Questões de Português - IME

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Questão 1
2015Português

[IME-2015 / 2016 - 1 fase] Texto 1 A QUMICA EM NOSSAS VIDAS Carlos Corra H a ideia generalizada de que o que natural bom e o que sinttico, o que resulta da ao do homem, mau. No vou citar os terremotos, tsunamis e tempestades, tudo natural, que no tm nada de bom, mas certas substncias naturais muito ms, como as toxinas produzidas naturalmente por certas bactrias e os vrus, todos to na moda nestes ltimos tempos. Dentre os maiores venenos que existem, seis so naturais. S o sarin (gs dos nervos) e as dioxinas que so de origem sinttica. Muitos alimentos contm substncias naturais que podem causar doenas, como por exemplo o isocianato de alila (alho, mostarda) que pode originar tumores, o benzopireno (defumados, churrascos) causador de cncer do estmago, os cianetos (amndoas amargas, mandioca) que so txicos, as hidrazinas (cogumelos) que so cancergenas, a saxtoxina (marisco) e a tetrodotoxina (peixe estragado) que causam paralisia e morte, certos taninos (caf, cacau) causadores de cncer do esfago e da boca e muitos outros. A m imagem da Qumica resulta da sua m utilizao e deve-se particularmente disperso de resduos no ambiente (que levam ao aquecimento global e mudanas climticas, ao buraco da camada de oznio e contaminao das guas e solos) e utilizao de aditivos alimentares e pesticidas. Muitos desses males so o resultado da pouca educao dos cidados. Quem separa e compacta o lixo? Quem entrega nas farmcias os medicamentos que se encontram fora do prazo de validade? Quem trata os efluentes dos currais e das pocilgas? Quem deixa toda a espcie de lixo nas areias das nossas praias e matas? Quem usa e abusa do automvel? Quem berra contra as queimadas mas enche a sala de fumaa, intoxicando toda a famlia? Quem no admira o fogo de artifcio, que enche a atmosfera e as guas de metais pesados? H o hbito de utilizar a expresso substncia qumica para designar substncias sintetizadas, imprimindo-lhes um ar perverso, de substncia maldita. H tempos passou na TV um anncio destinado a combater o uso do tabaco que dizia: o fumo do tabaco contm mais de 4000 substncias qumicas txicas, irritantes e cancergenas. Bastaria referir substncias, mas teve de aparecer o qualificativo qumicas para lhes dar um ar mais tenebroso. Todas as substncias, naturais ou de sntese, so substncias qumicas! Todas as substncias, naturais ou de sntese, podem ser prejudiciais sade! Tudo depende da dose. Qualquer dia aparecer uma notcia na TV referindo, logo a seguir s notcias dos dirigentes e jogadores de futebol, que A gua, substncia com a frmula molecular H2O, foi a substncia qumica responsvel por muitas mortes nas nossas praias por falta de cuidado! Porque os Qumicos determinaram as estruturas e propriedades dessas substncias, haver razo para lhes chamar substncias qumicas? Estamos sendo envenenados pelas muitas substncias qumicas que invadem as nossas vidas? A ideia de que o cncer est aumentando devido a essas substncias qumicas desmentida pelas estatsticas sobre o assunto, exceo do fumo do tabaco, que a maior causa de aumento do cncer do pulmo e das vias respiratrias. O aumento da longevidade acarreta necessariamente um aumento do nmero de cnceres. Curiosamente, o tabaco natural e essas 4000 substncias txicas, irritantes e cancergenas resultam da queima das folhas do tabaco. A reao de combusto no foi inventada pelos qumicos; vem da idade da pedra, quando o homem descobriu o fogo. O nmero de cnceres das vias respiratrias na mulher s comeou a crescer em meados dos anos 60, com a emancipao da mulher e o subsequente uso do cigarro. o tipo de cncer responsvel pelo maior nmero de mortes nos Estados Unidos. No verdade que as substncias de sntese (as substncias qumicas) sejam uma causa importante de cncer; isso sucede somente quando h exposio a altas doses. As maiores causas de cncer so o cigarro, o excesso de lcool, certas viroses, inflamaes crnicas e problemas hormonais. A melhor defesa uma dieta rica em frutos e vegetais. H alguns anos, metade das substncias testadas (naturais e sintticas) em roedores deram resultado positivo em alguns testes de carcinogenicidade. Muitos alimentos contm substncias naturais que do resultado positivo, como o caso do caf torrado, embora esse resultado no possa ser diretamente relacionado ao aparecimento de um cncer, pois apenas a presena de doses muito elevadas das substncias pode justificar tal relao. Embora um estudo realizado por Michael Shechter, do Instituto do Corao de Sheba, Israel, mostrasse que a cafena do caf tem propriedades antioxidantes, atuando no combate a radicais livres, diminuindo o risco de doenas cardiovasculares e alguns tipos de cncer, a verdade que, h meia dzia de anos, s 3% dos compostos existentes no caf tinham sido testados. Das trinta substncias testadas no caf torrado, vinte e uma eram cancergenas em roedores e faltava testar cerca de um milhar! Vamos deixar de tomar caf? Certamente que no. O que sucede que a Qumica hoje capaz de detectar e caracterizar quantidades minsculas de substncias, o que no sucedia no passado. Como se disse, o veneno est na dose e essas substncias esto presentes em concentraes demasiado pequenas para causar danos. Diante do que se sabe das substncias analisadas at aqui, todos concordam que o importante consumir abundantes quantidades de frutos e vegetais. Isso compensa inclusive riscos associados possvel presena de pequenas quantidades de pesticidas. CORRA, Carlos. A Qumica em nossas vidas. Disponvel em: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=49746op=all. Acesso em 17 Abr 2015. (Texto adaptado) Texto 2 CONSUMIDORES COM MAIS ACESSO INFORMAO QUESTIONAM A VERDADE QUE LHES VENDIDA nio Rodrigo Se voc mulher, talvez j tenha observado com mais ateno como a publicidade de produtos de beleza, especialmente os voltados a tratamentos de rejuvenescimento, usualmente possuem novssimos