Questões de Português - UNICAMP 2017

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Questão 1
2017Português

Leia a seguir a crônica adaptada O crítico teatral vai ao casamento, de Millôr Fernandes. Como espetáculo, o casamento da Senhorita Lídia Teles de Souza com o Sr. Herval Nogueira foi realmente um dos mais irregulares a que temos assistido nos últimos tempos. A noiva parecia muito nervosa, nervosismo justificado por estar estreando em casamentos (o que não se podia dizer do noivo, que tem muita experiência de altar) de modo que até sua dicção foi prejudicada. O noivo representou o seu papel com firmeza, embora um tanto frio. Disse sim ou aceito (não ouvimos bem porque a acústica da abadia é péssima). Fora os pequenos senões notados, teremos que chamar a atenção, naturalmente, para o coroinha, que a todo momento coçava a cabeça, completamente indiferente à representação, como se não participasse dela. A música também foi mal escolhida, numa prova de terrível mau-gosto. O fato de a noiva chegar atrasada também deixou altamente impacientes os espectadores, que mostraram evidentes sinais de nervosismo. A sua entrada, porém, foi espetacular, e rendeu-lhe os melhores parabéns ao fim do espetáculo. Lamentamos apenas e tomamos como um deplorável sinal dos tempos a qualidade do arroz jogado sobre os noivos. (Adaptado de Millôr Fernandes, Trinta anos de mim mesmo. São Paulo: Círculo do livro, 1972, p. 78.) a) O cronista recorre à analogia para construir uma aproximação entre o casamento e uma peça teatral. Mostre, com trechos do texto, dois usos desse recurso: um com referência à noiva e outro com referência ao noivo. b) Identifique duas expressões adverbiais que foram usadas pelo cronista para acentuar sua crítica humorística ao casamento como espetáculo.

Questão 2
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Leia o texto a seguir e responda às questões. Os anos correm entre um século e outro, mas os problemas permanecem os mesmos para os kalungas*. Quilombolas** que há mais de 200 anos encontraram lar entre os muros de pedra da Chapada dos Veadeiros, na região norte do Estado de Goiás, os kalungas ainda vivem com pouca ou quase nenhuma infraestrutura. De todos os abusos sofridos até hoje, um em particular deixa essa comunidade em carne viva: os silenciosos casos de violência sexual contra meninas. Entretanto, passado o afã das denúncias de abuso sexual que figuraram em grandes reportagens da imprensa nacional em abril do ano passado, a comunidade retornou ao seu curso natural. E assim os kalungas continuam a viver no esquecimento, no abandono e, principalmente, no medo. As vítimas não viram seus algozes punidos. O silêncio prevalece e grita alto naquelas que se arriscaram a mostrar suas feridas. O sentimento é o de ter se exposto em vão. (Adaptado de Jéssica Raphaela e Camila Silva, O silêncio atrás da serra. Revista Azmina. Disponível em http://azmina.com.br/secao/osilencio-atras-da-serra/. Acessado em 03/10/ 2016.) * Kalungas: habitantes da comunidade do quilombo Kalunga, maior território quilombola do país. ** Quilombolas: termo atribuído aos remanescentes de quilombosˮ. Atualmente, há no Brasil cerca de 2.600 comunidades quilombolas certificadas pela Fundação Cultural dos Palmares. a) Identifique no texto dois motivos para o sofrimento histórico vivido pela comunidade quilombola Kalunga. b) No final do texto há uma figura de linguagem conhecida como paradoxo. Quais termos são utilizados para se obter esse efeito de sentido?

Questão 3
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Leia o excerto abaixo, adaptado do ensaio Para que servem as humanidades?, de Leyla Perrone-Moisés. As humanidades servem para pensar a finalidade e a qualidade da existência humana, para além do simples alongamento de sua duração ou do bem-estar baseado no consumo. Servem para estudar os problemas de nosso país e do mundo, para humanizar a globalização. Tendo por objeto e objetivo o homem, a capacidade que este tem de entender, de imaginar e de criar, esses estudos servem à vida tanto quanto a pesquisa sobre o genoma. Num mundo informatizado, servem para preservar, de forma articulada, o saber acumulado por nossa cultura e por outras, estilhaçado no imediatismo da mídia e das redes. Em tempos de informação excessiva e superficial, servem para produzir conhecimento; para agregar valorˮ, como se diz no jargão mercadológico. Os cursos de humanidades são um espaço de pensamento livre, de busca desinteressada do saber, de cultivo de valores, sem os quais a própria ideia de universidade perde sentido. Por isso merecem o apoio firme das autoridades universitárias e da sociedade, que eles estudam e à qual servem. Adaptado de Leyla Perrone-Moisés, Para que servem as humanidades? Folha de São Paulo, São Paulo, 30 jun. 2002, Caderno Mais!. a) As expressões agregar valorˮ e cultivo de valoresˮ, embora aparentemente próximas pelo uso da mesma palavra, produzem efeitos de sentido distintos. Explique-os. b) Na última oração do texto, são utilizados dois elementos coesivos: elesˮ e à qualˮ. Aponte a que se refere, respectivamente, cada um desses elementos.

