Questões de Redação - IME

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1-15 de 19
Questão 21
2020Redação

[IME-2019/2020 - 2 fase] PRODUÇÃO DE TEXTO A primeira publicação do conto O Alienista, de Machado de Assis, ocorreu como folhetim na revista carioca A Estação, entre os anos de 1881 e 1882. Nessa mesma época, uma grande reforma educacional efetuou-se no Brasil, criando, dentre outras, a cadeira de Clínica Psiquiátrica. É nesse contexto de uma psiquiatria ainda embrionária que Machado propõe sua crítica ácida, reveladora da escassez de conhecimento científico e da abundância de vaidades, concomitantemente. A obra deixa ver as relações promíscuas entre o poder médico que se pretendia baluarte da ciência e o poder político tal como era exercido em Itaguaí, então uma vila, distante apenas alguns quilômetros da capital Rio de Janeiro. O conto se desenvolve em treze breves capítulos, ao longo dos quais o alienista vai fazendo suas experimentações cientificistas até que ele mesmo conclua pela necessidade de seu isolamento, visto que reconhece em si mesmo a única pessoa cujas faculdades mentais encontram-se equilibradas, sendo ele, portanto, aquele que destoa dos demais, devendo, por isso, alienar-se. Texto 1 Capítulo IV UMA TEORIA NOVA 1 Ao passo que D. Evarista, em lágrimas, vinha buscando o Rio de Janeiro, Simão Bacamarte estudava por todos os lados uma certa ideia arrojada e nova, própria a alargar as bases da psicologia. Todo o tempo que lhe sobrava dos cuidados da Casa Verde era pouco para andar na rua, ou de casa em casa, conversando as gentes, sobre trinta mil assuntos, e virgulando as falas de um olhar que metia medo aos mais heroicos. 5 Um dia de manhã, eram passadas três semanas, estando Crispim Soares ocupado em temperar um medicamento, vieram dizer-lhe que o alienista o mandava chamar. Tratava-se de negócio importante, segundo ele me disse, acrescentou o portador. 10 Crispim empalideceu. Que negócio importante podia ser, se não alguma notícia da comitiva, e especialmente da mulher? Porque este tópico deve ficar claramente definido, visto insistirem nele os cronistas; Crispim amava a mulher, e, desde trinta anos, nunca estiveram separados um só dia. Assim se explicam os monólogos que fazia agora, e que os fâmulos lhe ouviam muita vez: Anda, bem feito, quem te mandou consentir na viagem de Cesária? Bajulador, torpe bajulador! Só para adular ao Dr Bacamarte. Pois agora aguenta-te; anda; 15 aguenta-te, alma de lacaio, fracalhão, vil, miserável. Dizes amém a tudo, não é? Aí tens o lucro, biltre!. E muitos outros nomes feios, que um homem não deve dizer aos outros, quanto mais a si mesmo. Daqui a imaginar o efeito do recado é um nada. Tão depressa ele o recebeu como abriu mão das drogas e voou à Casa Verde. 20 Simão Bacamarte recebeu-o com a alegria própria de um sábio, uma alegria abotoada de circunspeção até o pescoço. Estou muito contente, disse ele. Notícias do nosso povo?, perguntou o boticário com a voz trêmula. O alienista fez um gesto magnífico, e respondeu: Trata-se de coisa mais alta, trata-se de uma experiência científica. Digo experiência, 25 porque não me atrevo a assegurar desde já a minha ideia; nem a ciência é outra coisa, Sr. Soares, senão uma investigação constante. Trata-se, pois, de uma experiência, mas uma experiência que vai mudar a face da terra. A loucura, objeto dos meus estudos, era até agora uma ilha perdida no oceano da razão; começo a suspeitar que é um continente. 30 Disse isto, e calou-se, para ruminar o pasmo do boticário. Depois explicou compridamente a sua ideia. No conceito dele a insânia abrangia uma vasta superfície de cérebros; e desenvolveu isto com grande cópia de raciocínios, de textos, de exemplos. Os exemplos achou-os na história e em Itaguaí mas, como um raro espírito que era, reconheceu o perigo de citar todos os casos de Itaguaí e refugiou-se na história. Assim, apontou com especialidade alguns célebres, Sócrates, que tinha um demônio familiar, Pascal, que via um 35 abismo à esquerda, Maomé, Caracala, Domiciano, Calígula etc., uma enfiada de casos e pessoas, em que de mistura vinham entidades odiosas, e entidades ridículas. E porque o boticário se admirasse de uma tal promiscuidade, o alienista disse-lhe que era tudo a mesma coisa, e até acrescentou sentenciosamente: A ferocidade, Sr. Soares, é o grotesco a sério 40 Gracioso, muito gracioso!, exclamou Crispim Soares levantando as mãos ao céu. Quanto à ideia de ampliar o território da loucura, achou-a o boticário extravagante; mas a modéstia, principal adorno de seu espírito, não lhe sofreu confessar outra coisa além de um nobre entusiasmo; declarou-a sublime e verdadeira, e acrescentou que era caso de matraca. Esta expressão não tem equivalente no estilo moderno. Naquele tempo, Itaguaí, que como as 45 demais vilas, arraiais e povoações da colônia, não dispunha de imprensa, tinha dois modos de divulgar uma notícia: ou por meio de cartazes manuscritos e pregados na porta da Câmara, e da matriz; ou por meio de matraca. Eis em que consistia este segundo uso. Contratava-se um homem, por um ou mais dias, para andar as ruas do povoado, com uma matraca na mão. 50 De quando em quando tocava a matraca, reunia-se gente, e ele anunciava o que lhe incumbiam, um remédio para sezões, umas terras lavradias, um soneto, um donativo eclesiástico, a melhor tesoura da vila, o mais belo discurso do ano etc. O sistema tinha inconvenientes para a paz pública; mas era conservado pela grande energia de divulgação que possuía. Por exemplo, um dos vereadores, aquele justamente que mais se opusera à 55 criação da Casa Verde, desfrutava a reputação de perfeito educador de cobras e macacos, e aliás nunca domesticara um só desses bichos; mas, tinha o cuidado de fazer trabalhar a matraca todos os meses. E dizem as crônicas que algumas pessoas afirmavam ter visto cascavéis dançando no peito do vereador; afirmação perfeitamente falsa, mas só devida à absoluta confiança no sistema. Verdade, verdade, nem todas as instituições do antigo regime 60 mereciam o desprezo do nosso século. Há melhor do que anunciar a minha ideia, é praticá-la, respondeu o alienista à insinuação do boticário. E o boticário, não divergindo sensivelmente deste modo de ver, disse-lhe que sim, que era melhor começar pela execução. 65 Sempre haverá tempo de a dar à matraca, concluiu ele. Simão Bacamarte refletiu ainda um instante, e disse: Suponho o espírito humano uma vasta concha, o meu fim, Sr. Soares, é ver se posso extrair a pérola, que é a razão; por outros termos, demarquemos definitivamente os limites da razão e da loucura. A razão é o perfeito equilíbrio de todas as faculdades; fora daí insânia, 70 insânia e só insânia. O Vigário Lopes, a quem ele confiou a nova teoria, declarou lisamente que não chegava a entendê-la, que era uma obra absurda, e, se não era absurda, era de tal modo colossal que não merecia princípio de execução. Com a definição atual, que é a de todos os tempos, acrescentou, a loucura e a razão 75 estão perfeitamente delimitadas. Sabe-se onde uma acaba e onde a outra começa. Para que transpor a cerca? Sobre o lábio fino e discreto do alienista roçou a vaga sombra de uma intenção de riso, em que o desdém vinha casado à comiseração; mas nenhuma palavra saiu de suas egrégias entranhas. 80 A ciência contentou-se em estender a mão à teologia, com tal segurança, que a teologia não soube enfim se devia crer em si ou na outra. Itaguaí e o universo à beira de uma revolução. ASSIS, Machado de. O Alienista. Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro / USP. Disponível em: . Acesso em: 12/08/2019. Contratava-se um homem, por um ou mais dias, para andar as ruas do povoado, com uma matraca na mão. [...] um dos vereadores [...] desfrutava a reputação de perfeito educador de cobras e macacos, e aliás, nunca domesticara um desses bichos; mas tinha o cuidado de fazer trabalhar a matraca todos os meses. E dizem as crônicas que algumas pessoas afirmavam ter visto cascavéis dançando no peito do vereador; afirmação perfeitamente falsa, mas só devido à absoluta confiança no sistema. Verdade, verdade, nem todas as instituições do antigo regime mereciam o desprezo do nosso século. (Texto 1, linhas 48 a 60). Sabemos que a boa informação é fundamental para que possamos atingir grandes objetivos, sejam eles o sucesso acadêmico-profissional, sejam as decisões mais cotidianas que pedem nossa avaliação diária, isto é, o pleno exercício da cidadania. Apesar de julgarmos as fake news algo dos tempos atuais, aprendemos, com o texto machadiano, que a invenção de verdades é coisa antiga e humana, e não uma mera produção que se inicia com o advento das chamadas redes sociais, como irrefletidamente somos levados a acreditar. Considerando a fina ironia machadiana sobre a produção de verdades apresentada no capítulo IV de O Alienista transcrito nesta prova, redija um texto dissertativo-argumentativo sobre a relação entre informação e liberdade de escolha. Em sua escrita, atente para as seguintes considerações: 1. privilegie a norma culta da língua portuguesa. Eventuais equívocos morfossintáticos, erros de regência, concordância, coesão e coerência, bem como desvios da grafia vigente e a não observância das regras de acentuação serão penalizados; 2. seu texto deverá ter entre 25 (vinte e cinco) a 30 (trinta) linhas escritas à tinta azul ou preta.

