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Questões de português - IME

Questão 1
2019PortuguêsÚnico

(IME 2019 - 2ª fase) Texto 1 BECOS DE GOIÁS 1 Beco da minha terra...   Amo tua paisagem triste, ausente e suja.   Teu ar sombrio. Tua velha umidade andrajosa.   Teu lodo negro, esverdeado, escorregadio. 5 E a réstia de sol que ao meio-dia desce, fugidia,   e semeia polmes dourados no teu lixo pobre,   calçando de ouro a sandália velha,   jogada no teu monturo.       Amo a prantina silenciosa do teu fio de água, 10 descendo de quintais escusos   sem pressa,   e se sumindo depressa na brecha de um velho cano.   Amo a avenca delicada que renasce   na frincha de teus muros empenados, 15 e a plantinha desvalida, de caule mole   que se defende, viceja e floresce   no agasalho de tua sombra úmida e calada.       Amo esses burros-de-lenha   que passam pelos becos antigos. Burrinhos dos morros, 20 secos, lanzudos, malzelados, cansados, pisados.   Arrochados na sua carga, sabidos, procurando a sombra,   no range-range das cangalhas.       E aquele menino, lenheiro ele, salvo seja.   Sem infância, sem idade. 25 Franzino, maltrapilho,   pequeno para ser homem,   forte para ser criança.   Ser indefeso, indefinido, que só se vê na minha cidade.       Amo e canto com ternura 30 todo o errado da minha terra.   Becos da minha terra,   discriminados e humildes,   lembrando passadas eras...       Beco do Cisco. 35 Beco do Cotovelo.   Beco do Antônio Gomes.   Beco das Taquaras.   Beco do Seminário.   Bequinho da Escola. 40 Beco do Ouro Fino.   Beco da Cachoeira Grande.   Beco da Calabrote.   Beco do Mingu.   Beco da Vila Rica...     45 Conto a estória dos becos,   dos becos da minha terra,   suspeitos... mal afamados   onde família de conceito não passava.   “Lugar de gentinha” - diziam, virando a cara.     50 De gente do pote d’água.   De gente de pé no chão.   Becos de mulher perdida.   Becos de mulheres da vida.   Renegadas, confinadas 55 na sombra triste do beco.   Quarto de porta e janela.   Prostituta anemiada,   solitária, hética, engalicada,   tossindo, escarrando sangue 60 na umidade suja do beco.       Becos mal assombrados.   Becos de assombração...   Altas horas, mortas horas...   Capitão-mor - alma penada, 65 terror dos soldados, castigado nas armas.   Capitão-mor, alma penada,   num cavalo ferrado,   chispando fogo,   descendo e subindo o beco, 70 comandando o quadrado - feixe de varas...   Arrastando espada, tinindo esporas...   Mulher-dama. Mulheres da vida,   perdidas,   começavam em boas casas, depois, 75 baixavam pra o beco.   Queriam alegria. Faziam bailaricos.    Baile Sifilítico - era ele assim chamado.   O delegado-chefe de Polícia - brabeza -   dava em cima... 80 Mandava sem dó, na peia.   No dia seguinte, coitadas,   cabeça raspada a navalha,   obrigadas a capinar o Largo do Chafariz,   na frente da Cadeia.     85 Becos da minha terra...   Becos de assombração.   Românticos, pecaminosos...   Têm poesia e têm drama.   O drama da mulher da vida, antiga, 90 humilhada, malsinada.   Meretriz venérea,   desprezada, mesentérica, exangue.   Cabeça raspada a navalha,   castigada a palmatória, 95 capinando o largo,   chorando. Golfando sangue.       (ÚLTIMO ATO)       Um irmão vicentino comparece.   Traz uma entrada grátis do São Pedro de Alcântara. 100 Uma passagem de terceira no grande coletivo de São Vicente.   Uma estação permanente de repouso - no aprazível São Miguel.       Cai o pano.   CORALINA, Cora. Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais. 21a ed. - São Paulo: Global Editora, 2006.   Texto 2 O ELEFANTE 1 Fabrico um elefante   de meus poucos recursos.   Um tanto de madeira   tirado a velhos móveis 5 talvez lhe dê apoio.   E o encho de algodão,   de paina, de doçura.   A cola vai fixar   suas orelhas pensas. 10 A tromba se enovela,   é a parte mais feliz   de sua arquitetura.       Mas há também as presas,   dessa matéria pura 15 que não sei figurar.   Tão alva essa riqueza   a espojar-se nos circos   sem perda ou corrupção.   E há por fim os olhos, 20 onde se deposita   a parte do elefante   mais fluida e permanente,   alheia a toda fraude.       Eis o meu pobre elefante 25 pronto para sair   à procura de amigos   num mundo enfastiado   que já não crê em bichos   e duvida das coisas. 30 Ei-lo, massa imponente   e frágil, que se abana   e move lentamente   a pele costurada   onde há flores de pano 35 e nuvens, alusões   a um mundo mais poético   onde o amor reagrupa   as formas naturais.       Vai o meu elefante 40 pela rua povoada,   mas não o querem ver   nem mesmo para rir   da cauda que ameaça   deixá-lo ir sozinho.     45 É todo graça, embora   as pernas não ajudem   e seu ventre balofo   se arrisque a desabar   ao mais leve empurrão. 50 Mostra com elegância   sua mínima vida,   e não há cidade   alma que se disponha   a recolher em si 55 desse corpo sensível   a fugitiva imagem,   o passo desastrado   mas faminto e tocante.   Mas faminto de seres 60 e situações patéticas,   de encontros ao luar   no mais profundo oceano,   sob a raiz das árvores   ou no seio das conchas, 65 de luzes que não cegam   e brilham através   dos troncos mais espessos.   Esse passo que vai   sem esmagar as plantas 70 no campo de batalha,   à procura de sítios,   segredos, episódios   não contados em livro,   de que apenas o vento, 75 as folhas, a formiga   reconhecem o talhe,   mas que os homens ignoram,   pois só ousam mostrar-se   sob a paz das cortinas 80 à pálpebra cerrada.       E já tarde da noite   volta meu elefante,   mas volta fatigado,   as patas vacilantes 85 se desmancham no pó.   Ele não encontrou   o de que carecia,   o de que carecemos,   eu e meu elefante, 90 em que amo disfarçar-me.   Exausto de pesquisa,   caiu-lhe o vasto engenho   como simples papel.   A cola se dissolve 95 e todo o seu conteúdo   de perdão, de carícia,   de pluma, de algodão,   jorra sobre o tapete,   qual mito desmontado. 100 Amanhã recomeço.   ANDRADE, Carlos Drummond de. O Elefante. 9ª ed. - São Paulo: Editora Record, 1983. Sabe-se que o prefixo de negação “in”, na língua portuguesa, pode assumir diferentes formas, de acordo com a ocorrência dos fenômenos de assimilação e mesmo de dissimilação. Assinale a opção em que o significado do prefixo “in” difere do sentido encontrado nas palavras “indefeso” e “indefinido” no verso abaixo transcrito: “Ser indefeso, indefinido, que só se vê na minha cidade.” (texto 1, verso 28)

