores no Ocidente, a partir do Homero, com a Odisséia, se dedicaram a usar as viagens como tema. Na literatura de língua portuguesa, os registros iniciais são oriundos dos relatos orais de marinheiros, apontamentos náuticos, diários de bordo, escritos de pilotos que, presumidamente, serviram de fonte para Gomes Eanes de Zurara, primeiro cronista conhecido das viagens oceânicas portuguesas. Na história literária na América e do Brasil, os primeiros registros advêm dos escritos de viajantes: o Diário de Critóvão Colombo e a Carta de Pero Vaz de Caminha. A revelação de novos espaços, paisagens, floras, faunas, costumes e religiões, as aventuras e peripécias de viagens mais fabulosas que dos romances de cavalaria e as dos poemas da Antiguidade, inspiraram [...] uma vasta literatura descritiva e narrativa, que assumiu várias formas desde os grandes tratados históricos ou geográficos em grossos volumes até às curtas reportagens em folhetos de cordel. (Saraiva & Lopes, 1982, p. 294). Em cada época, as jornadas se realizaram de formas e condições variadas, seus viajantes apresentam objetivos diversos como conquista, exploração, reconhecimento, administração, catequese, aventura ou lazer. Durante o iluminismo, com a mudança de mentalidade de muitos dirigentes, as relações entre os governos da Europa e suas colônias da América assumem novos significados, assim, as viagens passaram a ter o caráter científico. O empreendedor dessas jornadas tem a preocupação com a observação, a descrição e a classificação de tudo que há nas terras conquistadas no século XVI para que os governos possam inventariar a fortuna natural de suas colônias e obter controle sobre elas.   TEXTO 2 José de Anchieta, jesuíta hispano-brasileiro. UOL Educação. José de Anchieta, Jesuíta hispano-brasileiro. Disponível em: http://educação.uol.com.br/biografias/ult1789u421.jhtm>capturado em 18.05.09. José de Anchieta nasceu em família rica, numa das sete ilhas Canárias, de onde avistava os navios que se abasteciam no ponto de Tenerife para seguir rumo ao Oriente ou ao Novo Mundo. O pai era um nobre basco, e a mãe, uma judia conversa. Aos 14 anos foi estudar em Coimbra (Portugal). Sentia a vocação religiosa e, em 1551, foi admitido como noviço no colégio jesuíta da Universidade de Coimbra. Em 1553, com 19 anos, foi convidado a vir para o Brasil como missionário acompanhando Duarte da Costa, o segundo governador-geral nomeado pela Coroa. No comecinho de 1554, chegou a São Vicente, a primeira vila fundada no Brasil. Lá teve o primeiro contato com os índios. No mesmo ano, junto com o jesuíta português Manuel de Nóbrega, subiu a serra do Mar até o planalto que os índios denominavam Piratininga, ao longo do rio Tietê. Os dois missionários estabeleceram um pequeno colégio, e, em 25 de janeiro de 1554, celebrou-se ali a primeira missa. Anchieta começou o trabalho de conversão, batismo e catequese. Para os índios, foi médico sacerdote e educador: cuidava do corpo, da alma e da mente. Na catequese, usava o teatro e a poesia, tornando a aprendizagem um processo prazeroso. Ensinou latim aos índios, aprendeu tupi-guarani com eles e (seguindo a tradição missionária, que mandava assimilar e registrar os idiomas) escreveu a “Arte da Gramática da Língua Mais Falada na Costa do Brasil”, publicada em Coimbra em 1595. O colégio de São Paulo da Piratininga, como era chamado, logo expandiu seu núcleo. Mas, ao longo do litoral de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, as tribos formaram uma aliança (conhecida como Confederação dos Tamoios) que atacou São Paulo diversas vezes entre 1562 e 1564. Anchieta e Nóbrega tiveram um conflito com Duarte da Costa e decidiram iniciar as negociações de paz com os tamoios em Iperoig (hoje Ubatuba). Anchieta, falando tupiguarani e viajando por toda aquela costa, foi crucial para ganhar a confiança dos índios, e, após muitos incidentes, estabeleceu-se a paz entre tamoios, tupinambás e portugueses. Nessa época, Anchieta escreveu o “Poema em Louvor à Virgem Maria”, com 5.732 versos, alguns dos quais traçados nas areias das praias. Em 1565, entrou com Estácio de Sá na baía de Guanabara, onde estabeleceram os fundamentos do que viria a ser a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.   TEXTO 3 Padre Fernão Cardim FREYRE, Gilberto. Casa Grande & Senzala – Introdução à história da sociedade colonial no Brasil – Formação da Família Brasileira sob o Regime da Economia Patriarcal. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio. Ed. 1993, 20ª ed. É certo que o Padre Fernão Cardim, nos seus Tratados, está sempre a falar da fartura de carne, de aves e até de frutas com que foi recebido por toda parte no Brasil do séc. XVI, entre os homens ricos e os colégios de padres. Mas de Cardim deve-se tomar em consideração o seu caráter de padre visitador, recebido nos engenhos e colégios com festas e jantares excepcionais. Era um personagem a quem todo agrado que fizessem os colonos era pouco: a boa impressão que lhe causassem a mesa farta e os leitos macios dos grandes senhores de escravos talvez atenuasse a péssima, a vida dissoluta que todos eles levavam nos engenhos de açúcar: “os peccados que se cometem nelles (nos engenhos) não tem conta: quase todos andam amancebados por causa das muitas occasioes; bem cheio de peccados via esse doce por que tanto fazem; grande é a peciencia de Deus que tanto soffre”.   TEXTO 4 Retirantes da educação MARCH, Rodrigo. Retirantes da educação. Caderno Boa Chance: O GLOBO, 10 de maio de 2009. Irinilda da Silva, de 31 anos, deixou de amamentar a filha, de quatro meses, que ficou em casa com o pai. Robéria Gomes, de 36, viajou grávida e seu bebê, João Vitor, nasceu na quinta-feira passada, no Hospital Central do Exército, em Benfica. As duas são retirantes da educação: integram um grupo de 12 professores do Acre que cruzou 4521 quilômetros de Brasil, superando uma série de dificuldades, para fazer uma pós-graduação. Um exemplo das barreiras de qualificação profissional no país. Hoje, 53% dos cursos de mestrado e doutorado estão no Sudeste; só 3,8% na Região Norte, a de menor cobertura. Eles estão aproveitando um convênio firmado entre a Universidade Federal do Acre (UFAC) e a Universidade Federal Fluminense (UFF), de Niterói. Onze fazem mestrado e uma, doutorado. Todos em educação – mesmo as faculdades particulares do Acre não têm curso de pós-graduação nessa área. Nove deles dividem a mesma casa em São Domingos, Niterói, como num Big Brother, só que sem conforto algum. Para se ter uma ideia, a TV foi emprestada por uma colega de curso, e quase todos dormem em colchonetes. Apesar da proximidade à Faculdade de Educação da UFF, só andam em grupos: por insegurança, sensação que ainda não tinham experimentado. O périplo deles começou antes mesmo de a parceria com a UFF ser fechada, já que eles já tinham tentado convênios com outras instituições, mas que não possuíam cursos com nota cinco em avaliação, uma determinação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), da qual são bolsistas. Foram oferecidas 15 vagas no mestrado, porém dos 19 inscritos, só 11 foram aprovados. No doutorado, apenas três se inscreveram, mas só uma passou na seleção. A dificuldade seguinte foi encontrar uma casa para alugar em Niterói. A professora de letras Sâmia El-Hassani, de 46 anos, veio 15 dias antes para tentar resolver o problema. O marido dela, Dalbi D’Ávila, também é de letras e faz o mestrado. Trouxeram os filhos, que foram matriculados numa escola. – Niterói não aluga imóvel por temporada, pelo menos na área do Centro e da Zona Sul – observa Sâmia, que também achou os preços altíssimos. Com muito custo – e também por falta de opção –, eles conseguiram uma casa que estava à venda, mas que sequer tinha torneiras. O dono aceitou fazer um contrato de três meses com pagamento antecipado de R$ 6.800,00 enquanto não acha um comprador. Mas eles vão precisar renovar mais um mês, já que estarão na cidade até 17 de julho – no segundo semestre, os professores da UFF vão ao Acre dar as aulas, sendo que ano que vem, o vaivém se repete, pois o curso de mestrado é de dois anos.     O processo de coesão pode ser realizado através de vocábulos anafóricos – aqueles que se referem a um outro anteriormente expresso. A oração do texto 2, que NÃO apresenta vocábulo anafórico é:   

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(IME-2009)  TEXTO 1 Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem NEVES, Auricléa Oliveira das. Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem. Amazonas: Universidade do Estado do Amazonas, 2008. As viagens têm um profundo significado na história da humanidade. Inicialmente, no período da coleta, as migrações se faziam pela necessidade de buscar alimentos, posteriormente elas foram realizadas para conquistar espaços mais apropriados para o bem estar da comunidade. Outros objetivos também suscitaram o deslocamento do homem: a posse de espaços territoriais, a exploração de riquezas, o conhecimento de novas terras, o estudo de locais específicos, ou simplesmente a viagem como forma de lazer. (...) No plano ficcional, vários autores no Ocidente, a partir do Homero, com a Odisséia, se dedicaram a usar as viagens como tema. Na literatura de língua portuguesa, os registros iniciais são oriundos dos relatos orais de marinheiros, apontamentos náuticos, diários de bordo, escritos de pilotos que, presumidamente, serviram de fonte para Gomes Eanes de Zurara, primeiro cronista conhecido das viagens oceânicas portuguesas. Na história literária na América e do Brasil, os primeiros registros advêm dos escritos de viajantes: o Diário de Critóvão Colombo e a Carta de Pero Vaz de Caminha. A revelação de novos espaços, paisagens, floras, faunas, costumes e religiões, as aventuras e peripécias de viagens mais fabulosas que dos romances de cavalaria e as dos poemas da Antiguidade, inspiraram [...] uma vasta literatura descritiva e narrativa, que assumiu várias formas desde os grandes tratados históricos ou geográficos em grossos volumes até às curtas reportagens em folhetos de cordel. (Saraiva & Lopes, 1982, p. 294). Em cada época, as jornadas se realizaram de formas e condições variadas, seus viajantes apresentam objetivos diversos como conquista, exploração, reconhecimento, administração, catequese, aventura ou lazer. Durante o iluminismo, com a mudança de mentalidade de muitos dirigentes, as relações entre os governos da Europa e suas colônias da América assumem novos significados, assim, as viagens passaram a ter o caráter científico. O empreendedor dessas jornadas tem a preocupação com a observação, a descrição e a classificação de tudo que há nas terras conquistadas no século XVI para que os governos possam inventariar a fortuna natural de suas colônias e obter controle sobre elas.   TEXTO 2 José de Anchieta, jesuíta hispano-brasileiro. UOL Educação. José de Anchieta, Jesuíta hispano-brasileiro. Disponível em: http://educação.uol.com.br/biografias/ult1789u421.jhtm>capturado em 18.05.09. José de Anchieta nasceu em família rica, numa das sete ilhas Canárias, de onde avistava os navios que se abasteciam no ponto de Tenerife para seguir rumo ao Oriente ou ao Novo Mundo. O pai era um nobre basco, e a mãe, uma judia conversa. Aos 14 anos foi estudar em Coimbra (Portugal). Sentia a vocação religiosa e, em 1551, foi admitido como noviço no colégio jesuíta da Universidade de Coimbra. Em 1553, com 19 anos, foi convidado a vir para o Brasil como missionário acompanhando Duarte da Costa, o segundo governador-geral nomeado pela Coroa. No comecinho de 1554, chegou a São Vicente, a primeira vila fundada no Brasil. Lá teve o primeiro contato com os índios. No mesmo ano, junto com o jesuíta português Manuel de Nóbrega, subiu a serra do Mar até o planalto que os índios denominavam Piratininga, ao longo do rio Tietê. Os dois missionários estabeleceram um pequeno colégio, e, em 25 de janeiro de 1554, celebrou-se ali a primeira missa. Anchieta começou o trabalho de conversão, batismo e catequese. Para os índios, foi médico sacerdote e educador: cuidava do corpo, da alma e da mente. Na catequese, usava o teatro e a poesia, tornando a aprendizagem um processo prazeroso. Ensinou latim aos índios, aprendeu tupi-guarani com eles e (seguindo a tradição missionária, que mandava assimilar e registrar os idiomas) escreveu a “Arte da Gramática da Língua Mais Falada na Costa do Brasil”, publicada em Coimbra em 1595. O colégio de São Paulo da Piratininga, como era chamado, logo expandiu seu núcleo. Mas, ao longo do litoral de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, as tribos formaram uma aliança (conhecida como Confederação dos Tamoios) que atacou São Paulo diversas vezes entre 1562 e 1564. Anchieta e Nóbrega tiveram um conflito com Duarte da Costa e decidiram iniciar as negociações de paz com os tamoios em Iperoig (hoje Ubatuba). Anchieta, falando tupiguarani e viajando por toda aquela costa, foi crucial para ganhar a confiança dos índios, e, após muitos incidentes, estabeleceu-se a paz entre tamoios, tupinambás e portugueses. Nessa época, Anchieta escreveu o “Poema em Louvor à Virgem Maria”, com 5.732 versos, alguns dos quais traçados nas areias das praias. Em 1565, entrou com Estácio de Sá na baía de Guanabara, onde estabeleceram os fundamentos do que viria a ser a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.   TEXTO 3 Padre Fernão Cardim FREYRE, Gilberto. Casa Grande & Senzala – Introdução à história da sociedade colonial no Brasil – Formação da Família Brasileira sob o Regime da Economia Patriarcal. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio. Ed. 1993, 20ª ed. É certo que o Padre Fernão Cardim, nos seus Tratados, está sempre a falar da fartura de carne, de aves e até de frutas com que foi recebido por toda parte no Brasil do séc. XVI, entre os homens ricos e os colégios de padres. Mas de Cardim deve-se tomar em consideração o seu caráter de padre visitador, recebido nos engenhos e colégios com festas e jantares excepcionais. Era um personagem a quem todo agrado que fizessem os colonos era pouco: a boa impressão que lhe causassem a mesa farta e os leitos macios dos grandes senhores de escravos talvez atenuasse a péssima, a vida dissoluta que todos eles levavam nos engenhos de açúcar: “os peccados que se cometem nelles (nos engenhos) não tem conta: quase todos andam amancebados por causa das muitas occasioes; bem cheio de peccados via esse doce por que tanto fazem; grande é a peciencia de Deus que tanto soffre”.   TEXTO 4 Retirantes da educação MARCH, Rodrigo. Retirantes da educação. Caderno Boa Chance: O GLOBO, 10 de maio de 2009. Irinilda da Silva, de 31 anos, deixou de amamentar a filha, de quatro meses, que ficou em casa com o pai. Robéria Gomes, de 36, viajou grávida e seu bebê, João Vitor, nasceu na quinta-feira passada, no Hospital Central do Exército, em Benfica. As duas são retirantes da educação: integram um grupo de 12 professores do Acre que cruzou 4521 quilômetros de Brasil, superando uma série de dificuldades, para fazer uma pós-graduação. Um exemplo das barreiras de qualificação profissional no país. Hoje, 53% dos cursos de mestrado e doutorado estão no Sudeste; só 3,8% na Região Norte, a de menor cobertura. Eles estão aproveitando um convênio firmado entre a Universidade Federal do Acre (UFAC) e a Universidade Federal Fluminense (UFF), de Niterói. Onze fazem mestrado e uma, doutorado. Todos em educação – mesmo as faculdades particulares do Acre não têm curso de pós-graduação nessa área. Nove deles dividem a mesma casa em São Domingos, Niterói, como num Big Brother, só que sem conforto algum. Para se ter uma ideia, a TV foi emprestada por uma colega de curso, e quase todos dormem em colchonetes. Apesar da proximidade à Faculdade de Educação da UFF, só andam em grupos: por insegurança, sensação que ainda não tinham experimentado. O périplo deles começou antes mesmo de a parceria com a UFF ser fechada, já que eles já tinham tentado convênios com outras instituições, mas que não possuíam cursos com nota cinco em avaliação, uma determinação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), da qual são bolsistas. Foram oferecidas 15 vagas no mestrado, porém dos 19 inscritos, só 11 foram aprovados. No doutorado, apenas três se inscreveram, mas só uma passou na seleção. A dificuldade seguinte foi encontrar uma casa para alugar em Niterói. A professora de letras Sâmia El-Hassani, de 46 anos, veio 15 dias antes para tentar resolver o problema. O marido dela, Dalbi D’Ávila, também é de letras e faz o mestrado. Trouxeram os filhos, que foram matriculados numa escola. – Niterói não aluga imóvel por temporada, pelo menos na área do Centro e da Zona Sul – observa Sâmia, que também achou os preços altíssimos. Com muito custo – e também por falta de opção –, eles conseguiram uma casa que estava à venda, mas que sequer tinha torneiras. O dono aceitou fazer um contrato de três meses com pagamento antecipado de R$ 6.800,00 enquanto não acha um comprador. Mas eles vão precisar renovar mais um mês, já que estarão na cidade até 17 de julho – no segundo semestre, os professores da UFF vão ao Acre dar as aulas, sendo que ano que vem, o vaivém se repete, pois o curso de mestrado é de dois anos.     A relação que se estabelece no quarto parágrafo do texto 2, entre “Ensinou”, “aprendeu” e “seguindo”, sugere PRINCIPALMENTE 

