Questões de Português - IME

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2009Português

(IME-2009) TEXTO 1 Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem NEVES, Auricléa Oliveira das. Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem. Amazonas: Universidade do Estado do Amazonas, 2008. As viagens têm um profundo significado na história da humanidade. Inicialmente, no período da coleta, as migrações se faziam pela necessidade de buscar alimentos, posteriormente elas foram realizadas para conquistar espaços mais apropriados para o bem estar da comunidade. Outros objetivos também suscitaram o deslocamento do homem: a posse de espaços territoriais, a exploração de riquezas, o conhecimento de novas terras, o estudo de locais específicos, ou simplesmente a viagem como forma de lazer. (...) No plano ficcional, vários autores no Ocidente, a partir do Homero, com a Odisséia, se dedicaram a usar as viagens como tema. Na literatura de língua portuguesa, os registros iniciais são oriundos dos relatos orais de marinheiros, apontamentos náuticos, diários de bordo, escritos de pilotos que, presumidamente, serviram de fonte para Gomes Eanes de Zurara, primeiro cronista conhecido das viagens oceânicas portuguesas. Na história literária na América e do Brasil, os primeiros registros advêm dos escritos de viajantes: o Diário de Critóvão Colombo e a Carta de Pero Vaz de Caminha. A revelação de novos espaços, paisagens, floras, faunas, costumes e religiões, as aventuras e peripécias de viagens mais fabulosas que dos romances de cavalaria e as dos poemas da Antiguidade, inspiraram [...] uma vasta literatura descritiva e narrativa, que assumiu várias formas desde os grandes tratados históricos ou geográficos em grossos volumes até às curtas reportagens em folhetos de cordel. (Saraiva Lopes, 1982, p. 294). Em cada época, as jornadas se realizaram de formas e condições variadas, seus viajantes apresentam objetivos diversos como conquista, exploração, reconhecimento, administração, catequese, aventura ou lazer. Durante o iluminismo, com a mudança de mentalidade de muitos dirigentes, as relações entre os governos da Europa e suas colônias da América assumem novos significados, assim, as viagens passaram a ter o caráter científico. O empreendedor dessas jornadas tem a preocupação com a observação, a descrição e a classificação de tudo que há nas terras conquistadas no século XVI para que os governos possam inventariar a fortuna natural de suas colônias e obter controle sobre elas. TEXTO 2 José de Anchieta, jesuíta hispano-brasileiro. UOL Educação. José de Anchieta, Jesuíta hispano-brasileiro. Disponível em: http://educação.uol.com.br/biografias/ult1789u421.jhtmcapturado em 18.05.09. José de Anchieta nasceu em família rica, numa das sete ilhas Canárias, de onde avistava os navios que se abasteciam no ponto de Tenerife para seguir rumo ao Oriente ou ao Novo Mundo. O pai era um nobre basco, e a mãe, uma judia conversa. Aos 14 anos foi estudar em Coimbra (Portugal). Sentia a vocação religiosa e, em 1551, foi admitido como noviço no colégio jesuíta da Universidade de Coimbra. Em 1553, com 19 anos, foi convidado a vir para o Brasil como missionário acompanhando Duarte da Costa, o segundo governador-geral nomeado pela Coroa. No comecinho de 1554, chegou a São Vicente, a primeira vila fundada no Brasil. Lá teve o primeiro contato com os índios. No mesmo ano, junto com o jesuíta português Manuel de Nóbrega, subiu a serra do Mar até o planalto que os índios denominavam Piratininga, ao longo do rio Tietê. Os dois missionários estabeleceram um pequeno colégio, e, em 25 de janeiro de 1554, celebrou-se ali a primeira missa. Anchieta começou o trabalho de conversão, batismo e catequese. Para os índios, foi médico sacerdote e educador: cuidava do corpo, da alma e da mente. Na catequese, usava o teatro e a poesia, tornando a aprendizagem um processo prazeroso. Ensinou latim aos índios, aprendeu tupi-guarani com eles e (seguindo a tradição missionária, que mandava assimilar e registrar os idiomas) escreveu a Arte da Gramática da Língua Mais Falada na Costa do Brasil, publicada em Coimbra em 1595. O colégio de São Paulo da Piratininga, como era chamado, logo expandiu seu núcleo. Mas, ao longo do litoral de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, as tribos formaram uma aliança (conhecida como Confederação dos Tamoios) que atacou São Paulo diversas vezes entre 1562 e 1564. Anchieta e Nóbrega tiveram um conflito com Duarte da Costa e decidiram iniciar as negociações de paz com os tamoios em Iperoig (hoje Ubatuba). Anchieta, falando tupiguarani e viajando por toda aquela costa, foi crucial para ganhar a confiança dos índios, e, após muitos incidentes, estabeleceu-se a paz entre tamoios, tupinambás e portugueses. Nessa época, Anchieta escreveu o Poema em Louvor à Virgem Maria, com 5.732 versos, alguns dos quais traçados nas areias das praias. Em 1565, entrou com Estácio de Sá na baía de Guanabara, onde estabeleceram os fundamentos do que viria a ser a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. TEXTO 3 Padre Fernão Cardim FREYRE, Gilberto. Casa Grande Senzala Introdução à história da sociedade colonial no Brasil Formação da Família Brasileira sob o Regime da Economia Patriarcal. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio. Ed. 1993, 20 ed. É certo que o Padre Fernão Cardim, nos seus Tratados, está sempre a falar da fartura de carne, de aves e até de frutas com que foi recebido por toda parte no Brasil do séc. XVI, entre os homens ricos e os colégios de padres. Mas de Cardim deve-se tomar em consideração o seu caráter de padre visitador, recebido nos engenhos e colégios com festas e jantares excepcionais. Era um personagem a quem todo agrado que fizessem os colonos era pouco: a boa impressão que lhe causassem a mesa farta e os leitos macios dos grandes senhores de escravos talvez atenuasse a péssima, a vida dissoluta que todos eles levavam nos engenhos de açúcar: os peccados que se cometem nelles (nos engenhos) não tem conta: quase todos andam amancebados por causa das muitas occasioes; bem cheio de peccados via esse doce por que tanto fazem; grande é a peciencia de Deus que tanto soffre. TEXTO 4 Retirantes da educação MARCH, Rodrigo. Retirantes da educação. Caderno Boa Chance: O GLOBO, 10 de maio de 2009. Irinilda da Silva, de 31 anos, deixou de amamentar a filha, de quatro meses, que ficou em casa com o pai. Robéria Gomes, de 36, viajou grávida e seu bebê, João Vitor, nasceu na quinta-feira passada, no Hospital Central do Exército, em Benfica. As duas são retirantes da educação: integram um grupo de 12 professores do Acre que cruzou 4521 quilômetros de Brasil, superando uma série de dificuldades, para fazer uma pós-graduação. Um exemplo das barreiras de qualificação profissional no país. Hoje, 53% dos cursos de mestrado e doutorado estão no Sudeste; só 3,8% na Região Norte, a de menor cobertura. Eles estão aproveitando um convênio firmado entre a Universidade Federal do Acre (UFAC) e a Universidade Federal Fluminense (UFF), de Niterói. Onze fazem mestrado e uma, doutorado. Todos em educação mesmo as faculdades particulares do Acre não têm curso de pós-graduação nessa área. Nove deles dividem a mesma casa em São Domingos, Niterói, como num Big Brother, só que sem conforto algum. Para se ter uma ideia, a TV foi emprestada por uma colega de curso, e quase todos dormem em colchonetes. Apesar da proximidade à Faculdade de Educação da UFF, só andam em grupos: por insegurança, sensação que ainda não tinham experimentado. O périplo deles começou antes mesmo de a parceria com a UFF ser fechada, já que eles já tinham tentado convênios com outras instituições, mas que não possuíam cursos com nota cinco em avaliação, uma determinação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), da qual são bolsistas. Foram oferecidas 15 vagas no mestrado, porém dos 19 inscritos, só 11 foram aprovados. No doutorado, apenas três se inscreveram, mas só uma passou na seleção. A dificuldade seguinte foi encontrar uma casa para alugar em Niterói. A professora de letras Sâmia El-Hassani, de 46 anos, veio 15 dias antes para tentar resolver o problema. O marido dela, Dalbi DÁvila, também é de letras e faz o mestrado. Trouxeram os filhos, que foram matriculados numa escola. Niterói não aluga imóvel por temporada, pelo menos na área do Centro e da Zona Sul observa Sâmia, que também achou os preços altíssimos. Com muito custo e também por falta de opção , eles conseguiram uma casa que estava à venda, mas que sequer tinha torneiras. O dono aceitou fazer um contrato de três meses com pagamento antecipado de R$ 6.800,00 enquanto não acha um comprador. Mas eles vão precisar renovar mais um mês, já que estarão na cidade até 17 de julho no segundo semestre, os professores da UFF vão ao Acre dar as aulas, sendo que ano que vem, o vaivém se repete, pois o curso de mestrado é de dois anos. Ainda acerca do trecho Apesar da proximidade à Faculdade de Educação da UFF, só andam em grupos: por insegurança, sensação que ainda não tinham experimentado. (Texto 4, linhas 7-8). e considerando que os termos de um texto entrelaçam-se por meio de mecanismos coesivos, os quais permitem ao leitor identificar relações entre as palavras, podemos afirmar que o termo insegurança sugere ao leitor que os estudantes