componentes anti-idade e micro-cpsulas que ajudam a sua pele a ter mais firmeza em oito dias, por exemplo, ou mesmo que determinados organismos vivos (mesmo depois deenvazados, transportados e acondicionados em prateleiras com pouco controle de temperatura) fervilham aos milhes dentro de um vasilhame esperando para serem ingeridos ajudando a regular sua flora intestinal. Homens, crianas, e todo tipo de pblico tambm no esto fora do alcance desse discurso que utiliza um recurso cada vez mais presente na publicidade: a cincia e a tecnologia como argumento de venda. Silvania Sousa do Nascimento, doutora em didtica da cincia e tecnologia pela Universidade Paris VI e professora da Faculdade de Educao da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), enxerga nesse processo um resqucio da viso positivista, na qual a cincia pode ser entendida como verdade absoluta. A viso de que a cincia a baliza tica da verdade e o mito do cientista como gnio criador amplamente difundida, mas entra, cada vez mais, em atrito com a realidade, principalmente em uma sociedade informacional, como ( 1 ) nossa, acrescenta. Para entender esse processo numa sociedade pautada na dinmica da informao, Ricardo Cavallini, consultor corporativo e autor do livro O marketing depois de amanh (Universo dos Livros, 2007), afirma que, primeiramente, devemos repensar a noo de pblico especfico ou senso comum. Essas categorizaes esto sendo postas de lado. A publicidade contempornea trata com pessoas e elas tm cada vez mais acesso ( 2 ) informao e assim que vejo a comunicao: com fronteiras menos marcadas e deixando de lado o paradigma de que o pblico passivo, acredita. Silvania concorda e diz que a sociedade comea ( 3 ) perceber que a verdade suprema estanque, no condiz com o dia-a-dia. Ao se depararem com uma informao, as pessoas comeam a pesquisar e isso as aproxima do fazer cientfico, ou seja, de que a verdade questionvel, enfatiza. Para a professora da UFMG, isso cria o jornalista contnuo, um indivduo que pe a verdade prova o tempo todo. A noo de cincia atual a de verdade em construo, ou seja, de que determinados produtos ou processos imediatamente anteriores ao atual, so defasados. Cavallini considera que ( 4 ) trs linhas de pensamento possveis que poderiam explicar a utilizao do recurso da imagem cientfica para vender: a quantidade de informao que a cincia pode agregar a um produto; o quanto essa informao pode ser usada como diferencial na concorrncia entre produtos similares; e a cincia como um selo de qualidade ou garantia. Ele cita o caso dos chamados produtos verdes, associados a determinadas caractersticas com vis ecolgico ou produtos que precisam de algum tipo de auditoria para comprovarem seu discurso. Na mdia, a cincia entra como mecanismo de validao, criando uma marca de avano tecnolgico, mesmo que por pouqussimo tempo, finaliza Silvania. O fascnio por determinados temas cientficos segue a lgica da saturao do termo, ou seja, ecoar algo que j esteja exercendo certo fascnio na sociedade. O interesse do pblico muda bastante e a publicidade se aproveita desses temas que esto na mdia para recri-los a partir de um jogo de seduo com a linguagem diz Cristina Bruzzo, pesquisadora da Faculdade de Educao da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e que acompanhou ( 5 ) apropriao da imagem da molcula de DNA pelas mdias (inclusive publicidade). A imagem do DNA, por exemplo, foi acrescida de diversos sentidos, que no o sentido original para a cincia, e transformado em discurso de venda de diversos produtos, diz. Onde esto os dados comprovando as afirmaes cientficas, no entanto? De acordo com Eduardo Corra, do Conselho Nacional de Auto Regulamentao Publicitria (Conar) os anncios, antes de serem veiculados com qualquer informao de cunho cientfico, devem trazer os registros de comprovao das pesquisas em rgos competentes. Segundo ele, o Conar no tem o papel de avalizar metodologias ou resultados, o que fica a cargo do Ministrio da Sade, Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria (Anvisa) ou outros rgos. O consumidor pode pedir uma reviso ou confirmao cientfica dos dados apresentados, contudo em 99% dos casos esses certificados so garantia de qualidade. Se surgirem dvidas, quanto a dados numricos de pesquisas de opinio pblica, temos analistas no Conar que podem dar seus pareceres, esclarece Corra. Mesmo assim, de acordo com ele, os processos investigatrios so rarssimos RODRIGO, Enio. Cincia e cultura na publicidade. Disponvel em: http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=S0009-67252009000100006script=sci_arttext.Acesso em 22/04/2015. Texto 3 SOLUO Joo Paiva Eu quero uma soluo homognea, preparada, coisa certa, controlada para ter tudo na mo. Soluo para questo que no ouso resolver. Diluda num balo elixir pra me entreter. Fao centrifugao para ter ar uniforme uso varinha conforme, seja mgica ou no. Busco uma soluo tudo lindo, direitinho eu quero ter tudo certinho ter o mundo nesta mo. Procuro mistura, ento aqueo tudo em cadinho. E vejo no ter soluo mas apenas um caminho... PAIVA, Joo. Quase poesia, quase qumica. Disponvel em: http://www.spq.pt/files/docs/boletim/poesia/quase-poesia-quase-quimica-jpaiva2012.pdf Acesso em: 22/04/2015. TEXTO 4 PSICOLOGIA DE UM VENCIDO Augusto dos Anjos Eu, filho do carbono e do amonaco, Monstro de escurido e rutilncia, Sofro, desde a epignese da infncia, A influncia m dos signos do zodaco Profundissimamente hipocondraco, Este ambiente me causa repugnncia... Sobe-me boca uma nsia anloga nsia Que se escapa da boca de um cardaco. J o verme este operrio das runas Que o sangue podre das carnificinas Come, e vida em geral declara guerra, Anda a espreitar meus olhos para ro-los, E h de deixar-me apenas os cabelos, Na frialdade inorgnica da terra! ANJOS, A. Eu e Outras Poesias. Rio de Janeiro: Civilizao Brasileira, 1998. Quanto aos textos desta prova, assinale a opo que oposta s mensagens veiculadas.