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2019Redação

(IME 2019 - 2 fase) Tomando por base de reflexão os dois textos apresentados nesta prova, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema as contribuições da arte para uma percepção da realidade que vá além das aparências. O seu texto deverá ter entre 25 (vinte e cinco) a 30 (trinta) linhas escritas à tinta azul ou preta. A produção de texto DEVERÁ ser realizada no CADERNO DE SOLUÇÕES. Textos utilizados na prova: Texto 1 BECOS DE GOIÁS 1 Beco da minha terra... Amo tua paisagem triste, ausente e suja. Teu ar sombrio. Tua velha umidade andrajosa. Teu lodo negro, esverdeado, escorregadio. 5 E a réstia de sol que ao meio-dia desce, fugidia, e semeia polmes dourados no teu lixo pobre, calçando de ouro a sandália velha, jogada no teu monturo. Amo a prantina silenciosa do teu fio de água, 10 descendo de quintais escusos sem pressa, e se sumindo depressa na brecha de um velho cano. Amo a avenca delicada que renasce na frincha de teus muros empenados, 15 e a plantinha desvalida, de caule mole que se defende, viceja e floresce no agasalho de tua sombra úmida e calada. Amo esses burros-de-lenha que passam pelos becos antigos. Burrinhos dos morros, 20 secos, lanzudos, malzelados, cansados, pisados. Arrochados na sua carga, sabidos, procurando a sombra, no range-range das cangalhas. E aquele menino, lenheiro ele, salvo seja. Sem infância, sem idade. 25 Franzino, maltrapilho, pequeno para ser homem, forte para ser criança. Ser indefeso, indefinido, que só se vê na minha cidade. Amo e canto com ternura 30 todo o errado da minha terra. Becos da minha terra, discriminados e humildes, lembrando passadas eras... Beco do Cisco. 35 Beco do Cotovelo. Beco do Antônio Gomes. Beco das Taquaras. Beco do Seminário. Bequinho da Escola. 40 Beco do Ouro Fino. Beco da Cachoeira Grande. Beco da Calabrote. Beco do Mingu. Beco da Vila Rica... 45 Conto a estória dos becos, dos becos da minha terra, suspeitos... mal afamados onde família de conceito não passava. Lugar de gentinha - diziam, virando a cara. 50 De gente do pote dágua. De gente de pé no chão. Becos de mulher perdida. Becos de mulheres da vida. Renegadas, confinadas 55 na sombra triste do beco. Quarto de porta e janela. Prostituta anemiada, solitária, hética, engalicada, tossindo, escarrando sangue 60 na umidade suja do beco. Becos mal assombrados. Becos de assombração... Altas horas, mortas horas... Capitão-mor - alma penada, 65 terror dos soldados, castigado nas armas. Capitão-mor, alma penada, num cavalo ferrado, chispando fogo, descendo e subindo o beco, 70 comandando o quadrado - feixe de varas... Arrastando espada, tinindo esporas... Mulher-dama. Mulheres da vida, perdidas, começavam em boas casas, depois, 75 baixavam pra o beco. Queriam alegria. Faziam bailaricos. Baile Sifilítico - era ele assim chamado. O delegado-chefe de Polícia - brabeza - dava em cima... 80 Mandava sem dó, na peia. No dia seguinte, coitadas, cabeça raspada a navalha, obrigadas a capinar o Largo do Chafariz, na frente da Cadeia. 85 Becos da minha terra... Becos de assombração. Românticos, pecaminosos... Têm poesia e têm drama. O drama da mulher da vida, antiga, 90 humilhada, malsinada. Meretriz venérea, desprezada, mesentérica, exangue. Cabeça raspada a navalha, castigada a palmatória, 95 capinando o largo, chorando. Golfando sangue. (ÚLTIMO ATO) Um irmão vicentino comparece. Traz uma entrada grátis do São Pedro de Alcântara. 100 Uma passagem de terceira no grande coletivo de São Vicente. Uma estação permanente de repouso - no aprazível São Miguel. Cai o pano. CORALINA, Cora. Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais. 21a ed. - São Paulo: Global Editora, 2006. Texto 2 O ELEFANTE 1 Fabrico um elefante de meus poucos recursos. Um tanto de madeira tirado a velhos móveis 5 talvez lhe dê apoio. E o encho de algodão, de paina, de doçura. A cola vai fixar suas orelhas pensas. 10 A tromba se enovela, é a parte mais feliz de sua arquitetura. Mas há também as presas, dessa matéria pura 15 que não sei figurar. Tão alva essa riqueza a espojar-se nos circos sem perda ou corrupção. E há por fim os olhos, 20 onde se deposita a parte do elefante mais fluida e permanente, alheia a toda fraude. Eis o meu pobre elefante 25 pronto para sair à procura de amigos num mundo enfastiado que já não crê em bichos e duvida das coisas. 30 Ei-lo, massa imponente e frágil, que se abana e move lentamente a pele costurada onde há flores de pano 35 e nuvens, alusões a um mundo mais poético onde o amor reagrupa as formas naturais. Vai o meu elefante 40 pela rua povoada, mas não o querem ver nem mesmo para rir da cauda que ameaça deixá-lo ir sozinho. 45 É todo graça, embora as pernas não ajudem e seu ventre balofo se arrisque a desabar ao mais leve empurrão. 50 Mostra com elegância sua mínima vida, e não há cidade alma que se disponha a recolher em si 55 desse corpo sensível a fugitiva imagem, o passo desastrado mas faminto e tocante. Mas faminto de seres 60 e situações patéticas, de encontros ao luar no mais profundo oceano, sob a raiz das árvores ou no seio das conchas, 65 de luzes que não cegam e brilham através dos troncos mais espessos. Esse passo que vai sem esmagar as plantas 70 no campo de batalha, à procura de sítios, segredos, episódios não contados em livro, de que apenas o vento, 75 as folhas, a formiga reconhecem o talhe, mas que os homens ignoram, pois só ousam mostrar-se sob a paz das cortinas 80 à pálpebra cerrada. E já tarde da noite volta meu elefante, mas volta fatigado, as patas vacilantes 85 se desmancham no pó. Ele não encontrou o de que carecia, o de que carecemos, eu e meu elefante, 90 em que amo disfarçar-me. Exausto de pesquisa, caiu-lhe o vasto engenho como simples papel. A cola se dissolve 95 e todo o seu conteúdo de perdão, de carícia, de pluma, de algodão, jorra sobre o tapete, qual mito desmontado. 100 Amanhã recomeço. ANDRADE, Carlos Drummond de. O Elefante. 9 ed. - São Paulo: Editora Record, 1983.