Questão 2
2019PortuguêsÚnico

(IME 2019 - 2ª fase) Texto 1 BECOS DE GOIÁS 1 Beco da minha terra...   Amo tua paisagem triste, ausente e suja.   Teu ar sombrio. Tua velha umidade andrajosa.   Teu lodo negro, esverdeado, escorregadio. 5 E a réstia de sol que ao meio-dia desce, fugidia,   e semeia polmes dourados no teu lixo pobre,   calçando de ouro a sandália velha,   jogada no teu monturo.       Amo a prantina silenciosa do teu fio de água, 10 descendo de quintais escusos   sem pressa,   e se sumindo depressa na brecha de um velho cano.   Amo a avenca delicada que renasce   na frincha de teus muros empenados, 15 e a plantinha desvalida, de caule mole   que se defende, viceja e floresce   no agasalho de tua sombra úmida e calada.       Amo esses burros-de-lenha   que passam pelos becos antigos. Burrinhos dos morros, 20 secos, lanzudos, malzelados, cansados, pisados.   Arrochados na sua carga, sabidos, procurando a sombra,   no range-range das cangalhas.       E aquele menino, lenheiro ele, salvo seja.   Sem infância, sem idade. 25 Franzino, maltrapilho,   pequeno para ser homem,   forte para ser criança.   Ser indefeso, indefinido, que só se vê na minha cidade.       Amo e canto com ternura 30 todo o errado da minha terra.   Becos da minha terra,   discriminados e humildes,   lembrando passadas eras...       Beco do Cisco. 35 Beco do Cotovelo.   Beco do Antônio Gomes.   Beco das Taquaras.   Beco do Seminário.   Bequinho da Escola. 40 Beco do Ouro Fino.   Beco da Cachoeira Grande.   Beco da Calabrote.   Beco do Mingu.   Beco da Vila Rica...     45 Conto a estória dos becos,   dos becos da minha terra,   suspeitos... mal afamados   onde família de conceito não passava.   “Lugar de gentinha” - diziam, virando a cara.     50 De gente do pote d’água.   De gente de pé no chão.   Becos de mulher perdida.   Becos de mulheres da vida.   Renegadas, confinadas 55 na sombra triste do beco.   Quarto de porta e janela.   Prostituta anemiada,   solitária, hética, engalicada,   tossindo, escarrando sangue 60 na umidade suja do beco.       Becos mal assombrados.   Becos de assombração...   Altas horas, mortas horas...   Capitão-mor - alma penada, 65 terror dos soldados, castigado nas armas.   Capitão-mor, alma penada,   num cavalo ferrado,   chispando fogo,   descendo e subindo o beco, 70 comandando o quadrado - feixe de varas...   Arrastando espada, tinindo esporas...   Mulher-dama. Mulheres da vida,   perdidas,   começavam em boas casas, depois, 75 baixavam pra o beco.   Queriam alegria. Faziam bailaricos.    Baile Sifilítico - era ele assim chamado.   O delegado-chefe de Polícia - brabeza -   dava em cima... 80 Mandava sem dó, na peia.   No dia seguinte, coitadas,   cabeça raspada a navalha,   obrigadas a capinar o Largo do Chafariz,   na frente da Cadeia.     85 Becos da minha terra...   Becos de assombração.   Românticos, pecaminosos...   Têm poesia e têm drama.   O drama da mulher da vida, antiga, 90 humilhada, malsinada.   Meretriz venérea,   desprezada, mesentérica, exangue.   Cabeça raspada a navalha,   castigada a palmatória, 95 capinando o largo,   chorando. Golfando sangue.       (ÚLTIMO ATO)       Um irmão vicentino comparece.   Traz uma entrada grátis do São Pedro de Alcântara. 100 Uma passagem de terceira no grande coletivo de São Vicente.   Uma estação permanente de repouso - no aprazível São Miguel.       Cai o pano. CORALINA, Cora. Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais. 21a ed. - São Paulo: Global Editora, 2006.   Os becos descritos no texto 1 denunciam lugares marginalizados, abandonados e, mais frequentemente, não amados. Assinale a opção em que o verso transcrito condiz com essa afirmativa.

Questão 3
2019PortuguêsÚnico

(IME 2019 - 2ª fase) Texto 1 BECOS DE GOIÁS 1 Beco da minha terra...   Amo tua paisagem triste, ausente e suja.   Teu ar sombrio. Tua velha umidade andrajosa.   Teu lodo negro, esverdeado, escorregadio. 5 E a réstia de sol que ao meio-dia desce, fugidia,   e semeia polmes dourados no teu lixo pobre,   calçando de ouro a sandália velha,   jogada no teu monturo.       Amo a prantina silenciosa do teu fio de água, 10 descendo de quintais escusos   sem pressa,   e se sumindo depressa na brecha de um velho cano.   Amo a avenca delicada que renasce   na frincha de teus muros empenados, 15 e a plantinha desvalida, de caule mole   que se defende, viceja e floresce   no agasalho de tua sombra úmida e calada.       Amo esses burros-de-lenha   que passam pelos becos antigos. Burrinhos dos morros, 20 secos, lanzudos, malzelados, cansados, pisados.   Arrochados na sua carga, sabidos, procurando a sombra,   no range-range das cangalhas.       E aquele menino, lenheiro ele, salvo seja.   Sem infância, sem idade. 25 Franzino, maltrapilho,   pequeno para ser homem,   forte para ser criança.   Ser indefeso, indefinido, que só se vê na minha cidade.       Amo e canto com ternura 30 todo o errado da minha terra.   Becos da minha terra,   discriminados e humildes,   lembrando passadas eras...       Beco do Cisco. 35 Beco do Cotovelo.   Beco do Antônio Gomes.   Beco das Taquaras.   Beco do Seminário.   Bequinho da Escola. 40 Beco do Ouro Fino.   Beco da Cachoeira Grande.   Beco da Calabrote.   Beco do Mingu.   Beco da Vila Rica...     45 Conto a estória dos becos,   dos becos da minha terra,   suspeitos... mal afamados   onde família de conceito não passava.   “Lugar de gentinha” - diziam, virando a cara.     50 De gente do pote d’água.   De gente de pé no chão.   Becos de mulher perdida.   Becos de mulheres da vida.   Renegadas, confinadas 55 na sombra triste do beco.   Quarto de porta e janela.   Prostituta anemiada,   solitária, hética, engalicada,   tossindo, escarrando sangue 60 na umidade suja do beco.       Becos mal assombrados.   Becos de assombração...   Altas horas, mortas horas...   Capitão-mor - alma penada, 65 terror dos soldados, castigado nas armas.   Capitão-mor, alma penada,   num cavalo ferrado,   chispando fogo,   descendo e subindo o beco, 70 comandando o quadrado - feixe de varas...   Arrastando espada, tinindo esporas...   Mulher-dama. Mulheres da vida,   perdidas,   começavam em boas casas, depois, 75 baixavam pra o beco.   Queriam alegria. Faziam bailaricos.    Baile Sifilítico - era ele assim chamado.   O delegado-chefe de Polícia - brabeza -   dava em cima... 80 Mandava sem dó, na peia.   No dia seguinte, coitadas,   cabeça raspada a navalha,   obrigadas a capinar o Largo do Chafariz,   na frente da Cadeia.     85 Becos da minha terra...   Becos de assombração.   Românticos, pecaminosos...   Têm poesia e têm drama.   O drama da mulher da vida, antiga, 90 humilhada, malsinada.   Meretriz venérea,   desprezada, mesentérica, exangue.   Cabeça raspada a navalha,   castigada a palmatória, 95 capinando o largo,   chorando. Golfando sangue.       (ÚLTIMO ATO)       Um irmão vicentino comparece.   Traz uma entrada grátis do São Pedro de Alcântara. 100 Uma passagem de terceira no grande coletivo de São Vicente.   Uma estação permanente de repouso - no aprazível São Miguel.       Cai o pano. CORALINA, Cora. Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais. 21a ed. - São Paulo: Global Editora, 2006. “Amo e canto com ternura / todo o errado da minha terra” (texto 1, versos 29 e 30). A substantivação do adjetivo “errado”, antecedido pelo determinante “o”, que aparece no trecho acima destacado do poema de Cora Coralina