Questão 2
2015Português

[IME-2015 / 2016 - 1 fase] Texto 2 CONSUMIDORES COM MAIS ACESSO INFORMAO QUESTIONAM A VERDADE QUE LHES VENDIDA nio Rodrigo Se voc mulher, talvez j tenha observado com mais ateno como a publicidade de produtos de beleza, especialmente os voltados a tratamentos de rejuvenescimento, usualmente possuem novssimos componentes anti-idade e micro-cpsulas que ajudam a sua pele a ter mais firmeza em oito dias, por exemplo, ou mesmo que determinados organismos vivos (mesmo depois deenvazados, transportados e acondicionados em prateleiras com pouco controle de temperatura) fervilham aos milhes dentro de um vasilhame esperando para serem ingeridos ajudando a regular sua flora intestinal. Homens, crianas, e todo tipo de pblico tambm no esto fora do alcance desse discurso que utiliza um recurso cada vez mais presente na publicidade: a cincia e a tecnologia como argumento de venda. Silvania Sousa do Nascimento, doutora em didtica da cincia e tecnologia pela Universidade Paris VI e professora da Faculdade de Educao da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), enxerga nesse processo um resqucio da viso positivista, na qual a cincia pode ser entendida como verdade absoluta. A viso de que a cincia a baliza tica da verdade e o mito do cientista como gnio criador amplamente difundida, mas entra, cada vez mais, em atrito com a realidade, principalmente em uma sociedade informacional, como ( 1 ) nossa, acrescenta. Para entender esse processo numa sociedade pautada na dinmica da informao, Ricardo Cavallini, consultor corporativo e autor do livro O marketing depois de amanh (Universo dos Livros, 2007), afirma que, primeiramente, devemos repensar a noo de pblico especfico ou senso comum. Essas categorizaes esto sendo postas de lado. A publicidade contempornea trata com pessoas e elas tm cada vez mais acesso ( 2 ) informao e assim que vejo a comunicao: com fronteiras menos marcadas e deixando de lado o paradigma de que o pblico passivo, acredita. Silvania concorda e diz que a sociedade comea ( 3 ) perceber que a verdade suprema estanque, no condiz com o dia-a-dia. Ao se depararem com uma informao, as pessoas comeam a pesquisar e isso as aproxima do fazer cientfico, ou seja, de que a verdade questionvel, enfatiza. Para a professora da UFMG, isso cria o jornalista contnuo, um indivduo que pe a verdade prova o tempo todo. A noo de cincia atual a de verdade em construo, ou seja, de que determinados produtos ou processos imediatamente anteriores ao atual, so defasados. Cavallini considera que ( 4 ) trs linhas de pensamento possveis que poderiam explicar a utilizao do recurso da imagem cientfica para vender: a quantidade de informao que a cincia pode agregar a um produto; o quanto essa informao pode ser usada como diferencial na concorrncia entre produtos similares; e a cincia como um selo de qualidade ou garantia. Ele cita o caso dos chamados produtos verdes, associados a determinadas caractersticas com vis ecolgico ou produtos que precisam de algum tipo de auditoria para comprovarem seu discurso. Na mdia, a cincia entra como mecanismo de validao, criando uma marca de avano tecnolgico, mesmo que por pouqussimo tempo, finaliza Silvania. O fascnio por determinados temas cientficos segue a lgica da saturao do termo, ou seja, ecoar algo que j esteja exercendo certo fascnio na sociedade. O interesse do pblico muda bastante e a publicidade se aproveita desses temas que esto na mdia para recri-los a partir de um jogo de seduo com a linguagem diz Cristina Bruzzo, pesquisadora da Faculdade de Educao da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e que acompanhou ( 5 ) apropriao da imagem da molcula de DNA pelas mdias (inclusive publicidade). A imagem do DNA, por exemplo, foi acrescida de diversos sentidos, que no o sentido original para a cincia, e transformado em discurso de venda de diversos produtos, diz. Onde esto os dados comprovando as afirmaes cientficas, no entanto? De acordo com Eduardo Corra, do Conselho Nacional de Auto Regulamentao Publicitria (Conar) os anncios, antes de serem veiculados com qualquer informao de cunho cientfico, devem trazer os registros de comprovao das pesquisas em rgos competentes. Segundo ele, o Conar no tem o papel de avalizar metodologias ou resultados, o que fica a cargo do Ministrio da Sade, Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria (Anvisa) ou outros rgos. O consumidor pode pedir uma reviso ou confirmao cientfica dos dados apresentados, contudo em 99% dos casos esses certificados so garantia de qualidade. Se surgirem dvidas, quanto a dados numricos de pesquisas de opinio pblica, temos analistas no Conar que podem dar seus pareceres, esclarece Corra. Mesmo assim, de acordo com ele, os processos investigatrios so rarssimos. RODRIGO, Enio. Cincia e cultura na publicidade. Disponvel em: http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=S0009-67252009000100006script=sci_arttext.Acesso em 22/04/2015. Quanto ao texto 2, possvel inferir que

Questão 3
2015Português

[IME-2015 / 2016 - 1 fase] TEXTO 4 PSICOLOGIA DE UM VENCIDO Augusto dos Anjos Eu, filho do carbono e do amonaco, Monstro de escurido e rutilncia, Sofro, desde a epignese da infncia, A influncia m dos signos do zodaco Profundissimamente hipocondraco, Este ambiente me causa repugnncia... Sobe-me boca uma nsia anloga nsia Que se escapa da boca de um cardaco. J o verme este operrio das runas Que o sangue podre das carnificinas Come, e vida em geral declara guerra, Anda a espreitar meus olhos para ro-los, E h de deixar-me apenas os cabelos, Na frialdade inorgnica da terra! ANJOS, A. Eu e Outras Poesias. Rio de Janeiro: Civilizao Brasileira, 1998. Quanto ao poema de Augusto dos Anjos (texto 4), coerente afirmar que

