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Questões de Português - IME 2007 | Gabarito e resoluções

1-10 de 10
Questão 1
2007Português

(IME - 2007) Texto I Empresa produz biodiesel com sobra de leo de dend Depois de mais de duas dcadas produzindo leo de dend, conhecido como azeite-de- dend, h dois anos, foi descoberto que se poderia obter economia, gerar negcio e diminuir a poluio atmosfrica, simplesmente utilizando-se as sementes do dend no apropriadas para o consumo humano, que antes eram descartadas. Esta sobra da produo do leo, em vez de ir para olixo, agora transformada em biodiesel. O combustvel renovvel foi batizado de palmdiesel e, para obt-lo, cerca de 95% dos cidos graxos do leo de dend so aproveitados. O biodiesel isento de glicerina e custa muito menos que o combustvel fssil, alm de ter o mesmo rendimento. Hoje, entre todas as matrias-primas cotadas para a produo de biodiesel no Brasil, o dend a que mais produz leo por rea plantada. Para se ter uma idia, um hectare de dend pode produzir de 20 at 30 toneladas de cachos. O dendezeiro a oleaginosa de maior produtividade conhecida, alm de fornecer o leo mais consumido no mundo. Por este e outros motivos, o cultivo do dend constitui uma alternativa vivel e rentvel para a recuperao de reas alteradas, alm de ser uma cultura extremamente verstil, sendo dela aproveitados os leos da semente (leo de dend) edo mesocarpo (leo de palmiste), os cachos e os resduos do processo de extrao de leo(glicerina). Atualmente, est entre as principais oleaginosas para produo de biodiesel. No Par, a matria-prima no falta. O estado o maior produtor de dend do Brasil, alm de possuir cinco milhes de hectares aptos cultura. Considerando que, a totalidade de reas ou zonas classificadas como de alta e mdia potencialidades correspondem aproximadamente a 23,7% do territrio paraense. Essas reas tm condies de produzir dend para absorver grandes demandas internas e externas, o que tornaria o Estado do Par (e o Brasil), no ranking mundial, o maior produtor e exportador de leo de dend do mundo. PEDROZO, Soraia Abreu. Empresa produz biodiesel com sobra de leo de dend. Disponvel em: www.biodisel.com. Acesso em: 11 ago 2007. (com adaptaes) Sobre o Texto I correto afirmar que:

Questão 2
2007Português

(IME - 2007) Texto I Empresa produz biodiesel com sobra de leo de dend Depois de mais de duas dcadas produzindo leo de dend, conhecido como azeite-de- dend, h dois anos, foi descoberto que se poderia obter economia, gerar negcio e diminuir a poluio atmosfrica, simplesmente utilizando-se as sementes do dend no apropriadas para o consumo humano, que antes eram descartadas. Esta sobra da produo do leo, em vez de ir para olixo, agora transformada em biodiesel. O combustvel renovvel foi batizado de palmdiesel e, para obt-lo, cerca de 95% dos cidos graxos do leo de dend so aproveitados. O biodiesel isento de glicerina e custa muito menos que o combustvel fssil, alm de ter o mesmo rendimento. Hoje, entre todas as matrias-primas cotadas para a produo de biodiesel no Brasil, o dend a que mais produz leo por rea plantada. Para se ter uma ideia, um hectare de dend pode produzir de 20 at 30 toneladas de cachos. O dendezeiro a oleaginosa de maior produtividade conhecida, alm de fornecer o leo mais consumido no mundo. Por este e outros motivos, o cultivo do dend constitui uma alternativa vivel e rentvel para a recuperao de reas alteradas, alm de ser uma cultura extremamente verstil, sendo dela aproveitados os leos da semente (leo de dend) edo mesocarpo (leo de palmiste), os cachos e os resduos do processo de extrao de leo(glicerina). Atualmente, est entre as principais oleaginosas para produo de biodiesel. No Par, a matria-prima no falta. O estado o maior produtor de dend do Brasil, alm de possuir cinco milhes de hectares aptos cultura. Considerando que, a totalidade de reas ou zonas classificadas como de alta e mdia potencialidades correspondem aproximadamente a 23,7% do territrio paraense. Essas reas tm condies de produzir dend para absorver grandes demandas internas e externas, o que tornaria o Estado do Par (e o Brasil), no ranking mundial, o maior produtor e exportador de leo de dend do mundo. PEDROZO, Soraia Abreu. Empresa produz biodiesel com sobra de leo de dend. Disponvel em: www.biodisel.com. Acesso em: 11 ago 2007. (com adaptaes) Em relao s estruturas lingusticas do Texto I, marque a opo coerente segundo as normas gramaticais. I - Na linha 1, se houver substituio da frase Depois de mais de duas dcadas por A mais de duas dcadas, mantm-se a correo gramatical do perodo. II - A expresso em vez de (linha 2) pode ser substituda por no lugar de, sem que haja prejuzo gramatical. III - Subentende-se que aps a palavra Atualmente (linha 10), o termo que deveria ser explicitado o dendezeiro. IV - O recurso dos parnteses (linhas 8e 9) usado para indicar quais os produtos finais oriundos de elementos aproveitados do dendezeiro.