Questão
2009Português

(IME-2009)  TEXTO 1 Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem NEVES, Auricléa Oliveira das. Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem. Amazonas: Universidade do Estado do Amazonas, 2008. As viagens têm um profundo significado na história da humanidade. Inicialmente, no período da coleta, as migrações se faziam pela necessidade de buscar alimentos, posteriormente elas foram realizadas para conquistar espaços mais apropriados para o bem estar da comunidade. Outros objetivos também suscitaram o deslocamento do homem: a posse de espaços territoriais, a exploração de riquezas, o conhecimento de novas terras, o estudo de locais específicos, ou simplesmente a viagem como forma de lazer. (...) No plano ficcional, vários autores no Ocidente, a partir do Homero, com a Odisséia, se dedicaram a usar as viagens como tema. Na literatura de língua portuguesa, os registros iniciais são oriundos dos relatos orais de marinheiros, apontamentos náuticos, diários de bordo, escritos de pilotos que, presumidamente, serviram de fonte para Gomes Eanes de Zurara, primeiro cronista conhecido das viagens oceânicas portuguesas. Na história literária na América e do Brasil, os primeiros registros advêm dos escritos de viajantes: o Diário de Critóvão Colombo e a Carta de Pero Vaz de Caminha. A revelação de novos espaços, paisagens, floras, faunas, costumes e religiões, as aventuras e peripécias de viagens mais fabulosas que dos romances de cavalaria e as dos poemas da Antiguidade, inspiraram [...] uma vasta literatura descritiva e narrativa, que assumiu várias formas desde os grandes tratados históricos ou geográficos em grossos volumes até às curtas reportagens em folhetos de cordel. (Saraiva & Lopes, 1982, p. 294). Em cada época, as jornadas se realizaram de formas e condições variadas, seus viajantes apresentam objetivos diversos como conquista, exploração, reconhecimento, administração, catequese, aventura ou lazer. Durante o iluminismo, com a mudança de mentalidade de muitos dirigentes, as relações entre os governos da Europa e suas colônias da América assumem novos significados, assim, as viagens passaram a ter o caráter científico. O empreendedor dessas jornadas tem a preocupação com a observação, a descrição e a classificação de tudo que há nas terras conquistadas no século XVI para que os governos possam inventariar a fortuna natural de suas colônias e obter controle sobre elas.   TEXTO 2 José de Anchieta, jesuíta hispano-brasileiro. UOL Educação. José de Anchieta, Jesuíta hispano-brasileiro. Disponível em: http://educação.uol.com.br/biografias/ult1789u421.jhtm>capturado em 18.05.09. José de Anchieta nasceu em família rica, numa das sete ilhas Canárias, de onde avistava os navios que se abasteciam no ponto de Tenerife para seguir rumo ao Oriente ou ao Novo Mundo. O pai era um nobre basco, e a mãe, uma judia conversa. Aos 14 anos foi estudar em Coimbra (Portugal). Sentia a vocação religiosa e, em 1551, foi admitido como noviço no colégio jesuíta da Universidade de Coimbra. Em 1553, com 19 anos, foi convidado a vir para o Brasil como missionário acompanhando Duarte da Costa, o segundo governador-geral nomeado pela Coroa. No comecinho de 1554, chegou a São Vicente, a primeira vila fundada no Brasil. Lá teve o primeiro contato com os índios. No mesmo ano, junto com o jesuíta português Manuel de Nóbrega, subiu a serra do Mar até o planalto que os índios denominavam Piratininga, ao longo do rio Tietê. Os dois missionários estabeleceram um pequeno colégio, e, em 25 de janeiro de 1554, celebrou-se ali a primeira missa. Anchieta começou o trabalho de conversão, batismo e catequese. Para os índios, foi médico sacerdote e educador: cuidava do corpo, da alma e da mente. Na catequese, usava o teatro e a poesia, tornando a aprendizagem um processo prazeroso. Ensinou latim aos índios, aprendeu tupi-guarani com eles e (seguindo a tradição missionária, que mandava assimilar e registrar os idiomas) escreveu a “Arte da Gramática da Língua Mais Falada na Costa do Brasil”, publicada em Coimbra em 1595. O colégio de São Paulo da Piratininga, como era chamado, logo expandiu seu núcleo. Mas, ao longo do litoral de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, as tribos formaram uma aliança (conhecida como Confederação dos Tamoios) que atacou São Paulo diversas vezes entre 1562 e 1564. Anchieta e Nóbrega tiveram um conflito com Duarte da Costa e decidiram iniciar as negociações de paz com os tamoios em Iperoig (hoje Ubatuba). Anchieta, falando tupiguarani e viajando por toda aquela costa, foi crucial para ganhar a confiança dos índios, e, após muitos incidentes, estabeleceu-se a paz entre tamoios, tupinambás e portugueses. Nessa época, Anchieta escreveu o “Poema em Louvor à Virgem Maria”, com 5.732 versos, alguns dos quais traçados nas areias das praias. Em 1565, entrou com Estácio de Sá na baía de Guanabara, onde estabeleceram os fundamentos do que viria a ser a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.   TEXTO 3 Padre Fernão Cardim FREYRE, Gilberto. Casa Grande & Senzala – Introdução à história da sociedade colonial no Brasil – Formação da Família Brasileira sob o Regime da Economia Patriarcal. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio. Ed. 1993, 20ª ed. É certo que o Padre Fernão Cardim, nos seus Tratados, está sempre a falar da fartura de carne, de aves e até de frutas com que foi recebido por toda parte no Brasil do séc. XVI, entre os homens ricos e os colégios de padres. Mas de Cardim deve-se tomar em consideração o seu caráter de padre visitador, recebido nos engenhos e colégios com festas e jantares excepcionais. Era um personagem a quem todo agrado que fizessem os colonos era pouco: a boa impressão que lhe causassem a mesa farta e os leitos macios dos grandes senhores de escravos talvez atenuasse a péssima, a vida dissoluta que todos eles levavam nos engenhos de açúcar: “os peccados que se cometem nelles (nos engenhos) não tem conta: quase todos andam amancebados por causa das muitas occasioes; bem cheio de peccados via esse doce por que tanto fazem; grande é a peciencia de Deus que tanto soffre”.   TEXTO 4 Retirantes da educação MARCH, Rodrigo. Retirantes da educação. Caderno Boa Chance: O GLOBO, 10 de maio de 2009. Irinilda da Silva, de 31 anos, deixou de amamentar a filha, de quatro meses, que ficou em casa com o pai. Robéria Gomes, de 36, viajou grávida e seu bebê, João Vitor, nasceu na quinta-feira passada, no Hospital Central do Exército, em Benfica. As duas são retirantes da educação: integram um grupo de 12 professores do Acre que cruzou 4521 quilômetros de Brasil, superando uma série de dificuldades, para fazer uma pós-graduação. Um exemplo das barreiras de qualificação profissional no país. Hoje, 53% dos cursos de mestrado e doutorado estão no Sudeste; só 3,8% na Região Norte, a de menor cobertura. Eles estão aproveitando um convênio firmado entre a Universidade Federal do Acre (UFAC) e a Universidade Federal Fluminense (UFF), de Niterói. Onze fazem mestrado e uma, doutorado. Todos em educação – mesmo as faculdades particulares do Acre não têm curso de pós-graduação nessa área. Nove deles dividem a mesma casa em São Domingos, Niterói, como num Big Brother, só que sem conforto algum. Para se ter uma ideia, a TV foi emprestada por uma colega de curso, e quase todos dormem em colchonetes. Apesar da proximidade à Faculdade de Educação da UFF, só andam em grupos: por insegurança, sensação que ainda não tinham experimentado. O périplo deles começou antes mesmo de a parceria com a UFF ser fechada, já que eles já tinham tentado convênios com outras instituições, mas que não possuíam cursos com nota cinco em avaliação, uma determinação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), da qual são bolsistas. Foram oferecidas 15 vagas no mestrado, porém dos 19 inscritos, só 11 foram aprovados. No doutorado, apenas três se inscreveram, mas só uma passou na seleção. A dificuldade seguinte foi encontrar uma casa para alugar em Niterói. A professora de letras Sâmia El-Hassani, de 46 anos, veio 15 dias antes para tentar resolver o problema. O marido dela, Dalbi D’Ávila, também é de letras e faz o mestrado. Trouxeram os filhos, que foram matriculados numa escola. – Niterói não aluga imóvel por temporada, pelo menos na área do Centro e da Zona Sul – observa Sâmia, que também achou os preços altíssimos. Com muito custo – e também por falta de opção –, eles conseguiram uma casa que estava à venda, mas que sequer tinha torneiras. O dono aceitou fazer um contrato de três meses com pagamento antecipado de R$ 6.800,00 enquanto não acha um comprador. Mas eles vão precisar renovar mais um mês, já que estarão na cidade até 17 de julho – no segundo semestre, os professores da UFF vão ao Acre dar as aulas, sendo que ano que vem, o vaivém se repete, pois o curso de mestrado é de dois anos.     Identifique a oração em que a palavra “se” possui a mesma função morfológica de: “... e, em 25 de janeiro de 1554, celebrou-se ali a primeira missa” (Texto 2, linha 7).