Questão 4
2015Português

[IME-2015 / 2016 - 1 fase] Texto 2 CONSUMIDORES COM MAIS ACESSO INFORMAO QUESTIONAM A VERDADE QUE LHES VENDIDA nio Rodrigo Se voc mulher, talvez j tenha observado com mais ateno como a publicidade de produtos de beleza, especialmente os voltados a tratamentos de rejuvenescimento, usualmente possuem novssimos componentes anti-idade e micro-cpsulas que ajudam a sua pele a ter mais firmeza em oito dias, por exemplo, ou mesmo que determinados organismos vivos (mesmo depois deenvazados, transportados e acondicionados em prateleiras com pouco controle de temperatura) fervilham aos milhes dentro de um vasilhame esperando para serem ingeridos ajudando a regular sua flora intestinal. Homens, crianas, e todo tipo de pblico tambm no esto fora do alcance desse discurso que utiliza um recurso cada vez mais presente na publicidade: a cincia e a tecnologia como argumento de venda. Silvania Sousa do Nascimento, doutora em didtica da cincia e tecnologia pela Universidade Paris VI e professora da Faculdade de Educao da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), enxerga nesse processo um resqucio da viso positivista, na qual a cincia pode ser entendida como verdade absoluta. A viso de que a cincia a baliza tica da verdade e o mito do cientista como gnio criador amplamente difundida, mas entra, cada vez mais, em atrito com a realidade, principalmente em uma sociedade informacional, como (1) nossa, acrescenta. Para entender esse processo numa sociedade pautada na dinmica da informao, Ricardo Cavallini, consultor corporativo e autor do livro O marketing depois de amanh (Universo dos Livros, 2007), afirma que, primeiramente, devemos repensar a noo de pblico especfico ou senso comum. Essas categorizaes esto sendo postas de lado. A publicidade contempornea trata com pessoas e elas tm cada vez mais acesso (2) informao e assim que vejo a comunicao: com fronteiras menos marcadas e deixando de lado o paradigma de que o pblico passivo, acredita. Silvania concorda e diz que a sociedade comea (3) perceber que a verdade suprema estanque, no condiz com o dia-a-dia. Ao se depararem com uma informao, as pessoas comeam a pesquisar e isso as aproxima do fazer cientfico, ou seja, de que a verdade questionvel, enfatiza. Para a professora da UFMG, isso cria o jornalista contnuo, um indivduo que pe a verdade prova o tempo todo. A noo de cincia atual a de verdade em construo, ou seja, de que determinados produtos ou processos imediatamente anteriores ao atual, so defasados. Cavallini considera que (4) trs linhas de pensamento possveis que poderiam explicar a utilizao do recurso da imagem cientfica para vender: a quantidade de informao que a cincia pode agregar a um produto; o quanto essa informao pode ser usada como diferencial na concorrncia entre produtos similares; e a cincia como um selo de qualidade ou garantia. Ele cita o caso dos chamados produtos verdes, associados a determinadas caractersticas com vis ecolgico ou produtos que precisam de algum tipo de auditoria para comprovarem seu discurso. Na mdia, a cincia entra como mecanismo de validao, criando uma marca de avano tecnolgico, mesmo que por pouqussimo tempo, finaliza Silvania. O fascnio por determinados temas cientficos segue a lgica da saturao do termo, ou seja, ecoar algo que j esteja exercendo certo fascnio na sociedade. O interesse do pblico muda bastante e a publicidade se aproveita desses temas que esto na mdia para recri-los a partir de um jogo de seduo com a linguagem diz Cristina Bruzzo, pesquisadora da Faculdade de Educao da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e que acompanhou (5) apropriao da imagem da molcula de DNA pelas mdias (inclusive publicidade). A imagem do DNA, por exemplo, foi acrescida de diversos sentidos, que no o sentido original para a cincia, e transformado em discurso de venda de diversos produtos, diz. Onde esto os dados comprovando as afirmaes cientficas, no entanto? De acordo com Eduardo Corra, do Conselho Nacional de Auto Regulamentao Publicitria (Conar) os anncios, antes de serem veiculados com qualquer informao de cunho cientfico, devem trazer os registros de comprovao das pesquisas em rgos competentes. Segundo ele, o Conar no tem o papel de avalizar metodologias ou resultados, o que fica a cargo do Ministrio da Sade, Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria (Anvisa) ou outros rgos. O consumidor pode pedir uma reviso ou confirmao cientfica dos dados apresentados, contudo em 99% dos casos esses certificados so garantia de qualidade. Se surgirem dvidas, quanto a dados numricos de pesquisas de opinio pblica, temos analistas no Conar que podem dar seus pareceres, esclarece Corra. Mesmo assim, de acordo com ele, os processos investigatrios so rarssimos RODRIGO, Enio. Cincia e cultura na publicidade. Disponvel em: http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=S0009-67252009000100006script=sci_arttext. Acesso em 22/04/2015. Assinale a opo que preenche corretamente as lacunas existentes no texto 2, respectivamente.