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(IME-2009) TEXTO 1 Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem NEVES, Auricléa Oliveira das. Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem. Amazonas: Universidade do Estado do Amazonas, 2008. As viagens têm um profundo significado na história da humanidade. Inicialmente, no período da coleta, as migrações se faziam pela necessidade de buscar alimentos, posteriormente elas foram realizadas para conquistar espaços mais apropriados para o bem estar da comunidade. Outros objetivos também suscitaram o deslocamento do homem: a posse de espaços territoriais, a exploração de riquezas, o conhecimento de novas terras, o estudo de locais específicos, ou simplesmente a viagem como forma de lazer. (...) No plano ficcional, vários autores no Ocidente, a partir do Homero, com a Odisséia, se dedicaram a usar as viagens como tema. Na literatura de língua portuguesa, os registros iniciais são oriundos dos relatos orais de marinheiros, apontamentos náuticos, diários de bordo, escritos de pilotos que, presumidamente, serviram de fonte para Gomes Eanes de Zurara, primeiro cronista conhecido das viagens oceânicas portuguesas. Na história literária na América e do Brasil, os primeiros registros advêm dos escritos de viajantes: o Diário de Critóvão Colombo e a Carta de Pero Vaz de Caminha. A revelação de novos espaços, paisagens, floras, faunas, costumes e religiões, as aventuras e peripécias de viagens mais fabulosas que dos romances de cavalaria e as dos poemas da Antiguidade, inspiraram [...] uma vasta literatura descritiva e narrativa, que assumiu várias formas desde os grandes tratados históricos ou geográficos em grossos volumes até às curtas reportagens em folhetos de cordel. (Saraiva Lopes, 1982, p. 294). Em cada época, as jornadas se realizaram de formas e condições variadas, seus viajantes apresentam objetivos diversos como conquista, exploração, reconhecimento, administração, catequese, aventura ou lazer. Durante o iluminismo, com a mudança de mentalidade de muitos dirigentes, as relações entre os governos da Europa e suas colônias da América assumem novos significados, assim, as viagens passaram a ter o caráter científico. O empreendedor dessas jornadas tem a preocupação com a observação, a descrição e a classificação de tudo que há nas terras conquistadas no século XVI para que os governos possam inventariar a fortuna natural de suas colônias e obter controle sobre elas. TEXTO 2 José de Anchieta, jesuíta hispano-brasileiro. UOL Educação. José de Anchieta, Jesuíta hispano-brasileiro. Disponível em: http://educação.uol.com.br/biografias/ult1789u421.jhtmcapturado em 18.05.09. José de Anchieta nasceu em família rica, numa das sete ilhas Canárias, de onde avistava os navios que se abasteciam no ponto de Tenerife para seguir rumo ao Oriente ou ao Novo Mundo. O pai era um nobre basco, e a mãe, uma judia conversa. Aos 14 anos foi estudar em Coimbra (Portugal). Sentia a vocação religiosa e, em 1551, foi admitido como noviço no colégio jesuíta da Universidade de Coimbra. Em 1553, com 19 anos, foi convidado a vir para o Brasil como missionário acompanhando Duarte da Costa, o segundo governador-geral nomeado pela Coroa. No comecinho de 1554, chegou a São Vicente, a primeira vila fundada no Brasil. Lá teve o primeiro contato com os índios. No mesmo ano, junto com o jesuíta português Manuel de Nóbrega, subiu a serra do Mar até o planalto que os índios denominavam Piratininga, ao longo do rio Tietê. Os dois missionários estabeleceram um pequeno colégio, e, em 25 de janeiro de 1554, celebrou-se ali a primeira missa. Anchieta começou o trabalho de conversão, batismo e catequese. Para os índios, foi médico sacerdote e educador: cuidava do corpo, da alma e da mente. Na catequese, usava o teatro e a poesia, tornando a aprendizagem um processo prazeroso. Ensinou latim aos índios, aprendeu tupi-guarani com eles e (seguindo a tradição missionária, que mandava assimilar e registrar os idiomas) escreveu a Arte da Gramática da Língua Mais Falada na Costa do Brasil, publicada em Coimbra em 1595. O colégio de São Paulo da Piratininga, como era chamado, logo expandiu seu núcleo. Mas, ao longo do litoral de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, as tribos formaram uma aliança (conhecida como Confederação dos Tamoios) que atacou São Paulo diversas vezes entre 1562 e 1564. Anchieta e Nóbrega tiveram um conflito com Duarte da Costa e decidiram iniciar as negociações de paz com os tamoios em Iperoig (hoje Ubatuba). Anchieta, falando tupiguarani e viajando por toda aquela costa, foi crucial para ganhar a confiança dos índios, e, após muitos incidentes, estabeleceu-se a paz entre tamoios, tupinambás e portugueses. Nessa época, Anchieta escreveu o Poema em Louvor à Virgem Maria, com 5.732 versos, alguns dos quais traçados nas areias das praias. Em 1565, entrou com Estácio de Sá na baía de Guanabara, onde estabeleceram os fundamentos do que viria a ser a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. TEXTO 3 Padre Fernão Cardim FREYRE, Gilberto. Casa Grande Senzala Introdução à história da sociedade colonial no Brasil Formação da Família Brasileira sob o Regime da Economia Patriarcal. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio. Ed. 1993, 20 ed. É certo que o Padre Fernão Cardim, nos seus Tratados, está sempre a falar da fartura de carne, de aves e até de frutas com que foi recebido por toda parte no Brasil do séc. XVI, entre os homens ricos e os colégios de padres. Mas de Cardim deve-se tomar em consideração o seu caráter de padre visitador, recebido nos engenhos e colégios com festas e jantares excepcionais. Era um personagem a quem todo agrado que fizessem os colonos era pouco: a boa impressão que lhe causassem a mesa farta e os leitos macios dos grandes senhores de escravos talvez atenuasse a péssima, a vida dissoluta que todos eles levavam nos engenhos de açúcar: os peccados que se cometem nelles (nos engenhos) não tem conta: quase todos andam amancebados por causa das muitas occasioes; bem cheio de peccados via esse doce por que tanto fazem; grande é a peciencia de Deus que tanto soffre. TEXTO 4 Retirantes da educação MARCH, Rodrigo. Retirantes da educação. Caderno Boa Chance: O GLOBO, 10 de maio de 2009. Irinilda da Silva, de 31 anos, deixou de amamentar a filha, de quatro meses, que ficou em casa com o pai. Robéria Gomes, de 36, viajou grávida e seu bebê, João Vitor, nasceu na quinta-feira passada, no Hospital Central do Exército, em Benfica. As duas são retirantes da educação: integram um grupo de 12 professores do Acre que cruzou 4521 quilômetros de Brasil, superando uma série de dificuldades, para fazer uma pós-graduação. Um exemplo das barreiras de qualificação profissional no país. Hoje, 53% dos cursos de mestrado e doutorado estão no Sudeste; só 3,8% na Região Norte, a de menor cobertura. Eles estão aproveitando um convênio firmado entre a Universidade Federal do Acre (UFAC) e a Universidade Federal Fluminense (UFF), de Niterói. Onze fazem mestrado e uma, doutorado. Todos em educação mesmo as faculdades particulares do Acre não têm curso de pós-graduação nessa área. Nove deles dividem a mesma casa em São Domingos, Niterói, como num Big Brother, só que sem conforto algum. Para se ter uma ideia, a TV foi emprestada por uma colega de curso, e quase todos dormem em colchonetes. Apesar da proximidade à Faculdade de Educação da UFF, só andam em grupos: por insegurança, sensação que ainda não tinham experimentado. O périplo deles começou antes mesmo de a parceria com a UFF ser fechada, já que eles já tinham tentado convênios com outras instituições, mas que não possuíam cursos com nota cinco em avaliação, uma determinação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), da qual são bolsistas. Foram oferecidas 15 vagas no mestrado, porém dos 19 inscritos, só 11 foram aprovados. No doutorado, apenas três se inscreveram, mas só uma passou na seleção. A dificuldade seguinte foi encontrar uma casa para alugar em Niterói. A professora de letras Sâmia El-Hassani, de 46 anos, veio 15 dias antes para tentar resolver o problema. O marido dela, Dalbi DÁvila, também é de letras e faz o mestrado. Trouxeram os filhos, que foram matriculados numa escola. Niterói não aluga imóvel por temporada, pelo menos na área do Centro e da Zona Sul observa Sâmia, que também achou os preços altíssimos. Com muito custo e também por falta de opção , eles conseguiram uma casa que estava à venda, mas que sequer tinha torneiras. O dono aceitou fazer um contrato de três meses com pagamento antecipado de R$ 6.800,00 enquanto não acha um comprador. Mas eles vão precisar renovar mais um mês, já que estarão na cidade até 17 de julho no segundo semestre, os professores da UFF vão ao Acre dar as aulas, sendo que ano que vem, o vaivém se repete, pois o curso de mestrado é de dois anos. Acerca do período: Apesar da proximidade à Faculdade de Educação da UFF, só andam em grupos: por insegurança, sensação que ainda não tinham experimentado. (Texto 4, linhas7-8). Podemos afirmar que:

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(IME-2009) TEXTO 1 Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem NEVES, Auricléa Oliveira das. Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem. Amazonas: Universidade do Estado do Amazonas, 2008. As viagens têm um profundo significado na história da humanidade. Inicialmente, no período da coleta, as migrações se faziam pela necessidade de buscar alimentos, posteriormente elas foram realizadas para conquistar espaços mais apropriados para o bem estar da comunidade. Outros objetivos também suscitaram o deslocamento do homem: a posse de espaços territoriais, a exploração de riquezas, o conhecimento de novas terras, o estudo de locais específicos, ou simplesmente a viagem como forma de lazer. (...) No plano ficcional, vários autores no Ocidente, a partir do Homero, com a Odisséia, se dedicaram a usar as viagens como tema. Na literatura de língua portuguesa, os registros iniciais são oriundos dos relatos orais de marinheiros, apontamentos náuticos, diários de bordo, escritos de pilotos que, presumidamente, serviram de fonte para Gomes Eanes de Zurara, primeiro cronista conhecido das viagens oceânicas portuguesas. Na história literária na América e do Brasil, os primeiros registros advêm dos escritos de viajantes: o Diário de Critóvão Colombo e a Carta de Pero Vaz de Caminha. A revelação de novos espaços, paisagens, floras, faunas, costumes e religiões, as aventuras e peripécias de viagens mais fabulosas que dos romances de cavalaria e as dos poemas da Antiguidade, inspiraram [...] uma vasta literatura descritiva e narrativa, que assumiu várias formas desde os grandes tratados históricos ou geográficos em grossos volumes até às curtas reportagens em folhetos de cordel. (Saraiva Lopes, 1982, p. 294). Em cada época, as jornadas se realizaram de formas e condições variadas, seus viajantes apresentam objetivos diversos como conquista, exploração, reconhecimento, administração, catequese, aventura ou lazer. Durante o iluminismo, com a mudança de mentalidade de muitos dirigentes, as relações entre os governos da Europa e suas colônias da América assumem novos significados, assim, as viagens passaram a ter o caráter científico. O empreendedor dessas jornadas tem a preocupação com a observação, a descrição e a classificação de tudo que há nas terras conquistadas no século XVI para que os governos possam inventariar a fortuna natural de suas colônias e obter controle sobre elas. TEXTO 2 José de Anchieta, jesuíta hispano-brasileiro. UOL Educação. José de Anchieta, Jesuíta hispano-brasileiro. Disponível em: http://educação.uol.com.br/biografias/ult1789u421.jhtmcapturado em 18.05.09. José de Anchieta nasceu em família rica, numa das sete ilhas Canárias, de onde avistava os navios que se abasteciam no ponto de Tenerife para seguir rumo ao Oriente ou ao Novo Mundo. O pai era um nobre basco, e a mãe, uma judia conversa. Aos 14 anos foi estudar em Coimbra (Portugal). Sentia a vocação religiosa e, em 1551, foi admitido como noviço no colégio jesuíta da Universidade de Coimbra. Em 1553, com 19 anos, foi convidado a vir para o Brasil como missionário acompanhando Duarte da Costa, o segundo governador-geral nomeado pela Coroa. No comecinho de 1554, chegou a São Vicente, a primeira vila fundada no Brasil. Lá teve o primeiro contato com os índios. No mesmo ano, junto com o jesuíta português Manuel de Nóbrega, subiu a serra do Mar até o planalto que os índios denominavam Piratininga, ao longo do rio Tietê. Os dois missionários estabeleceram um pequeno colégio, e, em 25 de janeiro de 1554, celebrou-se ali a primeira missa. Anchieta começou o trabalho de conversão, batismo e catequese. Para os índios, foi médico sacerdote e educador: cuidava do corpo, da alma e da mente. Na catequese, usava o teatro e a poesia, tornando a aprendizagem um processo prazeroso. Ensinou latim aos índios, aprendeu tupi-guarani com eles e (seguindo a tradição missionária, que mandava assimilar e registrar os idiomas) escreveu a Arte da Gramática da Língua Mais Falada na Costa do Brasil, publicada em Coimbra em 1595. O colégio de São Paulo da Piratininga, como era chamado, logo expandiu seu núcleo. Mas, ao longo do litoral de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, as tribos formaram uma aliança (conhecida como Confederação dos Tamoios) que atacou São Paulo diversas vezes entre 1562 e 1564. Anchieta e Nóbrega tiveram um conflito com Duarte da Costa e decidiram iniciar as negociações de paz com os tamoios em Iperoig (hoje Ubatuba). Anchieta, falando tupiguarani e viajando por toda aquela costa, foi crucial para ganhar a confiança dos índios, e, após muitos incidentes, estabeleceu-se a paz entre tamoios, tupinambás e portugueses. Nessa época, Anchieta escreveu o Poema em Louvor à Virgem Maria, com 5.732 versos, alguns dos quais traçados nas areias das praias. Em 1565, entrou com Estácio de Sá na baía de Guanabara, onde estabeleceram os fundamentos do que viria a ser a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. TEXTO 3 Padre Fernão Cardim FREYRE, Gilberto. Casa Grande Senzala Introdução à história da sociedade colonial no Brasil Formação da Família Brasileira sob o Regime da Economia Patriarcal. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio. Ed. 1993, 20 ed. É certo que o Padre Fernão Cardim, nos seus Tratados, está sempre a falar da fartura de carne, de aves e até de frutas com que foi recebido por toda parte no Brasil do séc. XVI, entre os homens ricos e os colégios de padres. Mas de Cardim deve-se tomar em consideração o seu caráter de padre visitador, recebido nos engenhos e colégios com festas e jantares excepcionais. Era um personagem a quem todo agrado que fizessem os colonos era pouco: a boa impressão que lhe causassem a mesa farta e os leitos macios dos grandes senhores de escravos talvez atenuasse a péssima, a vida dissoluta que todos eles levavam nos engenhos de açúcar: os peccados que se cometem nelles (nos engenhos) não tem conta: quase todos andam amancebados por causa das muitas occasioes; bem cheio de peccados via esse doce por que tanto fazem; grande é a peciencia de Deus que tanto soffre. TEXTO 4 Retirantes da educação MARCH, Rodrigo. Retirantes da educação. Caderno Boa Chance: O GLOBO, 10 de maio de 2009. Irinilda da Silva, de 31 anos, deixou de amamentar a filha, de quatro meses, que ficou em casa com o pai. Robéria Gomes, de 36, viajou grávida e seu bebê, João Vitor, nasceu na quinta-feira passada, no Hospital Central do Exército, em Benfica. As duas são retirantes da educação: integram um grupo de 12 professores do Acre que cruzou 4521 quilômetros de Brasil, superando uma série de dificuldades, para fazer uma pós-graduação. Um exemplo das barreiras de qualificação profissional no país. Hoje, 53% dos cursos de mestrado e doutorado estão no Sudeste; só 3,8% na Região Norte, a de menor cobertura. Eles estão aproveitando um convênio firmado entre a Universidade Federal do Acre (UFAC) e a Universidade Federal Fluminense (UFF), de Niterói. Onze fazem mestrado e uma, doutorado. Todos em educação mesmo as faculdades particulares do Acre não têm curso de pós-graduação nessa área. Nove deles dividem a mesma casa em São Domingos, Niterói, como num Big Brother, só que sem conforto algum. Para se ter uma ideia, a TV foi emprestada por uma colega de curso, e quase todos dormem em colchonetes. Apesar da proximidade à Faculdade de Educação da UFF, só andam em grupos: por insegurança, sensação que ainda não tinham experimentado. O périplo deles começou antes mesmo de a parceria com a UFF ser fechada, já que eles já tinham tentado convênios com outras instituições, mas que não possuíam cursos com nota cinco em avaliação, uma determinação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), da qual são bolsistas. Foram oferecidas 15 vagas no mestrado, porém dos 19 inscritos, só 11 foram aprovados. No doutorado, apenas três se inscreveram, mas só uma passou na seleção. A dificuldade seguinte foi encontrar uma casa para alugar em Niterói. A professora de letras Sâmia El-Hassani, de 46 anos, veio 15 dias antes para tentar resolver o problema. O marido dela, Dalbi DÁvila, também é de letras e faz o mestrado. Trouxeram os filhos, que foram matriculados numa escola. Niterói não aluga imóvel por temporada, pelo menos na área do Centro e da Zona Sul observa Sâmia, que também achou os preços altíssimos. Com muito custo e também por falta de opção , eles conseguiram uma casa que estava à venda, mas que sequer tinha torneiras. O dono aceitou fazer um contrato de três meses com pagamento antecipado de R$ 6.800,00 enquanto não acha um comprador. Mas eles vão precisar renovar mais um mês, já que estarão na cidade até 17 de julho no segundo semestre, os professores da UFF vão ao Acre dar as aulas, sendo que ano que vem, o vaivém se repete, pois o curso de mestrado é de dois anos. No primeiro parágrafo do texto 4, as formas verbais cruzou, superando e fazer referem-se