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2018Redação

Texto 1 A CONDIÇÃO HUMANA Com a expressão vita activa, pretendo designar três atividades humanas fundamentais: labor, trabalho e ação. Trata-se de atividades fundamentais porque a cada uma delas corresponde uma das condições básicas mediante as quais a vida foi dada ao homem na Terra O labor é a atividade que corresponde ao processo biológico do corpo humano, cujos crescimento espontâneo, metabolismo e eventual declínio têm a ver com as necessidades vitais produzidas e introduzidas pelo labor no processo da vida. A condição humana do labor é a própria vida. O trabalho é a atividade correspondente ao artificialismo da existência humana, existência esta não necessariamente contida no eterno ciclo vital da espécie, e cuja mortalidade não é compensada por este último. O trabalho produz um mundo artificial de coisas, nitidamente diferente de qualquer ambiente natural. Dentro de suas fronteiras habita cada vida individual, embora esse mundo se destine a sobreviver e a transcender todas as vidas individuais. A condição humana do trabalho é a mundanidade. A ação, única atividade que se exerce diretamente entre os homens sem a mediação das coisas ou da matéria, corresponde à condição humana da pluralidade, ao fato de que homens, e não o Homem, vivem na Terra e habitam o mundo. Todos os aspectos da condição humana têm alguma relação com a política; mas esta pluralidade é especificamente a condição não apenas a conditio sine qua non, mas a conditio per quam de toda a vida política. Assim, o idioma dos romanos talvez o povo mais político que conhecemos empregava como sinônimas as expressões viver e estar entre os homens (inter homines esse), ou morrer e deixar de estar entre os homens (inter homines esse desinere). Mas, em sua forma mais elementar, a condição humana da ação está implícita até mesmo em Gênesis (macho e fêmea Ele os criou), se entendermos que esta versão da criação do homem diverge, em princípio, da outra segundo a qual Deus originalmente criou o Homem (adam) a ele, e não a eles, de sorte que a pluralidade dos seres humanos vem a ser o resultado da multiplicação 1 . A ação seria um luxo desnecessário, uma caprichosa interferência com as leis gerais do comportamento, se os homens não passassem de repetições interminavelmente reproduzíveis do mesmo modelo, todas dotadas da mesma natureza e essência, tão previsíveis quanto a natureza e a essência de qualquer outra coisa. A pluralidade é a condição da ação humana pelo fato de sermos todos os mesmos, isto é, humanos, sem que ninguém seja exatamente igual a qualquer pessoa que tenha existido, exista ou venha a existir. As três atividades e suas respectivas condições têm íntima relação com as condições mais gerais da existência humana: o nascimento e a morte, a natalidade e a mortalidade. O labor assegura não apenas a sobrevivência do indivíduo, mas a vida da espécie. O trabalho e seu produto, o artefato humano, emprestam certa permanência e durabilidade à futilidade da vida mortal e ao caráter efêmero do corpo humano. A ação, na medida em que se empenha em fundar e preservar corpos políticos, cria a condição para a lembrança, ou seja, para a história. O labor e o trabalho, bem como a ação, têm também raízes na natalidade, na medida em que sua tarefa é produzir e preservar o mundo para o constante influxo de recém chegados que vêm a este mundo na qualidade de estranhos, além de prevê-los e levá-los em conta. Não obstante, das três atividades, a ação é a mais intimamente relacionada com a condição humana da natalidade; o novo começo inerente a cada nascimento pode fazer-se sentir no mundo somente porque o recém-chegado possui a capacidade de iniciar algo novo, isto é, de agir. Neste sentido de iniciativa, todas as atividades humanas possuem um elemento de ação e, portanto, de natalidade. Além disto, como a ação é a atividade política por excelência, a natalidade, e não a mortalidade, pode constituir a categoria central do pensamento político, em contraposição ao pensamento metafísico. A condição humana compreende algo mais que as condições nas quais a vida foi dada ao homem. Os homens são seres condicionados: tudo aquilo com o qual eles entram em contato torna-se imediatamente uma condição de sua existência. O mundo no qual transcorre a vita activa consiste em coisas produzidas pelas atividades humanas; mas, constantemente, as coisas que devem sua existência exclusivamente aos homens também condicionam os seus autores humanos. Além das condições nas quais a vida é dada ao homem na Terra e, até certo ponto, a partir delas, os homens constantemente criam as suas próprias condições que, a despeito de sua variabilidade e sua origem humana, possuem a mesma força condicionante das coisas naturais. O que quer que toque a vida humana ou entre em duradoura relação com ela, assume imediatamente o caráter de condição da existência humana. É por isso que os homens, independentemente do que façam, são sempre seres condicionados. Tudo o que espontaneamente adentra o mundo humano, ou para ele é trazido pelo esforço humano, torna-se parte da condição humana. O impacto da realidade do mundo sobre a existência humana é sentido e recebido como força condicionante. A objetividade do mundo o seu caráter de coisa ou objeto e a condição humana complementam-se uma à outra; por ser uma existência condicionada, a existência humana seria impossível sem as coisas, e estas seriam um amontoado de artigos incoerentes, um não mundo, se esses artigos não fossem condicionantes da existência humana. ARENDT, Hannah. A Condição Humana. Tradução de Roberto Raposo: Editora da Universidade de São Paulo, 1981. pp. 15-17 (texto adaptado). Texto 2 DAS VANTAGENS DE SER BOBO O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: Estou fazendo. Estou pensando.. Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a ideia. O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não veem. Os espertos estão sempre tão atentosespertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os veem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski. desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranquilo, enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu. Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: Até tu, Brutus?. Bobo não reclama. Em compensação, como exclama! Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz. O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem. Há lugares que facilitam mais pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas! Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar o excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo. LISPECTOR, Clarice. Das vantagens de ser bobo. Disponível em: http://www.revistapazes.com/das-vantagens-de-ser-bobo/. Acesso em 10 de maio de 2017. Originalmente publicado no Jornal do Brasil em 12 de setembro de 1970. Texto 3 EXAUSTO Eu quero uma licença de dormir, perdão pra descansar horas a fio, sem ao menos sonhar a leve palha de um pequeno sonho. Quero o que antes da vida foi o sono profundo das espécies, a graça de um estado. Semente. Muito mais que raízes. Texto 4 13 de junho... Vesti as crianças e eles foram para a escola. Eu fui catar papel. No frigorifico vi uma mocinha comendo salchichas do lixo. ―Você pode arranjar um emprego e levar uma vida reajustada. Ela perguntou-me se catar papel ganha dinheiro. Afirmei que sim. Ela disse-me que quer um serviço para andar bem bonita. Ela está com 15 anos. Época que achamos o mundo maravilhoso. Época em que a rosa desabrocha. Depois vai caindo pétala por pétala e surgem os espinhos. Uns cançam da vida, suicidam. Outros passam a roubar. () Olhei o rosto da mocinha. Está com boqueira. Os preços aumentam igual as ondas do mar. Cada qual mais forte. Quem luta com as ondas? Só os tubarões. Mas o tubarão mais feroz é o racional. É o terrestre. É o atacadista. A lentilha está a 100 cruzeiros o quilo. Um fato que alegrou-me imensamente. Eu dancei, cantei e pulei. E agradeci o rei dos juizes que é Deus. Foi em janeiro quando as águas invadiu os armazéns e estragou os alimentos. Bem feito. Em vez de vender barato, guarda esperando alta de preços: Vi os homens jogar sacos de arroz dentro do rio. Bacalhau, queijo, doces. Fiquei com inveja dos peixes que não trabalham e passam bem. JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo: diário de uma favelada2 . São Paulo: Ática, 2014. p. 60. 2 Quarto de despejo é uma edição dos diários de Carolina Maria de Jesus, migrante do Sacramento, Minas Gerais, onde estudou apenas dois anos numa escola primária. Mãe solteira e moradora da primeira grande favela de São Paulo, a Canindé, que foi desocupada em meados dos anos 1960 para a construção da Marginal do Tietê. Seu diário se transformou num Best-seller traduzido para 13 línguas (trecho da apresentação escrita pelo jornalista Audálio Dantas na obra referenciada). Tomando por base os quatro textos apresentados nesta prova, produza um texto dissertativo-argumentativo discorrendo sobre a ação como prática fundadora das sociedades. Reflita sobre a condição dos, nas palavras da autora do texto 1, recém-chegados ao mundo, tanto em sua condição inicial de estranhos quanto nos condicionamentos adquiridos ao longo da existência. Em sua reflexão, leve em conta que esses recém-chegados, sejam eles oriundos de classes mais ou menos abastadas, deixarão suas marcas no mundo e que essas, na maior parte dos casos, serão um reflexo de uma repetição de práticas arraigadas entre humanos. Em sua escrita, atente para as seguintes considerações: 1. privilegie a norma culta da língua portuguesa. Eventuais equívocos morfossintáticos, erros de regência, concordância, coesão e coerência, bem como desvios da grafia vigente e a não observância das regras de acentuação serão penalizados; 2. seu texto deverá ter entre 25 (vinte e cinco) a 30 (trinta) linhas. A produção de texto DEVERÁ ser realizada no CADERNO DE SOLUÇÕES.