Questão 5
2015Português

[IME-2015 / 2016 - 1 fase] Texto 1 A QUMICA EM NOSSAS VIDAS Carlos Corra H a ideia generalizada de que o que natural bom e o que sinttico, o que resulta da ao do homem, mau. No vou citar os terremotos, tsunamis e tempestades, tudo natural, que no tm nada de bom, mas certas substncias naturais muito ms, como as toxinas produzidas naturalmente por certas bactrias e os vrus, todos to na moda nestes ltimos tempos. Dentre os maiores venenos que existem, seis so naturais. S o sarin (gs dos nervos) e as dioxinas que so de origem sinttica. Muitos alimentos contm substncias naturais que podem causar doenas, como por exemplo o isocianato de alila (alho, mostarda) que pode originar tumores, o benzopireno (defumados, churrascos) causador de cncer do estmago, os cianetos (amndoas amargas, mandioca) que so txicos, as hidrazinas (cogumelos) que so cancergenas, a saxtoxina (marisco) e a tetrodotoxina (peixe estragado) que causam paralisia e morte, certos taninos (caf, cacau) causadores de cncer do esfago e da boca e muitos outros. A m imagem da Qumica resulta da sua m utilizao e deve-se particularmente disperso de resduos no ambiente (que levam ao aquecimento global e mudanas climticas, ao buraco da camada de oznio e contaminao das guas e solos) e utilizao de aditivos alimentares e pesticidas. Muitos desses males so o resultado da pouca educao dos cidados. Quem separa e compacta o lixo? Quem entrega nas farmcias os medicamentos que se encontram fora do prazo de validade? Quem trata os efluentes dos currais e das pocilgas? Quem deixa toda a espcie de lixo nas areias das nossas praias e matas? Quem usa e abusa do automvel? Quem berra contra as queimadas mas enche a sala de fumaa, intoxicando toda a famlia? Quem no admira o fogo de artifcio, que enche a atmosfera e as guas de metais pesados? H o hbito de utilizar a expresso substncia qumica para designar substncias sintetizadas, imprimindo-lhes um ar perverso, de substncia maldita. H tempos passou na TV um anncio destinado a combater o uso do tabaco que dizia: o fumo do tabaco contm mais de 4000 substncias qumicas txicas, irritantes e cancergenas. Bastaria referir substncias, mas teve de aparecer o qualificativo qumicas para lhes dar um ar mais tenebroso. Todas as substncias, naturais ou de sntese, so substncias qumicas! Todas as substncias, naturais ou de sntese, podem ser prejudiciais sade! Tudo depende da dose. Qualquer dia aparecer uma notcia na TV referindo, logo a seguir s notcias dos dirigentes e jogadores de futebol, que A gua, substncia com a frmula molecular H2O, foi a substncia qumica responsvel por muitas mortes nas nossas praias por falta de cuidado! Porque os Qumicos determinaram as estruturas e propriedades dessas substncias, haver razo para lhes chamar substncias qumicas? Estamos sendo envenenados pelas muitas substncias qumicas que invadem as nossas vidas? A ideia de que o cncer est aumentando devido a essas substncias qumicas desmentida pelas estatsticas sobre o assunto, exceo do fumo do tabaco, que a maior causa de aumento do cncer do pulmo e das vias respiratrias. O aumento da longevidade acarreta necessariamente um aumento do nmero de cnceres. Curiosamente, o tabaco natural e essas 4000 substncias txicas, irritantes e cancergenas resultam da queima das folhas do tabaco. A reao de combusto no foi inventada pelos qumicos; vem da idade da pedra, quando o homem descobriu o fogo. O nmero de cnceres das vias respiratrias na mulher s comeou a crescer em meados dos anos 60, com a emancipao da mulher e o subsequente uso do cigarro. o tipo de cncer responsvel pelo maior nmero de mortes nos Estados Unidos. No verdade que as substncias de sntese (as substncias qumicas) sejam uma causa importante de cncer; isso sucede somente quando h exposio a altas doses. As maiores causas de cncer so o cigarro, o excesso de lcool, certas viroses, inflamaes crnicas e problemas hormonais. A melhor defesa uma dieta rica em frutos e vegetais. H alguns anos, metade das substncias testadas (naturais e sintticas) em roedores deram resultado positivo em alguns testes de carcinogenicidade. Muitos alimentos contm substncias naturais que do resultado positivo, como o caso do caf torrado, embora esse resultado no possa ser diretamente relacionado ao aparecimento de um cncer, pois apenas a presena de doses muito elevadas das substncias pode justificar tal relao. Embora um estudo realizado por Michael Shechter, do Instituto do Corao de Sheba, Israel, mostrasse que a cafena do caf tem propriedades antioxidantes, atuando no combate a radicais livres, diminuindo o risco de doenas cardiovasculares e alguns tipos de cncer, a verdade que, h meia dzia de anos, s 3% dos compostos existentes no caf tinham sido testados. Das trinta substncias testadas no caf torrado, vinte e uma eram cancergenas em roedores e faltava testar cerca de um milhar! Vamos deixar de tomar caf? Certamente que no. O que sucede que a Qumica hoje capaz de detectar e caracterizar quantidades minsculas de substncias, o que no sucedia no passado. Como se disse, o veneno est na dose e essas substncias esto presentes em concentraes demasiado pequenas para causar danos. Diante do que se sabe das substncias analisadas at aqui, todos concordam que o importante consumir abundantes quantidades de frutos e vegetais. Isso compensa inclusive riscos associados possvel presena de pequenas quantidades de pesticidas. CORRA, Carlos. A Qumica em nossas vidas. Disponvel em: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=49746op=all. Acesso em 17 Abr 2015. (Texto adaptado) Texto 2 CONSUMIDORES COM MAIS ACESSO INFORMAO QUESTIONAM A VERDADE QUE LHES VENDIDA nio Rodrigo Se voc mulher, talvez j tenha observado com mais ateno como a publicidade de produtos de beleza, especialmente os voltados a tratamentos de rejuvenescimento, usualmente possuem novssimos componentes anti-idade e micro-cpsulas que ajudam a sua pele a ter mais firmeza em oito dias, por exemplo, ou mesmo que determinados organismos vivos (mesmo depois deenvazados, transportados e acondicionados em prateleiras com pouco controle de temperatura) fervilham aos milhes dentro de um vasilhame esperando para serem ingeridos ajudando a regular sua flora intestinal. Homens, crianas, e todo tipo de pblico tambm no esto fora do alcance desse discurso que utiliza um recurso cada vez mais presente na publicidade: a cincia e a tecnologia como argumento de venda. Silvania