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(IME-2009)  TEXTO 1 Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem NEVES, Auricléa Oliveira das. Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem. Amazonas: Universidade do Estado do Amazonas, 2008. As viagens têm um profundo significado na história da humanidade. Inicialmente, no período da coleta, as migrações se faziam pela necessidade de buscar alimentos, posteriormente elas foram realizadas para conquistar espaços mais apropriados para o bem estar da comunidade. Outros objetivos também suscitaram o deslocamento do homem: a posse de espaços territoriais, a exploração de riquezas, o conhecimento de novas terras, o estudo de locais específicos, ou simplesmente a viagem como forma de lazer. (...) No plano ficcional, vários autores no Ocidente, a partir do Homero, com a Odisséia, se dedicaram a usar as viagens como tema. Na literatura de língua portuguesa, os registros iniciais são oriundos dos relatos orais de marinheiros, apontamentos náuticos, diários de bordo, escritos de pilotos que, presumidamente, serviram de fonte para Gomes Eanes de Zurara, primeiro cronista conhecido das viagens oceânicas portuguesas. Na história literária na América e do Brasil, os primeiros registros advêm dos escritos de viajantes: o Diário de Critóvão Colombo e a Carta de Pero Vaz de Caminha. A revelação de novos espaços, paisagens, floras, faunas, costumes e religiões, as aventuras e peripécias de viagens mais fabulosas que dos romances de cavalaria e as dos poemas da Antiguidade, inspiraram [...] uma vasta literatura descritiva e narrativa, que assumiu várias formas desde os grandes tratados históricos ou geográficos em grossos volumes até às curtas reportagens em folhetos de cordel. (Saraiva & Lopes, 1982, p. 294). Em cada época, as jornadas se realizaram de formas e condições variadas, seus viajantes apresentam objetivos diversos como conquista, exploração, reconhecimento, administração, catequese, aventura ou lazer. Durante o iluminismo, com a mudança de mentalidade de muitos dirigentes, as relações entre os governos da Europa e suas colônias da América assumem novos significados, assim, as viagens passaram a ter o caráter científico. O empreendedor dessas jornadas tem a preocupação com a observação, a descrição e a classificação de tudo que há nas terras conquistadas no século XVI para que os governos possam inventariar a fortuna natural de suas colônias e obter controle sobre elas.   TEXTO 2 José de Anchieta, jesuíta hispano-brasileiro. UOL Educação. José de Anchieta, Jesuíta hispano-brasileiro. Disponível em: http://educação.uol.com.br/biografias/ult1789u421.jhtm>capturado em 18.05.09. José de Anchieta nasceu em família rica, numa das sete ilhas Canárias, de onde avistava os navios que se abasteciam no ponto de Tenerife para seguir rumo ao Oriente ou ao Novo Mundo. O pai era um nobre basco, e a mãe, uma judia conversa. Aos 14 anos foi estudar em Coimbra (Portugal). Sentia a vocação religiosa e, em 1551, foi admitido como noviço no colégio jesuíta da Universidade de Coimbra. Em 1553, com 19 anos, foi convidado a vir para o Brasil como missionário acompanhando Duarte da Costa, o segundo governador-geral nomeado pela Coroa. No comecinho de 1554, chegou a São Vicente, a primeira vila fundada no Brasil. Lá teve o primeiro contato com os índios. No mesmo ano, junto com o jesuíta português Manuel de Nóbrega, subiu a serra do Mar até o planalto que os índios denominavam Piratininga, ao longo do rio Tietê. Os dois missionários estabeleceram um pequeno colégio, e, em 25 de janeiro de 1554, celebrou-se ali a primeira missa. Anchieta começou o trabalho de conversão, batismo e catequese. Para os índios, foi médico sacerdote e educador: cuidava do corpo, da alma e da mente. Na catequese, usava o teatro e a poesia, tornando a aprendizagem um processo prazeroso. Ensinou latim aos índios, aprendeu tupi-guarani com eles e (seguindo a tradição missionária, que mandava assimilar e registrar os idiomas) escreveu a “Arte da Gramática da Língua Mais Falada na Costa do Brasil”, publicada em Coimbra em 1595. O colégio de São Paulo da Piratininga, como era chamado, logo expandiu seu núcleo. Mas, ao longo do litoral de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, as tribos formaram uma aliança (conhecida como Confederação dos Tamoios) que atacou São Paulo diversas vezes entre 1562 e 1564. Anchieta e Nóbrega tiveram um conflito com Duarte da Costa e decidiram iniciar as negociações de paz com os tamoios em Iperoig (hoje Ubatuba). Anchieta, falando tupiguarani e viajando por toda aquela costa, foi crucial para ganhar a confiança dos índios, e, após muitos incidentes, estabeleceu-se a paz entre tamoios, tupinambás e portugueses. Nessa época, Anchieta escreveu o “Poema em Louvor à Virgem Maria”, com 5.732 versos, alguns dos quais traçados nas areias das praias. Em 1565, entrou com Estácio de Sá na baía de Guanabara, onde estabeleceram os fundamentos do que viria a ser a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.   TEXTO 3 Padre Fernão Cardim FREYRE, Gilberto. Casa Grande & Senzala – Introdução à história da sociedade colonial no Brasil – Formação da Família Brasileira sob o Regime da Economia Patriarcal. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio. Ed. 1993, 20ª ed. É certo que o Padre Fernão Cardim, nos seus Tratados, está sempre a falar da fartura de carne, de aves e até de frutas com que foi recebido por toda parte no Brasil do séc. XVI, entre os homens ricos e os colégios de padres. Mas de Cardim deve-se tomar em consideração o seu caráter de padre visitador, recebido nos engenhos e colégios com festas e jantares excepcionais. Era um personagem a quem todo agrado que fizessem os colonos era pouco: a boa impressão que lhe causassem a mesa farta e os leitos macios dos grandes senhores de escravos talvez atenuasse a péssima, a vida dissoluta que todos eles levavam nos engenhos de açúcar: “os peccados que se cometem nelles (nos engenhos) não tem conta: quase todos andam amancebados por causa das muitas occasioes; bem cheio de peccados via esse doce por que tanto fazem; grande é a peciencia de Deus que tanto soffre”.   TEXTO 4 Retirantes da educação MARCH, Rodrigo. Retirantes da educação. Caderno Boa Chance: O GLOBO, 10 de maio de 2009. Irinilda da Silva, de 31 anos, deixou de amamentar a filha, de quatro meses, que ficou em casa com o pai. Robéria Gomes, de 36, viajou grávida e seu bebê, João Vitor, nasceu na quinta-feira passada, no Hospital Central do Exército, em Benfica. As duas são retirantes da educação: integram um grupo de 12 professores do Acre que cruzou 4521 quilômetros de Brasil, superando uma série de dificuldades, para fazer uma pós-graduação. Um exemplo das barreiras de qualificação profissional no país. Hoje, 53% dos cursos de mestrado e doutorado estão no Sudeste; só 3,8% na Região Norte, a de menor cobertura. Eles estão aproveitando um convênio firmado entre a Universidade Federal do Acre (UFAC) e a Universidade Federal Fluminense (UFF), de Niterói. Onze fazem mestrado e uma, doutorado. Todos em educação – mesmo as faculdades particulares do Acre não têm curso de pós-graduação nessa área. Nove deles dividem a mesma casa em São Domingos, Niterói, como num Big Brother, só que sem conforto algum. Para se ter uma ideia, a TV foi emprestada por uma colega de curso, e quase todos dormem em colchonetes. Apesar da proximidade à Faculdade de Educação da UFF, só andam em grupos: por insegurança, sensação que ainda não tinham experimentado. O périplo deles começou antes mesmo de a parceria com a UFF ser fechada, já que eles já tinham tentado convênios com outras instituições, mas que não possuíam cursos com nota cinco em avaliação, uma determinação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), da qual são bolsistas. Foram oferecidas 15 vagas no mestrado, porém dos 19 inscritos, só 11 foram aprovados. No doutorado, apenas três se inscreveram, mas só uma passou na seleção. A dificuldade seguinte foi encontrar uma casa para alugar em Niterói. A professora de letras Sâmia El-Hassani, de 46 anos, veio 15 dias antes para tentar resolver o problema. O marido dela, Dalbi D’Ávila, também é de letras e faz o mestrado. Trouxeram os filhos, que foram matriculados numa escola. – Niterói não aluga imóvel por temporada, pelo menos na área do Centro e da Zona Sul – observa Sâmia, que também achou os preços altíssimos. Com muito custo – e também por falta de opção –, eles conseguiram uma casa que estava à venda, mas que sequer tinha torneiras. O dono aceitou fazer um contrato de três meses com pagamento antecipado de R$ 6.800,00 enquanto não acha um comprador. Mas eles vão precisar renovar mais um mês, já que estarão na cidade até 17 de julho – no segundo semestre, os professores da UFF vão ao Acre dar as aulas, sendo que ano que vem, o vaivém se repete, pois o curso de mestrado é de dois anos.     Acerca do período:  “Apesar da proximidade à Faculdade de Educação da UFF, só andam em grupos: por insegurança, sensação que ainda não tinham experimentado.” (Texto 4, linhas 7-8).  Podemos afirmar que:   

Questão
2009Português

(IME-2009)  TEXTO 1 Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem NEVES, Auricléa Oliveira das. Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem. Amazonas: Universidade do Estado do Amazonas, 2008. As viagens têm um profundo significado na história da humanidade. Inicialmente, no período da coleta, as migrações se faziam pela necessidade de buscar alimentos, posteriormente elas foram realizadas para conquistar espaços mais apropriados para o bem estar da comunidade. Outros objetivos também suscitaram o deslocamento do homem: a posse de espaços territoriais, a exploração de riquezas, o conhecimento de novas terras, o estudo de locais específicos, ou simplesmente a viagem como forma de lazer. (...) No plano ficcional, vários autores no Ocidente, a partir do Homero, com a Odisséia, se dedicaram a usar as viagens como tema. Na literatura de língua portuguesa, os registros iniciais são oriundos dos relatos orais de marinheiros, apontamentos náuticos, diários de bordo, escritos de pilotos que, presumidamente, serviram de fonte para Gomes Eanes de Zurara, primeiro cronista conhecido das viagens oceânicas portuguesas. Na história literária na América e do Brasil, os primeiros registros advêm dos escritos de viajantes: o Diário de Critóvão Colombo e a Carta de Pero Vaz de Caminha. A revelação de novos espaços, paisagens, floras, faunas, costumes e religiões, as aventuras e peripécias de viagens mais fabulosas que dos romances de cavalaria e as dos poemas da Antiguidade, inspiraram [...] uma vasta literatura descritiva e narrativa, que assumiu várias formas desde os grandes tratados históricos ou geográficos em grossos volumes até às curtas reportagens em folhetos de cordel. (Saraiva & Lopes, 1982, p. 294). Em cada época, as jornadas se realizaram de formas e condições variadas, seus viajantes apresentam objetivos diversos como conquista, exploração, reconhecimento, administração, catequese, aventura ou lazer. Durante o iluminismo, com a mudança de mentalidade de muitos dirigentes, as relações entre os governos da Europa e suas colônias da América assumem novos significados, assim, as viagens passaram a ter o caráter científico. O empreendedor dessas jornadas tem a preocupação com a observação, a descrição e a classificação de tudo que há nas terras conquistadas no século XVI para que os governos possam inventariar a fortuna natural de suas colônias e obter controle sobre elas.   TEXTO 2 José de Anchieta, jesuíta hispano-brasileiro. UOL Educação. José de Anchieta, Jesuíta hispano-brasileiro. Disponível em: http://educação.uol.com.br/biografias/ult1789u421.jhtm>capturado em 18.05.09. José de Anchieta nasceu em família rica, numa das sete ilhas Canárias, de onde avistava os navios que se abasteciam no ponto de Tenerife para seguir rumo ao Oriente ou ao Novo Mundo. O pai era um nobre basco, e a mãe, uma judia conversa. Aos 14 anos foi estudar em Coimbra (Portugal). Sentia a vocação religiosa e, em 1551, foi admitido como noviço no colégio jesuíta da Universidade de Coimbra. Em 1553, com 19 anos, foi convidado a vir para o Brasil como missionário acompanhando Duarte da Costa, o segundo governador-geral nomeado pela Coroa. No comecinho de 1554, chegou a São Vicente, a primeira vila fundada no Brasil. Lá teve o primeiro contato com os índios. No mesmo ano, junto com o jesuíta português Manuel de Nóbrega, subiu a serra do Mar até o planalto que os índios denominavam Piratininga, ao longo do rio Tietê. Os dois missionários estabeleceram um pequeno colégio, e, em 25 de janeiro de 1554, celebrou-se ali a primeira missa. Anchieta começou o trabalho de conversão, batismo e catequese. Para os índios, foi médico sacerdote e educador: cuidava do corpo, da alma e da mente. Na catequese, usava o teatro e a poesia, tornando a aprendizagem um processo prazeroso. Ensinou latim aos índios, aprendeu tupi-guarani com eles e (seguindo a tradição missionária, que mandava assimilar e registrar os idiomas) escreveu a “Arte da Gramática da Língua Mais Falada na Costa do Brasil”, publicada em Coimbra em 1595. O colégio de São Paulo da Piratininga, como era chamado, logo expandiu seu núcleo. Mas, ao longo do litoral de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, as tribos formaram uma aliança (conhecida como Confederação dos Tamoios) que atacou São Paulo diversas vezes entre 1562 e 1564. Anchieta e Nóbrega tiveram um conflito com Duarte da Costa e decidiram iniciar as negociações de paz com os tamoios em Iperoig (hoje Ubatuba). Anchieta, falando tupiguarani e viajando por toda aquela costa, foi crucial para ganhar a confiança dos índios, e, após muitos incidentes, estabeleceu-se a paz entre tamoios, tupinambás e portugueses. Nessa época, Anchieta escreveu o “Poema em Louvor à Virgem Maria”, com 5.732 versos, alguns dos quais traçados nas areias das praias. Em 1565, entrou com Estácio de Sá na baía de Guanabara, onde estabeleceram os fundamentos do que viria a ser a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.   TEXTO 3 Padre Fernão Cardim FREYRE, Gilberto. Casa Grande & Senzala – Introdução à história da sociedade colonial no Brasil – Formação da Família Brasileira sob o Regime da Economia Patriarcal. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio. Ed. 1993, 20ª ed. É certo que o Padre Fernão Cardim, nos seus Tratados, está sempre a falar da fartura de carne, de aves e até de frutas com que foi recebido por toda parte no Brasil do séc. XVI, entre os homens ricos e os colégios de padres. Mas de Cardim deve-se tomar em consideração o seu caráter de padre visitador, recebido nos engenhos e colégios com festas e jantares excepcionais. Era um personagem a quem todo agrado que fizessem os colonos era pouco: a boa impressão que lhe causassem a mesa farta e os leitos macios dos grandes senhores de escravos talvez atenuasse a péssima, a vida dissoluta que todos eles levavam nos engenhos de açúcar: “os peccados que se cometem nelles (nos engenhos) não tem conta: quase todos andam amancebados por causa das muitas occasioes; bem cheio de peccados via esse doce por que tanto fazem; grande é a peciencia de Deus que tanto soffre”.   TEXTO 4 Retirantes da educação MARCH, Rodrigo. Retirantes da educação. Caderno Boa Chance: O GLOBO, 10 de maio de 2009. Irinilda da Silva, de 31 anos, deixou de amamentar a filha, de quatro meses, que ficou em casa com o pai. Robéria Gomes, de 36, viajou grávida e seu bebê, João Vitor, nasceu na quinta-feira passada, no Hospital Central do Exército, em Benfica. As duas são retirantes da educação: integram um grupo de 12 professores do Acre que cruzou 4521 quilômetros de Brasil, superando uma série de dificuldades, para fazer uma pós-graduação. Um exemplo das barreiras de qualificação profissional no país. Hoje, 53% dos cursos de mestrado e doutorado estão no Sudeste; só 3,8% na Região Norte, a de menor cobertura. Eles estão aproveitando um convênio firmado entre a Universidade Federal do Acre (UFAC) e a Universidade Federal Fluminense (UFF), de Niterói. Onze fazem mestrado e uma, doutorado. Todos em educação – mesmo as faculdades particulares do Acre não têm curso de pós-graduação nessa área. Nove deles dividem a mesma casa em São Domingos, Niterói, como num Big Brother, só que sem conforto algum. Para se ter uma ideia, a TV foi emprestada por uma colega de curso, e quase todos dormem em colchonetes. Apesar da proximidade à Faculdade de Educação da UFF, só andam em grupos: por insegurança, sensação que ainda não tinham experimentado. O périplo deles começou antes mesmo de a parceria com a UFF ser fechada, já que eles já tinham tentado convênios com outras instituições, mas que não possuíam cursos com nota cinco em avaliação, uma determinação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), da qual são bolsistas. Foram oferecidas 15 vagas no mestrado, porém dos 19 inscritos, só 11 foram aprovados. No doutorado, apenas três se inscreveram, mas só uma passou na seleção. A dificuldade seguinte foi encontrar uma casa para alugar em Niterói. A professora de letras Sâmia El-Hassani, de 46 anos, veio 15 dias antes para tentar resolver o problema. O marido dela, Dalbi D’Ávila, também é de letras e faz o mestrado. Trouxeram os filhos, que foram matriculados numa escola. – Niterói não aluga imóvel por temporada, pelo menos na área do Centro e da Zona Sul – observa Sâmia, que também achou os preços altíssimos. Com muito custo – e também por falta de opção –, eles conseguiram uma casa que estava à venda, mas que sequer tinha torneiras. O dono aceitou fazer um contrato de três meses com pagamento antecipado de R$ 6.800,00 enquanto não acha um comprador. Mas eles vão precisar renovar mais um mês, já que estarão na cidade até 17 de julho – no segundo semestre, os professores da UFF vão ao Acre dar as aulas, sendo que ano que vem, o vaivém se repete, pois o curso de mestrado é de dois anos.   Ainda acerca do trecho “Apesar da proximidade à Faculdade de Educação da UFF, só andam em grupos: por insegurança, sensação que ainda não tinham experimentado.” (Texto 4, linhas 7-8). e considerando que os termos de um texto entrelaçam-se por meio de mecanismos coesivos, os quais permitem ao leitor identificar relações entre as palavras, podemos afirmar que o termo “insegurança”  sugere ao leitor que os estudantes 