Questão
2018Redação

(Ime 2018) A CONDIÇÃO HUMANA A Vita Activa e a Condição Humana Com a expressão vita activa, pretendo designar três atividades humanas fundamentais: labor, trabalho e ação. Trata-se de atividades fundamentais porque a cada uma delas corresponde uma das condições básicas mediante as quais a vida foi dada ao homem na Terra. 1O labor é a atividade que corresponde ao processo biológico do corpo humano, cujos crescimento espontâneo, metabolismo e eventual declínio têm a ver com as necessidades vitais produzidas e introduzidas pelo labor no processo da vida. A condição humana do labor é a própria vida. O trabalho é a atividade correspondente ao artificialismo da existência humana, existência esta não necessariamente contida no eterno ciclo vital da espécie, e cuja mortalidade não é compensada por este último. O trabalho produz um mundo artificial de coisas, nitidamente diferente de qualquer ambiente natural. 2Dentro de suas fronteiras habita cada vida individual, embora esse mundo se destine a sobreviver e a transcender todas as vidas individuais. A condição humana do trabalho é a mundanidade. 3A ação, única atividade que se exerce diretamente entre os homens sem a mediação das coisas ou da matéria, corresponde à condição humana da pluralidade, ao fato de que homens, e não o Homem, vivem na Terra e habitam o mundo. Todos os aspectos da condição humana têm alguma relação com a política; mas esta pluralidade é especificamente a condição não apenas a conditio sine qua non, mas a conditio per quam de toda a vida política. Assim, o idioma dos romanos talvez o povo mais político que conhecemos empregava como sinônimas as expressões viver e estar entre os homens (inter homines esse), ou morrer e deixar de estar entre os homens (inter homines esse desinere). 4Mas, em sua forma mais elementar, a condição humana da ação está implícita até mesmo em Gênesis (macho e fêmea Ele os criou), se entendermos que esta versão da criação do homem diverge, em princípio, da outra segundo a qual Deus originalmente criou o Homem (adam) a ele, e não a eles, de sorte que a pluralidade dos seres humanos vem a ser o resultado da multiplicação5. 6A ação seria um luxo desnecessário, uma caprichosa interferência com as leis gerais do comportamento, se os homens não passassem de repetições interminavelmente reproduzíveis do mesmo modelo, todas dotadas da mesma natureza e essência, tão previsíveis quanto a natureza e a essência de qualquer outra coisa. 7A pluralidade é a condição da ação humana pelo fato de sermos todos os mesmos, isto é, humanos, sem que ninguém seja exatamente igual a qualquer pessoa que tenha existido, exista ou venha a existir. As três atividades e suas respectivas condições têm íntima relação com as condições mais gerais da existência humana: o nascimento e a morte, a natalidade e a mortalidade. O labor assegura não apenas a sobrevivência do indivíduo, mas a vida da espécie. 8O trabalho e seu produto, o artefato humano, 9emprestam certa permanência e durabilidade à futilidade da vida mortal e ao caráter efêmero do corpo humano. A ação, na medida em que se empenha em fundar e preservar corpos políticos, cria a condição para a lembrança, ou seja, para a história. 10O labor e o trabalho, bem como a ação, têm também raízes na natalidade, na medida em que sua tarefa é produzir e preservar o mundo para 11o constante influxo de recém-chegados que vêm a este mundo na qualidade de estranhos, além de prevê-los e levá-los em conta. 12Não obstante, das três atividades, a ação é a mais intimamente relacionada com a condição humana da natalidade; o novo começo inerente a cada nascimento pode fazer-se sentir no mundo somente porque o recém-chegado possui a capacidade de iniciar algo novo, isto é, de agir. Neste sentido de iniciativa, todas as atividades humanas possuem um elemento de ação e, portanto, de natalidade. 13Além disto, como a ação é a atividade política por excelência, a natalidade, e não a mortalidade, pode constituir a categoria central do pensamento político, em contraposição ao pensamento metafísico. A condição humana compreende algo mais que as condições nas quais a vida foi dada ao homem. Os homens são seres condicionados: tudo aquilo com o qual eles entram em contato torna-se imediatamente uma condição de sua existência. O mundo no qual transcorre a vita activa consiste em coisas produzidas pelas atividades humanas; mas, constantemente, as coisas que devem sua existência exclusivamente aos homens também condicionam os seus autores humanos. Além das condições nas quais a vida é dada ao homem na Terra e, até certo ponto, a partir delas, os homens constantemente criam as suas próprias condições que, a despeito de sua variabilidade e sua origem humana, possuem a mesma força condicionante das coisas naturais. O que quer que toque a vida humana ou entre em duradoura relação com ela, assume imediatamente o caráter de condição da existência humana. É por isso que os homens, independentemente do que façam, são sempre seres condicionados. Tudo o que espontaneamente adentra o mundo humano, ou para ele é trazido pelo esforço humano, torna-se parte da condição humana. O impacto da realidade do mundo sobre a existência humana é sentido e recebido como força condicionante. A objetividade do mundo o seu caráter de coisa ou objeto e a condição humana complementam-se uma à outra; por ser uma existência condicionada, a existência humana seria impossível sem as coisas, e estas seriam um amontoado de artigos incoerentes, um não mundo, se esses artigos não fossem condicionantes da existência humana. ARENDT, Hannah. A Condição Humana. Tradução de Roberto Raposo: Editora da Universidade de São Paulo, 1981. pp. 15-17 (texto adaptado). 