Questão 4
2019PortuguêsÚnico

(IME 2019 - 2ª fase) Texto 1 BECOS DE GOIÁS 1 Beco da minha terra...   Amo tua paisagem triste, ausente e suja.   Teu ar sombrio. Tua velha umidade andrajosa.   Teu lodo negro, esverdeado, escorregadio. 5 E a réstia de sol que ao meio-dia desce, fugidia,   e semeia polmes dourados no teu lixo pobre,   calçando de ouro a sandália velha,   jogada no teu monturo.       Amo a prantina silenciosa do teu fio de água, 10 descendo de quintais escusos   sem pressa,   e se sumindo depressa na brecha de um velho cano.   Amo a avenca delicada que renasce   na frincha de teus muros empenados, 15 e a plantinha desvalida, de caule mole   que se defende, viceja e floresce   no agasalho de tua sombra úmida e calada.       Amo esses burros-de-lenha   que passam pelos becos antigos. Burrinhos dos morros, 20 secos, lanzudos, malzelados, cansados, pisados.   Arrochados na sua carga, sabidos, procurando a sombra,   no range-range das cangalhas.       E aquele menino, lenheiro ele, salvo seja.   Sem infância, sem idade. 25 Franzino, maltrapilho,   pequeno para ser homem,   forte para ser criança.   Ser indefeso, indefinido, que só se vê na minha cidade.       Amo e canto com ternura 30 todo o errado da minha terra.   Becos da minha terra,   discriminados e humildes,   lembrando passadas eras...       Beco do Cisco. 35 Beco do Cotovelo.   Beco do Antônio Gomes.   Beco das Taquaras.   Beco do Seminário.   Bequinho da Escola. 40 Beco do Ouro Fino.   Beco da Cachoeira Grande.   Beco da Calabrote.   Beco do Mingu.   Beco da Vila Rica...     45 Conto a estória dos becos,   dos becos da minha terra,   suspeitos... mal afamados   onde família de conceito não passava.   “Lugar de gentinha” - diziam, virando a cara.     50 De gente do pote d’água.   De gente de pé no chão.   Becos de mulher perdida.   Becos de mulheres da vida.   Renegadas, confinadas 55 na sombra triste do beco.   Quarto de porta e janela.   Prostituta anemiada,   solitária, hética, engalicada,   tossindo, escarrando sangue 60 na umidade suja do beco.       Becos mal assombrados.   Becos de assombração...   Altas horas, mortas horas...   Capitão-mor - alma penada, 65 terror dos soldados, castigado nas armas.   Capitão-mor, alma penada,   num cavalo ferrado,   chispando fogo,   descendo e subindo o beco, 70 comandando o quadrado - feixe de varas...   Arrastando espada, tinindo esporas...   Mulher-dama. Mulheres da vida,   perdidas,   começavam em boas casas, depois, 75 baixavam pra o beco.   Queriam alegria. Faziam bailaricos.    Baile Sifilítico - era ele assim chamado.   O delegado-chefe de Polícia - brabeza -   dava em cima... 80 Mandava sem dó, na peia.   No dia seguinte, coitadas,   cabeça raspada a navalha,   obrigadas a capinar o Largo do Chafariz,   na frente da Cadeia.     85 Becos da minha terra...   Becos de assombração.   Românticos, pecaminosos...   Têm poesia e têm drama.   O drama da mulher da vida, antiga, 90 humilhada, malsinada.   Meretriz venérea,   desprezada, mesentérica, exangue.   Cabeça raspada a navalha,   castigada a palmatória, 95 capinando o largo,   chorando. Golfando sangue.       (ÚLTIMO ATO)       Um irmão vicentino comparece.   Traz uma entrada grátis do São Pedro de Alcântara. 100 Uma passagem de terceira no grande coletivo de São Vicente.   Uma estação permanente de repouso - no aprazível São Miguel.       Cai o pano. CORALINA, Cora. Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais. 21a ed. - São Paulo: Global Editora, 2006.   “E aquele menino, lenheiro ele, salvo seja.“ (texto 1, verso 23) O modo em que se encontra o verbo ser na forma verbal acima destacada, em contraste com o modo de todas as outras formas verbais do poema, evoca