Sousa do Nascimento, doutora em didtica da cincia e tecnologia pela Universidade Paris VI e professora da Faculdade de Educao da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), enxerga nesse processo um resqucio da viso positivista, na qual a cincia pode ser entendida como verdade absoluta. A viso de que a cincia a baliza tica da verdade e o mito do cientista como gnio criador amplamente difundida, mas entra, cada vez mais, em atrito com a realidade, principalmente em uma sociedade informacional, como ( 1 ) nossa, acrescenta. Para entender esse processo numa sociedade pautada na dinmica da informao, Ricardo Cavallini, consultor corporativo e autor do livro O marketing depois de amanh (Universo dos Livros, 2007), afirma que, primeiramente, devemos repensar a noo de pblico especfico ou senso comum. Essas categorizaes esto sendo postas de lado. A publicidade contempornea trata com pessoas e elas tm cada vez mais acesso ( 2 ) informao e assim que vejo a comunicao: com fronteiras menos marcadas e deixando de lado o paradigma de que o pblico passivo, acredita. Silvania concorda e diz que a sociedade comea ( 3 ) perceber que a verdade suprema estanque, no condiz com o dia-a-dia. Ao se depararem com uma informao, as pessoas comeam a pesquisar e isso as aproxima do fazer cientfico, ou seja, de que a verdade questionvel, enfatiza. Para a professora da UFMG, isso cria o jornalista contnuo, um indivduo que pe a verdade prova o tempo todo. A noo de cincia atual a de verdade em construo, ou seja, de que determinados produtos ou processos imediatamente anteriores ao atual, so defasados. Cavallini considera que ( 4 ) trs linhas de pensamento possveis que poderiam explicar a utilizao do recurso da imagem cientfica para vender: a quantidade de informao que a cincia pode agregar a um produto; o quanto essa informao pode ser usada como diferencial na concorrncia entre produtos similares; e a cincia como um selo de qualidade ou garantia. Ele cita o caso dos chamados produtos verdes, associados a determinadas caractersticas com vis ecolgico ou produtos que precisam de algum tipo de auditoria para comprovarem seu discurso. Na mdia, a cincia entra como mecanismo de validao, criando uma marca de avano tecnolgico, mesmo que por pouqussimo tempo, finaliza Silvania. O fascnio por determinados temas cientficos segue a lgica da saturao do termo, ou seja, ecoar algo que j esteja exercendo certo fascnio na sociedade. O interesse do pblico muda bastante e a publicidade se aproveita desses temas que esto na mdia para recri-los a partir de um jogo de seduo com a linguagem diz Cristina Bruzzo, pesquisadora da Faculdade de Educao da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e que acompanhou ( 5 ) apropriao da imagem da molcula de DNA pelas mdias (inclusive publicidade). A imagem do DNA, por exemplo, foi acrescida de diversos sentidos, que no o sentido original para a cincia, e transformado em discurso de venda de diversos produtos, diz. Onde esto os dados comprovando as afirmaes cientficas, no entanto? De acordo com Eduardo Corra, do Conselho Nacional de Auto Regulamentao Publicitria (Conar) os anncios, antes de serem veiculados com qualquer informao de cunho cientfico, devem trazer os registros de comprovao das pesquisas em rgos competentes. Segundo ele, o Conar no tem o papel de avalizar metodologias ou resultados, o que fica a cargo do Ministrio da Sade, Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria (Anvisa) ou outros rgos. O consumidor pode pedir uma reviso ou confirmao cientfica dos dados apresentados, contudo em 99% dos casos esses certificados so garantia de qualidade. Se surgirem dvidas, quanto a dados numricos de pesquisas de opinio pblica, temos analistas no Conar que podem dar seus pareceres, esclarece Corra. Mesmo assim, de acordo com ele, os processos investigatrios so rarssimos RODRIGO, Enio. Cincia e cultura na publicidade. Disponvel em: http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=S0009-67252009000100006script=sci_arttext.Acesso em 22/04/2015. Texto 3 SOLUO Joo Paiva Eu quero uma soluo homognea, preparada, coisa certa, controlada para ter tudo na mo. Soluo para questo que no ouso resolver. Diluda num balo elixir pra me entreter. Fao centrifugao para ter ar uniforme uso varinha conforme, seja mgica ou no. Busco uma soluo tudo lindo, direitinho eu quero ter tudo certinho ter o mundo nesta mo. Procuro mistura, ento aqueo tudo em cadinho. E vejo no ter soluo mas apenas um caminho... PAIVA, Joo. Quase poesia, quase qumica. Disponvel em: http://www.spq.pt/files/docs/boletim/poesia/quase-poesia-quase-quimica-jpaiva2012.pdf Acesso em: 22/04/2015. TEXTO 4 PSICOLOGIA DE UM VENCIDO Augusto dos Anjos Eu, filho do carbono e do amonaco, Monstro de escurido e rutilncia, Sofro, desde a epignese da infncia, A influncia m dos signos do zodaco Profundissimamente hipocondraco, Este ambiente me causa repugnncia... Sobe-me boca uma nsia anloga nsia Que se escapa da boca de um cardaco. J o verme este operrio das runas Que o sangue podre das carnificinas Come, e vida em geral declara guerra, Anda a espreitar meus olhos para ro-los, E h de deixar-me apenas os cabelos, Na frialdade inorgnica da terra! ANJOS, A. Eu e Outras Poesias. Rio de Janeiro: Civilizao Brasileira, 1998. Assinale a opo em que a anlise do termo destacado em negrito est de acordo com o uso no contexto dado.

Questão 6
2015Português

[IME-2015 / 2016 - 1 fase] Texto 1 A QUMICA EM NOSSAS VIDAS Carlos Corra H a ideia generalizada de que o que natural bom e o que sinttico, o que resulta da ao do homem, mau. No vou citar os terremotos, tsunamis e tempestades, tudo natural, que no tm nada de bom, mas certas substncias naturais muito ms, como as toxinas produzidas naturalmente por certas bactrias e os vrus, todos to na moda nestes ltimos tempos. Dentre os maiores venenos que existem, seis so naturais. S o sarin (gs dos nervos) e as dioxinas que so de origem sinttica. Muitos alimentos contm substncias naturais que podem causar doenas, como por exemplo o isocianato de alila (alho, mostarda) que pode originar tumores, o benzopireno (defumados, churrascos) causador de cncer do estmago, os cianetos (amndoas amargas, mandioca) que so txicos, as hidrazinas (cogumelos) que so cancergenas, a saxtoxina (marisco) e a tetrodotoxina (peixe estragado) que causam paralisia e morte, certos taninos (caf, cacau) causadores de cncer do esfago e da boca e muitos