5Quando se analisa o pensamento político pós-clássico, muito se pode aprender verificando-se qual das duas versões bíblicas da criação é citada. Assim, é típico da diferença entre os ensinamentos de Jesus de Nazareth e de Paulo o fato de que Jesus, discutindo a relação entre marido e mulher, refere-se a Gênesis 1:27 Não tendes lido que quem criou o homem desde o princípio fê-los macho e fêmea (Mateus 19:4), enquanto Paulo, em ocasião semelhante, insiste em que a mulher foi criada do homem e, portanto, para o homem, embora em seguida atenue um pouco a dependência: nem o varão é sem mulher, nem a mulher sem o varão (1 Cor.11:8-12). A diferença indica muito mais que uma atitude diferente em relação ao papel da mulher. Para Jesus, a fé era intimamente relacionada com a ação; para Paulo, a fé relacionava-se, antes de mais nada, com a salvação. Especialmente interessante a este respeito é Agostinho (De civitate Dei xii.21), que não só desconsidera inteiramente o que é dito em Gênesis 1:27, mas vê a diferença entre o homem e o animal no fato de ter sido o homem criado unum ac singulum, enquanto se ordenou aos animais que passassem a existir vários de uma só vez (plura simul iussit existere). Para Agostinho, a história da criação constitui boa oportunidade para salientar-se o caráter de espécie da vida animal, em oposição à singularidade da existência humana. (Ime 2018) 13 de junho... Vesti as crianças e eles foram para a escola. Eu fui catar papel. No frigorifico vi uma mocinha comendo salchichas do lixo. Você pode arranjar um emprego e levar uma vida reajustada. Ela perguntou-me se catar papel ganha dinheiro. Afirmei que sim. Ela disse-me que quer um serviço para andar bem bonita. Ela está com 15 anos. Época que achamos o mundo maravilhoso. Época em que a rosa desabrocha. Depois vai caindo pétala por pétala e surgem os espinhos. Uns cançam da vida, suicidam. Outros passam a roubar. () Olhei o rosto da mocinha. Está com boqueira. ... Os preços aumentam igual as ondas do mar. Cada qual mais forte. Quem luta com as ondas? Só os tubarões. Mas o tubarão mais feroz é o racional. É o terrestre. É o atacadista. A lentilha está a 100 cruzeiros o quilo. Um fato que alegrou-me imensamente. Eu dancei, cantei e pulei. E agradeci o rei dos juizes que é Deus. Foi em janeiro quando as águas invadiu os armazéns e estragou os alimentos. Bem feito. Em vez de vender barato, guarda esperando alta de preços: Vi os homens jogar sacos de arroz dentro do rio. Bacalhau, queijo, doces. Fiquei com inveja dos peixes que não trabalham e passam bem. JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo: diário de uma favelada2. São Paulo: Ática, 2014. p. 60. 2Quarto de despejo é uma edição dos diários de Carolina Maria de Jesus, migrante do Sacramento, Minas Gerais, onde estudou apenas dois anos numa escola primária. Mãe solteira e moradora da primeira grande favela de São Paulo, a Canindé, que foi desocupada em meados dos anos 1960 para a construção da Marginal do Tietê. Seu diário se transformou num Best-seller traduzido para 13 línguas (trecho da apresentação escrita pelo jornalista Audálio Dantas na obra referenciada). Tomando por base os quatro textos apresentados nesta prova, produza um texto dissertativo-argumentativo discorrendo sobre a ação como prática fundadora das sociedades. Reflita sobre a condição dos, nas palavras da autora do texto A condição humana, recém-chegados ao mundo, tanto em sua condição inicial de estranhos quanto nos condicionamentos adquiridos ao longo da existência. Em sua reflexão, leve em conta que esses recém-chegados, sejam eles oriundos de classes mais ou menos abastadas, deixarão suas marcas no mundo e que essas, na maior parte dos casos, serão um reflexo de uma repetição de práticas arraigadas entre humanos.

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[IME- 2016/2017 - 2a fase] PRODUO DE TEXTO Podemos observar, ao longo da histria, o carter inovador das artes e das cincias, em geral. Artes e cincias, no entanto, no abrem mo daquilo que j foi pensado. a capacidade de lanar um olhar crtico e, ao mesmo tempo, inovador que determinar a originalidade dessa produo. Na arte, assim como na cincia, podemos dizer que h uma constante ressignificao, sem o que uma e outra (arte e cincia) deixariam de existir: preciso inovar, sempre. A busca pela novidade quase uma imposio na maioria das sociedades, sendo mesmo uma cobrana do prprio indivduo a si mesmo. Apesar de estarmos vivenciando constantes mudanas, fcil perceber que o homem no est jamais satisfeito. A partir das ideias desencadeadas nesta prova, produza um texto dissertativo-argumentativo discorrendo sobre a insatisfao quase perene que conduz a histria da humanidade. Em sua escrita, atente para as seguintes consideraes: privilegie a norma culta da lngua portuguesa. Eventuais equvocos morfossintticos, erros de regncia, concordncia, coeso e coerncia, bem como desvios da grafia vigente e a no observncia das regras de acentuao sero penalizados; seu texto dever ter entre 25 (vinte e cinco) a 30 (trinta) linhas.