Questão 3
2007Português

(IME - 2007) Texto I Empresa produz biodiesel com sobra de leo de dend Depois de mais de duas dcadas produzindo leo de dend, conhecido como azeite-de- dend, h dois anos, foi descoberto que se poderia obter economia, gerar negcio e diminuir a poluio atmosfrica, simplesmente utilizando-se as sementes do dend no apropriadas para o consumo humano, que antes eram descartadas. Esta sobra da produo do leo, em vez de ir para olixo, agora transformada em biodiesel. O combustvel renovvel foi batizado de palmdiesel e, para obt-lo, cerca de 95% dos cidos graxos do leo de dend so aproveitados. O biodiesel isento de glicerina e custa muito menos que o combustvel fssil, alm de ter o mesmo rendimento. Hoje, entre todas as matrias-primas cotadas para a produo de biodiesel no Brasil, o dend a que mais produz leo por rea plantada. Para se ter uma idia, um hectare de dend pode produzir de 20 at 30 toneladas de cachos. O dendezeiro a oleaginosa de maior produtividade conhecida, alm de fornecer o leo mais consumido no mundo. Por este e outros motivos, o cultivo do dend constitui uma alternativa vivel e rentvel para a recuperao de reas alteradas, alm de ser uma cultura extremamente verstil, sendo dela aproveitados os leos da semente (leo de dend) edo mesocarpo (leo de palmiste), os cachos e os resduos do processo de extrao de leo(glicerina). Atualmente, est entre as principais oleaginosas para produo de biodiesel. No Par, a matria-prima no falta. O estado o maior produtor de dend do Brasil, alm de possuir cinco milhes de hectares aptos cultura. Considerando que, a totalidade de reas ou zonas classificadas como de alta e mdia potencialidades correspondem aproximadamente a 23,7% do territrio paraense. Essas reas tm condies de produzir dend para absorver grandes demandas internas e externas, o que tornaria o Estado do Par (e o Brasil), no ranking mundial, o maior produtor e exportador de leo de dend do mundo. PEDROZO, Soraia Abreu. Empresa produz biodiesel com sobra de leo de dend. Disponvel em: www.biodisel.com. Acesso em: 11 ago 2007. (com adaptaes) Os fragmentos a seguir, retirados da internet (www.sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br), foram adaptados. Leia-os atentamente e marque a alternativa que se encontra totalmente de acordo com as regras gramaticais da lngua portuguesa.

Questão 4
2007Português

(IME - 2007) Texto II Mancha de Dend no sai Bota pra quarar, Dona Marlia. Bota pra quarar.... Saem o sol e a lua Sai mame e sai papai Bloco vai pra rua Mancha de Dend no sai Como , maninha, Como , cai ou no cai? Voc sai da linha Mancha de Dend no sai. H uma pobre mancha Voc olha e ningum v Coitadinha, uma mancha De azeite-de-dend. Corao na sua Deixe a enquanto viver Mancha continua, S no desmancha prazer. Moraes Moreira - 1984. Sobre o texto de Moraes Moreira, observe as alternativas abaixo, marque (V) VERDADEIRO ou (F) FALSO e indique a seqncia que deve ser considerada correta. I - ( ) O autor manda Dona Marlia colocar alguma coisa (roupa) em exposio ao sol (quarar), para que se retire uma mancha causada pelo azeite-de-dend. II - ( ) Dona Marlia deixa a roupa em exposio ao sol durante muito tempo, desde o amanhecer at a noite, mas, com tudo isso, a mancha de dend no sai. III - ( ) O autor diz que a mancha quase imperceptvel, mas como de azeite-de-dend, necessrio retir-la, seno pode at desmanchar o prazer de viver. IV - ( ) Depois de tanto tentar e no obter xito, conclui-se que o melhor a fazer deixar a roupa manchada, pois o importante no se aborrecer.