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2009Português

(IME-2009)  TEXTO 1 Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem NEVES, Auricléa Oliveira das. Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem. Amazonas: Universidade do Estado do Amazonas, 2008. As viagens têm um profundo significado na história da humanidade. Inicialmente, no período da coleta, as migrações se faziam pela necessidade de buscar alimentos, posteriormente elas foram realizadas para conquistar espaços mais apropriados para o bem estar da comunidade. Outros objetivos também suscitaram o deslocamento do homem: a posse de espaços territoriais, a exploração de riquezas, o conhecimento de novas terras, o estudo de locais específicos, ou simplesmente a viagem como forma de lazer. (...) No plano ficcional, vários autores no Ocidente, a partir do Homero, com a Odisséia, se dedicaram a usar as viagens como tema. Na literatura de língua portuguesa, os registros iniciais são oriundos dos relatos orais de marinheiros, apontamentos náuticos, diários de bordo, escritos de pilotos que, presumidamente, serviram de fonte para Gomes Eanes de Zurara, primeiro cronista conhecido das viagens oceânicas portuguesas. Na história literária na América e do Brasil, os primeiros registros advêm dos escritos de viajantes: o Diário de Critóvão Colombo e a Carta de Pero Vaz de Caminha. A revelação de novos espaços, paisagens, floras, faunas, costumes e religiões, as aventuras e peripécias de viagens mais fabulosas que dos romances de cavalaria e as dos poemas da Antiguidade, inspiraram [...] uma vasta literatura descritiva e narrativa, que assumiu várias formas desde os grandes tratados históricos ou geográficos em grossos volumes até às curtas reportagens em folhetos de cordel. (Saraiva & Lopes, 1982, p. 294). Em cada época, as jornadas se realizaram de formas e condições variadas, seus viajantes apresentam objetivos diversos como conquista, exploração, reconhecimento, administração, catequese, aventura ou lazer. Durante o iluminismo, com a mudança de mentalidade de muitos dirigentes, as relações entre os governos da Europa e suas colônias da América assumem novos significados, assim, as viagens passaram a ter o caráter científico. O empreendedor dessas jornadas tem a preocupação com a observação, a descrição e a classificação de tudo que há nas terras conquistadas no século XVI para que os governos possam inventariar a fortuna natural de suas colônias e obter controle sobre elas.   TEXTO 2 José de Anchieta, jesuíta hispano-brasileiro. UOL Educação. José de Anchieta, Jesuíta hispano-brasileiro. Disponível em: http://educação.uol.com.br/biografias/ult1789u421.jhtm>capturado em 18.05.09. José de Anchieta nasceu em família rica, numa das sete ilhas Canárias, de onde avistava os navios que se abasteciam no ponto de Tenerife para seguir rumo ao Oriente ou ao Novo Mundo. O pai era um nobre basco, e a mãe, uma judia conversa. Aos 14 anos foi estudar em Coimbra (Portugal). Sentia a vocação religiosa e, em 1551, foi admitido como noviço no colégio jesuíta da Universidade de Coimbra. Em 1553, com 19 anos, foi convidado a vir para o Brasil como missionário acompanhando Duarte da Costa, o segundo governador-geral nomeado pela Coroa. No comecinho de 1554, chegou a São Vicente, a primeira vila fundada no Brasil. Lá teve o primeiro contato com os índios. No mesmo ano, junto com o jesuíta português Manuel de Nóbrega, subiu a serra do Mar até o planalto que os índios denominavam Piratininga, ao longo do rio Tietê. Os dois missionários estabeleceram um pequeno colégio, e, em 25 de janeiro de 1554, celebrou-se ali a primeira missa. Anchieta começou o trabalho de conversão, batismo e catequese. Para os índios, foi médico sacerdote e educador: cuidava do corpo, da alma e da mente. Na catequese, usava o teatro e a poesia, tornando a aprendizagem um processo prazeroso. Ensinou latim aos índios, aprendeu tupi-guarani com eles e (seguindo a tradição missionária, que mandava assimilar e registrar os idiomas) escreveu a “Arte da Gramática da Língua Mais Falada na Costa do Brasil”, publicada em Coimbra em 1595. O colégio de São Paulo da Piratininga, como era chamado, logo expandiu seu núcleo. Mas, ao longo do litoral de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, as tribos formaram uma aliança (conhecida como Confederação dos Tamoios) que atacou São Paulo diversas vezes entre 1562 e 1564. Anchieta e Nóbrega tiveram um conflito com Duarte da Costa e decidiram iniciar as negociações de paz com os tamoios em Iperoig (hoje Ubatuba). Anchieta, falando tupiguarani e viajando por toda aquela costa, foi crucial para ganhar a confiança dos índios, e, após muitos incidentes, estabeleceu-se a paz entre tamoios, tupinambás e portugueses. Nessa época, Anchieta escreveu o “Poema em Louvor à Virgem Maria”, com 5.732 versos, alguns dos quais traçados nas areias das praias. Em 1565, entrou com Estácio de Sá na baía de Guanabara, onde estabeleceram os fundamentos do que viria a ser a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.   TEXTO 3 Padre Fernão Cardim FREYRE, Gilberto. Casa Grande & Senzala – Introdução à história da sociedade colonial no Brasil – Formação da Família Brasileira sob o Regime da Economia Patriarcal. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio. Ed. 1993, 20ª ed. É certo que o Padre Fernão Cardim, nos seus Tratados, está sempre a falar da fartura de carne, de aves e até de frutas com que foi recebido por toda parte no Brasil do séc. XVI, entre os homens ricos e os colégios de padres. Mas de Cardim deve-se tomar em consideração o seu caráter de padre visitador, recebido nos engenhos e colégios com festas e jantares excepcionais. Era um personagem a quem todo agrado que fizessem os colonos era pouco: a boa impressão que lhe causassem a mesa farta e os leitos macios dos grandes senhores de escravos talvez atenuasse a péssima, a vida dissoluta que todos eles levavam nos engenhos de açúcar: “os peccados que se cometem nelles (nos engenhos) não tem conta: quase todos andam amancebados por causa das muitas occasioes; bem cheio de peccados via esse doce por que tanto fazem; grande é a peciencia de Deus que tanto soffre”.   TEXTO 4 Retirantes da educação MARCH, Rodrigo. Retirantes da educação. Caderno Boa Chance: O GLOBO, 10 de maio de 2009. Irinilda da Silva, de 31 anos, deixou de amamentar a filha, de quatro meses, que ficou em casa com o pai. Robéria Gomes, de 36, viajou grávida e seu bebê, João Vitor, nasceu na quinta-feira passada, no Hospital Central do Exército, em Benfica. As duas são retirantes da educação: integram um grupo de 12 professores do Acre que cruzou 4521 quilômetros de Brasil, superando uma série de dificuldades, para fazer uma pós-graduação. Um exemplo das barreiras de qualificação profissional no país. Hoje, 53% dos cursos de mestrado e doutorado estão no Sudeste; só 3,8% na Região Norte, a de menor cobertura. Eles estão aproveitando um convênio firmado entre a Universidade Federal do Acre (UFAC) e a Universidade Federal Fluminense (UFF), de Niterói. Onze fazem mestrado e uma, doutorado. Todos em educação – mesmo as faculdades particulares do Acre não têm curso de pós-graduação nessa área. Nove deles dividem a mesma casa em São Domingos, Niterói, como num Big Brother, só que sem conforto algum. Para se ter uma ideia, a TV foi emprestada por uma colega de curso, e quase todos dormem em colchonetes. Apesar da proximidade à Faculdade de Educação da UFF, só andam em grupos: por insegurança, sensação que ainda não tinham experimentado. O périplo deles começou antes mesmo de a parceria com a UFF ser fechada, já que eles já tinham tentado convênios com outras instituições, mas que não possuíam cursos com nota cinco em avaliação, uma determinação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), da qual são bolsistas. Foram oferecidas 15 vagas no mestrado, porém dos 19 inscritos, só 11 foram aprovados. No doutorado, apenas três se inscreveram, mas só uma passou na seleção. A dificuldade seguinte foi encontrar uma casa para alugar em Niterói. A professora de letras Sâmia El-Hassani, de 46 anos, veio 15 dias antes para tentar resolver o problema. O marido dela, Dalbi D’Ávila, também é de letras e faz o mestrado. Trouxeram os filhos, que foram matriculados numa escola. – Niterói não aluga imóvel por temporada, pelo menos na área do Centro e da Zona Sul – observa Sâmia, que também achou os preços altíssimos. Com muito custo – e também por falta de opção –, eles conseguiram uma casa que estava à venda, mas que sequer tinha torneiras. O dono aceitou fazer um contrato de três meses com pagamento antecipado de R$ 6.800,00 enquanto não acha um comprador. Mas eles vão precisar renovar mais um mês, já que estarão na cidade até 17 de julho – no segundo semestre, os professores da UFF vão ao Acre dar as aulas, sendo que ano que vem, o vaivém se repete, pois o curso de mestrado é de dois anos.   Considere os seguintes trechos Trecho I - “Mas de Cardim deve-se tomar em consideração o seu caráter de padre visitador”. (Texto 3, linha 3). Trecho II - “Robéria Gomes, de 36, viajou grávida”. (Texto 4, linha 1). Trecho III - “pois o curso de mestrado é de dois anos”. (Texto 4, linha 17) . É correto afirmar que 

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(IME-2009)  TEXTO 1 Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem NEVES, Auricléa Oliveira das. Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem. Amazonas: Universidade do Estado do Amazonas, 2008. As viagens têm um profundo significado na história da humanidade. Inicialmente, no período da coleta, as migrações se faziam pela necessidade de buscar alimentos, posteriormente elas foram realizadas para conquistar espaços mais apropriados para o bem estar da comunidade. Outros objetivos também suscitaram o deslocamento do homem: a posse de espaços territoriais, a exploração de riquezas, o conhecimento de novas terras, o estudo de locais específicos, ou simplesmente a viagem como forma de lazer. (...) No plano ficcional, vários autores no Ocidente, a partir do Homero, com a Odisséia, se dedicaram a usar as viagens como tema. Na literatura de língua portuguesa, os registros iniciais são oriundos dos relatos orais de marinheiros, apontamentos náuticos, diários de bordo, escritos de pilotos que, presumidamente, serviram de fonte para Gomes Eanes de Zurara, primeiro cronista conhecido das viagens oceânicas portuguesas. Na história literária na América e do Brasil, os primeiros registros advêm dos escritos de viajantes: o Diário de Critóvão Colombo e a Carta de Pero Vaz de Caminha. A revelação de novos espaços, paisagens, floras, faunas, costumes e religiões, as aventuras e peripécias de viagens mais fabulosas que dos romances de cavalaria e as dos poemas da Antiguidade, inspiraram [...] uma vasta literatura descritiva e narrativa, que assumiu várias formas desde os grandes tratados históricos ou geográficos em grossos volumes até às curtas reportagens em folhetos de cordel. (Saraiva & Lopes, 1982, p. 294). Em cada época, as jornadas se realizaram de formas e condições variadas, seus viajantes apresentam objetivos diversos como conquista, exploração, reconhecimento, administração, catequese, aventura ou lazer. Durante o iluminismo, com a mudança de mentalidade de muitos dirigentes, as relações entre os governos da Europa e suas colônias da América assumem novos significados, assim, as viagens passaram a ter o caráter científico. O empreendedor dessas jornadas tem a preocupação com a observação, a descrição e a classificação de tudo que há nas terras conquistadas no século XVI para que os governos possam inventariar a fortuna natural de suas colônias e obter controle sobre elas.   TEXTO 2 José de Anchieta, jesuíta hispano-brasileiro. UOL Educação. José de Anchieta, Jesuíta hispano-brasileiro. Disponível em: http://educação.uol.com.br/biografias/ult1789u421.jhtm>capturado em 18.05.09. José de Anchieta nasceu em família rica, numa das sete ilhas Canárias, de onde avistava os navios que se abasteciam no ponto de Tenerife para seguir rumo ao Oriente ou ao Novo Mundo. O pai era um nobre basco, e a mãe, uma judia conversa. Aos 14 anos foi estudar em Coimbra (Portugal). Sentia a vocação religiosa e, em 1551, foi admitido como noviço no colégio jesuíta da Universidade de Coimbra. Em 1553, com 19 anos, foi convidado a vir para o Brasil como missionário acompanhando Duarte da Costa, o segundo governador-geral nomeado pela Coroa. No comecinho de 1554, chegou a São Vicente, a primeira vila fundada no Brasil. Lá teve o primeiro contato com os índios. No mesmo ano, junto com o jesuíta português Manuel de Nóbrega, subiu a serra do Mar até o planalto que os índios denominavam Piratininga, ao longo do rio Tietê. Os dois missionários estabeleceram um pequeno colégio, e, em 25 de janeiro de 1554, celebrou-se ali a primeira missa. Anchieta começou o trabalho de conversão, batismo e catequese. Para os índios, foi médico sacerdote e educador: cuidava do corpo, da alma e da mente. Na catequese, usava o teatro e a poesia, tornando a aprendizagem um processo prazeroso. Ensinou latim aos índios, aprendeu tupi-guarani com eles e (seguindo a tradição missionária, que mandava assimilar e registrar os idiomas) escreveu a “Arte da Gramática da Língua Mais Falada na Costa do Brasil”, publicada em Coimbra em 1595. O colégio de São Paulo da Piratininga, como era chamado, logo expandiu seu núcleo. Mas, ao longo do litoral de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, as tribos formaram uma aliança (conhecida como Confederação dos Tamoios) que atacou São Paulo diversas vezes entre 1562 e 1564. Anchieta e Nóbrega tiveram um conflito com Duarte da Costa e decidiram iniciar as negociações de paz com os tamoios em Iperoig (hoje Ubatuba). Anchieta, falando tupiguarani e viajando por toda aquela costa, foi crucial para ganhar a confiança dos índios, e, após muitos incidentes, estabeleceu-se a paz entre tamoios, tupinambás e portugueses. Nessa época, Anchieta escreveu o “Poema em Louvor à Virgem Maria”, com 5.732 versos, alguns dos quais traçados nas areias das praias. Em 1565, entrou com Estácio de Sá na baía de Guanabara, onde estabeleceram os fundamentos do que viria a ser a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.   TEXTO 3 Padre Fernão Cardim FREYRE, Gilberto. Casa Grande & Senzala – Introdução à história da sociedade colonial no Brasil – Formação da Família Brasileira sob o Regime da Economia Patriarcal. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio. Ed. 1993, 20ª ed. É certo que o Padre Fernão Cardim, nos seus Tratados, está sempre a falar da fartura de carne, de aves e até de frutas com que foi recebido por toda parte no Brasil do séc. XVI, entre os homens ricos e os colégios de padres. Mas de Cardim deve-se tomar em consideração o seu caráter de padre visitador, recebido nos engenhos e colégios com festas e jantares excepcionais. Era um personagem a quem todo agrado que fizessem os colonos era pouco: a boa impressão que lhe causassem a mesa farta e os leitos macios dos grandes senhores de escravos talvez atenuasse a péssima, a vida dissoluta que todos eles levavam nos engenhos de açúcar: “os peccados que se cometem nelles (nos engenhos) não tem conta: quase todos andam amancebados por causa das muitas occasioes; bem cheio de peccados via esse doce por que tanto fazem; grande é a peciencia de Deus que tanto soffre”.   TEXTO 4 Retirantes da educação MARCH, Rodrigo. Retirantes da educação. Caderno Boa Chance: O GLOBO, 10 de maio de 2009. Irinilda da Silva, de 31 anos, deixou de amamentar a filha, de quatro meses, que ficou em casa com o pai. Robéria Gomes, de 36, viajou grávida e seu bebê, João Vitor, nasceu na quinta-feira passada, no Hospital Central do Exército, em Benfica. As duas são retirantes da educação: integram um grupo de 12 professores do Acre que cruzou 4521 quilômetros de Brasil, superando uma série de dificuldades, para fazer uma pós-graduação. Um exemplo das barreiras de qualificação profissional no país. Hoje, 53% dos cursos de mestrado e doutorado estão no Sudeste; só 3,8% na Região Norte, a de menor cobertura. Eles estão aproveitando um convênio firmado entre a Universidade Federal do Acre (UFAC) e a Universidade Federal Fluminense (UFF), de Niterói. Onze fazem mestrado e uma, doutorado. Todos em educação – mesmo as faculdades particulares do Acre não têm curso de pós-graduação nessa área. Nove deles dividem a mesma casa em São Domingos, Niterói, como num Big Brother, só que sem conforto algum. Para se ter uma ideia, a TV foi emprestada por uma colega de curso, e quase todos dormem em colchonetes. Apesar da proximidade à Faculdade de Educação da UFF, só andam em grupos: por insegurança, sensação que ainda não tinham experimentado. O périplo deles começou antes mesmo de a parceria com a UFF ser fechada, já que eles já tinham tentado convênios com outras instituições, mas que não possuíam cursos com nota cinco em avaliação, uma determinação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), da qual são bolsistas. Foram oferecidas 15 vagas no mestrado, porém dos 19 inscritos, só 11 foram aprovados. No doutorado, apenas três se inscreveram, mas só uma passou na seleção. A dificuldade seguinte foi encontrar uma casa para alugar em Niterói. A professora de letras Sâmia El-Hassani, de 46 anos, veio 15 dias antes para tentar resolver o problema. O marido dela, Dalbi D’Ávila, também é de letras e faz o mestrado. Trouxeram os filhos, que foram matriculados numa escola. – Niterói não aluga imóvel por temporada, pelo menos na área do Centro e da Zona Sul – observa Sâmia, que também achou os preços altíssimos. Com muito custo – e também por falta de opção –, eles conseguiram uma casa que estava à venda, mas que sequer tinha torneiras. O dono aceitou fazer um contrato de três meses com pagamento antecipado de R$ 6.800,00 enquanto não acha um comprador. Mas eles vão precisar renovar mais um mês, já que estarão na cidade até 17 de julho – no segundo semestre, os professores da UFF vão ao Acre dar as aulas, sendo que ano que vem, o vaivém se repete, pois o curso de mestrado é de dois anos.     O campo semântico relacionado à palavra “périplo” (Texto 4, linha 9) é 