Questão 5
2019PortuguêsÚnico

(IME 2019 - 2ª fase) Texto 1 BECOS DE GOIÁS 1 Beco da minha terra...   Amo tua paisagem triste, ausente e suja.   Teu ar sombrio. Tua velha umidade andrajosa.   Teu lodo negro, esverdeado, escorregadio. 5 E a réstia de sol que ao meio-dia desce, fugidia,   e semeia polmes dourados no teu lixo pobre,   calçando de ouro a sandália velha,   jogada no teu monturo.       Amo a prantina silenciosa do teu fio de água, 10 descendo de quintais escusos   sem pressa,   e se sumindo depressa na brecha de um velho cano.   Amo a avenca delicada que renasce   na frincha de teus muros empenados, 15 e a plantinha desvalida, de caule mole   que se defende, viceja e floresce   no agasalho de tua sombra úmida e calada.       Amo esses burros-de-lenha   que passam pelos becos antigos. Burrinhos dos morros, 20 secos, lanzudos, malzelados, cansados, pisados.   Arrochados na sua carga, sabidos, procurando a sombra,   no range-range das cangalhas.       E aquele menino, lenheiro ele, salvo seja.   Sem infância, sem idade. 25 Franzino, maltrapilho,   pequeno para ser homem,   forte para ser criança.   Ser indefeso, indefinido, que só se vê na minha cidade.       Amo e canto com ternura 30 todo o errado da minha terra.   Becos da minha terra,   discriminados e humildes,   lembrando passadas eras...       Beco do Cisco. 35 Beco do Cotovelo.   Beco do Antônio Gomes.   Beco das Taquaras.   Beco do Seminário.   Bequinho da Escola. 40 Beco do Ouro Fino.   Beco da Cachoeira Grande.   Beco da Calabrote.   Beco do Mingu.   Beco da Vila Rica...     45 Conto a estória dos becos,   dos becos da minha terra,   suspeitos... mal afamados   onde família de conceito não passava.   “Lugar de gentinha” - diziam, virando a cara.     50 De gente do pote d’água.   De gente de pé no chão.   Becos de mulher perdida.   Becos de mulheres da vida.   Renegadas, confinadas 55 na sombra triste do beco.   Quarto de porta e janela.   Prostituta anemiada,   solitária, hética, engalicada,   tossindo, escarrando sangue 60 na umidade suja do beco.       Becos mal assombrados.   Becos de assombração...   Altas horas, mortas horas...   Capitão-mor - alma penada, 65 terror dos soldados, castigado nas armas.   Capitão-mor, alma penada,   num cavalo ferrado,   chispando fogo,   descendo e subindo o beco, 70 comandando o quadrado - feixe de varas...   Arrastando espada, tinindo esporas...   Mulher-dama. Mulheres da vida,   perdidas,   começavam em boas casas, depois, 75 baixavam pra o beco.   Queriam alegria. Faziam bailaricos.    Baile Sifilítico - era ele assim chamado.   O delegado-chefe de Polícia - brabeza -   dava em cima... 80 Mandava sem dó, na peia.   No dia seguinte, coitadas,   cabeça raspada a navalha,   obrigadas a capinar o Largo do Chafariz,   na frente da Cadeia.     85 Becos da minha terra...   Becos de assombração.   Românticos, pecaminosos...   Têm poesia e têm drama.   O drama da mulher da vida, antiga, 90 humilhada, malsinada.   Meretriz venérea,   desprezada, mesentérica, exangue.   Cabeça raspada a navalha,   castigada a palmatória, 95 capinando o largo,   chorando. Golfando sangue.       (ÚLTIMO ATO)       Um irmão vicentino comparece.   Traz uma entrada grátis do São Pedro de Alcântara. 100 Uma passagem de terceira no grande coletivo de São Vicente.   Uma estação permanente de repouso - no aprazível São Miguel.       Cai o pano. CORALINA, Cora. Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais. 21a ed. - São Paulo: Global Editora, 2006. O texto 1 se inicia em um processo descritivo e passa para o descritivo-narrativo. Isso se confirma pelo(a)

Questão 6
2019PortuguêsÚnico

(IME 2019 - 2ª fase) Texto 1 BECOS DE GOIÁS 1 Beco da minha terra...   Amo tua paisagem triste, ausente e suja.   Teu ar sombrio. Tua velha umidade andrajosa.   Teu lodo negro, esverdeado, escorregadio. 5 E a réstia de sol que ao meio-dia desce, fugidia,   e semeia polmes dourados no teu lixo pobre,   calçando de ouro a sandália velha,   jogada no teu monturo.       Amo a prantina silenciosa do teu fio de água, 10 descendo de quintais escusos   sem pressa,   e se sumindo depressa na brecha de um velho cano.   Amo a avenca delicada que renasce   na frincha de teus muros empenados, 15 e a plantinha desvalida, de caule mole   que se defende, viceja e floresce   no agasalho de tua sombra úmida e calada.       Amo esses burros-de-lenha   que passam pelos becos antigos. Burrinhos dos morros, 20 secos, lanzudos, malzelados, cansados, pisados.   Arrochados na sua carga, sabidos, procurando a sombra,   no range-range das cangalhas.       E aquele menino, lenheiro ele, salvo seja.   Sem infância, sem idade. 25 Franzino, maltrapilho,   pequeno para ser homem,   forte para ser criança.   Ser indefeso, indefinido, que só se vê na minha cidade.       Amo e canto com ternura 30 todo o errado da minha terra.   Becos da minha terra,   discriminados e humildes,   lembrando passadas eras...       Beco do Cisco. 35 Beco do Cotovelo.   Beco do Antônio Gomes.   Beco das Taquaras.   Beco do Seminário.   Bequinho da Escola. 40 Beco do Ouro Fino.   Beco da Cachoeira Grande.   Beco da Calabrote.   Beco do Mingu.   Beco da Vila Rica...     45 Conto a estória dos becos,   dos becos da minha terra,   suspeitos... mal afamados   onde família de conceito não passava.   “Lugar de gentinha” - diziam, virando a cara.     50 De gente do pote d’água.   De gente de pé no chão.   Becos de mulher perdida.   Becos de mulheres da vida.   Renegadas, confinadas 55 na sombra triste do beco.   Quarto de porta e janela.   Prostituta anemiada,   solitária, hética, engalicada,   tossindo, escarrando sangue 60 na umidade suja do beco.       Becos mal assombrados.   Becos de assombração...   Altas horas, mortas horas...   Capitão-mor - alma penada, 65 terror dos soldados, castigado nas armas.   Capitão-mor, alma penada,   num cavalo ferrado,   chispando fogo,   descendo e subindo o beco, 70 comandando o quadrado - feixe de varas...   Arrastando espada, tinindo esporas...   Mulher-dama. Mulheres da vida,   perdidas,   começavam em boas casas, depois, 75 baixavam pra o beco.   Queriam alegria. Faziam bailaricos.    Baile Sifilítico - era ele assim chamado.   O delegado-chefe de Polícia - brabeza -   dava em cima... 80 Mandava sem dó, na peia.   No dia seguinte, coitadas,   cabeça raspada a navalha,   obrigadas a capinar o Largo do Chafariz,   na frente da Cadeia.     85 Becos da minha terra...   Becos de assombração.   Românticos, pecaminosos...   Têm poesia e têm drama.   O drama da mulher da vida, antiga, 90 humilhada, malsinada.   Meretriz venérea,   desprezada, mesentérica, exangue.   Cabeça raspada a navalha,   castigada a palmatória, 95 capinando o largo,   chorando. Golfando sangue.       (ÚLTIMO ATO)       Um irmão vicentino comparece.   Traz uma entrada grátis do São Pedro de Alcântara. 100 Uma passagem de terceira no grande coletivo de São Vicente.   Uma estação permanente de repouso - no aprazível São Miguel.       Cai o pano. CORALINA, Cora. Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais. 21a ed. - São Paulo: Global Editora, 2006.   Dentre os pares de versos do texto 1 abaixo transcritos, assinale a alternativa em que há nítida descrição de uma transformação ocorrida durante a passagem do tempo.