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(IME-2009) TEXTO 1 Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem NEVES, Auricléa Oliveira das. Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem. Amazonas: Universidade do Estado do Amazonas, 2008. As viagens têm um profundo significado na história da humanidade. Inicialmente, no período da coleta, as migrações se faziam pela necessidade de buscar alimentos, posteriormente elas foram realizadas para conquistar espaços mais apropriados para o bem estar da comunidade. Outros objetivos também suscitaram o deslocamento do homem: a posse de espaços territoriais, a exploração de riquezas, o conhecimento de novas terras, o estudo de locais específicos, ou simplesmente a viagem como forma de lazer. (...) No plano ficcional, vários autores no Ocidente, a partir do Homero, com a Odisséia, se dedicaram a usar as viagens como tema. Na literatura de língua portuguesa, os registros iniciais são oriundos dos relatos orais de marinheiros, apontamentos náuticos, diários de bordo, escritos de pilotos que, presumidamente, serviram de fonte para Gomes Eanes de Zurara, primeiro cronista conhecido das viagens oceânicas portuguesas. Na história literária na América e do Brasil, os primeiros registros advêm dos escritos de viajantes: o Diário de Critóvão Colombo e a Carta de Pero Vaz de Caminha. A revelação de novos espaços, paisagens, floras, faunas, costumes e religiões, as aventuras e peripécias de viagens mais fabulosas que dos romances de cavalaria e as dos poemas da Antiguidade, inspiraram [...] uma vasta literatura descritiva e narrativa, que assumiu várias formas desde os grandes tratados históricos ou geográficos em grossos volumes até às curtas reportagens em folhetos de cordel. (Saraiva Lopes, 1982, p. 294). Em cada época, as jornadas se realizaram de formas e condições variadas, seus viajantes apresentam objetivos diversos como conquista, exploração, reconhecimento, administração, catequese, aventura ou lazer. Durante o iluminismo, com a mudança de mentalidade de muitos dirigentes, as relações entre os governos da Europa e suas colônias da América assumem novos significados, assim, as viagens passaram a ter o caráter científico. O empreendedor dessas jornadas tem a preocupação com a observação, a descrição e a classificação de tudo que há nas terras conquistadas no século XVI para que os governos possam inventariar a fortuna natural de suas colônias e obter controle sobre elas. TEXTO 2 José de Anchieta, jesuíta hispano-brasileiro. UOL Educação. José de Anchieta, Jesuíta hispano-brasileiro. Disponível em: http://educação.uol.com.br/biografias/ult1789u421.jhtmcapturado em 18.05.09. José de Anchieta nasceu em família rica, numa das sete ilhas Canárias, de onde avistava os navios que se abasteciam no ponto de Tenerife para seguir rumo ao Oriente ou ao Novo Mundo. O pai era um nobre basco, e a mãe, uma judia conversa. Aos 14 anos foi estudar em Coimbra (Portugal). Sentia a vocação religiosa e, em 1551, foi admitido como noviço no colégio jesuíta da Universidade de Coimbra. Em 1553, com 19 anos, foi convidado a vir para o Brasil como missionário acompanhando Duarte da Costa, o segundo governador-geral nomeado pela Coroa. No comecinho de 1554, chegou a São Vicente, a primeira vila fundada no Brasil. Lá teve o primeiro contato com os índios. No mesmo ano, junto com o jesuíta português Manuel de Nóbrega, subiu a serra do Mar até o planalto que os índios denominavam Piratininga, ao longo do rio Tietê. Os dois missionários estabeleceram um pequeno colégio, e, em 25 de janeiro de 1554, celebrou-se ali a primeira missa. Anchieta começou o trabalho de conversão, batismo e catequese. Para os índios, foi médico sacerdote e educador: cuidava do corpo, da alma e da mente. Na catequese, usava o teatro e a poesia, tornando a aprendizagem um processo prazeroso. Ensinou latim aos índios, aprendeu tupi-guarani com eles e (seguindo a tradição missionária, que mandava assimilar e registrar os idiomas) escreveu a Arte da Gramática da Língua Mais Falada na Costa do Brasil, publicada em Coimbra em 1595. O colégio de São Paulo da Piratininga, como era chamado, logo expandiu seu núcleo. Mas, ao longo do litoral de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, as tribos formaram uma aliança (conhecida como Confederação dos Tamoios) que atacou São Paulo diversas vezes entre 1562 e 1564. Anchieta e Nóbrega tiveram um conflito com Duarte da Costa e decidiram iniciar as negociações de paz com os tamoios em Iperoig (hoje Ubatuba). Anchieta, falando tupiguarani e viajando por toda aquela costa, foi crucial para ganhar a confiança dos índios, e, após muitos incidentes, estabeleceu-se a paz entre tamoios, tupinambás e portugueses. Nessa época, Anchieta escreveu o Poema em Louvor à Virgem Maria, com 5.732 versos, alguns dos quais traçados nas areias das praias. Em 1565, entrou com Estácio de Sá na baía de Guanabara, onde estabeleceram os fundamentos do que viria a ser a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. TEXTO 3 Padre Fernão Cardim FREYRE, Gilberto. Casa Grande Senzala Introdução à história da sociedade colonial no Brasil Formação da Família Brasileira sob o Regime da Economia Patriarcal. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio. Ed. 1993, 20 ed. É certo que o Padre Fernão Cardim, nos seus Tratados, está sempre a falar da fartura de carne, de aves e até de frutas com que foi recebido por toda parte no Brasil do séc. XVI, entre os homens ricos e os colégios de padres. Mas de Cardim deve-se tomar em consideração o seu caráter de padre visitador, recebido nos engenhos e colégios com festas e jantares excepcionais. Era um personagem a quem todo agrado que fizessem os colonos era pouco: a boa impressão que lhe causassem a mesa farta e os leitos macios dos grandes senhores de escravos talvez atenuasse a péssima, a vida dissoluta que todos eles levavam nos engenhos de açúcar: os peccados que se cometem nelles (nos engenhos) não tem conta: quase todos andam amancebados por causa das muitas occasioes; bem cheio de peccados via esse doce por que tanto fazem; grande é a peciencia de Deus que tanto soffre. TEXTO 4 Retirantes da educação MARCH, Rodrigo. Retirantes da educação. Caderno Boa Chance: O GLOBO, 10 de maio de 2009. Irinilda da Silva, de 31 anos, deixou de amamentar a filha, de quatro meses, que ficou em casa com o pai. Robéria Gomes, de 36, viajou grávida e seu bebê, João Vitor, nasceu na quinta-feira passada, no Hospital Central do Exército, em Benfica. As duas são retirantes da educação: integram um grupo de 12 professores do Acre que cruzou 4521 quilômetros de Brasil, superando uma série de dificuldades, para fazer uma pós-graduação. Um exemplo das barreiras de qualificação profissional no país. Hoje, 53% dos cursos de mestrado e doutorado estão no Sudeste; só 3,8% na Região Norte, a de menor cobertura. Eles estão aproveitando um convênio firmado entre a Universidade Federal do Acre (UFAC) e a Universidade Federal Fluminense (UFF), de Niterói. Onze fazem mestrado e uma, doutorado. Todos em educação mesmo as faculdades particulares do Acre não têm curso de pós-graduação nessa área. Nove deles dividem a mesma casa em São Domingos, Niterói, como num Big Brother, só que sem conforto algum. Para se ter uma ideia, a TV foi emprestada por uma colega de curso, e quase todos dormem em colchonetes. Apesar da proximidade à Faculdade de Educação da UFF, só andam em grupos: por insegurança, sensação que ainda não tinham experimentado. O périplo deles começou antes mesmo de a parceria com a UFF ser fechada, já que eles já tinham tentado convênios com outras instituições, mas que não possuíam cursos com nota cinco em avaliação, uma determinação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), da qual são bolsistas. Foram oferecidas 15 vagas no mestrado, porém dos 19 inscritos, só 11 foram aprovados. No doutorado, apenas três se inscreveram, mas só uma passou na seleção. A dificuldade seguinte foi encontrar uma casa para alugar em Niterói. A professora de letras Sâmia El-Hassani, de 46 anos, veio 15 dias antes para tentar resolver o problema. O marido dela, Dalbi DÁvila, também é de letras e faz o mestrado. Trouxeram os filhos, que foram matriculados numa escola. Niterói não aluga imóvel por temporada, pelo menos na área do Centro e da Zona Sul observa Sâmia, que também achou os preços altíssimos. Com muito custo e também por falta de opção , eles conseguiram uma casa que estava à venda, mas que sequer tinha torneiras. O dono aceitou fazer um contrato de três meses com pagamento antecipado de R$ 6.800,00 enquanto não acha um comprador. Mas eles vão precisar renovar mais um mês, já que estarão na cidade até 17 de julho no segundo semestre, os professores da UFF vão ao Acre dar as aulas, sendo que ano que vem, o vaivém se repete, pois o curso de mestrado é de dois anos. A relação que se estabelece no quarto parágrafo do texto 2, entre Ensinou, aprendeu e seguindo, sugere PRINCIPALMENTE