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(IME-2009)  TEXTO 1 Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem NEVES, Auricléa Oliveira das. Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem. Amazonas: Universidade do Estado do Amazonas, 2008. As viagens têm um profundo significado na história da humanidade. Inicialmente, no período da coleta, as migrações se faziam pela necessidade de buscar alimentos, posteriormente elas foram realizadas para conquistar espaços mais apropriados para o bem estar da comunidade. Outros objetivos também suscitaram o deslocamento do homem: a posse de espaços territoriais, a exploração de riquezas, o conhecimento de novas terras, o estudo de locais específicos, ou simplesmente a viagem como forma de lazer. (...) No plano ficcional, vários autores no Ocidente, a partir do Homero, com a Odisséia, se dedicaram a usar as viagens como tema. Na literatura de língua portuguesa, os registros iniciais são oriundos dos relatos orais de marinheiros, apontamentos náuticos, diários de bordo, escritos de pilotos que, presumidamente, serviram de fonte para Gomes Eanes de Zurara, primeiro cronista conhecido das viagens oceânicas portuguesas. Na história literária na América e do Brasil, os primeiros registros advêm dos escritos de viajantes: o Diário de Critóvão Colombo e a Carta de Pero Vaz de Caminha. A revelação de novos espaços, paisagens, floras, faunas, costumes e religiões, as aventuras e peripécias de viagens mais fabulosas que dos romances de cavalaria e as dos poemas da Antiguidade, inspiraram [...] uma vasta literatura descritiva e narrativa, que assumiu várias formas desde os grandes tratados históricos ou geográficos em grossos volumes até às curtas reportagens em folhetos de cordel. (Saraiva & Lopes, 1982, p. 294). Em cada época, as jornadas se realizaram de formas e condições variadas, seus viajantes apresentam objetivos diversos como conquista, exploração, reconhecimento, administração, catequese, aventura ou lazer. Durante o iluminismo, com a mudança de mentalidade de muitos dirigentes, as relações entre os governos da Europa e suas colônias da América assumem novos significados, assim, as viagens passaram a ter o caráter científico. O empreendedor dessas jornadas tem a preocupação com a observação, a descrição e a classificação de tudo que há nas terras conquistadas no século XVI para que os governos possam inventariar a fortuna natural de suas colônias e obter controle sobre elas.   TEXTO 2 José de Anchieta, jesuíta hispano-brasileiro. UOL Educação. José de Anchieta, Jesuíta hispano-brasileiro. Disponível em: http://educação.uol.com.br/biografias/ult1789u421.jhtm>capturado em 18.05.09. José de Anchieta nasceu em família rica, numa das sete ilhas Canárias, de onde avistava os navios que se abasteciam no ponto de Tenerife para seguir rumo ao Oriente ou ao Novo Mundo. O pai era um nobre basco, e a mãe, uma judia conversa. Aos 14 anos foi estudar em Coimbra (Portugal). Sentia a vocação religiosa e, em 1551, foi admitido como noviço no colégio jesuíta da Universidade de Coimbra. Em 1553, com 19 anos, foi convidado a vir para o Brasil como missionário acompanhando Duarte da Costa, o segundo governador-geral nomeado pela Coroa. No comecinho de 1554, chegou a São Vicente, a primeira vila fundada no Brasil. Lá teve o primeiro contato com os índios. No mesmo ano, junto com o jesuíta português Manuel de Nóbrega, subiu a serra do Mar até o planalto que os índios denominavam Piratininga, ao longo do rio Tietê. Os dois missionários estabeleceram um pequeno colégio, e, em 25 de janeiro de 1554, celebrou-se ali a primeira missa. Anchieta começou o trabalho de conversão, batismo e catequese. Para os índios, foi médico sacerdote e educador: cuidava do corpo, da alma e da mente. Na catequese, usava o teatro e a poesia, tornando a aprendizagem um processo prazeroso. Ensinou latim aos índios, aprendeu tupi-guarani com eles e (seguindo a tradição missionária, que mandava assimilar e registrar os idiomas) escreveu a “Arte da Gramática da Língua Mais Falada na Costa do Brasil”, publicada em Coimbra em 1595. O colégio de São Paulo da Piratininga, como era chamado, logo expandiu seu núcleo. Mas, ao longo do litoral de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, as tribos formaram uma aliança (conhecida como Confederação dos Tamoios) que atacou São Paulo diversas vezes entre 1562 e 1564. Anchieta e Nóbrega tiveram um conflito com Duarte da Costa e decidiram iniciar as negociações de paz com os tamoios em Iperoig (hoje Ubatuba). Anchieta, falando tupiguarani e viajando por toda aquela costa, foi crucial para ganhar a confiança dos índios, e, após muitos incidentes, estabeleceu-se a paz entre tamoios, tupinambás e portugueses. Nessa época, Anchieta escreveu o “Poema em Louvor à Virgem Maria”, com 5.732 versos, alguns dos quais traçados nas areias das praias. Em 1565, entrou com Estácio de Sá na baía de Guanabara, onde estabeleceram os fundamentos do que viria a ser a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.   TEXTO 3 Padre Fernão Cardim FREYRE, Gilberto. Casa Grande & Senzala – Introdução à história da sociedade colonial no Brasil – Formação da Família Brasileira sob o Regime da Economia Patriarcal. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio. Ed. 1993, 20ª ed. É certo que o Padre Fernão Cardim, nos seus Tratados, está sempre a falar da fartura de carne, de aves e até de frutas com que foi recebido por toda parte no Brasil do séc. XVI, entre os homens ricos e os colégios de padres. Mas de Cardim deve-se tomar em consideração o seu caráter de padre visitador, recebido nos engenhos e colégios com festas e jantares excepcionais. Era um personagem a quem todo agrado que fizessem os colonos era pouco: a boa impressão que lhe causassem a mesa farta e os leitos macios dos grandes senhores de escravos talvez atenuasse a péssima, a vida dissoluta que todos eles levavam nos engenhos de açúcar: “os peccados que se cometem nelles (nos engenhos) não tem conta: quase todos andam amancebados por causa das muitas occasioes; bem cheio de peccados via esse doce por que tanto fazem; grande é a peciencia de Deus que tanto soffre”.   TEXTO 4 Retirantes da educação MARCH, Rodrigo. Retirantes da educação. Caderno Boa Chance: O GLOBO, 10 de maio de 2009. Irinilda da Silva, de 31 anos, deixou de amamentar a filha, de quatro meses, que ficou em casa com o pai. Robéria Gomes, de 36, viajou grávida e seu bebê, João Vitor, nasceu na quinta-feira passada, no Hospital Central do Exército, em Benfica. As duas são retirantes da educação: integram um grupo de 12 professores do Acre que cruzou 4521 quilômetros de Brasil, superando uma série de dificuldades, para fazer uma pós-graduação. Um exemplo das barreiras de qualificação profissional no país. Hoje, 53% dos cursos de mestrado e doutorado estão no Sudeste; só 3,8% na Região Norte, a de menor cobertura. Eles estão aproveitando um convênio firmado entre a Universidade Federal do Acre (UFAC) e a Universidade Federal Fluminense (UFF), de Niterói. Onze fazem mestrado e uma, doutorado. Todos em educação – mesmo as faculdades particulares do Acre não têm curso de pós-graduação nessa área. Nove deles dividem a mesma casa em São Domingos, Niterói, como num Big Brother, só que sem conforto algum. Para se ter uma ideia, a TV foi emprestada por uma colega de curso, e quase todos dormem em colchonetes. Apesar da proximidade à Faculdade de Educação da UFF, só andam em grupos: por insegurança, sensação que ainda não tinham experimentado. O périplo deles começou antes mesmo de a parceria com a UFF ser fechada, já que eles já tinham tentado convênios com outras instituições, mas que não possuíam cursos com nota cinco em avaliação, uma determinação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), da qual são bolsistas. Foram oferecidas 15 vagas no mestrado, porém dos 19 inscritos, só 11 foram aprovados. No doutorado, apenas três se inscreveram, mas só uma passou na seleção. A dificuldade seguinte foi encontrar uma casa para alugar em Niterói. A professora de letras Sâmia El-Hassani, de 46 anos, veio 15 dias antes para tentar resolver o problema. O marido dela, Dalbi D’Ávila, também é de letras e faz o mestrado. Trouxeram os filhos, que foram matriculados numa escola. – Niterói não aluga imóvel por temporada, pelo menos na área do Centro e da Zona Sul – observa Sâmia, que também achou os preços altíssimos. Com muito custo – e também por falta de opção –, eles conseguiram uma casa que estava à venda, mas que sequer tinha torneiras. O dono aceitou fazer um contrato de três meses com pagamento antecipado de R$ 6.800,00 enquanto não acha um comprador. Mas eles vão precisar renovar mais um mês, já que estarão na cidade até 17 de julho – no segundo semestre, os professores da UFF vão ao Acre dar as aulas, sendo que ano que vem, o vaivém se repete, pois o curso de mestrado é de dois anos.     Observe o trecho a seguir:   “...a classificação de tudo que há nas terras conquistadas no século XVI” (Texto 1, linhas 13-14).  A forma verbal da oração acima tem o mesmo sentido em:

Questão
2009Português

(IME-2009)  TEXTO 1 Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem NEVES, Auricléa Oliveira das. Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem. Amazonas: Universidade do Estado do Amazonas, 2008. As viagens têm um profundo significado na história da humanidade. Inicialmente, no período da coleta, as migrações se faziam pela necessidade de buscar alimentos, posteriormente elas foram realizadas para conquistar espaços mais apropriados para o bem estar da comunidade. Outros objetivos também suscitaram o deslocamento do homem: a posse de espaços territoriais, a exploração de riquezas, o conhecimento de novas terras, o estudo de locais específicos, ou simplesmente a viagem como forma de lazer. (...) No plano ficcional, vários autores no Ocidente, a partir do Homero, com a Odisséia, se dedicaram a usar as viagens como tema. Na literatura de língua portuguesa, os registros iniciais são oriundos dos relatos orais de marinheiros, apontamentos náuticos, diários de bordo, escritos de pilotos que, presumidamente, serviram de fonte para Gomes Eanes de Zurara, primeiro cronista conhecido das viagens oceânicas portuguesas. Na história literária na América e do Brasil, os primeiros registros advêm dos escritos de viajantes: o Diário de Critóvão Colombo e a Carta de Pero Vaz de Caminha. A revelação de novos espaços, paisagens, floras, faunas, costumes e religiões, as aventuras e peripécias de viagens mais fabulosas que dos romances de cavalaria e as dos poemas da Antiguidade, inspiraram [...] uma vasta literatura descritiva e narrativa, que assumiu várias formas desde os grandes tratados históricos ou geográficos em grossos volumes até às curtas reportagens em folhetos de cordel. (Saraiva & Lopes, 1982, p. 294). Em cada época, as jornadas se realizaram de formas e condições variadas, seus viajantes apresentam objetivos diversos como conquista, exploração, reconhecimento, administração, catequese, aventura ou lazer. Durante o iluminismo, com a mudança de mentalidade de muitos dirigentes, as relações entre os governos da Europa e suas colônias da América assumem novos significados, assim, as viagens passaram a ter o caráter científico. O empreendedor dessas jornadas tem a preocupação com a observação, a descrição e a classificação de tudo que há nas terras conquistadas no século XVI para que os governos possam inventariar a fortuna natural de suas colônias e obter controle sobre elas.   TEXTO 2 José de Anchieta, jesuíta hispano-brasileiro. UOL Educação. José de Anchieta, Jesuíta hispano-brasileiro. Disponível em: http://educação.uol.com.br/biografias/ult1789u421.jhtm>capturado em 18.05.09. José de Anchieta nasceu em família rica, numa das sete ilhas Canárias, de onde avistava os navios que se abasteciam no ponto de Tenerife para seguir rumo ao Oriente ou ao Novo Mundo. O pai era um nobre basco, e a mãe, uma judia conversa. Aos 14 anos foi estudar em Coimbra (Portugal). Sentia a vocação religiosa e, em 1551, foi admitido como noviço no colégio jesuíta da Universidade de Coimbra. Em 1553, com 19 anos, foi convidado a vir para o Brasil como missionário acompanhando Duarte da Costa, o segundo governador-geral nomeado pela Coroa. No comecinho de 1554, chegou a São Vicente, a primeira vila fundada no Brasil. Lá teve o primeiro contato com os índios. No mesmo ano, junto com o jesuíta português Manuel de Nóbrega, subiu a serra do Mar até o planalto que os índios denominavam Piratininga, ao longo do rio Tietê. Os dois missionários estabeleceram um pequeno colégio, e, em 25 de janeiro de 1554, celebrou-se ali a primeira missa. Anchieta começou o trabalho de conversão, batismo e catequese. Para os índios, foi médico sacerdote e educador: cuidava do corpo, da alma e da mente. Na catequese, usava o teatro e a poesia, tornando a aprendizagem um processo prazeroso. Ensinou latim aos índios, aprendeu tupi-guarani com eles e (seguindo a tradição missionária, que mandava assimilar e registrar os idiomas) escreveu a “Arte da Gramática da Língua Mais Falada na Costa do Brasil”, publicada em Coimbra em 1595. O colégio de São Paulo da Piratininga, como era chamado, logo expandiu seu núcleo. Mas, ao longo do litoral de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, as tribos formaram uma aliança (conhecida como Confederação dos Tamoios) que atacou São Paulo diversas vezes entre 1562 e 1564. Anchieta e Nóbrega tiveram um conflito com Duarte da Costa e decidiram iniciar as negociações de paz com os tamoios em Iperoig (hoje Ubatuba). Anchieta, falando tupiguarani e viajando por toda aquela costa, foi crucial para ganhar a confiança dos índios, e, após muitos incidentes, estabeleceu-se a paz entre tamoios, tupinambás e portugueses. Nessa época, Anchieta escreveu o “Poema em Louvor à Virgem Maria”, com 5.732 versos, alguns dos quais traçados nas areias das praias. Em 1565, entrou com Estácio de Sá na baía de Guanabara, onde estabeleceram os fundamentos do que viria a ser a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.   TEXTO 3 Padre Fernão Cardim FREYRE, Gilberto. Casa Grande & Senzala – Introdução à história da sociedade colonial no Brasil – Formação da Família Brasileira sob o Regime da Economia Patriarcal. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio. Ed. 1993, 20ª ed. É certo que o Padre Fernão Cardim, nos seus Tratados, está sempre a falar da fartura de carne, de aves e até de frutas com que foi recebido por toda parte no Brasil do séc. XVI, entre os homens ricos e os colégios de padres. Mas de Cardim deve-se tomar em consideração o seu caráter de padre visitador, recebido nos engenhos e colégios com festas e jantares excepcionais. Era um personagem a quem todo agrado que fizessem os colonos era pouco: a boa impressão que lhe causassem a mesa farta e os leitos macios dos grandes senhores de escravos talvez atenuasse a péssima, a vida dissoluta que todos eles levavam nos engenhos de açúcar: “os peccados que se cometem nelles (nos engenhos) não tem conta: quase todos andam amancebados por causa das muitas occasioes; bem cheio de peccados via esse doce por que tanto fazem; grande é a peciencia de Deus que tanto soffre”.   TEXTO 4 Retirantes da educação MARCH, Rodrigo. Retirantes da educação. Caderno Boa Chance: O GLOBO, 10 de maio de 2009. Irinilda da Silva, de 31 anos, deixou de amamentar a filha, de quatro meses, que ficou em casa com o pai. Robéria Gomes, de 36, viajou grávida e seu bebê, João Vitor, nasceu na quinta-feira passada, no Hospital Central do Exército, em Benfica. As duas são retirantes da educação: integram um grupo de 12 professores do Acre que cruzou 4521 quilômetros de Brasil, superando uma série de dificuldades, para fazer uma pós-graduação. Um exemplo das barreiras de qualificação profissional no país. Hoje, 53% dos cursos de mestrado e doutorado estão no Sudeste; só 3,8% na Região Norte, a de menor cobertura. Eles estão aproveitando um convênio firmado entre a Universidade Federal do Acre (UFAC) e a Universidade Federal Fluminense (UFF), de Niterói. Onze fazem mestrado e uma, doutorado. Todos em educação – mesmo as faculdades particulares do Acre não têm curso de pós-graduação nessa área. Nove deles dividem a mesma casa em São Domingos, Niterói, como num Big Brother, só que sem conforto algum. Para se ter uma ideia, a TV foi emprestada por uma colega de curso, e quase todos dormem em colchonetes. Apesar da proximidade à Faculdade de Educação da UFF, só andam em grupos: por insegurança, sensação que ainda não tinham experimentado. O périplo deles começou antes mesmo de a parceria com a UFF ser fechada, já que eles já tinham tentado convênios com outras instituições, mas que não possuíam cursos com nota cinco em avaliação, uma determinação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), da qual são bolsistas. Foram oferecidas 15 vagas no mestrado, porém dos 19 inscritos, só 11 foram aprovados. No doutorado, apenas três se inscreveram, mas só uma passou na seleção. A dificuldade seguinte foi encontrar uma casa para alugar em Niterói. A professora de letras Sâmia El-Hassani, de 46 anos, veio 15 dias antes para tentar resolver o problema. O marido dela, Dalbi D’Ávila, também é de letras e faz o mestrado. Trouxeram os filhos, que foram matriculados numa escola. – Niterói não aluga imóvel por temporada, pelo menos na área do Centro e da Zona Sul – observa Sâmia, que também achou os preços altíssimos. Com muito custo – e também por falta de opção –, eles conseguiram uma casa que estava à venda, mas que sequer tinha torneiras. O dono aceitou fazer um contrato de três meses com pagamento antecipado de R$ 6.800,00 enquanto não acha um comprador. Mas eles vão precisar renovar mais um mês, já que estarão na cidade até 17 de julho – no segundo semestre, os professores da UFF vão ao Acre dar as aulas, sendo que ano que vem, o vaivém se repete, pois o curso de mestrado é de dois anos.   Acerca dos sujeitos dos verbos “entrou” e “estabeleceram” presentes em:  “Em 1565, entrou com Estácio de Sá na baía de Guanabara, onde estabeleceram os fundamentos do que viria a ser a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro”. (Texto 2, linha 29). Podemos afirmar que

Questão
2009Português

(IME-2009)  TEXTO 1 Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem NEVES, Auricléa Oliveira das. Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem. Amazonas: Universidade do Estado do Amazonas, 2008. As viagens têm um profundo significado na história da humanidade. Inicialmente, no período da coleta, as migrações se faziam pela necessidade de buscar alimentos, posteriormente elas foram realizadas para conquistar espaços mais apropriados para o bem estar da comunidade. Outros objetivos também suscitaram o deslocamento do homem: a posse de espaços territoriais, a exploração de riquezas, o conhecimento de novas terras, o estudo de locais específicos, ou simplesmente a viagem como forma de lazer. (...) No plano ficcional, vários autores no Ocidente, a partir do Homero, com a Odisséia, se dedicaram a usar as viagens como tema. Na literatura de língua portuguesa, os registros iniciais são oriundos dos relatos orais de marinheiros, apontamentos náuticos, diários de bordo, escritos de pilotos que, presumidamente, serviram de fonte para Gomes Eanes de Zurara, primeiro cronista conhecido das viagens oceânicas portuguesas. Na história literária na América e do Brasil, os primeiros registros advêm dos escritos de viajantes: o Diário de Critóvão Colombo e a Carta de Pero Vaz de Caminha. A revelação de novos espaços, paisagens, floras, faunas, costumes e religiões, as aventuras e peripécias de viagens mais fabulosas que dos romances de cavalaria e as dos poemas da Antiguidade, inspiraram [...] uma vasta literatura descritiva e narrativa, que assumiu várias formas desde os grandes tratados históricos ou geográficos em grossos volumes até às curtas reportagens em folhetos de cordel. (Saraiva & Lopes, 1982, p. 294). Em cada época, as jornadas se realizaram de formas e condições variadas, seus viajantes apresentam objetivos diversos como conquista, exploração, reconhecimento, administração, catequese, aventura ou lazer. Durante o iluminismo, com a mudança de mentalidade de muitos dirigentes, as relações entre os governos da Europa e suas colônias da América assumem novos significados, assim, as viagens passaram a ter o caráter científico. O empreendedor dessas jornadas tem a preocupação com a observação, a descrição e a classificação de tudo que há nas terras conquistadas no século XVI para que os governos possam inventariar a fortuna natural de suas colônias e obter controle sobre elas.   TEXTO 2 José de Anchieta, jesuíta hispano-brasileiro. UOL Educação. José de Anchieta, Jesuíta hispano-brasileiro. Disponível em: http://educação.uol.com.br/biografias/ult1789u421.jhtm>capturado em 18.05.09. José de Anchieta nasceu em família rica, numa das sete ilhas Canárias, de onde avistava os navios que se abasteciam no ponto de Tenerife para seguir rumo ao Oriente ou ao Novo Mundo. O pai era um nobre basco, e a mãe, uma judia conversa. Aos 14 anos foi estudar em Coimbra (Portugal). Sentia a vocação religiosa e, em 1551, foi admitido como noviço no colégio jesuíta da Universidade de Coimbra. Em 1553, com 19 anos, foi convidado a vir para o Brasil como missionário acompanhando Duarte da Costa, o segundo governador-geral nomeado pela Coroa. No comecinho de 1554, chegou a São Vicente, a primeira vila fundada no Brasil. Lá teve o primeiro contato com os índios. No mesmo ano, junto com o jesuíta português Manuel de Nóbrega, subiu a serra do Mar até o planalto que os índios denominavam Piratininga, ao longo do rio Tietê. Os dois missionários estabeleceram um pequeno colégio, e, em 25 de janeiro de 1554, celebrou-se ali a primeira missa. Anchieta começou o trabalho de conversão, batismo e catequese. Para os índios, foi médico sacerdote e educador: cuidava do corpo, da alma e da mente. Na catequese, usava o teatro e a poesia, tornando a aprendizagem um processo prazeroso. Ensinou latim aos índios, aprendeu tupi-guarani com eles e (seguindo a tradição missionária, que mandava assimilar e registrar os idiomas) escreveu a “Arte da Gramática da Língua Mais Falada na Costa do Brasil”, publicada em Coimbra em 1595. O colégio de São Paulo da Piratininga, como era chamado, logo expandiu seu núcleo. Mas, ao longo do litoral de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, as tribos formaram uma aliança (conhecida como Confederação dos Tamoios) que atacou São Paulo diversas vezes entre 1562 e 1564. Anchieta e Nóbrega tiveram um conflito com Duarte da Costa e decidiram iniciar as negociações de paz com os tamoios em Iperoig (hoje Ubatuba). Anchieta, falando tupiguarani e viajando por toda aquela costa, foi crucial para ganhar a confiança dos índios, e, após muitos incidentes, estabeleceu-se a paz entre tamoios, tupinambás e portugueses. Nessa época, Anchieta escreveu o “Poema em Louvor à Virgem Maria”, com 5.732 versos, alguns dos quais traçados nas areias das praias. Em 1565, entrou com Estácio de Sá na baía de Guanabara, onde estabeleceram os fundamentos do que viria a ser a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.   TEXTO 3 Padre Fernão Cardim FREYRE, Gilberto. Casa Grande & Senzala – Introdução à história da sociedade colonial no Brasil – Formação da Família Brasileira sob o Regime da Economia Patriarcal. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio. Ed. 1993, 20ª ed. É certo que o Padre Fernão Cardim, nos seus Tratados, está sempre a falar da fartura de carne, de aves e até de frutas com que foi recebido por toda parte no Brasil do séc. XVI, entre os homens ricos e os colégios de padres. Mas de Cardim deve-se tomar em consideração o seu caráter de padre visitador, recebido nos engenhos e colégios com festas e jantares excepcionais. Era um personagem a quem todo agrado que fizessem os colonos era pouco: a boa impressão que lhe causassem a mesa farta e os leitos macios dos grandes senhores de escravos talvez atenuasse a péssima, a vida dissoluta que todos eles levavam nos engenhos de açúcar: “os peccados que se cometem nelles (nos engenhos) não tem conta: quase todos andam amancebados por causa das muitas occasioes; bem cheio de peccados via esse doce por que tanto fazem; grande é a peciencia de Deus que tanto soffre”.   TEXTO 4 Retirantes da educação MARCH, Rodrigo. Retirantes da educação. Caderno Boa Chance: O GLOBO, 10 de maio de 2009. Irinilda da Silva, de 31 anos, deixou de amamentar a filha, de quatro meses, que ficou em casa com o pai. Robéria Gomes, de 36, viajou grávida e seu bebê, João Vitor, nasceu na quinta-feira passada, no Hospital Central do Exército, em Benfica. As duas são retirantes da educação: integram um grupo de 12 professores do Acre que cruzou 4521 quilômetros de Brasil, superando uma série de dificuldades, para fazer uma pós-graduação. Um exemplo das barreiras de qualificação profissional no país. Hoje, 53% dos cursos de mestrado e doutorado estão no Sudeste; só 3,8% na Região Norte, a de menor cobertura. Eles estão aproveitando um convênio firmado entre a Universidade Federal do Acre (UFAC) e a Universidade Federal Fluminense (UFF), de Niterói. Onze fazem mestrado e uma, doutorado. Todos em educação – mesmo as faculdades particulares do Acre não têm curso de pós-graduação nessa área. Nove deles dividem a mesma casa em São Domingos, Niterói, como num Big Brother, só que sem conforto algum. Para se ter uma ideia, a TV foi emprestada por uma colega de curso, e quase todos dormem em colchonetes. Apesar da proximidade à Faculdade de Educação da UFF, só andam em grupos: por insegurança, sensação que ainda não tinham experimentado. O périplo deles começou antes mesmo de a parceria com a UFF ser fechada, já que eles já tinham tentado convênios com outras instituições, mas que não possuíam cursos com nota cinco em avaliação, uma determinação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), da qual são bolsistas. Foram oferecidas 15 vagas no mestrado, porém dos 19 inscritos, só 11 foram aprovados. No doutorado, apenas três se inscreveram, mas só uma passou na seleção. A dificuldade seguinte foi encontrar uma casa para alugar em Niterói. A professora de letras Sâmia El-Hassani, de 46 anos, veio 15 dias antes para tentar resolver o problema. O marido dela, Dalbi D’Ávila, também é de letras e faz o mestrado. Trouxeram os filhos, que foram matriculados numa escola. – Niterói não aluga imóvel por temporada, pelo menos na área do Centro e da Zona Sul – observa Sâmia, que também achou os preços altíssimos. Com muito custo – e também por falta de opção –, eles conseguiram uma casa que estava à venda, mas que sequer tinha torneiras. O dono aceitou fazer um contrato de três meses com pagamento antecipado de R$ 6.800,00 enquanto não acha um comprador. Mas eles vão precisar renovar mais um mês, já que estarão na cidade até 17 de julho – no segundo semestre, os professores da UFF vão ao Acre dar as aulas, sendo que ano que vem, o vaivém se repete, pois o curso de mestrado é de dois anos.     Considere o trecho abaixo.   “...a boa impressão que lhe causassem a mesa farta e os leitos macios dos grandes senhores de escravos talvez atenuasse a péssima, a vida dissoluta que todos eles levavam nos engenhos de açúcar.” (Texto 3, linhas 4-5).  É correto afirmar que 