Questão 7
2019PortuguêsÚnico

(IME 2019 - 2ª fase) Texto 1 BECOS DE GOIÁS 1 Beco da minha terra...   Amo tua paisagem triste, ausente e suja.   Teu ar sombrio. Tua velha umidade andrajosa.   Teu lodo negro, esverdeado, escorregadio. 5 E a réstia de sol que ao meio-dia desce, fugidia,   e semeia polmes dourados no teu lixo pobre,   calçando de ouro a sandália velha,   jogada no teu monturo.       Amo a prantina silenciosa do teu fio de água, 10 descendo de quintais escusos   sem pressa,   e se sumindo depressa na brecha de um velho cano.   Amo a avenca delicada que renasce   na frincha de teus muros empenados, 15 e a plantinha desvalida, de caule mole   que se defende, viceja e floresce   no agasalho de tua sombra úmida e calada.       Amo esses burros-de-lenha   que passam pelos becos antigos. Burrinhos dos morros, 20 secos, lanzudos, malzelados, cansados, pisados.   Arrochados na sua carga, sabidos, procurando a sombra,   no range-range das cangalhas.       E aquele menino, lenheiro ele, salvo seja.   Sem infância, sem idade. 25 Franzino, maltrapilho,   pequeno para ser homem,   forte para ser criança.   Ser indefeso, indefinido, que só se vê na minha cidade.       Amo e canto com ternura 30 todo o errado da minha terra.   Becos da minha terra,   discriminados e humildes,   lembrando passadas eras...       Beco do Cisco. 35 Beco do Cotovelo.   Beco do Antônio Gomes.   Beco das Taquaras.   Beco do Seminário.   Bequinho da Escola. 40 Beco do Ouro Fino.   Beco da Cachoeira Grande.   Beco da Calabrote.   Beco do Mingu.   Beco da Vila Rica...     45 Conto a estória dos becos,   dos becos da minha terra,   suspeitos... mal afamados   onde família de conceito não passava.   “Lugar de gentinha” - diziam, virando a cara.     50 De gente do pote d’água.   De gente de pé no chão.   Becos de mulher perdida.   Becos de mulheres da vida.   Renegadas, confinadas 55 na sombra triste do beco.   Quarto de porta e janela.   Prostituta anemiada,   solitária, hética, engalicada,   tossindo, escarrando sangue 60 na umidade suja do beco.       Becos mal assombrados.   Becos de assombração...   Altas horas, mortas horas...   Capitão-mor - alma penada, 65 terror dos soldados, castigado nas armas.   Capitão-mor, alma penada,   num cavalo ferrado,   chispando fogo,   descendo e subindo o beco, 70 comandando o quadrado - feixe de varas...   Arrastando espada, tinindo esporas...   Mulher-dama. Mulheres da vida,   perdidas,   começavam em boas casas, depois, 75 baixavam pra o beco.   Queriam alegria. Faziam bailaricos.    Baile Sifilítico - era ele assim chamado.   O delegado-chefe de Polícia - brabeza -   dava em cima... 80 Mandava sem dó, na peia.   No dia seguinte, coitadas,   cabeça raspada a navalha,   obrigadas a capinar o Largo do Chafariz,   na frente da Cadeia.     85 Becos da minha terra...   Becos de assombração.   Românticos, pecaminosos...   Têm poesia e têm drama.   O drama da mulher da vida, antiga, 90 humilhada, malsinada.   Meretriz venérea,   desprezada, mesentérica, exangue.   Cabeça raspada a navalha,   castigada a palmatória, 95 capinando o largo,   chorando. Golfando sangue.       (ÚLTIMO ATO)       Um irmão vicentino comparece.   Traz uma entrada grátis do São Pedro de Alcântara. 100 Uma passagem de terceira no grande coletivo de São Vicente.   Uma estação permanente de repouso - no aprazível São Miguel.       Cai o pano. CORALINA, Cora. Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais. 21a ed. - São Paulo: Global Editora, 2006. O valor semântico do vocábulo “errado”, exaltado pela autora no texto 1 em “Amo e canto com ternura todo o errado da minha terra.” (versos 29 e 30) não se aplica a

Questão 8
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(IME 2019 - 2ª fase) Texto 1 BECOS DE GOIÁS 1 Beco da minha terra...   Amo tua paisagem triste, ausente e suja.   Teu ar sombrio. Tua velha umidade andrajosa.   Teu lodo negro, esverdeado, escorregadio. 5 E a réstia de sol que ao meio-dia desce, fugidia,   e semeia polmes dourados no teu lixo pobre,   calçando de ouro a sandália velha,   jogada no teu monturo.       Amo a prantina silenciosa do teu fio de água, 10 descendo de quintais escusos   sem pressa,   e se sumindo depressa na brecha de um velho cano.   Amo a avenca delicada que renasce   na frincha de teus muros empenados, 15 e a plantinha desvalida, de caule mole   que se defende, viceja e floresce   no agasalho de tua sombra úmida e calada.       Amo esses burros-de-lenha   que passam pelos becos antigos. Burrinhos dos morros, 20 secos, lanzudos, malzelados, cansados, pisados.   Arrochados na sua carga, sabidos, procurando a sombra,   no range-range das cangalhas.       E aquele menino, lenheiro ele, salvo seja.   Sem infância, sem idade. 25 Franzino, maltrapilho,   pequeno para ser homem,   forte para ser criança.   Ser indefeso, indefinido, que só se vê na minha cidade.       Amo e canto com ternura 30 todo o errado da minha terra.   Becos da minha terra,   discriminados e humildes,   lembrando passadas eras...       Beco do Cisco. 35 Beco do Cotovelo.   Beco do Antônio Gomes.   Beco das Taquaras.   Beco do Seminário.   Bequinho da Escola. 40 Beco do Ouro Fino.   Beco da Cachoeira Grande.   Beco da Calabrote.   Beco do Mingu.   Beco da Vila Rica...     45 Conto a estória dos becos,   dos becos da minha terra,   suspeitos... mal afamados   onde família de conceito não passava.   “Lugar de gentinha” - diziam, virando a cara.     50 De gente do pote d’água.   De gente de pé no chão.   Becos de mulher perdida.   Becos de mulheres da vida.   Renegadas, confinadas 55 na sombra triste do beco.   Quarto de porta e janela.   Prostituta anemiada,   solitária, hética, engalicada,   tossindo, escarrando sangue 60 na umidade suja do beco.       Becos mal assombrados.   Becos de assombração...   Altas horas, mortas horas...   Capitão-mor - alma penada, 65 terror dos soldados, castigado nas armas.   Capitão-mor, alma penada,   num cavalo ferrado,   chispando fogo,   descendo e subindo o beco, 70 comandando o quadrado - feixe de varas...   Arrastando espada, tinindo esporas...   Mulher-dama. Mulheres da vida,   perdidas,   começavam em boas casas, depois, 75 baixavam pra o beco.   Queriam alegria. Faziam bailaricos.    Baile Sifilítico - era ele assim chamado.   O delegado-chefe de Polícia - brabeza -   dava em cima... 80 Mandava sem dó, na peia.   No dia seguinte, coitadas,   cabeça raspada a navalha,   obrigadas a capinar o Largo do Chafariz,   na frente da Cadeia.     85 Becos da minha terra...   Becos de assombração.   Românticos, pecaminosos...   Têm poesia e têm drama.   O drama da mulher da vida, antiga, 90 humilhada, malsinada.   Meretriz venérea,   desprezada, mesentérica, exangue.   Cabeça raspada a navalha,   castigada a palmatória, 95 capinando o largo,   chorando. Golfando sangue.       (ÚLTIMO ATO)       Um irmão vicentino comparece.   Traz uma entrada grátis do São Pedro de Alcântara. 100 Uma passagem de terceira no grande coletivo de São Vicente.   Uma estação permanente de repouso - no aprazível São Miguel.       Cai o pano. CORALINA, Cora. Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais. 21a ed. - São Paulo: Global Editora, 2006. O vocábulo estranho ao campo morfossemântico da palavra “hética” (texto 1, verso 58) é