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(IME-2009) TEXTO 1 Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem NEVES, Auricléa Oliveira das. Entre a lembrança e a realidade: registros de viagem. Amazonas: Universidade do Estado do Amazonas, 2008. As viagens têm um profundo significado na história da humanidade. Inicialmente, no período da coleta, as migrações se faziam pela necessidade de buscar alimentos, posteriormente elas foram realizadas para conquistar espaços mais apropriados para o bem estar da comunidade. Outros objetivos também suscitaram o deslocamento do homem: a posse de espaços territoriais, a exploração de riquezas, o conhecimento de novas terras, o estudo de locais específicos, ou simplesmente a viagem como forma de lazer. (...) No plano ficcional, vários autores no Ocidente, a partir do Homero, com a Odisséia, se dedicaram a usar as viagens como tema. Na literatura de língua portuguesa, os registros iniciais são oriundos dos relatos orais de marinheiros, apontamentos náuticos, diários de bordo, escritos de pilotos que, presumidamente, serviram de fonte para Gomes Eanes de Zurara, primeiro cronista conhecido das viagens oceânicas portuguesas. Na história literária na América e do Brasil, os primeiros registros advêm dos escritos de viajantes: o Diário de Critóvão Colombo e a Carta de Pero Vaz de Caminha. A revelação de novos espaços, paisagens, floras, faunas, costumes e religiões, as aventuras e peripécias de viagens mais fabulosas que dos romances de cavalaria e as dos poemas da Antiguidade, inspiraram [...] uma vasta literatura descritiva e narrativa, que assumiu várias formas desde os grandes tratados históricos ou geográficos em grossos volumes até às curtas reportagens em folhetos de cordel. (Saraiva Lopes, 1982, p. 294). Em cada época, as jornadas se realizaram de formas e condições variadas, seus viajantes apresentam objetivos diversos como conquista, exploração, reconhecimento, administração, catequese, aventura ou lazer. Durante o iluminismo, com a mudança de mentalidade de muitos dirigentes, as relações entre os governos da Europa e suas colônias da América assumem novos significados, assim, as viagens passaram a ter o caráter científico. O empreendedor dessas jornadas tem a preocupação com a observação, a descrição e a classificação de tudo que há nas terras conquistadas no século XVI para que os governos possam inventariar a fortuna natural de suas colônias e obter controle sobre elas. TEXTO 2 José de Anchieta, jesuíta hispano-brasileiro. UOL Educação. José de Anchieta, Jesuíta hispano-brasileiro. Disponível em: http://educação.uol.com.br/biografias/ult1789u421.jhtmcapturado em 18.05.09. José de Anchieta nasceu em família rica, numa das sete ilhas Canárias, de onde avistava os navios que se abasteciam no ponto de Tenerife para seguir rumo ao Oriente ou ao Novo Mundo. O pai era um nobre basco, e a mãe, uma judia conversa. Aos 14 anos foi estudar em Coimbra (Portugal). Sentia a vocação religiosa e, em 1551, foi admitido como noviço no colégio jesuíta da Universidade de Coimbra. Em 1553, com 19 anos, foi convidado a vir para o Brasil como missionário acompanhando Duarte da Costa, o segundo governador-geral nomeado pela Coroa. No comecinho de 1554, chegou a São Vicente, a primeira vila fundada no Brasil. Lá teve o primeiro contato com os índios. No mesmo ano, junto com o jesuíta português Manuel de Nóbrega, subiu a serra do Mar até o planalto que os índios denominavam Piratininga, ao longo do rio Tietê. Os dois missionários estabeleceram um pequeno colégio, e, em 25 de janeiro de 1554, celebrou-se ali a primeira missa. Anchieta começou o trabalho de conversão, batismo e catequese. Para os índios, foi médico sacerdote e educador: cuidava do corpo, da alma e da mente. Na catequese, usava o teatro e a poesia, tornando a aprendizagem um processo prazeroso. Ensinou latim aos índios, aprendeu tupi-guarani com eles e (seguindo a tradição missionária, que mandava assimilar e registrar os idiomas) escreveu a Arte da Gramática da Língua Mais Falada na Costa do Brasil, publicada em Coimbra em 1595. O colégio de São Paulo da Piratininga, como era chamado, logo expandiu seu núcleo. Mas, ao longo do litoral de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, as tribos formaram uma aliança (conhecida como Confederação dos Tamoios) que atacou São Paulo diversas vezes entre 1562 e 1564. Anchieta e Nóbrega tiveram um conflito com Duarte da Costa e decidiram iniciar as negociações de paz com os tamoios em Iperoig (hoje Ubatuba). Anchieta, falando tupiguarani e viajando por toda aquela costa, foi crucial para ganhar a confiança dos índios, e, após muitos incidentes, estabeleceu-se a paz entre tamoios, tupinambás e portugueses. Nessa época, Anchieta escreveu o Poema em Louvor à Virgem Maria, com 5.732 versos, alguns dos quais traçados nas areias das praias. Em 1565, entrou com Estácio de Sá na baía de Guanabara, onde estabeleceram os fundamentos do que viria a ser a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. TEXTO 3 Padre Fernão Cardim FREYRE, Gilberto. Casa Grande Senzala Introdução à história da sociedade colonial no Brasil Formação da Família Brasileira sob o Regime da Economia Patriarcal. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio. Ed. 1993, 20 ed. É certo que o Padre Fernão Cardim, nos seus Tratados, está sempre a falar da fartura de carne, de aves e até de frutas com que foi recebido por toda parte no Brasil do séc. XVI, entre os homens ricos e os colégios de padres. Mas de Cardim deve-se tomar em consideração o seu caráter de padre visitador, recebido nos engenhos e colégios com festas e jantares excepcionais. Era um personagem a quem todo agrado que fizessem os colonos era pouco: a boa impressão que lhe causassem a mesa farta e os leitos macios dos grandes senhores de escravos talvez atenuasse a péssima, a vida dissoluta que todos eles levavam nos engenhos de açúcar: os peccados que se cometem nelles (nos engenhos) não tem conta: quase todos andam amancebados por causa das muitas occasioes; bem cheio de peccados via esse doce por que tanto fazem; grande é a peciencia de Deus que tanto soffre. TEXTO 4 Retirantes da educação MARCH, Rodrigo. Retirantes da educação. Caderno Boa Chance: O GLOBO, 10 de maio de 2009. Irinilda da Silva, de 31 anos, deixou de amamentar a filha, de quatro meses, que ficou em casa com o pai. Robéria Gomes, de 36, viajou grávida e seu bebê, João Vitor, nasceu na quinta-feira passada, no Hospital Central do Exército, em Benfica. As duas são retirantes da educação: integram um grupo de 12 professores do Acre que cruzou 4521 quilômetros de Brasil, superando uma série de dificuldades, para fazer uma pós-graduação. Um exemplo das barreiras de qualificação profissional no país. Hoje, 53% dos cursos de mestrado e doutorado estão no Sudeste; só 3,8% na Região Norte, a de menor cobertura. Eles estão aproveitando um convênio firmado entre a Universidade Federal do Acre (UFAC) e a Universidade Federal Fluminense (UFF), de Niterói. Onze fazem mestrado e uma, doutorado. Todos em educação mesmo as faculdades particulares do Acre não têm curso de pós-graduação nessa área. Nove deles dividem a mesma casa em São Domingos, Niterói, como num Big Brother, só que sem conforto algum. Para se ter uma ideia, a TV foi emprestada por uma colega de curso, e quase todos dormem em colchonetes. Apesar da proximidade à Faculdade de Educação da UFF, só andam em grupos: por insegurança, sensação que ainda não tinham experimentado. O périplo deles começou antes mesmo de a parceria com a UFF ser fechada, já que eles já tinham tentado convênios com outras instituições, mas que não possuíam cursos com nota cinco em avaliação, uma determinação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), da qual são bolsistas. Foram oferecidas 15 vagas no mestrado, porém dos 19 inscritos, só 11 foram aprovados. No doutorado, apenas três se inscreveram, mas só uma passou na seleção. A dificuldade seguinte foi encontrar uma casa para alugar em Niterói. A professora de letras Sâmia El-Hassani, de 46 anos, veio 15 dias antes para tentar resolver o problema. O marido dela, Dalbi DÁvila, também é de letras e faz o mestrado. Trouxeram os filhos, que foram matriculados numa escola. Niterói não aluga imóvel por temporada, pelo menos na área do Centro e da Zona Sul observa Sâmia, que também achou os preços altíssimos. Com muito custo e também por falta de opção , eles conseguiram uma casa que estava à venda, mas que sequer tinha torneiras. O dono aceitou fazer um contrato de três meses com pagamento antecipado de R$ 6.800,00 enquanto não acha um comprador. Mas eles vão precisar renovar mais um mês, já que estarão na cidade até 17 de julho no segundo semestre, os professores da UFF vão ao Acre dar as aulas, sendo que ano que vem, o vaivém se repete, pois o curso de mestrado é de dois anos. O processo de coesão pode ser realizado através de vocábulos anafóricos aqueles que se referem a um outro anteriormente expresso. A oração do texto 2, que NÃO apresenta vocábulo anafórico é:

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(IME 2008) Texto I Imigração Japonesa no Brasil A abolição da escravatura no Brasil em 1888 dá novo impulso à vinda de imigrantes europeus, cujo início se deu com os alemães em 1824. Em 1895 é assinado o Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre o Brasil e o Japão. Com 781 japoneses a bordo, o navio Kasato-maru aporta em Santos. De lá eles são 5 transportados para a hospedaria dos imigrantes, em São Paulo. Na cafeicultura, a imigração começa com péssimos resultados. Um ano após a chegada ao Brasil, dos 781 imigrantes, apenas 191 permaneceram nos locais de trabalho. A maioria estava em São Paulo, Santos e Argentina. Apesar disso, a imigração continua com a chegada da segunda leva de imigrantes em 1910. 10 Em 1952 é assinado o Tratado de Paz entre o Brasil e o Japão. Nova leva de imigrantes chega ao Brasil para trabalhar nas fazendas administradas pelos japoneses. Grupo de jovens que imigra através da Cooperativa de Cotia recebe o nome de Cotia Seinen. O primeiro grupo chega em 1955. O crescimento industrial no Japão e o período que foi chamado de milagre 15 econômico brasileiro dão origem a grandes investimentos japoneses no Brasil. Os nisseis acabam sendo uma ponte entre os novos japoneses e os brasileiros. As famílias agrícolas estabelecidas no Brasil passaram a procurar novas oportunidades e buscavam novos espaços para seus filhos. O grande esforço familiar para o estudo de seus filhos faz com que grande número de nisseis ocupe vagas nas melhores 20 universidades do país. Mais tarde, com o rápido crescimento econômico no Japão, as indústrias japonesas foram obrigadas a contratar mão-de-obra estrangeira para os trabalhos mais pesados ou repetitivos. Disso, resultou o movimento dekassegui por volta de 1985, que foi aumentando, no Brasil, à medida que os planos econômicos fracassavam. Parte da 25 família, cujos ascendentes eram japoneses, deixava o Brasil como dekassegui, enquanto a outra permanecia para prosseguir os estudos ou administrar os negócios. Isso ocasionou problemas sociais, tanto por parte daqueles que não se adaptaram à nova realidade, como daqueles que foram abandonados pelos seus entes e até perderam contato. 30 Com o passar dos anos, surgiram muitas empresas especializadas em agenciar os dekasseguis, como também firmas comerciais no Japão que visaram especificamente o público brasileiro. Em algumas cidades japonesas formaram-se verdadeiras colônias de brasileiros. Disponível em: www.culturajaponesa.com.br ( texto adaptado). Acesso em: 29 ago 2008. _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Texto II Rio: uma cidade plural já em 1808 As mulheres se sentavam no chão, com as pernas cruzadas. Nas ruas o dinheiro corria no maior entreposto de escravos da colônia. SANDRA MOREYRA Jornal O Globo- 28/11/2007 (adaptado) Uma cidade que era um grande porto, com gente de todas as colônias e feitorias portuguesas da África e da Ásia. O Rio era uma cidade quase oriental em 1808. As mulheres se sentavam no chão, com as pernas cruzadas. À mesa, os homens usavam a mesma faca que traziam presa à cintura, para se defender de um 5 inimigo, para descascar frutas ou partir a carne. Nas ruas o dinheiro corria no maior entreposto de escravos da colônia. Corriam também dejetos nas ruas e valas. Negros escravos ou libertos eram dois terços da população e se vestiam ainda de acordo com sua nação de origem. Não só pelo tipo físico bem diferente, como pelas roupas, era possível saber quem vinha do Congo, de Angola ou do Mali; quem era muçulmano, 10 quem vinha da nobreza africana. Nesta cidade, que já era plural, mas que não tinha infra-estrutura, onde havia assaltos e comércio ilegal nas ruas, chegou um aviso em janeiro de 1808. A corte estava em pleno mar, escapara de Napoleão e estava a caminho do Brasil. O vice-rei começou a fazer os preparativos e saiu desalojando os maiores 15 comerciantes locais de suas casas, para cedê-las aos novos moradores. Eram pintadas nas portas das casas requisitadas para a Corte as iniciais PR, de Príncipe Regente, que viraram prédio roubado ou ponha-se na rua. Era o jeito que herdamos do sangue lusitano de rir de nossas próprias mazelas. Quando as naus com a família real chegaram por aqui, em março de 1808, já 20 haviam passado pela Bahia e permanecido por um mês em Salvador. Aqui a festa foi imensa e o relato mais divertido e detalhado é o do Padre Luis Gonçalves dos Santos, o Padre Perereca. O padre que vivia no Brasil era um admirador incondicional da monarquia, dos ritos da corte, da etiqueta. Quando descobre que a Corte está chegando, fica assanhadíssimo porque vai ver de perto 25 Sua Alteza Real D. João Nosso Senhor, como chamava o regente. É ele quem conta que a chegada dos Bragança por aqui foi acompanhada de luzes, fogos de artifício, badalar de sinos, aplausos e cânticos. Perereca diz que parecia que o sol não havia se posto, tamanha a quantidade de tochas e velas que iluminavam as casas, o largo do Paço e as ruas do centro. 30 O Rio tinha 46 ruas naquela época. D João se dirigiu à Sé provisoriamente instalada na Igreja do Rosário dos Homens Pretos, porque a Igreja do Carmo, a Sé oficial, estava em obras. Houve uma determinação de que os homens pretos e também os mestiços não deveriam comparecer à cerimônia, na Igreja deles, porque o Príncipe poderia ficar assustado com a quantidade de negros na cidade. Eles se 35 esconderam numa esquina e quando o cortejo chegou à Igreja, entraram batucando e cantando e todos se misturaram. Assim era o Rio. Assim era o Brasil. _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Foram retiradas todas as vírgulas do trecho apresentado abaixo. Leia-o com a finalidade de pontuá-lo corretamente. A chegada dos japoneses ( 1 ) é um bom mote para falar dos outros imigrantes ( 2 ) que deram cara nova ao país. Primeiro foram os portugueses ( 3 ) que chegaram a partir do século 16. Por volta de 1850 ( 4 ) alemães fundaram comunidades no Rio de Janeiro ( 5 ) no Rio Grande do Sul ( 6 ) em Santa Catarina ( 7 ) e no Espírito Santo. Os italianos ( 8 ) aportaram aqui em 1870 ( 9 ) ocupando o Sul e o Sudeste. Em 1888 (10) com a abolição da escravatura (11) e a maior oferta de empregos na lavoura cafeeira (12) a imigração deu um salto: o Brasil recebeu (13) nada menos (14) que 1 milhão de estrangeiros (15) antes da virada do século. Os números que devem ser substituídos por vírgulas são:

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(IME 2008) Texto I Imigração Japonesa no Brasil A abolição da escravatura no Brasil em 1888 dá novo impulso à vinda de imigrantes europeus, cujo início se deu com os alemães em 1824. Em 1895 é assinado o Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre o Brasil e o Japão. Com 781 japoneses a bordo, o navio Kasato-maru aporta em Santos. De lá eles são 5 transportados para a hospedaria dos imigrantes, em São Paulo. Na cafeicultura, a imigração começa com péssimos resultados. Um ano após a chegada ao Brasil, dos 781 imigrantes, apenas 191 permaneceram nos locais de trabalho. A maioria estava em São Paulo, Santos e Argentina. Apesar disso, a imigração continua com a chegada da segunda leva de imigrantes em 1910. 10 Em 1952 é assinado o Tratado de Paz entre o Brasil e o Japão. Nova leva de imigrantes chega ao Brasil para trabalhar nas fazendas administradas pelos japoneses. Grupo de jovens que imigra através da Cooperativa de Cotia recebe o nome de Cotia Seinen. O primeiro grupo chega em 1955. O crescimento industrial no Japão e o período que foi chamado de milagre 15 econômico brasileiro dão origem a grandes investimentos japoneses no Brasil. Os nisseis acabam sendo uma ponte entre os novos japoneses e os brasileiros. As famílias agrícolas estabelecidas no Brasil passaram a procurar novas oportunidades e buscavam novos espaços para seus filhos. O grande esforço familiar para o estudo de seus filhos faz com que grande número de nisseis ocupe vagas nas melhores 20 universidades do país. Mais tarde, com o rápido crescimento econômico no Japão, as indústrias japonesas foram obrigadas a contratar mão-de-obra estrangeira para os trabalhos mais pesados ou repetitivos. Disso, resultou o movimento dekassegui por volta de 1985, que foi aumentando, no Brasil, à medida que os planos econômicos fracassavam. Parte da 25 família, cujos ascendentes eram japoneses, deixava o Brasil como dekassegui, enquanto a outra permanecia para prosseguir os estudos ou administrar os negócios. Isso ocasionou problemas sociais, tanto por parte daqueles que não se adaptaram à nova realidade, como daqueles que foram abandonados pelos seus entes e até perderam contato. 30 Com o passar dos anos, surgiram muitas empresas especializadas em agenciar os dekasseguis, como também firmas comerciais no Japão que visaram especificamente o público brasileiro. Em algumas cidades japonesas formaram-se verdadeiras colônias de brasileiros. Disponível em: www.culturajaponesa.com.br ( texto adaptado). Acesso em: 29 ago 2008. _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Texto II Rio: uma cidade plural já em 1808 As mulheres se sentavam no chão, com as pernas cruzadas. Nas ruas o dinheiro corria no maior entreposto de escravos da colônia. SANDRA MOREYRA Jornal O Globo- 28/11/2007 (adaptado) Uma cidade que era um grande porto, com gente de todas as colônias e feitorias portuguesas da África e da Ásia. O Rio era uma cidade quase oriental em 1808. As mulheres se sentavam no chão, com as pernas cruzadas. À mesa, os homens usavam a mesma faca que traziam presa à cintura, para se defender de um 5 inimigo, para descascar frutas ou partir a carne. Nas ruas o dinheiro corria no maior entreposto de escravos da colônia. Corriam também dejetos nas ruas e valas. Negros escravos ou libertos eram dois terços da população e se vestiam ainda de acordo com sua nação de origem. Não só pelo tipo físico bem diferente, como pelas roupas, era possível saber quem vinha do Congo, de Angola ou do Mali; quem era muçulmano, 10 quem vinha da nobreza africana. Nesta cidade, que já era plural, mas que não tinha infra-estrutura, onde havia assaltos e comércio ilegal nas ruas, chegou um aviso em janeiro de 1808. A corte estava em pleno mar, escapara de Napoleão e estava a caminho do Brasil. O vice-rei começou a fazer os preparativos e saiu desalojando os maiores 15 comerciantes locais de suas casas, para cedê-las aos novos moradores. Eram pintadas nas portas das casas requisitadas para a Corte as iniciais PR, de Príncipe Regente, que viraram prédio roubado ou ponha-se na rua. Era o jeito que herdamos do sangue lusitano de rir de nossas próprias mazelas. Quando as naus com a família real chegaram por aqui, em março de 1808, já 20 haviam passado pela Bahia e permanecido por um mês em Salvador. Aqui a festa foi imensa e o relato mais divertido e detalhado é o do Padre Luis Gonçalves dos Santos, o Padre Perereca. O padre que vivia no Brasil era um admirador incondicional da monarquia, dos ritos da corte, da etiqueta. Quando descobre que a Corte está chegando, fica assanhadíssimo porque vai ver de perto 25 Sua Alteza Real D. João Nosso Senhor, como chamava o regente. É ele quem conta que a chegada dos Bragança por aqui foi acompanhada de luzes, fogos de artifício, badalar de sinos, aplausos e cânticos. Perereca diz que parecia que o sol não havia se posto, tamanha a quantidade de tochas e velas que iluminavam as casas, o largo do Paço e as ruas do centro. 30 O Rio tinha 46 ruas naquela época. D João se dirigiu à Sé provisoriamente instalada na Igreja do Rosário dos Homens Pretos, porque a Igreja do Carmo, a Sé oficial, estava em obras. Houve uma determinação de que os homens pretos e também os mestiços não deveriam comparecer à cerimônia, na Igreja deles, porque o Príncipe poderia ficar assustado com a quantidade de negros na cidade. Eles se 35 esconderam numa esquina e quando o cortejo chegou à Igreja, entraram batucando e cantando e todos se misturaram. Assim era o Rio. Assim era o Brasil. _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Sobre o texto Rio: uma cidade plural já em 1808, podemos afirmar que é uma:

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(IME 2008) Texto I Imigração Japonesa no Brasil A abolição da escravatura no Brasil em 1888 dá novo impulso à vinda de imigrantes europeus, cujo início se deu com os alemães em 1824. Em 1895 é assinado o Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre o Brasil e o Japão. Com 781 japoneses a bordo, o navio Kasato-maru aporta em Santos. De lá eles são 5 transportados para a hospedaria dos imigrantes, em São Paulo. Na cafeicultura, a imigração começa com péssimos resultados. Um ano após a chegada ao Brasil, dos 781 imigrantes, apenas 191 permaneceram nos locais de trabalho. A maioria estava em São Paulo, Santos e Argentina. Apesar disso, a imigração continua com a chegada da segunda leva de imigrantes em 1910. 10 Em 1952 é assinado o Tratado de Paz entre o Brasil e o Japão. Nova leva de imigrantes chega ao Brasil para trabalhar nas fazendas administradas pelos japoneses. Grupo de jovens que imigra através da Cooperativa de Cotia recebe o nome de Cotia Seinen. O primeiro grupo chega em 1955. O crescimento industrial no Japão e o período que foi chamado de milagre 15 econômico brasileiro dão origem a grandes investimentos japoneses no Brasil. Os nisseis acabam sendo uma ponte entre os novos japoneses e os brasileiros. As famílias agrícolas estabelecidas no Brasil passaram a procurar novas oportunidades e buscavam novos espaços para seus filhos. O grande esforço familiar para o estudo de seus filhos faz com que grande número de nisseis ocupe vagas nas melhores 20 universidades do país. Mais tarde, com o rápido crescimento econômico no Japão, as indústrias japonesas foram obrigadas a contratar mão-de-obra estrangeira para os trabalhos mais pesados ou repetitivos. Disso, resultou o movimento dekassegui por volta de 1985, que foi aumentando, no Brasil, à medida que os planos econômicos fracassavam. Parte da 25 família, cujos ascendentes eram japoneses, deixava o Brasil como dekassegui, enquanto a outra permanecia para prosseguir os estudos ou administrar os negócios. Isso ocasionou problemas sociais, tanto por parte daqueles que não se adaptaram à nova realidade, como daqueles que foram abandonados pelos seus entes e até perderam contato. 30 Com o passar dos anos, surgiram muitas empresas especializadas em agenciar os dekasseguis, como também firmas comerciais no Japão que visaram especificamente o público brasileiro. Em algumas cidades japonesas formaram-se verdadeiras colônias de brasileiros. Disponível em: www.culturajaponesa.com.br ( texto adaptado). Acesso em: 29 ago 2008. _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Texto II Rio: uma cidade plural já em 1808 As mulheres se sentavam no chão, com as pernas cruzadas. Nas ruas o dinheiro corria no maior entreposto de escravos da colônia. SANDRA MOREYRA Jornal O Globo- 28/11/2007 (adaptado) Uma cidade que era um grande porto, com gente de todas as colônias e feitorias portuguesas da África e da Ásia. O Rio era uma cidade quase oriental em 1808. As mulheres se sentavam no chão, com as pernas cruzadas. À mesa, os homens usavam a mesma faca que traziam presa à cintura, para se defender de um 5 inimigo, para descascar frutas ou partir a carne. Nas ruas o dinheiro corria no maior entreposto de escravos da colônia. Corriam também dejetos nas ruas e valas. Negros escravos ou libertos eram dois terços da população e se vestiam ainda de acordo com sua nação de origem. Não só pelo tipo físico bem diferente, como pelas roupas, era possível saber quem vinha do Congo, de Angola ou do Mali; quem era muçulmano, 10 quem vinha da nobreza africana. Nesta cidade, que já era plural, mas que não tinha infra-estrutura, onde havia assaltos e comércio ilegal nas ruas, chegou um aviso em janeiro de 1808. A corte estava em pleno mar, escapara de Napoleão e estava a caminho do Brasil. O vice-rei começou a fazer os preparativos e saiu desalojando os maiores 15 comerciantes locais de suas casas, para cedê-las aos novos moradores. Eram pintadas nas portas das casas requisitadas para a Corte as iniciais PR, de Príncipe Regente, que viraram prédio roubado ou ponha-se na rua. Era o jeito que herdamos do sangue lusitano de rir de nossas próprias mazelas. Quando as naus com a família real chegaram por aqui, em março de 1808, já 20 haviam passado pela Bahia e permanecido por um mês em Salvador. Aqui a festa foi imensa e o relato mais divertido e detalhado é o do Padre Luis Gonçalves dos Santos, o Padre Perereca. O padre que vivia no Brasil era um admirador incondicional da monarquia, dos ritos da corte, da etiqueta. Quando descobre que a Corte está chegando, fica assanhadíssimo porque vai ver de perto 25 Sua Alteza Real D. João Nosso Senhor, como chamava o regente. É ele quem conta que a chegada dos Bragança por aqui foi acompanhada de luzes, fogos de artifício, badalar de sinos, aplausos e cânticos. Perereca diz que parecia que o sol não havia se posto, tamanha a quantidade de tochas e velas que iluminavam as casas, o largo do Paço e as ruas do centro. 30 O Rio tinha 46 ruas naquela época. D João se dirigiu à Sé provisoriamente instalada na Igreja do Rosário dos Homens Pretos, porque a Igreja do Carmo, a Sé oficial, estava em obras. Houve uma determinação de que os homens pretos e também os mestiços não deveriam comparecer à cerimônia, na Igreja deles, porque o Príncipe poderia ficar assustado com a quantidade de negros na cidade. Eles se 35 esconderam numa esquina e quando o cortejo chegou à Igreja, entraram batucando e cantando e todos se misturaram. Assim era o Rio. Assim era o Brasil. _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Observe o fragmento retirado do TEXTO 2. As mulheres se sentavam no chão, com as pernas cruzadas. Nas ruas o dinheiro corria no maior entreposto de escravos da colônia. Que expressão pode substituir o vocábulo sublinhado sem alterar o significado?