Questão 5
2007Português

(IME - 2007) Texto II Mancha de Dend no sai Bota pra quarar, Dona Marlia. Bota pra quarar.... Saem o sol e a lua Sai mame e sai papai Bloco vai pra rua Mancha de Dend no sai Como , maninha, Como , cai ou no cai? Voc sai da linha Mancha de Dend no sai. H uma pobre mancha Voc olha e ningum v Coitadinha, uma mancha De azeite-de-dend. Corao na sua Deixe a enquanto viver Mancha continua, S no desmancha prazer. Moraes Moreira - 1984 H uma pobre mancha Voc olha e ningum v Coitadinha, uma mancha De azeite-de-dend. Fora da ideia de tamanho, as formas aumentativas e diminutivas podem traduzir desprezo, crtica, pouco caso, dentre outras caractersticas. Indique a opo em que o substantivo flexionado quanto ao seu grau, transmite-nos a mesma ideia da palavra Coitadinha, encontrada no texto de Moraes Moreira.

Questão 6
2007Português

(IME - 2007) Texto II Mancha de Dend no sai Bota pra quarar, Dona Marlia. Bota pra quarar.... Saem o sol e a lua Sai mame e sai papai Bloco vai pra rua Mancha de Dend no sai Como , maninha, Como , cai ou no cai? Voc sai da linha Mancha de Dend no sai. H uma pobre mancha Voc olha e ningum v Coitadinha, uma mancha De azeite-de-dend. Corao na sua Deixe a enquanto viver Mancha continua, S no desmancha prazer. Moraes Moreira - 1984 Corao na sua Deixe a enquanto viver Mancha continua, S no desmancha prazer. Mancha continua, S no desmancha prazer. Observe as palavras mancha e desmancha e indique a opo em que a explicao destes vocbulos encontra-se de acordo com o texto de Moraes Moreira.

Questão 7
2007Português

(IME - 2007) Texto III APELO DE DONA FLOR EM AULA E EM DEVANEIO Me deixem em paz com meu luto e minha solido. No me falem dessas coisas, respeitem meu estado de viva. Vamos ao fogo: prato de capricho e esmero o vatap de peixe (ou de galinha), o mais famoso de toda a culinria da Bahia. No me digam que sou jovem, sou viva: morta estou para essas coisas. Vatap para servir a dez pessoas (e para sobrar como devido). Tragam duas cabeas de garoupa fresca. Pode ser de outro peixe, mas no to bom. Tomem do sal, do coentro, do alho e da cebola, alguns tomates e o suco de um limo. Quatro colheres das de sopa, cheias com o melhor azeite doce, tanto serve portugus como espanhol; ouvi dizer que o grego inda melhor, no sei. Jamais usei por no encontr-lo venda. Se encontrar um noivo, que farei? Algum que retome meu desejo morto, enterrado no carrego do defunto? Que sabem vocs, meninas, da intimidade das vivas? Desejo de viva desejo de deboche e de pecado, viva sria no fala nessas coisas, no pensa nessas coisas, no conversa sobre isso. Me deixem em paz, no meu fogo. Refoguem o peixe nesses temperos todos e o ponha a cozinhar num bocadinho dgua, um bocadinho s, um quase nada. Depois s coar o molho, deix-lo parte, e vamos adiante. A seguir agreguem leite de coco, o grosso e puro, e finalmente o azeite-de-dend, duas xcaras bem medidas: flor de dend, da cor de ouro velho, a cor do vatap. Deixem cozinhar por longo tempo em fogo baixo; com a colher de pau no parem de mexer, sempre para o mesmo lado: no parem de mexer seno embola o vatap. Mexam, remexam, vamos, sem parar; at chegar ao ponto justo e exatamente. Em fogo lento meus sonhos me consomem, no me cabe culpa, sou apenas uma viva dividida ao meio, de um lado viva honesta e recatada, de outro viva debochada, quase histrica, desfeita em chilique e calundu. Esse mando de recato me asfixia, de noite corro as ruas em busca de marido. De marido a quem servir o vatap doirado e meu cobreado corpo de gengibre e mel. Chegou o vatap ao ponto, vejam que beleza! Para servi-lo falta apenas derramar um pouco de azeite-de-dend por cima, azeite cru. Acompanhado de aca o sirvam, e noivos e maridos lambero os beios. AMADO, Jorge. Dona Flor e seus dois maridos. Rio de Janeiro: Record, 1997. p. 231-233. O livro Dona Flor e seus dois maridos, do escritor baiano Jorge Amado conta a histria de Flor, uma cozinheira de mo cheia casada com Vadinho, um bomio incorrigvel que morre pouco tempo aps o casamento. Viva, sozinha, mas de carnes ainda rijas, Dona Flor acaba por casar com Teodoro, um correto e formal comerciante portugus. No entanto, Vadinho surge em sonhos a Dona Flor, acendendo a brasa do desejo que o cinzento Teodoro no sabe provocar. Nesta parte do livro, aberta por uma lio de culinria de Flor, professora desta arte, podemos afirmar que:

Questão 8
2007Português

(IME - 2007) Texto III APELO DE DONA FLOR EM AULA E EM DEVANEIO Me deixem em paz com meu luto e minha solido. No me falem dessas coisas, respeitem meu estado de viva. Vamos ao fogo: prato de capricho e esmero o vatap de peixe (ou de galinha), o mais famoso de toda a culinria da Bahia. No me digam que sou jovem, sou viva: morta estou para essas coisas. Vatap para servir a dez pessoas (e para sobrar como devido). Tragam duas cabeas de garoupa fresca. Pode ser de outro peixe, mas no to bom. Tomem do sal, do coentro, do alho e da cebola, alguns tomates e o suco de um limo. Quatro colheres das de sopa, cheias com o melhor azeite doce, tanto serve portugus como espanhol; ouvi dizer que o grego inda melhor, no sei. Jamais usei por no encontr-lo venda. Se encontrar um noivo, que farei? Algum que retome meu desejo morto, enterrado no carrego do defunto? Que sabem vocs, meninas, da intimidade das vivas? Desejo de viva desejo de deboche e de pecado, viva sria no fala nessas coisas, no pensa nessas coisas, no conversa sobre isso. Me deixem em paz, no meu fogo. Refoguem o peixe nesses temperos todos e o ponha a cozinhar num bocadinho dgua, um bocadinho s, um quase nada. Depois s coar o molho, deix-lo parte, e vamos adiante. A seguir agreguem leite de coco, o grosso e puro, e finalmente o azeite-de-dend, duas xcaras bem medidas: flor de dend, da cor de ouro velho, a cor do vatap. Deixem cozinhar por longo tempo em fogo baixo; com a colher de pau no parem de mexer, sempre para o mesmo lado: no parem de mexer seno embola o vatap. Mexam, remexam, vamos, sem parar; at chegar ao ponto justo e exatamente. Em fogo lento meus sonhos me consomem, no me cabe culpa, sou apenas uma viva dividida ao meio, de um lado viva honesta e recatada, de outro viva debochada, quase histrica, desfeita em chilique e calundu. Esse mando de recato me asfixia, de noite corro as ruas em busca de marido. De marido a quem servir o vatap doirado e meu cobreado corpo de gengibre e mel. Chegou o vatap ao ponto, vejam que beleza! Para servi-lo falta apenas derramar um pouco de azeite-de-dend por cima, azeite cru. Acompanhado de aca o sirvam, e noivos e maridos lambero os beios. AMADO, Jorge. Dona Flor e seus dois maridos. Rio de Janeiro: Record, 1997. p. 231-233. No Texto III, a receita de vatap frequentemente se alterna com reflexes da cozinheira sobre sua vida pessoal. Assinale o trecho que exemplifica essa afirmativa.