Questão 9
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(IME 2019 - 2ª fase) Texto 1 BECOS DE GOIÁS 1 Beco da minha terra...   Amo tua paisagem triste, ausente e suja.   Teu ar sombrio. Tua velha umidade andrajosa.   Teu lodo negro, esverdeado, escorregadio. 5 E a réstia de sol que ao meio-dia desce, fugidia,   e semeia polmes dourados no teu lixo pobre,   calçando de ouro a sandália velha,   jogada no teu monturo.       Amo a prantina silenciosa do teu fio de água, 10 descendo de quintais escusos   sem pressa,   e se sumindo depressa na brecha de um velho cano.   Amo a avenca delicada que renasce   na frincha de teus muros empenados, 15 e a plantinha desvalida, de caule mole   que se defende, viceja e floresce   no agasalho de tua sombra úmida e calada.       Amo esses burros-de-lenha   que passam pelos becos antigos. Burrinhos dos morros, 20 secos, lanzudos, malzelados, cansados, pisados.   Arrochados na sua carga, sabidos, procurando a sombra,   no range-range das cangalhas.       E aquele menino, lenheiro ele, salvo seja.   Sem infância, sem idade. 25 Franzino, maltrapilho,   pequeno para ser homem,   forte para ser criança.   Ser indefeso, indefinido, que só se vê na minha cidade.       Amo e canto com ternura 30 todo o errado da minha terra.   Becos da minha terra,   discriminados e humildes,   lembrando passadas eras...       Beco do Cisco. 35 Beco do Cotovelo.   Beco do Antônio Gomes.   Beco das Taquaras.   Beco do Seminário.   Bequinho da Escola. 40 Beco do Ouro Fino.   Beco da Cachoeira Grande.   Beco da Calabrote.   Beco do Mingu.   Beco da Vila Rica...     45 Conto a estória dos becos,   dos becos da minha terra,   suspeitos... mal afamados   onde família de conceito não passava.   “Lugar de gentinha” - diziam, virando a cara.     50 De gente do pote d’água.   De gente de pé no chão.   Becos de mulher perdida.   Becos de mulheres da vida.   Renegadas, confinadas 55 na sombra triste do beco.   Quarto de porta e janela.   Prostituta anemiada,   solitária, hética, engalicada,   tossindo, escarrando sangue 60 na umidade suja do beco.       Becos mal assombrados.   Becos de assombração...   Altas horas, mortas horas...   Capitão-mor - alma penada, 65 terror dos soldados, castigado nas armas.   Capitão-mor, alma penada,   num cavalo ferrado,   chispando fogo,   descendo e subindo o beco, 70 comandando o quadrado - feixe de varas...   Arrastando espada, tinindo esporas...   Mulher-dama. Mulheres da vida,   perdidas,   começavam em boas casas, depois, 75 baixavam pra o beco.   Queriam alegria. Faziam bailaricos.    Baile Sifilítico - era ele assim chamado.   O delegado-chefe de Polícia - brabeza -   dava em cima... 80 Mandava sem dó, na peia.   No dia seguinte, coitadas,   cabeça raspada a navalha,   obrigadas a capinar o Largo do Chafariz,   na frente da Cadeia.     85 Becos da minha terra...   Becos de assombração.   Românticos, pecaminosos...   Têm poesia e têm drama.   O drama da mulher da vida, antiga, 90 humilhada, malsinada.   Meretriz venérea,   desprezada, mesentérica, exangue.   Cabeça raspada a navalha,   castigada a palmatória, 95 capinando o largo,   chorando. Golfando sangue.       (ÚLTIMO ATO)       Um irmão vicentino comparece.   Traz uma entrada grátis do São Pedro de Alcântara. 100 Uma passagem de terceira no grande coletivo de São Vicente.   Uma estação permanente de repouso - no aprazível São Miguel.       Cai o pano. CORALINA, Cora. Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais. 21a ed. - São Paulo: Global Editora, 2006. A respeito do uso do vocábulo “sabidos” (texto 1, verso 21), pode-se afirmar que

Questão 10
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(IME 2019 - 2ª fase) Texto 2 O ELEFANTE 1 Fabrico um elefante   de meus poucos recursos.   Um tanto de madeira   tirado a velhos móveis 5 talvez lhe dê apoio.   E o encho de algodão,   de paina, de doçura.   A cola vai fixar   suas orelhas pensas. 10 A tromba se enovela,   é a parte mais feliz   de sua arquitetura.       Mas há também as presas,   dessa matéria pura 15 que não sei figurar.   Tão alva essa riqueza   a espojar-se nos circos   sem perda ou corrupção.   E há por fim os olhos, 20 onde se deposita   a parte do elefante   mais fluida e permanente,   alheia a toda fraude.       Eis o meu pobre elefante 25 pronto para sair   à procura de amigos   num mundo enfastiado   que já não crê em bichos   e duvida das coisas. 30 Ei-lo, massa imponente   e frágil, que se abana   e move lentamente   a pele costurada   onde há flores de pano 35 e nuvens, alusões   a um mundo mais poético   onde o amor reagrupa   as formas naturais.       Vai o meu elefante 40 pela rua povoada,   mas não o querem ver   nem mesmo para rir   da cauda que ameaça   deixá-lo ir sozinho.     45 É todo graça, embora   as pernas não ajudem   e seu ventre balofo   se arrisque a desabar   ao mais leve empurrão. 50 Mostra com elegância   sua mínima vida,   e não há cidade   alma que se disponha   a recolher em si 55 desse corpo sensível   a fugitiva imagem,   o passo desastrado   mas faminto e tocante.   Mas faminto de seres 60 e situações patéticas,   de encontros ao luar   no mais profundo oceano,   sob a raiz das árvores   ou no seio das conchas, 65 de luzes que não cegam   e brilham através   dos troncos mais espessos.   Esse passo que vai   sem esmagar as plantas 70 no campo de batalha,   à procura de sítios,   segredos, episódios   não contados em livro,   de que apenas o vento, 75 as folhas, a formiga   reconhecem o talhe,   mas que os homens ignoram,   pois só ousam mostrar-se   sob a paz das cortinas 80 à pálpebra cerrada.       E já tarde da noite   volta meu elefante,   mas volta fatigado,   as patas vacilantes 85 se desmancham no pó.   Ele não encontrou   o de que carecia,   o de que carecemos,   eu e meu elefante, 90 em que amo disfarçar-me.   Exausto de pesquisa,   caiu-lhe o vasto engenho   como simples papel.   A cola se dissolve 95 e todo o seu conteúdo   de perdão, de carícia,   de pluma, de algodão,   jorra sobre o tapete,   qual mito desmontado. 100 Amanhã recomeço. ANDRADE, Carlos Drummond de. O Elefante. 9ª ed. - São Paulo: Editora Record, 1983. Considere os versos 68 a 80 do texto 2, transcritos abaixo: “Esse passo que vai sem esmagar as plantas no campo de batalha, à procura de sítios, segredos, episódios não contados em livro, de que apenas o vento, as folhas, a formiga reconhecem o talhe, mas que os homens ignoram, pois só ousam mostrar-se sob a paz das cortinas à pálpebra cerrada.” Acerca de “vento”, “folhas” e “formiga”, pode-se afirmar que  