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(IME 2015) Texto 1 O MENINO QUE TINHA MEDO DE POESIA (Pedro Gabriel Março de 2014) ─ Mãe, acho que tem um poema debaixo da minha cama! Quando menino, a poesia me assustava. Parecia ter dentes afiados, pernas desajeitadas, mãos opressoras. E nem as mãos da professora mais dócil conseguiam me acalmar.Não compreendia uma palavra, uma metáfora, uma rima pobre, rica ou rara. Não entendia nada. Tentava adivinhar o que o poeta queria dizer com aquela frase entupida de imagens e sentidos subjetivos. Achava-me incapaz de pertencer àquilo. Não conseguia mergulhar naquele mundo. Eu, sem saber nadar em versos, afogava-me na incompreensão de um soneto; ela a tão sagrada poesia não me afagava e me deixava morrer na praia, entre um alexandrino e um heptassílabo. Toda vez que eu era obrigado a decorar poesia, sentia vontade de sumir, de virar um móvel e ficar imóvel até tudo se acabar. Por dentro, sentia azia, taquicardia, asma espontânea, tremelique e gagueira repentina. Por fora, fingia que estava tudo bem. Eu sempre escolhia o poema mais curto da lista que a escola sugeria. Naquele dia, sobrou Pneumotórax, de Manuel Bandeira, e eu queria ser aquele paciente para não precisar declamá-lo. Eu queria tossir, repetir sem parar: trinta e três Trinta e três Ter uma doença pequena, uma desculpa qualquer, um atestado médico assinado pelo meu avô que me deixasse em casa não a semana toda, mas só o tempo da aula. Depois, para a prova de francês, não tive escolha: fui obrigado a decorar Le dormeur du Val, de Rimbaud. Eu lembro que, antes de ficar em pé de frente para o meu professor, eu queria que alguém me desse dois tiros no peito. Queria ser esse soldado e dormir, tranquilo, na paz celestial daquele vale até que a turma toda esquecesse a minha existência. Ou que a guerra fosse declarada finda. Ou que eu fosse declamado culpado. A Primeira Guerra Mundial parecia durar menos do que aqueles 15 minutos de exame. Minha boca está seca até hoje. Minhas mãos estão molhadas até agora. Só eu sei o que suei por você, querida Poesia. Aos 17, a poesia ainda me apavorava. Podia ser o verso mais delicado do mundo, eu tinha medo. Podia ser o poeta mais simpático da face da Terra, eu desconfiava. Desconversava, lia outra coisa. Ou não lia nada. Talvez por não querer entendê-la. Talvez por achar não merecê-la. E assim ficava à mercê da minha rebeldia. Não queria aprender a contar sílabas, queria ser verso livre. Tolo! Até a liberdade exige teoria! Se hoje eu pudesse falar com aquele menino, diria-lhe que a poesia não é nenhum decassílabo de sete cabeças. Que se ela o assusta é porque ela o deseja. Que se ele sente medo é porque ele precisa dela. Não há mais monstro debaixo da sua cama. O monstro agora está em você. - Filho, acho que tem um poema por dentro de quem você ama Disponível em: . (texto adaptado) Acesso em: 29 Abr 2014 Texto 2 A MULHER QUE NÃO SENTE MEDO DE ABSOLUTAMENTE NADA (Jeanna Bryner Dezembro de 2010) Você gostaria de não sentir medo? Pelo menos uma pessoa no mundo não tem medo de nada: uma mulher de 44 anos, que até ajudou pesquisadores a identificarem o local em que vive o fator medo no cérebro humano. Os pesquisadores tentaram inúmeras vezes assustar a mulher: casas mal-assombradas, onde monstros tentaram evocar uma reação de rejeição, aranhas e cobras, e uma série de filme de terror apenas entreteram a paciente. A mulher tem uma doença rara chamada síndrome de Urbach-Wiethe que destruiu sua amígdala. A amígdala é uma estrutura em forma de amêndoa situada no fundo do cérebro. Nos últimos 50 anos, estudos mostraram que ela tem um papel central na geração de respostas de medo em diferentes animais. Agora, o estudo envolvendo essa paciente é o primeiro a confirmar que essa região do cérebro é responsável pelo medo nos seres humanos. A descoberta pode levar a tratamentos para transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Tratamentos de psicoterapia que seletivamente amorteçam a hiperatividade na amígdala podem curar pacientes com TEPT. Estudos anteriores com a mesma paciente revelaram que ela não conseguia reconhecer expressões faciais de medo, mas não se sabia se ela tinha a capacidade de sentir medo. Para descobrir, os pesquisadores deram vários questionários padronizados à paciente, que sondaram os diferentes aspectos do medo, desde o medo da morte até o medo de falar em público. Além disso, durante três meses ela carregou um diário que informatizava sua emoção, e que, aleatoriamente, pedia-lhe para classificar o seu nível de medo ao longo do dia. O diário também indicava emoções que ela estava sentindo em uma lista de 50 itens. Sua pontuação média de medo foi de 0%, enquanto para outras emoções ela mostrou funcionamento normal. Em todos os cenários, ela não mostrou nenhum medo. Baseado no seu passado, os pesquisadores encontraram muitas razões para ela reagir com medo. Ela própria contou que não gosta de cobras, mas quando entrou em contato com duas, não sentiu medo. Além disso, já lhe apontaram facas e armas, ela foi fisicamente abordada por uma mulher duas vezes seu tamanho, quase morreu em um ato de violência doméstica, e em mais de uma ocasião foi explicitamente ameaçada de morte. O que mais se sobressai é que, em muitas destas situações a vida da paciente estava em perigo, mas seu comportamento foi desprovido de qualquer senso de desespero ou urgência. E quando ela foi convidada a lembrar como se sentiu durante as situações, respondeu que não sentiu medo, mas que se sentia chateada e irritada com o que aconteceu. Segundo os pesquisadores, sem medo, pode-se dizer que o sofrimento dela não tem a intensidade profunda e real suportada por outros sobreviventes de traumas. Essencialmente, devido aos danos na amígdala, a mulher está imune aos efeitos devastadores do transtorno de estresse pós-traumático. Mas há uma desvantagem: ela tem uma incapacidade de detectar e evitar situações ameaçadoras, o que provavelmente contribuiu para a frequência com que ela enfrentou riscos. Os pesquisadores dizem que esse tipo de paciente é muito raro, mas para entender melhor o fenômeno, seria ótimo estudar mais pessoas com a condição. Disponível em:http://hypescience.com (texto adaptado de http://www.livescience.com). Acesso em: 29 Abr 2014 2 Texto 3 CONSOADA (Manuel Bandeira) Quando a Indesejada das gentes chegar (Não sei se dura ou caroável), Talvez eu tenha medo. Talvez sorria, ou diga: Alô, iniludível! O meu dia foi bom, pode a noite descer. (A noite com os seus sortilégios.) Encontrará lavrado o campo, a casa limpa, A mesa posta, Com cada coisa em seu lugar. Disponível em: http://www.poesiaspoemaseversos.com.br Acesso em: 29 Abr 2014. Texto 4 AUTOSSABOTAGEM: O MEDO DE SER FELIZ (Raphaela de Campos Mello Outubro de 2012) A cada passo dado você sente que a felicidade se afasta alguns metros? Talvez esteja, inconscientemente, queimando chances de se realizar. Repense as próprias atitudes para interromper esse ciclo destrutivo. Por medo dos riscos e das responsabilidades da vida, podemos acabar inconscientemente com as nossas realizações. Isso se chama autossabotagem. São atitudes forjadas por uma parte de nós que não nos vê como merecedoras do sucesso ou que subestima nossa capacidade de lidar com a vitória. Pode ser aquela espinha que apareceu no nariz no dia daquele encontro especial ou da gripe que a pegou na véspera daquela importante reunião. Muitos desses comportamentos destrutivos estão quase fora do domínio da consciência, afirma o psicólogo americano Stanley Rosner, coautor do livro O Ciclo da AutoSabotagem - Por Que Repetimos Atitudes que Destroem Nossos Relacionamentos e Nos Fazem Sofrer (ed. BestSeller). A autonomia, a independência e o sucesso são apavorantes para algumas pessoas porque indicam que elas não poderão mais argumentar que suas necessidades precisam ser protegidas, diz o autor. O filósofo e psicanalista paulista Arthur Meucci, coautor de A Vida Que Vale a Pena Ser Vivida (ed. Vozes) comenta sobre os ganhos secundários. Há jovens que saem de casa para tentar a vida, enquanto outros permanecem na zona de conforto, porque continuam recebendo atenção dos pais e se eximem de enfrentar as dificuldades da fase adulta, afirma. O problema é que, ao fazermos isso, não nos desenvolvemos plenamente. Todo mundo busca a felicidade, a questão é ter coragem de viver, o que significa correr riscos e assumir responsabilidades, diz ele. Disponível em: http://exame.abril.com.br/estilo-de-vida/noticias/autossabotagem-o-medo-deser-feliz. (Texto adaptado). Acesso em 29 Abr 2014 Texto 5 O QUASE (Sarah Westphal Batista da Silva) Ainda pior que a convicção do não, e a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu ainda está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor, não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos na frouxidão dos abraços, na indiferença dos Bom Dia quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência, porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu. Disp. em: . Acesso em: 29 Abr 2014. TEMA Considerando os textos que compõem essa prova, elabore um texto dissertativo- argumentativo em que você discorra sobre como o medo pode ser um aliado. Instruções: 1 - Redija seu texto em prosa, de acordo com a norma culta escrita da língua portuguesa; 2 - Redija um texto de 25 (mínimo) a 35 linhas (máximo); 3 - Atribua um título a seu texto; 4 - Seu texto definitivo deverá ser escrito a tinta azul ou preta. Não serão considerados, para fins de correção, textos escritos a lápis; e 5 - Não copie trechos dos textos apresentados.