Questão 4
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Leia o seguinte trecho do conto Amor, de Clarice Lispector. Então ela viu: o cego mascava chicles... Um homem cego mascava chicles. Ana ainda teve tempo de pensar por um segundo que os irmãos viriam jantar o coração batia-lhe violento, espaçado. Inclinada, olhava o cego profundamente, como se olha o que não nos vê. Ele mastigava goma na escuridão. Sem sofrimento, com os olhos abertos. O movimento de mastigação fazia-o parecer sorrir e de repente deixar de sorrir, sorrir e deixar de sorrir como se ele a tivesse insultado, Ana olhava-o. E quem a visse teria a impressão de uma mulher com ódio. (Clarice Lispector, Laços de família. Rio de Janeiro: Rocco, 2009, p. 21-22.) a) Em textos de Clarice Lispector, é comum que um acontecimento banal se transforme em um momento perturbador na vida das personagens. Considerando o contexto do conto Amor, indique que tipo de inquietações o acontecimento narrado acima acarreta na vida da personagem. b) A frase olhava o cego profundamente, como se olha o que não nos vê sugere uma maneira pouco comum de olhar para as coisas. Explique o sentido que tem esse olhar profundo, a partir dali, na caracterização da personagem Ana.

Questão 5
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Leia com atenção os excertos abaixo de Lisbela e o prisioneiro. LISBELA: Compre um curió para mim. DR. NOÊMIO: Não, Lisbela, eu não gosto de ver animais presos. CITONHO: Por quê, Doutor? DR.NOÊMIO: Por que isso é malvadez. Os animais foram feitos para viver em liberdade. PARAÍBA: E como que é que o Doutor está me vendo aqui preso e nem se importa? DR. NOÊMIO: Você é um animal? (Osman Lins, Lisbela e o prisioneiro. São Paulo: Planeta, 2003, p. 25.) DR.NOÊMIO: Lisbela, vamos. Você é minha noiva, não deve opor-se às minhas convicções. As convicções do homem devem ser, optarum causa, as de sua esposa ou noiva. (Ibidem.) a) Nos trechos citados, estão presentes duas atitudes características do Dr. Noêmio com implicações morais, que são desmascaradas pelo efeito cômico do texto. Quais são essas duas atitudes características com implicações morais? b) No segundo excerto, a expressão minhas convicções é dita de forma solene e expressa um valor social. Que valor é esse e que tipo de sociedade está sendo caracterizado por tal enunciado?

Questão 6
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Leia o soneto abaixo, de Luís de Camões. Enquanto quis Fortuna que tivesse esperança de algum contentamento, o gosto de um suave pensamento me fez que seus efeitos escrevesse. Porém, temendo Amor que aviso desse minha escritura a algum juízo isento, escureceu-me o engenho com tormento, para que seus enganos não dissesse. Ó vós, que Amor obriga a ser sujeitos a diversas vontades! Quando lerdes num breve livro casos tão diversos, verdades puras são, e não defeitos... E sabei que, segundo o amor tiverdes, Tereis o entendimento de meus versos! (Disponível em http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000164.pdf. Acessado em 02/08/2016.) a) Nos dois quartetos do soneto acima, duas divindades são contrapostas por exercerem um poder sobre o eu lírico. Identifique as duas divindades e explique o poder que elas exercem sobre a experiência amorosa do eu lírico. b) Um soneto é uma composição poética composta de 14 versos. Sua forma é fixa e seus últimos versos encerram o núcleo temático ou a ideia principal do poema. Qual é a ideia formulada nos dois últimos versos desse soneto de Camões, levando-se em consideração o conjunto do poema?

Questão
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(UNICAMP - 2017) Assinale a alternativa correta.