Questão 11
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(IME 2019 - 2ª Fase)  Texto 2 O ELEFANTE 1 Fabrico um elefante   de meus poucos recursos.   Um tanto de madeira   tirado a velhos móveis 5 talvez lhe dê apoio.   E o encho de algodão,   de paina, de doçura.   A cola vai fixar   suas orelhas pensas. 10 A tromba se enovela,   é a parte mais feliz   de sua arquitetura.       Mas há também as presas,   dessa matéria pura 15 que não sei figurar.   Tão alva essa riqueza   a espojar-se nos circos   sem perda ou corrupção.   E há por fim os olhos, 20 onde se deposita   a parte do elefante   mais fluida e permanente,   alheia a toda fraude.       Eis o meu pobre elefante 25 pronto para sair   à procura de amigos   num mundo enfastiado   que já não crê em bichos   e duvida das coisas. 30 Ei-lo, massa imponente   e frágil, que se abana   e move lentamente   a pele costurada   onde há flores de pano 35 e nuvens, alusões   a um mundo mais poético   onde o amor reagrupa   as formas naturais.       Vai o meu elefante 40 pela rua povoada,   mas não o querem ver   nem mesmo para rir   da cauda que ameaça   deixá-lo ir sozinho.     45 É todo graça, embora   as pernas não ajudem   e seu ventre balofo   se arrisque a desabar   ao mais leve empurrão. 50 Mostra com elegância   sua mínima vida,   e não há cidade   alma que se disponha   a recolher em si 55 desse corpo sensível   a fugitiva imagem,   o passo desastrado   mas faminto e tocante.   Mas faminto de seres 60 e situações patéticas,   de encontros ao luar   no mais profundo oceano,   sob a raiz das árvores   ou no seio das conchas, 65 de luzes que não cegam   e brilham através   dos troncos mais espessos.   Esse passo que vai   sem esmagar as plantas 70 no campo de batalha,   à procura de sítios,   segredos, episódios   não contados em livro,   de que apenas o vento, 75 as folhas, a formiga   reconhecem o talhe,   mas que os homens ignoram,   pois só ousam mostrar-se   sob a paz das cortinas 80 à pálpebra cerrada.       E já tarde da noite   volta meu elefante,   mas volta fatigado,   as patas vacilantes 85 se desmancham no pó.   Ele não encontrou   o de que carecia,   o de que carecemos,   eu e meu elefante, 90 em que amo disfarçar-me.   Exausto de pesquisa,   caiu-lhe o vasto engenho   como simples papel.   A cola se dissolve 95 e todo o seu conteúdo   de perdão, de carícia,   de pluma, de algodão,   jorra sobre o tapete,   qual mito desmontado. 100 Amanhã recomeço. ANDRADE, Carlos Drummond de. O Elefante. 9ª ed. - São Paulo: Editora Record, 1983. A conjunção “mas” que se repete nas estrofes do texto 2 nos versos 41, 58, 59, 77 e 83

Questão 12
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(IME 2019 - 2ª Fase)  Texto 2 O ELEFANTE 1 Fabrico um elefante   de meus poucos recursos.   Um tanto de madeira   tirado a velhos móveis 5 talvez lhe dê apoio.   E o encho de algodão,   de paina, de doçura.   A cola vai fixar   suas orelhas pensas. 10 A tromba se enovela,   é a parte mais feliz   de sua arquitetura.       Mas há também as presas,   dessa matéria pura 15 que não sei figurar.   Tão alva essa riqueza   a espojar-se nos circos   sem perda ou corrupção.   E há por fim os olhos, 20 onde se deposita   a parte do elefante   mais fluida e permanente,   alheia a toda fraude.       Eis o meu pobre elefante 25 pronto para sair   à procura de amigos   num mundo enfastiado   que já não crê em bichos   e duvida das coisas. 30 Ei-lo, massa imponente   e frágil, que se abana   e move lentamente   a pele costurada   onde há flores de pano 35 e nuvens, alusões   a um mundo mais poético   onde o amor reagrupa   as formas naturais.       Vai o meu elefante 40 pela rua povoada,   mas não o querem ver   nem mesmo para rir   da cauda que ameaça   deixá-lo ir sozinho.     45 É todo graça, embora   as pernas não ajudem   e seu ventre balofo   se arrisque a desabar   ao mais leve empurrão. 50 Mostra com elegância   sua mínima vida,   e não há cidade   alma que se disponha   a recolher em si 55 desse corpo sensível   a fugitiva imagem,   o passo desastrado   mas faminto e tocante.   Mas faminto de seres 60 e situações patéticas,   de encontros ao luar   no mais profundo oceano,   sob a raiz das árvores   ou no seio das conchas, 65 de luzes que não cegam   e brilham através   dos troncos mais espessos.   Esse passo que vai   sem esmagar as plantas 70 no campo de batalha,   à procura de sítios,   segredos, episódios   não contados em livro,   de que apenas o vento, 75 as folhas, a formiga   reconhecem o talhe,   mas que os homens ignoram,   pois só ousam mostrar-se   sob a paz das cortinas 80 à pálpebra cerrada.       E já tarde da noite   volta meu elefante,   mas volta fatigado,   as patas vacilantes 85 se desmancham no pó.   Ele não encontrou   o de que carecia,   o de que carecemos,   eu e meu elefante, 90 em que amo disfarçar-me.   Exausto de pesquisa,   caiu-lhe o vasto engenho   como simples papel.   A cola se dissolve 95 e todo o seu conteúdo   de perdão, de carícia,   de pluma, de algodão,   jorra sobre o tapete,   qual mito desmontado. 100 Amanhã recomeço. ANDRADE, Carlos Drummond de. O Elefante. 9ª ed. - São Paulo: Editora Record, 1983. No texto 2, considerando o elefante fabricado artesanalmente como uma alegoria para falar da arte, mandar o elefante à rua aponta para um desejo de