outros. A m imagem da Qumica resulta da sua m utilizao e deve-se particularmente disperso de resduos no ambiente (que levam ao aquecimento global e mudanas climticas, ao buraco da camada de oznio e contaminao das guas e solos) e utilizao de aditivos alimentares e pesticidas. Muitos desses males so o resultado da pouca educao dos cidados. Quem separa e compacta o lixo? Quem entrega nas farmcias os medicamentos que se encontram fora do prazo de validade? Quem trata os efluentes dos currais e das pocilgas? Quem deixa toda a espcie de lixo nas areias das nossas praias e matas? Quem usa e abusa do automvel? Quem berra contra as queimadas mas enche a sala de fumaa, intoxicando toda a famlia? Quem no admira o fogo de artifcio, que enche a atmosfera e as guas de metais pesados? H o hbito de utilizar a expresso substncia qumica para designar substncias sintetizadas, imprimindo-lhes um ar perverso, de substncia maldita. H tempos passou na TV um anncio destinado a combater o uso do tabaco que dizia: o fumo do tabaco contm mais de 4000 substncias qumicas txicas, irritantes e cancergenas. Bastaria referir substncias, mas teve de aparecer o qualificativo qumicas para lhes dar um ar mais tenebroso. Todas as substncias, naturais ou de sntese, so substncias qumicas! Todas as substncias, naturais ou de sntese, podem ser prejudiciais sade! Tudo depende da dose. Qualquer dia aparecer uma notcia na TV referindo, logo a seguir s notcias dos dirigentes e jogadores de futebol, que A gua, substncia com a frmula molecular H2O, foi a substncia qumica responsvel por muitas mortes nas nossas praias por falta de cuidado! Porque os Qumicos determinaram as estruturas e propriedades dessas substncias, haver razo para lhes chamar substncias qumicas? Estamos sendo envenenados pelas muitas substncias qumicas que invadem as nossas vidas? A ideia de que o cncer est aumentando devido a essas substncias qumicas desmentida pelas estatsticas sobre o assunto, exceo do fumo do tabaco, que a maior causa de aumento do cncer do pulmo e das vias respiratrias. O aumento da longevidade acarreta necessariamente um aumento do nmero de cnceres. Curiosamente, o tabaco natural e essas 4000 substncias txicas, irritantes e cancergenas resultam da queima das folhas do tabaco. A reao de combusto no foi inventada pelos qumicos; vem da idade da pedra, quando o homem descobriu o fogo. O nmero de cnceres das vias respiratrias na mulher s comeou a crescer em meados dos anos 60, com a emancipao da mulher e o subsequente uso do cigarro. o tipo de cncer responsvel pelo maior nmero de mortes nos Estados Unidos. No verdade que as substncias de sntese (as substncias qumicas) sejam uma causa importante de cncer; isso sucede somente quando h exposio a altas doses. As maiores causas de cncer so o cigarro, o excesso de lcool, certas viroses, inflamaes crnicas e problemas hormonais. A melhor defesa uma dieta rica em frutos e vegetais. H alguns anos, metade das substncias testadas (naturais e sintticas) em roedores deram resultado positivo em alguns testes de carcinogenicidade. Muitos alimentos contm substncias naturais que do resultado positivo, como o caso do caf torrado, embora esse resultado no possa ser diretamente relacionado ao aparecimento de um cncer, pois apenas a presena de doses muito elevadas das substncias pode justificar tal relao. Embora um estudo realizado por Michael Shechter, do Instituto do Corao de Sheba, Israel, mostrasse que a cafena do caf tem propriedades antioxidantes, atuando no combate a radicais livres, diminuindo o risco de doenas cardiovasculares e alguns tipos de cncer, a verdade que, h meia dzia de anos, s 3% dos compostos existentes no caf tinham sido testados. Das trinta substncias testadas no caf torrado, vinte e uma eram cancergenas em roedores e faltava testar cerca de um milhar! Vamos deixar de tomar caf? Certamente que no. O que sucede que a Qumica hoje capaz de detectar e caracterizar quantidades minsculas de substncias, o que no sucedia no passado. Como se disse, o veneno est na dose e essas substncias esto presentes em concentraes demasiado pequenas para causar danos. Diante do que se sabe das substncias analisadas at aqui, todos concordam que o importante consumir abundantes quantidades de frutos e vegetais. Isso compensa inclusive riscos associados possvel presena de pequenas quantidades de pesticidas. CORRA, Carlos. A Qumica em nossas vidas. Disponvel em: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=49746op=all. Acesso em 17 Abr 2015. (Texto adaptado) Texto 2 CONSUMIDORES COM MAIS ACESSO INFORMAO QUESTIONAM A VERDADE QUE LHES VENDIDA nio Rodrigo Se voc mulher, talvez j tenha observado com mais ateno como a publicidade de produtos de beleza, especialmente os voltados a tratamentos de rejuvenescimento, usualmente possuem novssimos componentes anti-idade e micro-cpsulas que ajudam a sua pele a ter mais firmeza em oito dias, por exemplo, ou mesmo que determinados organismos vivos (mesmo depois deenvazados, transportados e acondicionados em prateleiras com pouco controle de temperatura) fervilham aos milhes dentro de um vasilhame esperando para serem ingeridos ajudando a regular sua flora intestinal. Homens, crianas, e todo tipo de pblico tambm no esto fora do alcance desse discurso que utiliza um recurso cada vez mais presente na publicidade: a cincia e a tecnologia como argumento de venda. Silvania Sousa do Nascimento, doutora em didtica da cincia e tecnologia pela Universidade Paris VI e professora da Faculdade de Educao da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), enxerga nesse processo um resqucio da viso positivista, na qual a cincia pode ser entendida como verdade absoluta. A viso de que a cincia a baliza tica da verdade e o mito do cientista como gnio criador amplamente difundida, mas entra, cada vez mais, em atrito com a realidade, principalmente em uma sociedade informacional, como ( 1 ) nossa, acrescenta. Para entender esse processo numa sociedade pautada na dinmica da informao, Ricardo Cavallini, consultor corporativo e autor do livro O marketing depois de amanh (Universo dos Livros, 2007), afirma que, primeiramente, devemos repensar a noo de pblico especfico ou senso comum. Essas categorizaes esto sendo postas de lado. A publicidade contempornea trata com pessoas e elas tm cada vez mais acesso ( 2 ) informao e assim que vejo a comunicao: com fronteiras menos marcadas e deixando de lado o paradigma de