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(IME 2008) Texto I Imigração Japonesa no Brasil A abolição da escravatura no Brasil em 1888 dá novo impulso à vinda de imigrantes europeus, cujo início se deu com os alemães em 1824. Em 1895 é assinado o Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre o Brasil e o Japão. Com 781 japoneses a bordo, o navio Kasato-maru aporta em Santos. De lá eles são 5 transportados para a hospedaria dos imigrantes, em São Paulo. Na cafeicultura, a imigração começa com péssimos resultados. Um ano após a chegada ao Brasil, dos 781 imigrantes, apenas 191 permaneceram nos locais de trabalho. A maioria estava em São Paulo, Santos e Argentina. Apesar disso, a imigração continua com a chegada da segunda leva de imigrantes em 1910. 10 Em 1952 é assinado o Tratado de Paz entre o Brasil e o Japão. Nova leva de imigrantes chega ao Brasil para trabalhar nas fazendas administradas pelos japoneses. Grupo de jovens que imigra através da Cooperativa de Cotia recebe o nome de Cotia Seinen. O primeiro grupo chega em 1955. O crescimento industrial no Japão e o período que foi chamado de milagre 15 econômico brasileiro dão origem a grandes investimentos japoneses no Brasil. Os nisseis acabam sendo uma ponte entre os novos japoneses e os brasileiros. As famílias agrícolas estabelecidas no Brasil passaram a procurar novas oportunidades e buscavam novos espaços para seus filhos. O grande esforço familiar para o estudo de seus filhos faz com que grande número de nisseis ocupe vagas nas melhores 20 universidades do país. Mais tarde, com o rápido crescimento econômico no Japão, as indústrias japonesas foram obrigadas a contratar mão-de-obra estrangeira para os trabalhos mais pesados ou repetitivos. Disso, resultou o movimento dekassegui por volta de 1985, que foi aumentando, no Brasil, à medida que os planos econômicos fracassavam. Parte da 25 família, cujos ascendentes eram japoneses, deixava o Brasil como dekassegui, enquanto a outra permanecia para prosseguir os estudos ou administrar os negócios. Isso ocasionou problemas sociais, tanto por parte daqueles que não se adaptaram à nova realidade, como daqueles que foram abandonados pelos seus entes e até perderam contato. 30 Com o passar dos anos, surgiram muitas empresas especializadas em agenciar os dekasseguis, como também firmas comerciais no Japão que visaram especificamente o público brasileiro. Em algumas cidades japonesas formaram-se verdadeiras colônias de brasileiros. Disponível em: www.culturajaponesa.com.br ( texto adaptado). Acesso em: 29 ago 2008. _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Texto II Rio: uma cidade plural já em 1808 As mulheres se sentavam no chão, com as pernas cruzadas. Nas ruas o dinheiro corria no maior entreposto de escravos da colônia. SANDRA MOREYRA Jornal O Globo- 28/11/2007 (adaptado) Uma cidade que era um grande porto, com gente de todas as colônias e feitorias portuguesas da África e da Ásia. O Rio era uma cidade quase oriental em 1808. As mulheres se sentavam no chão, com as pernas cruzadas. À mesa, os homens usavam a mesma faca que traziam presa à cintura, para se defender de um 5 inimigo, para descascar frutas ou partir a carne. Nas ruas o dinheiro corria no maior entreposto de escravos da colônia. Corriam também dejetos nas ruas e valas. Negros escravos ou libertos eram dois terços da população e se vestiam ainda de acordo com sua nação de origem. Não só pelo tipo físico bem diferente, como pelas roupas, era possível saber quem vinha do Congo, de Angola ou do Mali; quem era muçulmano, 10 quem vinha da nobreza africana. Nesta cidade, que já era plural, mas que não tinha infra-estrutura, onde havia assaltos e comércio ilegal nas ruas, chegou um aviso em janeiro de 1808. A corte estava em pleno mar, escapara de Napoleão e estava a caminho do Brasil. O vice-rei começou a fazer os preparativos e saiu desalojando os maiores 15 comerciantes locais de suas casas, para cedê-las aos novos moradores. Eram pintadas nas portas das casas requisitadas para a Corte as iniciais PR, de Príncipe Regente, que viraram prédio roubado ou ponha-se na rua. Era o jeito que herdamos do sangue lusitano de rir de nossas próprias mazelas. Quando as naus com a família real chegaram por aqui, em março de 1808, já 20 haviam passado pela Bahia e permanecido por um mês em Salvador. Aqui a festa foi imensa e o relato mais divertido e detalhado é o do Padre Luis Gonçalves dos Santos, o Padre Perereca. O padre que vivia no Brasil era um admirador incondicional da monarquia, dos ritos da corte, da etiqueta. Quando descobre que a Corte está chegando, fica assanhadíssimo porque vai ver de perto 25 Sua Alteza Real D. João Nosso Senhor, como chamava o regente. É ele quem conta que a chegada dos Bragança por aqui foi acompanhada de luzes, fogos de artifício, badalar de sinos, aplausos e cânticos. Perereca diz que parecia que o sol não havia se posto, tamanha a quantidade de tochas e velas que iluminavam as casas, o largo do Paço e as ruas do centro. 30 O Rio tinha 46 ruas naquela época. D João se dirigiu à Sé provisoriamente instalada na Igreja do Rosário dos Homens Pretos, porque a Igreja do Carmo, a Sé oficial, estava em obras. Houve uma determinação de que os homens pretos e também os mestiços não deveriam comparecer à cerimônia, na Igreja deles, porque o Príncipe poderia ficar assustado com a quantidade de negros na cidade. Eles se 35 esconderam numa esquina e quando o cortejo chegou à Igreja, entraram batucando e cantando e todos se misturaram. Assim era o Rio. Assim era o Brasil. _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Que informação NÃO está clara nos textos apresentados?

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(IME 2008) Texto I Imigração Japonesa no Brasil A abolição da escravatura no Brasil em 1888 dá novo impulso à vinda de imigrantes europeus, cujo início se deu com os alemães em 1824. Em 1895 é assinado o Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre o Brasil e o Japão. Com 781 japoneses a bordo, o navio Kasato-maru aporta em Santos. De lá eles são 5 transportados para a hospedaria dos imigrantes, em São Paulo. Na cafeicultura, a imigração começa com péssimos resultados. Um ano após a chegada ao Brasil, dos 781 imigrantes, apenas 191 permaneceram nos locais de trabalho. A maioria estava em São Paulo, Santos e Argentina. Apesar disso, a imigração continua com a chegada da segunda leva de imigrantes em 1910. 10 Em 1952 é assinado o Tratado de Paz entre o Brasil e o Japão. Nova leva de imigrantes chega ao Brasil para trabalhar nas fazendas administradas pelos japoneses. Grupo de jovens que imigra através da Cooperativa de Cotia recebe o nome de Cotia Seinen. O primeiro grupo chega em 1955. O crescimento industrial no Japão e o período que foi chamado de milagre 15 econômico brasileiro dão origem a grandes investimentos japoneses no Brasil. Os nisseis acabam sendo uma ponte entre os novos japoneses e os brasileiros. As famílias agrícolas estabelecidas no Brasil passaram a procurar novas oportunidades e buscavam novos espaços para seus filhos. O grande esforço familiar para o estudo de seus filhos faz com que grande número de nisseis ocupe vagas nas melhores 20 universidades do país. Mais tarde, com o rápido crescimento econômico no Japão, as indústrias japonesas foram obrigadas a contratar mão-de-obra estrangeira para os trabalhos mais pesados ou repetitivos. Disso, resultou o movimento dekassegui por volta de 1985, que foi aumentando, no Brasil, à medida que os planos econômicos fracassavam. Parte da 25 família, cujos ascendentes eram japoneses, deixava o Brasil como dekassegui, enquanto a outra permanecia para prosseguir os estudos ou administrar os negócios. Isso ocasionou problemas sociais, tanto por parte daqueles que não se adaptaram à nova realidade, como daqueles que foram abandonados pelos seus entes e até perderam contato. 30 Com o passar dos anos, surgiram muitas empresas especializadas em agenciar os dekasseguis, como também firmas comerciais no Japão que visaram especificamente o público brasileiro. Em algumas cidades japonesas formaram-se verdadeiras colônias de brasileiros. Disponível em: www.culturajaponesa.com.br ( texto adaptado). Acesso em: 29 ago 2008. _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Texto II Rio: uma cidade plural já em 1808 As mulheres se sentavam no chão, com as pernas cruzadas. Nas ruas o dinheiro corria no maior entreposto de escravos da colônia. SANDRA MOREYRA Jornal O Globo- 28/11/2007 (adaptado) Uma cidade que era um grande porto, com gente de todas as colônias e feitorias portuguesas da África e da Ásia. O Rio era uma cidade quase oriental em 1808. As mulheres se sentavam no chão, com as pernas cruzadas. À mesa, os homens usavam a mesma faca que traziam presa à cintura, para se defender de um 5 inimigo, para descascar frutas ou partir a carne. Nas ruas o dinheiro corria no maior entreposto de escravos da colônia. Corriam também dejetos nas ruas e valas. Negros escravos ou libertos eram dois terços da população e se vestiam ainda de acordo com sua nação de origem. Não só pelo tipo físico bem diferente, como pelas roupas, era possível saber quem vinha do Congo, de Angola ou do Mali; quem era muçulmano, 10 quem vinha da nobreza africana. Nesta cidade, que já era plural, mas que não tinha infra-estrutura, onde havia assaltos e comércio ilegal nas ruas, chegou um aviso em janeiro de 1808. A corte estava em pleno mar, escapara de Napoleão e estava a caminho do Brasil. O vice-rei começou a fazer os preparativos e saiu desalojando os maiores 15 comerciantes locais de suas casas, para cedê-las aos novos moradores. Eram pintadas nas portas das casas requisitadas para a Corte as iniciais PR, de Príncipe Regente, que viraram prédio roubado ou ponha-se na rua. Era o jeito que herdamos do sangue lusitano de rir de nossas próprias mazelas. Quando as naus com a família real chegaram por aqui, em março de 1808, já 20 haviam passado pela Bahia e permanecido por um mês em Salvador. Aqui a festa foi imensa e o relato mais divertido e detalhado é o do Padre Luis Gonçalves dos Santos, o Padre Perereca. O padre que vivia no Brasil era um admirador incondicional da monarquia, dos ritos da corte, da etiqueta. Quando descobre que a Corte está chegando, fica assanhadíssimo porque vai ver de perto 25 Sua Alteza Real D. João Nosso Senhor, como chamava o regente. É ele quem conta que a chegada dos Bragança por aqui foi acompanhada de luzes, fogos de artifício, badalar de sinos, aplausos e cânticos. Perereca diz que parecia que o sol não havia se posto, tamanha a quantidade de tochas e velas que iluminavam as casas, o largo do Paço e as ruas do centro. 30 O Rio tinha 46 ruas naquela época. D João se dirigiu à Sé provisoriamente instalada na Igreja do Rosário dos Homens Pretos, porque a Igreja do Carmo, a Sé oficial, estava em obras. Houve uma determinação de que os homens pretos e também os mestiços não deveriam comparecer à cerimônia, na Igreja deles, porque o Príncipe poderia ficar assustado com a quantidade de negros na cidade. Eles se 35 esconderam numa esquina e quando o cortejo chegou à Igreja, entraram batucando e cantando e todos se misturaram. Assim era o Rio. Assim era o Brasil. _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Observe o TEXTO 1 e o que se considera sobre ele. I. Possui caráter informativo, mantendo a objetividade. II. O emprego dos tempos verbais contribui para valorizar o aspecto descritivo do texto. III. Apresenta freqüentes expressões que indicam mudança temporal. IV. Aponta o fluxo imigratório entre Brasil e Japão em ambos os sentidos. V. Faz referência a dificuldades enfrentadas pelos japoneses em sua terra natal. As alternativas corretas são apenas:

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(IME 2008) Texto I Imigração Japonesa no Brasil A abolição da escravatura no Brasil em 1888 dá novo impulso à vinda de imigrantes europeus, cujo início se deu com os alemães em 1824. Em 1895 é assinado o Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre o Brasil e o Japão. Com 781 japoneses a bordo, o navio Kasato-maru aporta em Santos. De lá eles são 5 transportados para a hospedaria dos imigrantes, em São Paulo. Na cafeicultura, a imigração começa com péssimos resultados. Um ano após a chegada ao Brasil, dos 781 imigrantes, apenas 191 permaneceram nos locais de trabalho. A maioria estava em São Paulo, Santos e Argentina. Apesar disso, a imigração continua com a chegada da segunda leva de imigrantes em 1910. 10 Em 1952 é assinado o Tratado de Paz entre o Brasil e o Japão. Nova leva de imigrantes chega ao Brasil para trabalhar nas fazendas administradas pelos japoneses. Grupo de jovens que imigra através da Cooperativa de Cotia recebe o nome de Cotia Seinen. O primeiro grupo chega em 1955. O crescimento industrial no Japão e o período que foi chamado de milagre 15 econômico brasileiro dão origem a grandes investimentos japoneses no Brasil. Os nisseis acabam sendo uma ponte entre os novos japoneses e os brasileiros. As famílias agrícolas estabelecidas no Brasil passaram a procurar novas oportunidades e buscavam novos espaços para seus filhos. O grande esforço familiar para o estudo de seus filhos faz com que grande número de nisseis ocupe vagas nas melhores 20 universidades do país. Mais tarde, com o rápido crescimento econômico no Japão, as indústrias japonesas foram obrigadas a contratar mão-de-obra estrangeira para os trabalhos mais pesados ou repetitivos. Disso, resultou o movimento dekassegui por volta de 1985, que foi aumentando, no Brasil, à medida que os planos econômicos fracassavam. Parte da 25 família, cujos ascendentes eram japoneses, deixava o Brasil como dekassegui, enquanto a outra permanecia para prosseguir os estudos ou administrar os negócios. Isso ocasionou problemas sociais, tanto por parte daqueles que não se adaptaram à nova realidade, como daqueles que foram abandonados pelos seus entes e até perderam contato. 30 Com o passar dos anos, surgiram muitas empresas especializadas em agenciar os dekasseguis, como também firmas comerciais no Japão que visaram especificamente o público brasileiro. Em algumas cidades japonesas formaram-se verdadeiras colônias de brasileiros. Disponível em: www.culturajaponesa.com.br ( texto adaptado). Acesso em: 29 ago 2008. _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Texto II Rio: uma cidade plural já em 1808 As mulheres se sentavam no chão, com as pernas cruzadas. Nas ruas o dinheiro corria no maior entreposto de escravos da colônia. SANDRA MOREYRA Jornal O Globo- 28/11/2007 (adaptado) Uma cidade que era um grande porto, com gente de todas as colônias e feitorias portuguesas da África e da Ásia. O Rio era uma cidade quase oriental em 1808. As mulheres se sentavam no chão, com as pernas cruzadas. À mesa, os homens usavam a mesma faca que traziam presa à cintura, para se defender de um 5 inimigo, para descascar frutas ou partir a carne. Nas ruas o dinheiro corria no maior entreposto de escravos da colônia. Corriam também dejetos nas ruas e valas. Negros escravos ou libertos eram dois terços da população e se vestiam ainda de acordo com sua nação de origem. Não só pelo tipo físico bem diferente, como pelas roupas, era possível saber quem vinha do Congo, de Angola ou do Mali; quem era muçulmano, 10 quem vinha da nobreza africana. Nesta cidade, que já era plural, mas que não tinha infra-estrutura, onde havia assaltos e comércio ilegal nas ruas, chegou um aviso em janeiro de 1808. A corte estava em pleno mar, escapara de Napoleão e estava a caminho do Brasil. O vice-rei começou a fazer os preparativos e saiu desalojando os maiores 15 comerciantes locais de suas casas, para cedê-las aos novos moradores. Eram pintadas nas portas das casas requisitadas para a Corte as iniciais PR, de Príncipe Regente, que viraram prédio roubado ou ponha-se na rua. Era o jeito que herdamos do sangue lusitano de rir de nossas próprias mazelas. Quando as naus com a família real chegaram por aqui, em março de 1808, já 20 haviam passado pela Bahia e permanecido por um mês em Salvador. Aqui a festa foi imensa e o relato mais divertido e detalhado é o do Padre Luis Gonçalves dos Santos, o Padre Perereca. O padre que vivia no Brasil era um admirador incondicional da monarquia, dos ritos da corte, da etiqueta. Quando descobre que a Corte está chegando, fica assanhadíssimo porque vai ver de perto 25 Sua Alteza Real D. João Nosso Senhor, como chamava o regente. É ele quem conta que a chegada dos Bragança por aqui foi acompanhada de luzes, fogos de artifício, badalar de sinos, aplausos e cânticos. Perereca diz que parecia que o sol não havia se posto, tamanha a quantidade de tochas e velas que iluminavam as casas, o largo do Paço e as ruas do centro. 30 O Rio tinha 46 ruas naquela época. D João se dirigiu à Sé provisoriamente instalada na Igreja do Rosário dos Homens Pretos, porque a Igreja do Carmo, a Sé oficial, estava em obras. Houve uma determinação de que os homens pretos e também os mestiços não deveriam comparecer à cerimônia, na Igreja deles, porque o Príncipe poderia ficar assustado com a quantidade de negros na cidade. Eles se 35 esconderam numa esquina e quando o cortejo chegou à Igreja, entraram batucando e cantando e todos se misturaram. Assim era o Rio. Assim era o Brasil. _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Eram pintadas nas portas das casas requisitadas para a Corte as iniciais PR, de Príncipe Regente, que viraram prédio roubado ou ponha-se na rua. A palavra que sublinhada no período acima tem a mesma função em:

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(IME 2008) Texto I Imigração Japonesa no Brasil A abolição da escravatura no Brasil em 1888 dá novo impulso à vinda de imigrantes europeus, cujo início se deu com os alemães em 1824. Em 1895 é assinado o Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre o Brasil e o Japão. Com 781 japoneses a bordo, o navio Kasato-maru aporta em Santos. De lá eles são 5 transportados para a hospedaria dos imigrantes, em São Paulo. Na cafeicultura, a imigração começa com péssimos resultados. Um ano após a chegada ao Brasil, dos 781 imigrantes, apenas 191 permaneceram nos locais de trabalho. A maioria estava em São Paulo, Santos e Argentina. Apesar disso, a imigração continua com a chegada da segunda leva de imigrantes em 1910. 10 Em 1952 é assinado o Tratado de Paz entre o Brasil e o Japão. Nova leva de imigrantes chega ao Brasil para trabalhar nas fazendas administradas pelos japoneses. Grupo de jovens que imigra através da Cooperativa de Cotia recebe o nome de Cotia Seinen. O primeiro grupo chega em 1955. O crescimento industrial no Japão e o período que foi chamado de milagre 15 econômico brasileiro dão origem a grandes investimentos japoneses no Brasil. Os nisseis acabam sendo uma ponte entre os novos japoneses e os brasileiros. As famílias agrícolas estabelecidas no Brasil passaram a procurar novas oportunidades e buscavam novos espaços para seus filhos. O grande esforço familiar para o estudo de seus filhos faz com que grande número de nisseis ocupe vagas nas melhores 20 universidades do país. Mais tarde, com o rápido crescimento econômico no Japão, as indústrias japonesas foram obrigadas a contratar mão-de-obra estrangeira para os trabalhos mais pesados ou repetitivos. Disso, resultou o movimento dekassegui por volta de 1985, que foi aumentando, no Brasil, à medida que os planos econômicos fracassavam. Parte da 25 família, cujos ascendentes eram japoneses, deixava o Brasil como dekassegui, enquanto a outra permanecia para prosseguir os estudos ou administrar os negócios. Isso ocasionou problemas sociais, tanto por parte daqueles que não se adaptaram à nova realidade, como daqueles que foram abandonados pelos seus entes e até perderam contato. 30 Com o passar dos anos, surgiram muitas empresas especializadas em agenciar os dekasseguis, como também firmas comerciais no Japão que visaram especificamente o público brasileiro. Em algumas cidades japonesas formaram-se verdadeiras colônias de brasileiros. Disponível em: www.culturajaponesa.com.br ( texto adaptado). Acesso em: 29 ago 2008. _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Texto II Rio: uma cidade plural já em 1808 As mulheres se sentavam no chão, com as pernas cruzadas. Nas ruas o dinheiro corria no maior entreposto de escravos da colônia. SANDRA MOREYRA Jornal O Globo- 28/11/2007 (adaptado) Uma cidade que era um grande porto, com gente de todas as colônias e feitorias portuguesas da África e da Ásia. O Rio era uma cidade quase oriental em 1808. As mulheres se sentavam no chão, com as pernas cruzadas. À mesa, os homens usavam a mesma faca que traziam presa à cintura, para se defender de um 5 inimigo, para descascar frutas ou partir a carne. Nas ruas o dinheiro corria no maior entreposto de escravos da colônia. Corriam também dejetos nas ruas e valas. Negros escravos ou libertos eram dois terços da população e se vestiam ainda de acordo com sua nação de origem. Não só pelo tipo físico bem diferente, como pelas roupas, era possível saber quem vinha do Congo, de Angola ou do Mali; quem era muçulmano, 10 quem vinha da nobreza africana. Nesta cidade, que já era plural, mas que não tinha infra-estrutura, onde havia assaltos e comércio ilegal nas ruas, chegou um aviso em janeiro de 1808. A corte estava em pleno mar, escapara de Napoleão e estava a caminho do Brasil. O vice-rei começou a fazer os preparativos e saiu desalojando os maiores 15 comerciantes locais de suas casas, para cedê-las aos novos moradores. Eram pintadas nas portas das casas requisitadas para a Corte as iniciais PR, de Príncipe Regente, que viraram prédio roubado ou ponha-se na rua. Era o jeito que herdamos do sangue lusitano de rir de nossas próprias mazelas. Quando as naus com a família real chegaram por aqui, em março de 1808, já 20 haviam passado pela Bahia e permanecido por um mês em Salvador. Aqui a festa foi imensa e o relato mais divertido e detalhado é o do Padre Luis Gonçalves dos Santos, o Padre Perereca. O padre que vivia no Brasil era um admirador incondicional da monarquia, dos ritos da corte, da etiqueta. Quando descobre que a Corte está chegando, fica assanhadíssimo porque vai ver de perto 25 Sua Alteza Real D. João Nosso Senhor, como chamava o regente. É ele quem conta que a chegada dos Bragança por aqui foi acompanhada de luzes, fogos de artifício, badalar de sinos, aplausos e cânticos. Perereca diz que parecia que o sol não havia se posto, tamanha a quantidade de tochas e velas que iluminavam as casas, o largo do Paço e as ruas do centro. 30 O Rio tinha 46 ruas naquela época. D João se dirigiu à Sé provisoriamente instalada na Igreja do Rosário dos Homens Pretos, porque a Igreja do Carmo, a Sé oficial, estava em obras. Houve uma determinação de que os homens pretos e também os mestiços não deveriam comparecer à cerimônia, na Igreja deles, porque o Príncipe poderia ficar assustado com a quantidade de negros na cidade. Eles se 35 esconderam numa esquina e quando o cortejo chegou à Igreja, entraram batucando e cantando e todos se misturaram. Assim era o Rio. Assim era o Brasil. _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ A imigração na cafeicultura começa com péssimos resultados. (Texto 1, linha 6) Imigração- Estabelecimento de indivíduos em país estranho Emigração- Saída voluntária da pátria, para se estabelecer em outro país. São parônimos os vocábulos de pronuncia e grafia semelhantes, mas que possuem significados diferentes. O item em que o vocábulo parônimo destacado está de acordo com o significado apresentado entre parênteses é:

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(IME 2008) Texto I Imigração Japonesa no Brasil A abolição da escravatura no Brasil em 1888 dá novo impulso à vinda de imigrantes europeus, cujo início se deu com os alemães em 1824. Em 1895 é assinado o Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre o Brasil e o Japão. Com 781 japoneses a bordo, o navio Kasato-maru aporta em Santos. De lá eles são 5 transportados para a hospedaria dos imigrantes, em São Paulo. Na cafeicultura, a imigração começa com péssimos resultados. Um ano após a chegada ao Brasil, dos 781 imigrantes, apenas 191 permaneceram nos locais de trabalho. A maioria estava em São Paulo, Santos e Argentina. Apesar disso, a imigração continua com a chegada da segunda leva de imigrantes em 1910. 10 Em 1952 é assinado o Tratado de Paz entre o Brasil e o Japão. Nova leva de imigrantes chega ao Brasil para trabalhar nas fazendas administradas pelos japoneses. Grupo de jovens que imigra através da Cooperativa de Cotia recebe o nome de Cotia Seinen. O primeiro grupo chega em 1955. O crescimento industrial no Japão e o período que foi chamado de milagre 15 econômico brasileiro dão origem a grandes investimentos japoneses no Brasil. Os nisseis acabam sendo uma ponte entre os novos japoneses e os brasileiros. As famílias agrícolas estabelecidas no Brasil passaram a procurar novas oportunidades e buscavam novos espaços para seus filhos. O grande esforço familiar para o estudo de seus filhos faz com que grande número de nisseis ocupe vagas nas melhores 20 universidades do país. Mais tarde, com o rápido crescimento econômico no Japão, as indústrias japonesas foram obrigadas a contratar mão-de-obra estrangeira para os trabalhos mais pesados ou repetitivos. Disso, resultou o movimento dekassegui por volta de 1985, que foi aumentando, no Brasil, à medida que os planos econômicos fracassavam. Parte da 25 família, cujos ascendentes eram japoneses, deixava o Brasil como dekassegui, enquanto a outra permanecia para prosseguir os estudos ou administrar os negócios. Isso ocasionou problemas sociais, tanto por parte daqueles que não se adaptaram à nova realidade, como daqueles que foram abandonados pelos seus entes e até perderam contato. 30 Com o passar dos anos, surgiram muitas empresas especializadas em agenciar os dekasseguis, como também firmas comerciais no Japão que visaram especificamente o público brasileiro. Em algumas cidades japonesas formaram-se verdadeiras colônias de brasileiros. Disponível em: www.culturajaponesa.com.br ( texto adaptado). Acesso em: 29 ago 2008. _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Texto II Rio: uma cidade plural já em 1808 As mulheres se sentavam no chão, com as pernas cruzadas. Nas ruas o dinheiro corria no maior entreposto de escravos da colônia. SANDRA MOREYRA Jornal O Globo- 28/11/2007 (adaptado) Uma cidade que era um grande porto, com gente de todas as colônias e feitorias portuguesas da África e da Ásia. O Rio era uma cidade quase oriental em 1808. As mulheres se sentavam no chão, com as pernas cruzadas. À mesa, os homens usavam a mesma faca que traziam presa à cintura, para se defender de um 5 inimigo, para descascar frutas ou partir a carne. Nas ruas o dinheiro corria no maior entreposto de escravos da colônia. Corriam também dejetos nas ruas e valas. Negros escravos ou libertos eram dois terços da população e se vestiam ainda de acordo com sua nação de origem. Não só pelo tipo físico bem diferente, como pelas roupas, era possível saber quem vinha do Congo, de Angola ou do Mali; quem era muçulmano, 10 quem vinha da nobreza africana. Nesta cidade, que já era plural, mas que não tinha infra-estrutura, onde havia assaltos e comércio ilegal nas ruas, chegou um aviso em janeiro de 1808. A corte estava em pleno mar, escapara de Napoleão e estava a caminho do Brasil. O vice-rei começou a fazer os preparativos e saiu desalojando os maiores 15 comerciantes locais de suas casas, para cedê-las aos novos moradores. Eram pintadas nas portas das casas requisitadas para a Corte as iniciais PR, de Príncipe Regente, que viraram prédio roubado ou ponha-se na rua. Era o jeito que herdamos do sangue lusitano de rir de nossas próprias mazelas. Quando as naus com a família real chegaram por aqui, em março de 1808, já 20 haviam passado pela Bahia e permanecido por um mês em Salvador. Aqui a festa foi imensa e o relato mais divertido e detalhado é o do Padre Luis Gonçalves dos Santos, o Padre Perereca. O padre que vivia no Brasil era um admirador incondicional da monarquia, dos ritos da corte, da etiqueta. Quando descobre que a Corte está chegando, fica assanhadíssimo porque vai ver de perto 25 Sua Alteza Real D. João Nosso Senhor, como chamava o regente. É ele quem conta que a chegada dos Bragança por aqui foi acompanhada de luzes, fogos de artifício, badalar de sinos, aplausos e cânticos. Perereca diz que parecia que o sol não havia se posto, tamanha a quantidade de tochas e velas que iluminavam as casas, o largo do Paço e as ruas do centro. 30 O Rio tinha 46 ruas naquela época. D João se dirigiu à Sé provisoriamente instalada na Igreja do Rosário dos Homens Pretos, porque a Igreja do Carmo, a Sé oficial, estava em obras. Houve uma determinação de que os homens pretos e também os mestiços não deveriam comparecer à cerimônia, na Igreja deles, porque o Príncipe poderia ficar assustado com a quantidade de negros na cidade. Eles se 35 esconderam numa esquina e quando o cortejo chegou à Igreja, entraram batucando e cantando e todos se misturaram. Assim era o Rio. Assim era o Brasil. _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ De acordo com a norma culta da nossa língua, que período pode ser considerado correto?