Questão
2009Português

(IME-2009)  TEXTO 1 Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem NEVES, Auricléa Oliveira das. Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem. Amazonas: Universidade do Estado do Amazonas, 2008. As viagens têm um profundo significado na história da humanidade. Inicialmente, no período da coleta, as migrações se faziam pela necessidade de buscar alimentos, posteriormente elas foram realizadas para conquistar espaços mais apropriados para o bem estar da comunidade. Outros objetivos também suscitaram o deslocamento do homem: a posse de espaços territoriais, a exploração de riquezas, o conhecimento de novas terras, o estudo de locais específicos, ou simplesmente a viagem como forma de lazer. (...) No plano ficcional, vários autores no Ocidente, a partir do Homero, com a Odisséia, se dedicaram a usar as viagens como tema. Na literatura de língua portuguesa, os registros iniciais são oriundos dos relatos orais de marinheiros, apontamentos náuticos, diários de bordo, escritos de pilotos que, presumidamente, serviram de fonte para Gomes Eanes de Zurara, primeiro cronista conhecido das viagens oceânicas portuguesas. Na história literária na América e do Brasil, os primeiros registros advêm dos escritos de viajantes: o Diário de Critóvão Colombo e a Carta de Pero Vaz de Caminha. A revelação de novos espaços, paisagens, floras, faunas, costumes e religiões, as aventuras e peripécias de viagens mais fabulosas que dos romances de cavalaria e as dos poemas da Antiguidade, inspiraram [...] uma vasta literatura descritiva e narrativa, que assumiu várias formas desde os grandes tratados históricos ou geográficos em grossos volumes até às curtas reportagens em folhetos de cordel. (Saraiva & Lopes, 1982, p. 294). Em cada época, as jornadas se realizaram de formas e condições variadas, seus viajantes apresentam objetivos diversos como conquista, exploração, reconhecimento, administração, catequese, aventura ou lazer. Durante o iluminismo, com a mudança de mentalidade de muitos dirigentes, as relações entre os governos da Europa e suas colônias da América assumem novos significados, assim, as viagens passaram a ter o caráter científico. O empreendedor dessas jornadas tem a preocupação com a observação, a descrição e a classificação de tudo que há nas terras conquistadas no século XVI para que os governos possam inventariar a fortuna natural de suas colônias e obter controle sobre elas.   TEXTO 2 José de Anchieta, jesuíta hispano-brasileiro. UOL Educação. José de Anchieta, Jesuíta hispano-brasileiro. Disponível em: http://educação.uol.com.br/biografias/ult1789u421.jhtm>capturado em 18.05.09. José de Anchieta nasceu em família rica, numa das sete ilhas Canárias, de onde avistava os navios que se abasteciam no ponto de Tenerife para seguir rumo ao Oriente ou ao Novo Mundo. O pai era um nobre basco, e a mãe, uma judia conversa. Aos 14 anos foi estudar em Coimbra (Portugal). Sentia a vocação religiosa e, em 1551, foi admitido como noviço no colégio jesuíta da Universidade de Coimbra. Em 1553, com 19 anos, foi convidado a vir para o Brasil como missionário acompanhando Duarte da Costa, o segundo governador-geral nomeado pela Coroa. No comecinho de 1554, chegou a São Vicente, a primeira vila fundada no Brasil. Lá teve o primeiro contato com os índios. No mesmo ano, junto com o jesuíta português Manuel de Nóbrega, subiu a serra do Mar até o planalto que os índios denominavam Piratininga, ao longo do rio Tietê. Os dois missionários estabeleceram um pequeno colégio, e, em 25 de janeiro de 1554, celebrou-se ali a primeira missa. Anchieta começou o trabalho de conversão, batismo e catequese. Para os índios, foi médico sacerdote e educador: cuidava do corpo, da alma e da mente. Na catequese, usava o teatro e a poesia, tornando a aprendizagem um processo prazeroso. Ensinou latim aos índios, aprendeu tupi-guarani com eles e (seguindo a tradição missionária, que mandava assimilar e registrar os idiomas) escreveu a “Arte da Gramática da Língua Mais Falada na Costa do Brasil”, publicada em Coimbra em 1595. O colégio de São Paulo da Piratininga, como era chamado, logo expandiu seu núcleo. Mas, ao longo do litoral de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, as tribos formaram uma aliança (conhecida como Confederação dos Tamoios) que atacou São Paulo diversas vezes entre 1562 e 1564. Anchieta e Nóbrega tiveram um conflito com Duarte da Costa e decidiram iniciar as negociações de paz com os tamoios em Iperoig (hoje Ubatuba). Anchieta, falando tupiguarani e viajando por toda aquela costa, foi crucial para ganhar a confiança dos índios, e, após muitos incidentes, estabeleceu-se a paz entre tamoios, tupinambás e portugueses. Nessa época, Anchieta escreveu o “Poema em Louvor à Virgem Maria”, com 5.732 versos, alguns dos quais traçados nas areias das praias. Em 1565, entrou com Estácio de Sá na baía de Guanabara, onde estabeleceram os fundamentos do que viria a ser a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.   TEXTO 3 Padre Fernão Cardim FREYRE, Gilberto. Casa Grande & Senzala – Introdução à história da sociedade colonial no Brasil – Formação da Família Brasileira sob o Regime da Economia Patriarcal. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio. Ed. 1993, 20ª ed. É certo que o Padre Fernão Cardim, nos seus Tratados, está sempre a falar da fartura de carne, de aves e até de frutas com que foi recebido por toda parte no Brasil do séc. XVI, entre os homens ricos e os colégios de padres. Mas de Cardim deve-se tomar em consideração o seu caráter de padre visitador, recebido nos engenhos e colégios com festas e jantares excepcionais. Era um personagem a quem todo agrado que fizessem os colonos era pouco: a boa impressão que lhe causassem a mesa farta e os leitos macios dos grandes senhores de escravos talvez atenuasse a péssima, a vida dissoluta que todos eles levavam nos engenhos de açúcar: “os peccados que se cometem nelles (nos engenhos) não tem conta: quase todos andam amancebados por causa das muitas occasioes; bem cheio de peccados via esse doce por que tanto fazem; grande é a peciencia de Deus que tanto soffre”.   TEXTO 4 Retirantes da educação MARCH, Rodrigo. Retirantes da educação. Caderno Boa Chance: O GLOBO, 10 de maio de 2009. Irinilda da Silva, de 31 anos, deixou de amamentar a filha, de quatro meses, que ficou em casa com o pai. Robéria Gomes, de 36, viajou grávida e seu bebê, João Vitor, nasceu na quinta-feira passada, no Hospital Central do Exército, em Benfica. As duas são retirantes da educação: integram um grupo de 12 professores do Acre que cruzou 4521 quilômetros de Brasil, superando uma série de dificuldades, para fazer uma pós-graduação. Um exemplo das barreiras de qualificação profissional no país. Hoje, 53% dos cursos de mestrado e doutorado estão no Sudeste; só 3,8% na Região Norte, a de menor cobertura. Eles estão aproveitando um convênio firmado entre a Universidade Federal do Acre (UFAC) e a Universidade Federal Fluminense (UFF), de Niterói. Onze fazem mestrado e uma, doutorado. Todos em educação – mesmo as faculdades particulares do Acre não têm curso de pós-graduação nessa área. Nove deles dividem a mesma casa em São Domingos, Niterói, como num Big Brother, só que sem conforto algum. Para se ter uma ideia, a TV foi emprestada por uma colega de curso, e quase todos dormem em colchonetes. Apesar da proximidade à Faculdade de Educação da UFF, só andam em grupos: por insegurança, sensação que ainda não tinham experimentado. O périplo deles começou antes mesmo de a parceria com a UFF ser fechada, já que eles já tinham tentado convênios com outras instituições, mas que não possuíam cursos com nota cinco em avaliação, uma determinação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), da qual são bolsistas. Foram oferecidas 15 vagas no mestrado, porém dos 19 inscritos, só 11 foram aprovados. No doutorado, apenas três se inscreveram, mas só uma passou na seleção. A dificuldade seguinte foi encontrar uma casa para alugar em Niterói. A professora de letras Sâmia El-Hassani, de 46 anos, veio 15 dias antes para tentar resolver o problema. O marido dela, Dalbi D’Ávila, também é de letras e faz o mestrado. Trouxeram os filhos, que foram matriculados numa escola. – Niterói não aluga imóvel por temporada, pelo menos na área do Centro e da Zona Sul – observa Sâmia, que também achou os preços altíssimos. Com muito custo – e também por falta de opção –, eles conseguiram uma casa que estava à venda, mas que sequer tinha torneiras. O dono aceitou fazer um contrato de três meses com pagamento antecipado de R$ 6.800,00 enquanto não acha um comprador. Mas eles vão precisar renovar mais um mês, já que estarão na cidade até 17 de julho – no segundo semestre, os professores da UFF vão ao Acre dar as aulas, sendo que ano que vem, o vaivém se repete, pois o curso de mestrado é de dois anos.     Considere o período a seguir e as cinco assertivas.  “... uma vasta literatura descritiva e narrativa, que assumiu várias formas desde os grandes tratados históricos ou geográficos em grossos volumes até às curtas reportagens em folhetos de cordel.” (Texto 1, linhas 8-9) I. Há duas preposições com a função de explicar a expressão “várias formas”. II. A oração “que assumiu várias formas desde os grandes tratados históricos ou geográficos em grossos volumes até às curtas reportagens em folhetos de cordel” refere-se aos adjetivos “vasta”, “descritiva” e “narrativa”. III. O autor denigre os “folhetos de cordel”, taxando-os de “curtos”. IV. O uso do acento indicador da crase é optativo devido à presença do vocábulo “até”. V. O período discute o conteúdo dos tratados e reportagens. Pode-se dizer que estão corretas as afirmativas: 