Questão 9
2007Português

(IME - 2007) Texto III APELO DE DONA FLOR EM AULA E EM DEVANEIO Me deixem em paz com meu luto e minha solido. No me falem dessas coisas, respeitem meu estado de viva. Vamos ao fogo: prato de capricho e esmero o vatap de peixe (ou de galinha), o mais famoso de toda a culinria da Bahia. No me digam que sou jovem, sou viva: morta estou para essas coisas. Vatap para servir a dez pessoas (e para sobrar como devido). Tragam duas cabeas de garoupa fresca. Pode ser de outro peixe, mas no to bom. Tomem do sal, do coentro, do alho e da cebola, alguns tomates e o suco de um limo. Quatro colheres das de sopa, cheias com o melhor azeite doce, tanto serve portugus como espanhol; ouvi dizer que o grego inda melhor, no sei. Jamais usei por no encontr-lo venda. Se encontrar um noivo, que farei? Algum que retome meu desejo morto, enterrado no carrego do defunto? Que sabem vocs, meninas, da intimidade das vivas? Desejo de viva desejo de deboche e de pecado, viva sria no fala nessas coisas, no pensa nessas coisas, no conversa sobre isso. Me deixem em paz, no meu fogo. Refoguem o peixe nesses temperos todos e o ponha a cozinhar num bocadinho dgua, um bocadinho s, um quase nada. Depois s coar o molho, deix-lo parte, e vamos adiante. A seguir agreguem leite de coco, o grosso e puro, e finalmente o azeite-de-dend, duas xcaras bem medidas: flor de dend, da cor de ouro velho, a cor do vatap. Deixem cozinhar por longo tempo em fogo baixo; com a colher de pau no parem de mexer, sempre para o mesmo lado: no parem de mexer seno embola o vatap. Mexam, remexam, vamos, sem parar; at chegar ao ponto justo e exatamente. Em fogo lento meus sonhos me consomem, no me cabe culpa, sou apenas uma viva dividida ao meio, de um lado viva honesta e recatada, de outro viva debochada, quase histrica, desfeita em chilique e calundu. Esse mando de recato me asfixia, de noite corro as ruas em busca de marido. De marido a quem servir o vatap doirado e meu cobreado corpo de gengibre e mel. Chegou o vatap ao ponto, vejam que beleza! Para servi-lo falta apenas derramar um pouco de azeite-de-dend por cima, azeite cru. Acompanhado de aca o sirvam, e noivos e maridos lambero os beios. AMADO, Jorge. Dona Flor e seus dois maridos. Rio de Janeiro: Record, 1997. p. 231-233. Observe as oraes a seguir e, independente de seu contexto original, marque a opo em que a expresso destacada foi substituda corretamente pelo pronome oblquo tono.

Questão 10
2007Português

(IME - 2007) Texto III APELO DE DONA FLOR EM AULA E EM DEVANEIO Me deixem em paz com meu luto e minha solido. No me falem dessas coisas, respeitem meu estado de viva. Vamos ao fogo: prato de capricho e esmero o vatap de peixe (ou de galinha), o mais famoso de toda a culinria da Bahia. No me digam que sou jovem, sou viva: morta estou para essas coisas. Vatap para servir a dez pessoas (e para sobrar como devido). Tragam duas cabeas de garoupa fresca. Pode ser de outro peixe, mas no to bom. Tomem do sal, do coentro, do alho e da cebola, alguns tomates e o suco de um limo. Quatro colheres das de sopa, cheias com o melhor azeite doce, tanto serve portugus como espanhol; ouvi dizer que o grego inda melhor, no sei. Jamais usei por no encontr-lo venda. Se encontrar um noivo, que farei? Algum que retome meu desejo morto, enterrado no carrego do defunto? Que sabem vocs, meninas, da intimidade das vivas? Desejo de viva desejo de deboche e de pecado, viva sria no fala nessas coisas, no pensa nessas coisas, no conversa sobre isso. Me deixem em paz, no meu fogo. Refoguem o peixe nesses temperos todos e o ponha a cozinhar num bocadinho dgua, um bocadinho s, um quase nada. Depois s coar o molho, deix-lo parte, e vamos adiante. A seguir agreguem leite de coco, o grosso e puro, e finalmente o azeite-de-dend, duas xcaras bem medidas: flor de dend, da cor de ouro velho, a cor do vatap. Deixem cozinhar por longo tempo em fogo baixo; com a colher de pau no parem de mexer, sempre para o mesmo lado: no parem de mexer seno embola o vatap. Mexam, remexam, vamos, sem parar; at chegar ao ponto justo e exatamente. Em fogo lento meus sonhos me consomem, no me cabe culpa, sou apenas uma viva dividida ao meio, de um lado viva honesta e recatada, de outro viva debochada, quase histrica, desfeita em chilique e calundu. Esse mando de recato me asfixia, de noite corro as ruas em busca de marido. De marido a quem servir o vatap doirado e meu cobreado corpo de gengibre e mel. Chegou o vatap ao ponto, vejam que beleza! Para servi-lo falta apenas derramar um pouco de azeite-de-dend por cima, azeite cru. Acompanhado de aca o sirvam, e noivos e maridos lambero os beios. AMADO, Jorge. Dona Flor e seus dois maridos. Rio de Janeiro: Record, 1997. p. 231-233. As obras de Jorge Amado representam o regionalismo baiano das zonas rurais do cacau e da zona urbana de Salvador. Sua grande preocupao foi analisar a sociedade como um todo. No livro Dona flor e seus dois maridos, o autor baiano traz caractersticas que abrangem:

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