Questão
2008Português

(IME 2008) Texto I Imigração Japonesa no Brasil A abolição da escravatura no Brasil em 1888 dá novo impulso à vinda de imigrantes europeus, cujo início se deu com os alemães em 1824. Em 1895 é assinado o Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre o Brasil e o Japão. Com 781 japoneses a bordo, o navio Kasato-maru aporta em Santos. De lá eles são 5 transportados para a hospedaria dos imigrantes, em São Paulo. Na cafeicultura, a imigração começa com péssimos resultados. Um ano após a chegada ao Brasil, dos 781 imigrantes, apenas 191 permaneceram nos locais de trabalho. A maioria estava em São Paulo, Santos e Argentina. Apesar disso, a imigração continua com a chegada da segunda leva de imigrantes em 1910. 10 Em 1952 é assinado o Tratado de Paz entre o Brasil e o Japão. Nova leva de imigrantes chega ao Brasil para trabalhar nas fazendas administradas pelos japoneses. Grupo de jovens que imigra através da Cooperativa de Cotia recebe o nome de Cotia Seinen. O primeiro grupo chega em 1955. O crescimento industrial no Japão e o período que foi chamado de milagre 15 econômico brasileiro dão origem a grandes investimentos japoneses no Brasil. Os nisseis acabam sendo uma ponte entre os novos japoneses e os brasileiros. As famílias agrícolas estabelecidas no Brasil passaram a procurar novas oportunidades e buscavam novos espaços para seus filhos. O grande esforço familiar para o estudo de seus filhos faz com que grande número de nisseis ocupe vagas nas melhores 20 universidades do país. Mais tarde, com o rápido crescimento econômico no Japão, as indústrias japonesas foram obrigadas a contratar mão-de-obra estrangeira para os trabalhos mais pesados ou repetitivos. Disso, resultou o movimento dekassegui por volta de 1985, que foi aumentando, no Brasil, à medida que os planos econômicos fracassavam. Parte da 25 família, cujos ascendentes eram japoneses, deixava o Brasil como dekassegui, enquanto a outra permanecia para prosseguir os estudos ou administrar os negócios. Isso ocasionou problemas sociais, tanto por parte daqueles que não se adaptaram à nova realidade, como daqueles que foram abandonados pelos seus entes e até perderam contato. 30 Com o passar dos anos, surgiram muitas empresas especializadas em agenciar os dekasseguis, como também firmas comerciais no Japão que visaram especificamente o público brasileiro. Em algumas cidades japonesas formaram-se verdadeiras colônias de brasileiros. Disponível em: www.culturajaponesa.com.br ( texto adaptado). Acesso em: 29 ago 2008. _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Texto II Rio: uma cidade plural já em 1808 As mulheres se sentavam no chão, com as pernas cruzadas. Nas ruas o dinheiro corria no maior entreposto de escravos da colônia. SANDRA MOREYRA Jornal O Globo- 28/11/2007 (adaptado) Uma cidade que era um grande porto, com gente de todas as colônias e feitorias portuguesas da África e da Ásia. O Rio era uma cidade quase oriental em 1808. As mulheres se sentavam no chão, com as pernas cruzadas. À mesa, os homens usavam a mesma faca que traziam presa à cintura, para se defender de um 5 inimigo, para descascar frutas ou partir a carne. Nas ruas o dinheiro corria no maior entreposto de escravos da colônia. Corriam também dejetos nas ruas e valas. Negros escravos ou libertos eram dois terços da população e se vestiam ainda de acordo com sua nação de origem. Não só pelo tipo físico bem diferente, como pelas roupas, era possível saber quem vinha do Congo, de Angola ou do Mali; quem era muçulmano, 10 quem vinha da nobreza africana. Nesta cidade, que já era plural, mas que não tinha infra-estrutura, onde havia assaltos e comércio ilegal nas ruas, chegou um aviso em janeiro de 1808. A corte estava em pleno mar, escapara de Napoleão e estava a caminho do Brasil. O vice-rei começou a fazer os preparativos e saiu desalojando os maiores 15 comerciantes locais de suas casas, para cedê-las aos novos moradores. Eram pintadas nas portas das casas requisitadas para a Corte as iniciais PR, de Príncipe Regente, que viraram prédio roubado ou ponha-se na rua. Era o jeito que herdamos do sangue lusitano de rir de nossas próprias mazelas. Quando as naus com a família real chegaram por aqui, em março de 1808, já 20 haviam passado pela Bahia e permanecido por um mês em Salvador. Aqui a festa foi imensa e o relato mais divertido e detalhado é o do Padre Luis Gonçalves dos Santos, o Padre Perereca. O padre que vivia no Brasil era um admirador incondicional da monarquia, dos ritos da corte, da etiqueta. Quando descobre que a Corte está chegando, fica assanhadíssimo porque vai ver de perto 25 Sua Alteza Real D. João Nosso Senhor, como chamava o regente. É ele quem conta que a chegada dos Bragança por aqui foi acompanhada de luzes, fogos de artifício, badalar de sinos, aplausos e cânticos. Perereca diz que parecia que o sol não havia se posto, tamanha a quantidade de tochas e velas que iluminavam as casas, o largo do Paço e as ruas do centro. 30 O Rio tinha 46 ruas naquela época. D João se dirigiu à Sé provisoriamente instalada na Igreja do Rosário dos Homens Pretos, porque a Igreja do Carmo, a Sé oficial, estava em obras. Houve uma determinação de que os homens pretos e também os mestiços não deveriam comparecer à cerimônia, na Igreja deles, porque o Príncipe poderia ficar assustado com a quantidade de negros na cidade. Eles se 35 esconderam numa esquina e quando o cortejo chegou à Igreja, entraram batucando e cantando e todos se misturaram. Assim era o Rio. Assim era o Brasil. _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ O item que está de acordo com a norma culta é:

Questão
2008Português

(IME 2008) Texto I Imigração Japonesa no Brasil A abolição da escravatura no Brasil em 1888 dá novo impulso à vinda de imigrantes europeus, cujo início se deu com os alemães em 1824. Em 1895 é assinado o Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre o Brasil e o Japão. Com 781 japoneses a bordo, o navio Kasato-maru aporta em Santos. De lá eles são 5 transportados para a hospedaria dos imigrantes, em São Paulo. Na cafeicultura, a imigração começa com péssimos resultados. Um ano após a chegada ao Brasil, dos 781 imigrantes, apenas 191 permaneceram nos locais de trabalho. A maioria estava em São Paulo, Santos e Argentina. Apesar disso, a imigração continua com a chegada da segunda leva de imigrantes em 1910. 10 Em 1952 é assinado o Tratado de Paz entre o Brasil e o Japão. Nova leva de imigrantes chega ao Brasil para trabalhar nas fazendas administradas pelos japoneses. Grupo de jovens que imigra através da Cooperativa de Cotia recebe o nome de Cotia Seinen. O primeiro grupo chega em 1955. O crescimento industrial no Japão e o período que foi chamado de milagre 15 econômico brasileiro dão origem a grandes investimentos japoneses no Brasil. Os nisseis acabam sendo uma ponte entre os novos japoneses e os brasileiros. As famílias agrícolas estabelecidas no Brasil passaram a procurar novas oportunidades e buscavam novos espaços para seus filhos. O grande esforço familiar para o estudo de seus filhos faz com que grande número de nisseis ocupe vagas nas melhores 20 universidades do país. Mais tarde, com o rápido crescimento econômico no Japão, as indústrias japonesas foram obrigadas a contratar mão-de-obra estrangeira para os trabalhos mais pesados ou repetitivos. Disso, resultou o movimento dekassegui por volta de 1985, que foi aumentando, no Brasil, à medida que os planos econômicos fracassavam. Parte da 25 família, cujos ascendentes eram japoneses, deixava o Brasil como dekassegui, enquanto a outra permanecia para prosseguir os estudos ou administrar os negócios. Isso ocasionou problemas sociais, tanto por parte daqueles que não se adaptaram à nova realidade, como daqueles que foram abandonados pelos seus entes e até perderam contato. 30 Com o passar dos anos, surgiram muitas empresas especializadas em agenciar os dekasseguis, como também firmas comerciais no Japão que visaram especificamente o público brasileiro. Em algumas cidades japonesas formaram-se verdadeiras colônias de brasileiros. Disponível em: www.culturajaponesa.com.br ( texto adaptado). Acesso em: 29 ago 2008. _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Texto II Rio: uma cidade plural já em 1808 As mulheres se sentavam no chão, com as pernas cruzadas. Nas ruas o dinheiro corria no maior entreposto de escravos da colônia. SANDRA MOREYRA Jornal O Globo- 28/11/2007 (adaptado) Uma cidade que era um grande porto, com gente de todas as colônias e feitorias portuguesas da África e da Ásia. O Rio era uma cidade quase oriental em 1808. As mulheres se sentavam no chão, com as pernas cruzadas. À mesa, os homens usavam a mesma faca que traziam presa à cintura, para se defender de um 5 inimigo, para descascar frutas ou partir a carne. Nas ruas o dinheiro corria no maior entreposto de escravos da colônia. Corriam também dejetos nas ruas e valas. Negros escravos ou libertos eram dois terços da população e se vestiam ainda de acordo com sua nação de origem. Não só pelo tipo físico bem diferente, como pelas roupas, era possível saber quem vinha do Congo, de Angola ou do Mali; quem era muçulmano, 10 quem vinha da nobreza africana. Nesta cidade, que já era plural, mas que não tinha infra-estrutura, onde havia assaltos e comércio ilegal nas ruas, chegou um aviso em janeiro de 1808. A corte estava em pleno mar, escapara de Napoleão e estava a caminho do Brasil. O vice-rei começou a fazer os preparativos e saiu desalojando os maiores 15 comerciantes locais de suas casas, para cedê-las aos novos moradores. Eram pintadas nas portas das casas requisitadas para a Corte as iniciais PR, de Príncipe Regente, que viraram prédio roubado ou ponha-se na rua. Era o jeito que herdamos do sangue lusitano de rir de nossas próprias mazelas. Quando as naus com a família real chegaram por aqui, em março de 1808, já 20 haviam passado pela Bahia e permanecido por um mês em Salvador. Aqui a festa foi imensa e o relato mais divertido e detalhado é o do Padre Luis Gonçalves dos Santos, o Padre Perereca. O padre que vivia no Brasil era um admirador incondicional da monarquia, dos ritos da corte, da etiqueta. Quando descobre que a Corte está chegando, fica assanhadíssimo porque vai ver de perto 25 Sua Alteza Real D. João Nosso Senhor, como chamava o regente. É ele quem conta que a chegada dos Bragança por aqui foi acompanhada de luzes, fogos de artifício, badalar de sinos, aplausos e cânticos. Perereca diz que parecia que o sol não havia se posto, tamanha a quantidade de tochas e velas que iluminavam as casas, o largo do Paço e as ruas do centro. 30 O Rio tinha 46 ruas naquela época. D João se dirigiu à Sé provisoriamente instalada na Igreja do Rosário dos Homens Pretos, porque a Igreja do Carmo, a Sé oficial, estava em obras. Houve uma determinação de que os homens pretos e também os mestiços não deveriam comparecer à cerimônia, na Igreja deles, porque o Príncipe poderia ficar assustado com a quantidade de negros na cidade. Eles se 35 esconderam numa esquina e quando o cortejo chegou à Igreja, entraram batucando e cantando e todos se misturaram. Assim era o Rio. Assim era o Brasil. _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ De acordo com o TEXTO 1, dekassegui significa: A