Questão 13
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(IME 2019 - 2ª Fase)  Texto 2 O ELEFANTE 1 Fabrico um elefante   de meus poucos recursos.   Um tanto de madeira   tirado a velhos móveis 5 talvez lhe dê apoio.   E o encho de algodão,   de paina, de doçura.   A cola vai fixar   suas orelhas pensas. 10 A tromba se enovela,   é a parte mais feliz   de sua arquitetura.       Mas há também as presas,   dessa matéria pura 15 que não sei figurar.   Tão alva essa riqueza   a espojar-se nos circos   sem perda ou corrupção.   E há por fim os olhos, 20 onde se deposita   a parte do elefante   mais fluida e permanente,   alheia a toda fraude.       Eis o meu pobre elefante 25 pronto para sair   à procura de amigos   num mundo enfastiado   que já não crê em bichos   e duvida das coisas. 30 Ei-lo, massa imponente   e frágil, que se abana   e move lentamente   a pele costurada   onde há flores de pano 35 e nuvens, alusões   a um mundo mais poético   onde o amor reagrupa   as formas naturais.       Vai o meu elefante 40 pela rua povoada,   mas não o querem ver   nem mesmo para rir   da cauda que ameaça   deixá-lo ir sozinho.     45 É todo graça, embora   as pernas não ajudem   e seu ventre balofo   se arrisque a desabar   ao mais leve empurrão. 50 Mostra com elegância   sua mínima vida,   e não há cidade   alma que se disponha   a recolher em si 55 desse corpo sensível   a fugitiva imagem,   o passo desastrado   mas faminto e tocante.   Mas faminto de seres 60 e situações patéticas,   de encontros ao luar   no mais profundo oceano,   sob a raiz das árvores   ou no seio das conchas, 65 de luzes que não cegam   e brilham através   dos troncos mais espessos.   Esse passo que vai   sem esmagar as plantas 70 no campo de batalha,   à procura de sítios,   segredos, episódios   não contados em livro,   de que apenas o vento, 75 as folhas, a formiga   reconhecem o talhe,   mas que os homens ignoram,   pois só ousam mostrar-se   sob a paz das cortinas 80 à pálpebra cerrada.       E já tarde da noite   volta meu elefante,   mas volta fatigado,   as patas vacilantes 85 se desmancham no pó.   Ele não encontrou   o de que carecia,   o de que carecemos,   eu e meu elefante, 90 em que amo disfarçar-me.   Exausto de pesquisa,   caiu-lhe o vasto engenho   como simples papel.   A cola se dissolve 95 e todo o seu conteúdo   de perdão, de carícia,   de pluma, de algodão,   jorra sobre o tapete,   qual mito desmontado. 100 Amanhã recomeço. ANDRADE, Carlos Drummond de. O Elefante. 9ª ed. - São Paulo: Editora Record, 1983. Considere os versos 95 a 98 do texto 2, transcritos abaixo: “e todo o seu conteúdo de perdão, de carícia, de pluma, de algodão, jorra sobre o tapete,” A figura de linguagem construída a partir de uma relação entre os campos semânticos evocados pelo título do poema e de seus versos acima destacados é a (o)

Questão 14
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(IME 2019 - 2ª Fase) Texto 2 O ELEFANTE 1 Fabrico um elefante   de meus poucos recursos.   Um tanto de madeira   tirado a velhos móveis 5 talvez lhe dê apoio.   E o encho de algodão,   de paina, de doçura.   A cola vai fixar   suas orelhas pensas. 10 A tromba se enovela,   é a parte mais feliz   de sua arquitetura.       Mas há também as presas,   dessa matéria pura 15 que não sei figurar.   Tão alva essa riqueza   a espojar-se nos circos   sem perda ou corrupção.   E há por fim os olhos, 20 onde se deposita   a parte do elefante   mais fluida e permanente,   alheia a toda fraude.       Eis o meu pobre elefante 25 pronto para sair   à procura de amigos   num mundo enfastiado   que já não crê em bichos   e duvida das coisas. 30 Ei-lo, massa imponente   e frágil, que se abana   e move lentamente   a pele costurada   onde há flores de pano 35 e nuvens, alusões   a um mundo mais poético   onde o amor reagrupa   as formas naturais.       Vai o meu elefante 40 pela rua povoada,   mas não o querem ver   nem mesmo para rir   da cauda que ameaça   deixá-lo ir sozinho.     45 É todo graça, embora   as pernas não ajudem   e seu ventre balofo   se arrisque a desabar   ao mais leve empurrão. 50 Mostra com elegância   sua mínima vida,   e não há cidade   alma que se disponha   a recolher em si 55 desse corpo sensível   a fugitiva imagem,   o passo desastrado   mas faminto e tocante.   Mas faminto de seres 60 e situações patéticas,   de encontros ao luar   no mais profundo oceano,   sob a raiz das árvores   ou no seio das conchas, 65 de luzes que não cegam   e brilham através   dos troncos mais espessos.   Esse passo que vai   sem esmagar as plantas 70 no campo de batalha,   à procura de sítios,   segredos, episódios   não contados em livro,   de que apenas o vento, 75 as folhas, a formiga   reconhecem o talhe,   mas que os homens ignoram,   pois só ousam mostrar-se   sob a paz das cortinas 80 à pálpebra cerrada.       E já tarde da noite   volta meu elefante,   mas volta fatigado,   as patas vacilantes 85 se desmancham no pó.   Ele não encontrou   o de que carecia,   o de que carecemos,   eu e meu elefante, 90 em que amo disfarçar-me.   Exausto de pesquisa,   caiu-lhe o vasto engenho   como simples papel.   A cola se dissolve 95 e todo o seu conteúdo   de perdão, de carícia,   de pluma, de algodão,   jorra sobre o tapete,   qual mito desmontado. 100 Amanhã recomeço. ANDRADE, Carlos Drummond de. O Elefante. 9ª ed. - São Paulo: Editora Record, 1983.   Observe os vocábulos destacados em negrito nos versos 39 a 44 do texto 2, transcritos abaixo: “Vai o meu elefante pela rua povoada, mas não o querem ver nem mesmo para rir da cauda que ameaça deixá-lo ir sozinho.” Sobre esses vocábulos, de acordo com a gramática normativa, considere as seguintes afirmações: I – o primeiro “o” é um artigo definido e o segundo é uma forma pronominal oblíqua, assim como a forma “lo” em “deixá-lo”. II – a colocação do segundo “o” junto ao advérbio de negação aproxima-se do registro mais utilizado no português falado no Brasil. III – “o” e “lo” nos versos “mas não o querem ver” e “deixá-lo ir sozinho” são formas pronominais que garantem a coesão referencial anafórica. Está(ão) correta(s) a(s) afirmação(ões)