Questão
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(UNICAMP - 2017)No dia 21 de setembro de 2015, Sérgio Rodrigues, críticoliterário, comentou que apontar no título do filme Que horas elavolta? um erro de português revela visão curta sobre como alíngua funciona. E justifica:O título do filme, tirado da fala de um personagem, está emregistro coloquial. Que ano você nasceu? Que série vocêestuda? e frases do gênero são familiares a todos osbrasileiros, mesmo com alto grau de escolaridade. Será precisoreafirmar a esta altura do século 21 que obras de arte têmliberdade para transgressões muito maiores?Pretender que uma obra de ficção tenha o mesmo grau deformalidade de um editorial de jornal ou relatório de firmarevela um jeito autoritário de compreender o funcionamento não só da língua, mas da arte também. Entre os excertos de estudiosos da linguagem reproduzidos aseguir, assinale aquele que corrobora os comentários do post.

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(UNICAMP - 2017) O Sinhô foi açoitar sozinho a negra Fulô. A negra tirou a saia e tirou o cabeção, de dentro dêle pulou nuinha a negra Fulô. Essa negra Fulô! Essa negra Fulô! Ó Fulô! Ó Fulô! Cadê, cadê teu Sinhô que Nosso Senhor me mandou? Ah! Foi você que roubou, foi você, negra Fulô? Essa negra Fulô! A Sinhá mandou arrebentar-lhe os dentes: Fute, Cafute, Pé-de-pato, Não-sei-que-diga, avança na branca e me vinga. Exu escangalha ela, amofina ela, amuxila ela que eu não tenho defesa de homem, sou só uma mulher perdida neste mundão. Neste mundão. Louvado seja Oxalá. Para sempre seja louvado. Essas duas cenas de ciúmes concluem dois textosdiferentes de Jorge de Lima. A primeira pertence aoconhecido poema modernista Essa negra Fulô; asegunda, ao poema História, de Poemas Negros (1947).Em relação a Essa negra Fulô, o poema História,especificamente, representa

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(UNICAMP - 2017)Além de escrever Dom Quixote das crianças, MonteiroLobato também leva o cavaleiro errante para o Sítio doPica-Pau Amarelo. Lá na varanda Dom Quixote conversava com Dona Benta sobre as aventuras, e muito admirado ficou de saber que sua história andava a correr mundo; escrita por um tal de Cervantes. Nem quis acreditar; foi preciso que Narizinho lhe trouxesse a edição de luxo ilustrada por Gustavo Doré. O fidalgo folheou o livro muito atento às gravuras, que achou ótimas, porém falsas. - Isso não passa duma mistificação! - protestou ele. Esta cena aqui, por exemplo. Está errada. Eu não espetei este frade, como o desenhista pintou - espetei aquele lá. - Isto é inevitável - disse Dona Benta. Os historiadores costumam arranjar os fatos do modo mais cômodo para eles; por isto a História não passa de histórias. Na cena narrada,

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(UNICAMP - 2017) Caligrafia (Arnaldo Antunes) Arte do desenho manual das letras e palavras. Território híbrido entre os códigos verbal e visual. A caligrafia está para a escrita como a voz está para a fala. A cor, o comprimento e espessura das linhas, a disposição espacial, a velocidade dos traços da escrita correspondem a timbre, ritmo, tom, cadência, melodia do discurso falado. Entonação gráfica. Assim como a voz apresenta a efetivação física do discurso (o ar nos pulmões, a vibração das cordas vocais, os movimentos da língua), a caligrafia também está intimamente ligada ao corpo, pois carrega em si os sinais de maior força ou delicadeza, rapidez ou lentidão, brutalidade ou leveza do momento de sua feitura. Em Caligrafia, o autor

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(UNICAMP - 2017)Uma peripécia, uma reviravolta nas circunstâncias, deuma hora para outra transforma uma sequência rotineira deacontecimentos numa história. Levando-se em conta a noção acima proposta por JeromeBruner, qual é a peripécia que ocorre no terceiro ato dapeça Lisbela e o prisioneiro?

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(UNICAMP-2017) Ironia ao natural É natural, é bom e quanto mais melhor, como os cogumelos vermelhos, as rãs azuis ou o suco de serpente... É químico, processado, é mau, como a aspirina, um perfume ou o plástico da válvula cardíaca de um coração... Nesse poema, há:

Questão
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(UNICAMP - 2017)Ferro Velho Coisa Nova e Compro Ouro Velho sãoexpressões associadas ao comércio de dois materiais quepodem ser reaproveitados. Em vista das propriedades químicasdos dois materiais mencionados nas expressões, pode-seafirmar corretamente que

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(UNICAMP - 2017) Do ponto de vista da norma culta, é correto afirmar quecoisarˮ é

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