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VestibularEdição do vestibular
Disciplina

(UFU - 2017 - 1 FASE)[Siqueleto] encara os prision

(UFU - 2017 - 1ª FASE)

[Siqueleto] encara os prisioneiros com um só olho enquanto fala na língua local. Tuahir traduz:

– Ele diz que nos vai semear.

– Semear?

[...]

Muidinga, então, se excede. Grita. O velho aldeão se atenta para escutar, através da tradução de Tuahir. [...]

Mas o desdentado aldeão já anoitecera, queixo no peito. Seu mundo já era esse que Tuahir anunciara, de extensos sossegos. O próprio Muidinga está como se encantado com as palavras de Tuahir. Não é a estória que o fascina mas a alma que está nela. E ao ouvir os sonhos de Tuahir, com os ruídos da guerra por trás, ele vai pensando: “não inventaram ainda uma pólvora suave, maneirosa, capaz de explodir os homens sem lhes matar. [...]

Por um buraco da rede Muidinga consegue retirar um braço. Apanha um pau e escreve no chão.

– Que desenhos são esses?, pergunta Siqueleto.

– É o teu nome, responde Tuahir.

– Esse é o meu nome?

O velho desdentado se levanta e roda em volta da palavra. Está arregalado. [...] Solta Tuahir e Muidinga das redes. São conduzidos pelo mato, para lá do longe. Então, frente a uma grande árvore, Siqueleto ordena algo que o jovem não entende.

– Está a mandar que escrevas o nome dele.

[...] No tronco Muidinga grava letra por letra o nome do velho. Ele queria aquela árvore para parteira de outros Siqueletos, em fecundação de si. [...]

– Agora podem-se ir embora. A aldeia vai continuar, já meu nome está no sangue da árvore.

COUTO, Mia. Terra sonâmbula. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p.63-67. (Adaptado)

 

Terra sonâmbula trata da guerra civil em Moçambique pós-independência. O autor tece uma escrita em que ocorre a todo o momento o contato do antigo com o novo, das gerações antigas com as novas. Por meio desses contatos, com a finalidade de que a nação sobreviva, compreende-se que a obra propõe

A

um conhecimento ancestral sobreposto ao costume moderno.

B

uma relação de interdependência entre a geração antiga e a nova.

C

uma unificação por meio da língua para a harmonia entre as gerações.

D

uma condescendência das novas gerações para com as antigas gerações.