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2015Redação

(IME-2015) PRODUÇÃO DE TEXTO (REDAÇÃO) BLOG OLHAR CONSCIENTE. Disponível em: Acesso em 19 mai 2015. Levando em consideração os textos desta prova e a imagem acima apresentada, reflita sobre as repercussões de nossas escolhas frente ao mundo, sejam elas as consideradas pequenas escolhas, como aquilo que consumimos no cotidiano, sejam elas as consideradas de maior impacto diante da vida, por envolverem diretamente outras pessoas. Após refletir, elabore seu texto dissertativo-argumentativo no espaço a ele designado. Em sua escrita, atente para as seguintes considerações: 1. privilegie a norma culta da língua portuguesa. Eventuais equívocos morfo-sintáticos que configurem desvios da norma culta vigente relacionados à regência, concordância, coesão e coerência, ortografia e acentuação serão penalizados; 2. a escrita definitiva de seu texto deve ser feita a caneta. Textos escritos a lápis não serão considerados para fins de correção; 3. seu texto deverá ter entre 25 (vinte e cinco) e 30 (trinta) linhas.

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2014Redação

[IME- 2014/2015 - 2 fase] PRODUO DE TEXTO (REDAO) ---- ---- ---- PROPOSTADE REDAO

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2014Redação

(IME-2014) PRODUÇÃO DE TEXTO (REDAÇÃO) TEMA: Considerando os textos que compõem essa prova, elabore um texto dissertativo-argumentativo em que você discorra sobre como o medo pode ser um aliado. Instruções: 1 - Redija seu texto em prosa, de acordo com a norma culta escrita da língua portuguesa; 2 - Redija um texto de 25 (mínimo) a 35 linhas (máximo); 3 - Atribua um título a seu texto; 4 - Seu texto definitivo deverá ser escrito a tinta azul ou preta. Não serão considerados, para fins de correção, textos escritos a lápis; 5 - Não copie trechos dos textos apresentados.