Questão
2009Português

(IME-2009)  TEXTO 1 Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem NEVES, Auricléa Oliveira das. Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem. Amazonas: Universidade do Estado do Amazonas, 2008. As viagens têm um profundo significado na história da humanidade. Inicialmente, no período da coleta, as migrações se faziam pela necessidade de buscar alimentos, posteriormente elas foram realizadas para conquistar espaços mais apropriados para o bem estar da comunidade. Outros objetivos também suscitaram o deslocamento do homem: a posse de espaços territoriais, a exploração de riquezas, o conhecimento de novas terras, o estudo de locais específicos, ou simplesmente a viagem como forma de lazer. (...) No plano ficcional, vários autores no Ocidente, a partir do Homero, com a Odisséia, se dedicaram a usar as viagens como tema. Na literatura de língua portuguesa, os registros iniciais são oriundos dos relatos orais de marinheiros, apontamentos náuticos, diários de bordo, escritos de pilotos que, presumidamente, serviram de fonte para Gomes Eanes de Zurara, primeiro cronista conhecido das viagens oceânicas portuguesas. Na história literária na América e do Brasil, os primeiros registros advêm dos escritos de viajantes: o Diário de Critóvão Colombo e a Carta de Pero Vaz de Caminha. A revelação de novos espaços, paisagens, floras, faunas, costumes e religiões, as aventuras e peripécias de viagens mais fabulosas que dos romances de cavalaria e as dos poemas da Antiguidade, inspiraram [...] uma vasta literatura descritiva e narrativa, que assumiu várias formas desde os grandes tratados históricos ou geográficos em grossos volumes até às curtas reportagens em folhetos de cordel. (Saraiva & Lopes, 1982, p. 294). Em cada época, as jornadas se realizaram de formas e condições variadas, seus viajantes apresentam objetivos diversos como conquista, exploração, reconhecimento, administração, catequese, aventura ou lazer. Durante o iluminismo, com a mudança de mentalidade de muitos dirigentes, as relações entre os governos da Europa e suas colônias da América assumem novos significados, assim, as viagens passaram a ter o caráter científico. O empreendedor dessas jornadas tem a preocupação com a observação, a descrição e a classificação de tudo que há nas terras conquistadas no século XVI para que os governos possam inventariar a fortuna natural de suas colônias e obter controle sobre elas.   TEXTO 2 José de Anchieta, jesuíta hispano-brasileiro. UOL Educação. José de Anchieta, Jesuíta hispano-brasileiro. Disponível em: http://educação.uol.com.br/biografias/ult1789u421.jhtm>capturado em 18.05.09. José de Anchieta nasceu em família rica, numa das sete ilhas Canárias, de onde avistava os navios que se abasteciam no ponto de Tenerife para seguir rumo ao Oriente ou ao Novo Mundo. O pai era um nobre basco, e a mãe, uma judia conversa. Aos 14 anos foi estudar em Coimbra (Portugal). Sentia a vocação religiosa e, em 1551, foi admitido como noviço no colégio jesuíta da Universidade de Coimbra. Em 1553, com 19 anos, foi convidado a vir para o Brasil como missionário acompanhando Duarte da Costa, o segundo governador-geral nomeado pela Coroa. No comecinho de 1554, chegou a São Vicente, a primeira vila fundada no Brasil. Lá teve o primeiro contato com os índios. No mesmo ano, junto com o jesuíta português Manuel de Nóbrega, subiu a serra do Mar até o planalto que os índios denominavam Piratininga, ao longo do rio Tietê. Os dois missionários estabeleceram um pequeno colégio, e, em 25 de janeiro de 1554, celebrou-se ali a primeira missa. Anchieta começou o trabalho de conversão, batismo e catequese. Para os índios, foi médico sacerdote e educador: cuidava do corpo, da alma e da mente. Na catequese, usava o teatro e a poesia, tornando a aprendizagem um processo prazeroso. Ensinou latim aos índios, aprendeu tupi-guarani com eles e (seguindo a tradição missionária, que mandava assimilar e registrar os idiomas) escreveu a “Arte da Gramática da Língua Mais Falada na Costa do Brasil”, publicada em Coimbra em 1595. O colégio de São Paulo da Piratininga, como era chamado, logo expandiu seu núcleo. Mas, ao longo do litoral de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, as tribos formaram uma aliança (conhecida como Confederação dos Tamoios) que atacou São Paulo diversas vezes entre 1562 e 1564. Anchieta e Nóbrega tiveram um conflito com Duarte da Costa e decidiram iniciar as negociações de paz com os tamoios em Iperoig (hoje Ubatuba). Anchieta, falando tupiguarani e viajando por toda aquela costa, foi crucial para ganhar a confiança dos índios, e, após muitos incidentes, estabeleceu-se a paz entre tamoios, tupinambás e portugueses. Nessa época, Anchieta escreveu o “Poema em Louvor à Virgem Maria”, com 5.732 versos, alguns dos quais traçados nas areias das praias. Em 1565, entrou com Estácio de Sá na baía de Guanabara, onde estabeleceram os fundamentos do que viria a ser a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.   TEXTO 3 Padre Fernão Cardim FREYRE, Gilberto. Casa Grande & Senzala – Introdução à história da sociedade colonial no Brasil – Formação da Família Brasileira sob o Regime da Economia Patriarcal. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio. Ed. 1993, 20ª ed. É certo que o Padre Fernão Cardim, nos seus Tratados, está sempre a falar da fartura de carne, de aves e até de frutas com que foi recebido por toda parte no Brasil do séc. XVI, entre os homens ricos e os colégios de padres. Mas de Cardim deve-se tomar em consideração o seu caráter de padre visitador, recebido nos engenhos e colégios com festas e jantares excepcionais. Era um personagem a quem todo agrado que fizessem os colonos era pouco: a boa impressão que lhe causassem a mesa farta e os leitos macios dos grandes senhores de escravos talvez atenuasse a péssima, a vida dissoluta que todos eles levavam nos engenhos de açúcar: “os peccados que se cometem nelles (nos engenhos) não tem conta: quase todos andam amancebados por causa das muitas occasioes; bem cheio de peccados via esse doce por que tanto fazem; grande é a peciencia de Deus que tanto soffre”.   TEXTO 4 Retirantes da educação MARCH, Rodrigo. Retirantes da educação. Caderno Boa Chance: O GLOBO, 10 de maio de 2009. Irinilda da Silva, de 31 anos, deixou de amamentar a filha, de quatro meses, que ficou em casa com o pai. Robéria Gomes, de 36, viajou grávida e seu bebê, João Vitor, nasceu na quinta-feira passada, no Hospital Central do Exército, em Benfica. As duas são retirantes da educação: integram um grupo de 12 professores do Acre que cruzou 4521 quilômetros de Brasil, superando uma série de dificuldades, para fazer uma pós-graduação. Um exemplo das barreiras de qualificação profissional no país. Hoje, 53% dos cursos de mestrado e doutorado estão no Sudeste; só 3,8% na Região Norte, a de menor cobertura. Eles estão aproveitando um convênio firmado entre a Universidade Federal do Acre (UFAC) e a Universidade Federal Fluminense (UFF), de Niterói. Onze fazem mestrado e uma, doutorado. Todos em educação – mesmo as faculdades particulares do Acre não têm curso de pós-graduação nessa área. Nove deles dividem a mesma casa em São Domingos, Niterói, como num Big Brother, só que sem conforto algum. Para se ter uma ideia, a TV foi emprestada por uma colega de curso, e quase todos dormem em colchonetes. Apesar da proximidade à Faculdade de Educação da UFF, só andam em grupos: por insegurança, sensação que ainda não tinham experimentado. O périplo deles começou antes mesmo de a parceria com a UFF ser fechada, já que eles já tinham tentado convênios com outras instituições, mas que não possuíam cursos com nota cinco em avaliação, uma determinação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), da qual são bolsistas. Foram oferecidas 15 vagas no mestrado, porém dos 19 inscritos, só 11 foram aprovados. No doutorado, apenas três se inscreveram, mas só uma passou na seleção. A dificuldade seguinte foi encontrar uma casa para alugar em Niterói. A professora de letras Sâmia El-Hassani, de 46 anos, veio 15 dias antes para tentar resolver o problema. O marido dela, Dalbi D’Ávila, também é de letras e faz o mestrado. Trouxeram os filhos, que foram matriculados numa escola. – Niterói não aluga imóvel por temporada, pelo menos na área do Centro e da Zona Sul – observa Sâmia, que também achou os preços altíssimos. Com muito custo – e também por falta de opção –, eles conseguiram uma casa que estava à venda, mas que sequer tinha torneiras. O dono aceitou fazer um contrato de três meses com pagamento antecipado de R$ 6.800,00 enquanto não acha um comprador. Mas eles vão precisar renovar mais um mês, já que estarão na cidade até 17 de julho – no segundo semestre, os professores da UFF vão ao Acre dar as aulas, sendo que ano que vem, o vaivém se repete, pois o curso de mestrado é de dois anos.     Ainda sobre o trecho “... a boa impressão que lhe causassem a mesa farta e os leitos macios dos grandes senhores de escravos talvez atenuasse a péssima, a vida dissoluta que todos eles levavam nos engenhos de açúcar.” (Texto 3, linha 6).o, podemos afirmar que a forma verbal “levavam” é sinônimo de      

Questão
2009Português

(IME-2009)  TEXTO 1 Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem NEVES, Auricléa Oliveira das. Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem. Amazonas: Universidade do Estado do Amazonas, 2008. As viagens têm um profundo significado na história da humanidade. Inicialmente, no período da coleta, as migrações se faziam pela necessidade de buscar alimentos, posteriormente elas foram realizadas para conquistar espaços mais apropriados para o bem estar da comunidade. Outros objetivos também suscitaram o deslocamento do homem: a posse de espaços territoriais, a exploração de riquezas, o conhecimento de novas terras, o estudo de locais específicos, ou simplesmente a viagem como forma de lazer. (...) No plano ficcional, vários autores no Ocidente, a partir do Homero, com a Odisséia, se dedicaram a usar as viagens como tema. Na literatura de língua portuguesa, os registros iniciais são oriundos dos relatos orais de marinheiros, apontamentos náuticos, diários de bordo, escritos de pilotos que, presumidamente, serviram de fonte para Gomes Eanes de Zurara, primeiro cronista conhecido das viagens oceânicas portuguesas. Na história literária na América e do Brasil, os primeiros registros advêm dos escritos de viajantes: o Diário de Critóvão Colombo e a Carta de Pero Vaz de Caminha. A revelação de novos espaços, paisagens, floras, faunas, costumes e religiões, as aventuras e peripécias de viagens mais fabulosas que dos romances de cavalaria e as dos poemas da Antiguidade, inspiraram [...] uma vasta literatura descritiva e narrativa, que assumiu várias formas desde os grandes tratados históricos ou geográficos em grossos volumes até às curtas reportagens em folhetos de cordel. (Saraiva & Lopes, 1982, p. 294). Em cada época, as jornadas se realizaram de formas e condições variadas, seus viajantes apresentam objetivos diversos como conquista, exploração, reconhecimento, administração, catequese, aventura ou lazer. Durante o iluminismo, com a mudança de mentalidade de muitos dirigentes, as relações entre os governos da Europa e suas colônias da América assumem novos significados, assim, as viagens passaram a ter o caráter científico. O empreendedor dessas jornadas tem a preocupação com a observação, a descrição e a classificação de tudo que há nas terras conquistadas no século XVI para que os governos possam inventariar a fortuna natural de suas colônias e obter controle sobre elas.   TEXTO 2 José de Anchieta, jesuíta hispano-brasileiro. UOL Educação. José de Anchieta, Jesuíta hispano-brasileiro. Disponível em: http://educação.uol.com.br/biografias/ult1789u421.jhtm>capturado em 18.05.09. José de Anchieta nasceu em família rica, numa das sete ilhas Canárias, de onde avistava os navios que se abasteciam no ponto de Tenerife para seguir rumo ao Oriente ou ao Novo Mundo. O pai era um nobre basco, e a mãe, uma judia conversa. Aos 14 anos foi estudar em Coimbra (Portugal). Sentia a vocação religiosa e, em 1551, foi admitido como noviço no colégio jesuíta da Universidade de Coimbra. Em 1553, com 19 anos, foi convidado a vir para o Brasil como missionário acompanhando Duarte da Costa, o segundo governador-geral nomeado pela Coroa. No comecinho de 1554, chegou a São Vicente, a primeira vila fundada no Brasil. Lá teve o primeiro contato com os índios. No mesmo ano, junto com o jesuíta português Manuel de Nóbrega, subiu a serra do Mar até o planalto que os índios denominavam Piratininga, ao longo do rio Tietê. Os dois missionários estabeleceram um pequeno colégio, e, em 25 de janeiro de 1554, celebrou-se ali a primeira missa. Anchieta começou o trabalho de conversão, batismo e catequese. Para os índios, foi médico sacerdote e educador: cuidava do corpo, da alma e da mente. Na catequese, usava o teatro e a poesia, tornando a aprendizagem um processo prazeroso. Ensinou latim aos índios, aprendeu tupi-guarani com eles e (seguindo a tradição missionária, que mandava assimilar e registrar os idiomas) escreveu a “Arte da Gramática da Língua Mais Falada na Costa do Brasil”, publicada em Coimbra em 1595. O colégio de São Paulo da Piratininga, como era chamado, logo expandiu seu núcleo. Mas, ao longo do litoral de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, as tribos formaram uma aliança (conhecida como Confederação dos Tamoios) que atacou São Paulo diversas vezes entre 1562 e 1564. Anchieta e Nóbrega tiveram um conflito com Duarte da Costa e decidiram iniciar as negociações de paz com os tamoios em Iperoig (hoje Ubatuba). Anchieta, falando tupiguarani e viajando por toda aquela costa, foi crucial para ganhar a confiança dos índios, e, após muitos incidentes, estabeleceu-se a paz entre tamoios, tupinambás e portugueses. Nessa época, Anchieta escreveu o “Poema em Louvor à Virgem Maria”, com 5.732 versos, alguns dos quais traçados nas areias das praias. Em 1565, entrou com Estácio de Sá na baía de Guanabara, onde estabeleceram os fundamentos do que viria a ser a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.   TEXTO 3 Padre Fernão Cardim FREYRE, Gilberto. Casa Grande & Senzala – Introdução à história da sociedade colonial no Brasil – Formação da Família Brasileira sob o Regime da Economia Patriarcal. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio. Ed. 1993, 20ª ed. É certo que o Padre Fernão Cardim, nos seus Tratados, está sempre a falar da fartura de carne, de aves e até de frutas com que foi recebido por toda parte no Brasil do séc. XVI, entre os homens ricos e os colégios de padres. Mas de Cardim deve-se tomar em consideração o seu caráter de padre visitador, recebido nos engenhos e colégios com festas e jantares excepcionais. Era um personagem a quem todo agrado que fizessem os colonos era pouco: a boa impressão que lhe causassem a mesa farta e os leitos macios dos grandes senhores de escravos talvez atenuasse a péssima, a vida dissoluta que todos eles levavam nos engenhos de açúcar: “os peccados que se cometem nelles (nos engenhos) não tem conta: quase todos andam amancebados por causa das muitas occasioes; bem cheio de peccados via esse doce por que tanto fazem; grande é a peciencia de Deus que tanto soffre”.   TEXTO 4 Retirantes da educação MARCH, Rodrigo. Retirantes da educação. Caderno Boa Chance: O GLOBO, 10 de maio de 2009. Irinilda da Silva, de 31 anos, deixou de amamentar a filha, de quatro meses, que ficou em casa com o pai. Robéria Gomes, de 36, viajou grávida e seu bebê, João Vitor, nasceu na quinta-feira passada, no Hospital Central do Exército, em Benfica. As duas são retirantes da educação: integram um grupo de 12 professores do Acre que cruzou 4521 quilômetros de Brasil, superando uma série de dificuldades, para fazer uma pós-graduação. Um exemplo das barreiras de qualificação profissional no país. Hoje, 53% dos cursos de mestrado e doutorado estão no Sudeste; só 3,8% na Região Norte, a de menor cobertura. Eles estão aproveitando um convênio firmado entre a Universidade Federal do Acre (UFAC) e a Universidade Federal Fluminense (UFF), de Niterói. Onze fazem mestrado e uma, doutorado. Todos em educação – mesmo as faculdades particulares do Acre não têm curso de pós-graduação nessa área. Nove deles dividem a mesma casa em São Domingos, Niterói, como num Big Brother, só que sem conforto algum. Para se ter uma ideia, a TV foi emprestada por uma colega de curso, e quase todos dormem em colchonetes. Apesar da proximidade à Faculdade de Educação da UFF, só andam em grupos: por insegurança, sensação que ainda não tinham experimentado. O périplo deles começou antes mesmo de a parceria com a UFF ser fechada, já que eles já tinham tentado convênios com outras instituições, mas que não possuíam cursos com nota cinco em avaliação, uma determinação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), da qual são bolsistas. Foram oferecidas 15 vagas no mestrado, porém dos 19 inscritos, só 11 foram aprovados. No doutorado, apenas três se inscreveram, mas só uma passou na seleção. A dificuldade seguinte foi encontrar uma casa para alugar em Niterói. A professora de letras Sâmia El-Hassani, de 46 anos, veio 15 dias antes para tentar resolver o problema. O marido dela, Dalbi D’Ávila, também é de letras e faz o mestrado. Trouxeram os filhos, que foram matriculados numa escola. – Niterói não aluga imóvel por temporada, pelo menos na área do Centro e da Zona Sul – observa Sâmia, que também achou os preços altíssimos. Com muito custo – e também por falta de opção –, eles conseguiram uma casa que estava à venda, mas que sequer tinha torneiras. O dono aceitou fazer um contrato de três meses com pagamento antecipado de R$ 6.800,00 enquanto não acha um comprador. Mas eles vão precisar renovar mais um mês, já que estarão na cidade até 17 de julho – no segundo semestre, os professores da UFF vão ao Acre dar as aulas, sendo que ano que vem, o vaivém se repete, pois o curso de mestrado é de dois anos.       No primeiro parágrafo do texto 4, as formas verbais  “cruzou”, “ superando” e “fazer” referem-se