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2013Redação

(IME-2013)Os dois textos que seguem procuram despertar uma reflexão a propósito do tema desta prova. Leia-os atentamente. TEXTO 1 Escola troca seguranças por professores de artes e melhora desempenho de alunos Cercado por crianças indisciplinadas e pelo aumento de violência dentro das salas de aula, o diretor de uma escola pública de Ensino Médio da cidade de Boston, nos Estados Unidos, tomou uma medida que, à primeira vista, pareceu loucura: ele demitiu todos os funcionários da segurança e, com o dinheiro, reinvestiu contratando professores de arte. Em menos de três anos, o colégio Orchard Gardens, que figurava entre os cinco piores do estado de Massachusetts, tornou-se uma das unidades onde houve maior salto de qualidade no aprendizado de alunos. O segredo? - Não há um único jeito de se fazer uma tarefa. E a arte te ajuda a compreender isso. Se você levar isso a sério, o mesmo acontecerá na parte acadêmica e em outras áreas. Eles precisam mais do que um teste preparatório e mais do que simplesmente responder de um jeito uma questão disse à rede de TV NBC o diretor Andrew Bott, o sexto a gerir a unidade em menos de sete anos. Ao assumir a direção da Orchard Gardens em 2010, Bott chegou a ouvir de seus colegas que a escola era conhecida como a matadora de carreiras dentro da rede estadual de Massachusetts Construída em 2003 para ser uma referência no mundo das artes, a Orchard Gardens nunca alcançou esse objetivo. O estúdio de dança era usado como depósito, e instrumentos de orquestra estavam praticamente intactos. A violência chegou a tal ponto que alunos foram proibidos de levar mochilas. Tudo para se reduzir a incidência de armas em sala de aula. Cerca de 56% dos mais de 800 alunos da escola são descendentes de latinos, e outros 42% são considerados negros. Mas com a substituição de seguranças por professores de arte, as paredes dos corredores viraram muros de exposição, os entulhos no estúdio deram espaço às aulas de dança e a orquestra voltou a tocar. De acordo com Bott, o contato com as artes deixou os alunos mais motivados e com maior espírito de empreendedorismo. Um dos alunos, Keyvaughn Little, conseguiu ser aceito na disputada Academia de Artes de Boston, única escola pública do estado especializada em artes visuais e performance. Todas as aulas extra-classe e a maior atenção que recebemos nos faz pensar eu realmente posso ter um futuro nisso e não preciso ir para uma escola regular. Posso ir para uma escola de artes afirmou Keyvaughn à NBC. O GLOBO.Escola troca seguranças por professores de artes e melhora desempenho de alunos. Disponível em: http://oglobo.globo.com/educacao/escola-troca-segurancas-porprofessores-de-artes-melhora-desempenho-de-alunos-8267206. Acesso em 22 mai 2013. TEXTO 2 O texto a seguir é um pequeno recorte de entrevista concedida por Hélène Grimaud, pianista francesa de renome internacional, à jornalista Josée Dupuis. Além de pianista, Hélène Grimaud é também autora de dois livros. Josée Dupuis: Eu li no seu livro Variação Selvagem que o piano a salvou, que se você não fosse pianista teria se tornado delinquente. É verdade isso? Hélène Grimaud: Desde pequena ouvi meus pais falarem sobre o que os psicanalistas diziam a meu respeito. Eu era intransigente e de uma tal intensidade que foi necessário o recurso às artes. Eu tenho consciência de que as coisas não teriam sido nada fáceis para mim, se eu não tivesse sido apresentada à música, porque nada me bastava e daí vinha minha inadaptação à escola: eu interrompia as aulas com perguntas que não tinham nada a ver com o programa, havia sempre essa inquietação que me caracterizava; foi a música que me permitiu ver horizontes e profundidades insondáveis. Finalmente encontrei uma atividade apropriada a meu desenvolvimento em toda sua intensidade. (...) Eu sempre me vi pensando sobre o papel de um artista na sociedade. E me parecia ser um papel um tanto irrisório à medida que diante da miséria do mundo a arte torna-se um luxo. Eu precisei de muito tempo para me reconciliar com o fato de que a arte não deve ser encarada como um luxo, mas como uma necessidade. Entrevista concedida ao Canal 5 da França, disponível em: http://www.youtube.com/ watch?v=g8_3jrjGAxg. Transcrição, adaptação e tradução de Célia Câmara de Araújo, Maj QCO. Acesso em 15 mai 2013. Questão única produção de texto: O conhecimento e nossa capacidade de articular as mais diversas áreas do saber é uma das facetas que nos diferencia de outras espécies no mundo. Algumas maneiras de conhecer, no entanto, são vistas, em determinados ambientes, como se fossem de segunda ordem, as artes dentre elas. A partir das reflexões suscitadas pelos textos desta prova, discorra em texto argumentativo-dissertativo sobre a necessidade de se perceber a interconexão entre os diversos campos do conhecimento a fim de se atingir o pleno desenvolvimento de nossas capacidades. Instruções: 1. Não copie trechos dos textos desta prova. 2. Redija seu texto em prosa, de acordo com a norma culta escrita da língua portuguesa. 3. Redija um texto de 25 (mínimo) a 35 linhas (máximo). 4. Atribua um título a seu texto. 5. Seu texto definitivo deverá ser escrito a tinta azul ou preta. Não serão considerados textos escritos a lápis para fins de correção.

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2013Redação

(IME 2013) --- PROPOSTA DE REDAÇÃO

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2012Redação

[IME - 2012/2013 - 2a fase] PRODUO DE TEXTO (REDAO) Produo de texto dissertativo-argumentativo. Leia atentamente o fragmento extrado do texto I: Apesar de ser atraente, o zero no foi recebido de braos abertos pela Europa, quando apareceu por l, levado pelos rabes. surpreendente ver quanta resistncia a noo de zero encontrou: o medo do novo e do desconhecido, supersties sobre o nada relacionadas ao diabo, uma relutncia em pensar, diz o matemtico americano Robert Kaplan, autor do livro The Nothing That Is (O Nada que Existe, recm-lanado no Brasil) e orientador de um grupo de estudos sobre a matemtica na Universidade Harvard. O receio diante do zero vem desde a Idade Mdia. Os povos medievais o ignoravam solenemente. Com o zero, qualquer um poderia fazer contas, diz Ana Maria. Os matemticos da poca achavam que popularizar o clculo era o mesmo que jogar prolas aos porcos. Seria uma revoluo. Considerando o trecho acima, reflita sobre a divulgao do conhecimento como meio de transformao social. A partir de sua reflexo, elabore um texto dissertativo-argumentativo em que voc discorra sobre as transformaes sociais ocorridas a partir do investimento em educao. Utilize informaes e argumentos que deem consistncia a seu ponto de vista. Instrues: 1. No copie trechos dos textos nem do fragmento de texto apresentado. 2. Redija seu texto em prosa, de acordo com a norma culta escrita da lngua portuguesa. 3. Redija um texto de 25 (mnimo) a 35 linhas (mximo). 4. Atribua um ttulo a seu texto. Essa produo de texto DEVER ser realizada no CADERNO DE SOLUES.

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2011Redação

[IME - 2011/2012 - 1a fase] PRODUO DE TEXTO (REDAO) Instrues: No copie trechos dos textos nem dos fragmentos de textos apresentados. Redija seu texto em prosa, de acordo com a norma culta escrita da lngua portuguesa. Redija um texto de 25 (mnimo) a 35 linhas (mximo). Atribua um ttulo a seu texto. Considerando a coletnea de textos apresentada nesta prova, a definio da palavra abaixo e o poema de Cames a seguir, reflita sobre a ideia de mudana a que eles remetem. A partir de sua reflexo, elabore um texto dissertativo-argumentativo em que voc discorra sobre a necessidade inerente ao ser humano de estar em contnua mudana, seja no aspecto psicolgico, social, cientfico ou tecnolgico, e sua consequente necessidade de adaptao a essas mudanas. Utilize informaes e argumentos que deem consistncia a seu ponto de vista. Definio Mudana: substantivo feminino. 1.Algo que sai da condio, estado natural daquele em que se encontrava; 2.Modificao parcial ou total de algo; transformao; 3.Transferncia para outro local; 4.Troca de uma coisa por outra; 5.Alterao nociva das caractersticas de algo, desfigurao; deturpao; 6.Retirada da posio original ou daquela em que estava; remoo. HOUAISS, Antnio; VILLAR, Mauro de Salles; FRANCO, Francisco Manoel de Mello. Dicionrio Houaiss da Lngua Portuguesa. 2.ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2004.(Adaptado) MUDAM-SE OS TEMPOS, MUDAM-SE AS VONTADES Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, Muda-se o ser, muda-se a confiana; Todo o mundo composto de mudana, Tomando sempre novas qualidades. Continuamente vemos novidades, Diferentes em tudo da esperana; Do mal ficam as mgoas na lembrana, E do bem, se algum houve, as saudades. O tempo cobre o cho de verde manto, Que j coberto foi de neve fria, E em mim converte em choro o doce canto. E, afora este mudar-se cada dia, Outra mudana faz de mor espanto: Que no se muda j como soa. CAMES, Lus Vaz de. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Disponvel em http://pt.wikisource.org/wiki/Mudam-se_os_tempos_mudam-se_as_vontades. Acesso em 20 jun 2011. Glossrio soer: verbo 1.ser comum, frequente; costumar; 2.ter por hbito. HOUAISS, Antnio; VILLAR, Mauro de Salles; FRANCO, Francisco Manoel de Mello. Dicionrio Houaiss da Lngua Portuguesa. 2.ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2004.(Adaptado)

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