que o pblico passivo, acredita. Silvania concorda e diz que a sociedade comea ( 3 ) perceber que a verdade suprema estanque, no condiz com o dia-a-dia. Ao se depararem com uma informao, as pessoas comeam a pesquisar e isso as aproxima do fazer cientfico, ou seja, de que a verdade questionvel, enfatiza. Para a professora da UFMG, isso cria o jornalista contnuo, um indivduo que pe a verdade prova o tempo todo. A noo de cincia atual a de verdade em construo, ou seja, de que determinados produtos ou processos imediatamente anteriores ao atual, so defasados. Cavallini considera que ( 4 ) trs linhas de pensamento possveis que poderiam explicar a utilizao do recurso da imagem cientfica para vender: a quantidade de informao que a cincia pode agregar a um produto; o quanto essa informao pode ser usada como diferencial na concorrncia entre produtos similares; e a cincia como um selo de qualidade ou garantia. Ele cita o caso dos chamados produtos verdes, associados a determinadas caractersticas com vis ecolgico ou produtos que precisam de algum tipo de auditoria para comprovarem seu discurso. Na mdia, a cincia entra como mecanismo de validao, criando uma marca de avano tecnolgico, mesmo que por pouqussimo tempo, finaliza Silvania. O fascnio por determinados temas cientficos segue a lgica da saturao do termo, ou seja, ecoar algo que j esteja exercendo certo fascnio na sociedade. O interesse do pblico muda bastante e a publicidade se aproveita desses temas que esto na mdia para recri-los a partir de um jogo de seduo com a linguagem diz Cristina Bruzzo, pesquisadora da Faculdade de Educao da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e que acompanhou ( 5 ) apropriao da imagem da molcula de DNA pelas mdias (inclusive publicidade). A imagem do DNA, por exemplo, foi acrescida de diversos sentidos, que no o sentido original para a cincia, e transformado em discurso de venda de diversos produtos, diz. Onde esto os dados comprovando as afirmaes cientficas, no entanto? De acordo com Eduardo Corra, do Conselho Nacional de Auto Regulamentao Publicitria (Conar) os anncios, antes de serem veiculados com qualquer informao de cunho cientfico, devem trazer os registros de comprovao das pesquisas em rgos competentes. Segundo ele, o Conar no tem o papel de avalizar metodologias ou resultados, o que fica a cargo do Ministrio da Sade, Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria (Anvisa) ou outros rgos. O consumidor pode pedir uma reviso ou confirmao cientfica dos dados apresentados, contudo em 99% dos casos esses certificados so garantia de qualidade. Se surgirem dvidas, quanto a dados numricos de pesquisas de opinio pblica, temos analistas no Conar que podem dar seus pareceres, esclarece Corra. Mesmo assim, de acordo com ele, os processos investigatrios so rarssimos RODRIGO, Enio. Cincia e cultura na publicidade. Disponvel em: http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=S0009-67252009000100006script=sci_arttext.Acesso em 22/04/2015. Texto 3 SOLUO Joo Paiva Eu quero uma soluo homognea, preparada, coisa certa, controlada para ter tudo na mo. Soluo para questo que no ouso resolver. Diluda num balo elixir pra me entreter. Fao centrifugao para ter ar uniforme uso varinha conforme, seja mgica ou no. Busco uma soluo tudo lindo, direitinho eu quero ter tudo certinho ter o mundo nesta mo. Procuro mistura, ento aqueo tudo em cadinho. E vejo no ter soluo mas apenas um caminho... PAIVA, Joo. Quase poesia, quase qumica. Disponvel em: http://www.spq.pt/files/docs/boletim/poesia/quase-poesia-quase-quimica-jpaiva2012.pdf Acesso em: 22/04/2015. TEXTO 4 PSICOLOGIA DE UM VENCIDO Augusto dos Anjos Eu, filho do carbono e do amonaco, Monstro de escurido e rutilncia, Sofro, desde a epignese da infncia, A influncia m dos signos do zodaco Profundissimamente hipocondraco, Este ambiente me causa repugnncia... Sobe-me boca uma nsia anloga nsia Que se escapa da boca de um cardaco. J o verme este operrio das runas Que o sangue podre das carnificinas Come, e vida em geral declara guerra, Anda a espreitar meus olhos para ro-los, E h de deixar-me apenas os cabelos, Na frialdade inorgnica da terra! ANJOS, A. Eu e Outras Poesias. Rio de Janeiro: Civilizao Brasileira, 1998. Marque a opo em que o uso de vrgulas segue uma regra diversa da que foi aplicada aos demais casos.

Questão 7
2015Português

[IME-2015 / 2016 - 1 fase] Texto 1 A QUMICA EM NOSSAS VIDAS Carlos Corra H a ideia generalizada de que o que natural bom e o que sinttico, o que resulta da ao do homem, mau. No vou citar os terremotos, tsunamis e tempestades, tudo natural, que no tm nada de bom, mas certas substncias naturais muito ms, como as toxinas produzidas naturalmente por certas bactrias e os vrus, todos to na moda nestes ltimos tempos. Dentre os maiores venenos que existem, seis so naturais. S o sarin (gs dos nervos) e as dioxinas que so de origem sinttica. Muitos alimentos contm substncias naturais que podem causar doenas, como por exemplo o isocianato de alila (alho, mostarda) que pode originar tumores, o benzopireno (defumados, churrascos) causador de cncer do estmago, os cianetos (amndoas amargas, mandioca) que so txicos, as hidrazinas (cogumelos) que so cancergenas, a saxtoxina (marisco) e a tetrodotoxina (peixe estragado) que causam paralisia e morte, certos taninos (caf, cacau) causadores de cncer do esfago e da boca e muitos outros. A m imagem da Qumica resulta da sua m utilizao e deve-se particularmente disperso de resduos no ambiente (que levam ao aquecimento global e mudanas climticas, ao buraco da camada de oznio e contaminao das guas e solos) e utilizao de aditivos alimentares e pesticidas. Muitos desses males so o resultado da pouca educao dos cidados. Quem separa e compacta o lixo? Quem entrega nas farmcias os medicamentos que se encontram fora do prazo de validade? Quem trata os efluentes dos currais e das pocilgas? Quem deixa toda a espcie de lixo nas areias das nossas praias e matas? Quem usa e abusa do automvel? Quem berra contra as queimadas mas enche a sala de fumaa, intoxicando toda a famlia? Quem no admira o fogo de artifcio, que enche a atmosfera e as guas de metais pesados? H o hbito de utilizar a expresso substncia qumica para designar substncias sintetizadas, imprimindo-lhes um ar perverso, de substncia maldita. H tempos passou na TV um anncio destinado a combater o uso do tabaco que dizia: o fumo do tabaco contm mais de 4000 substncias qumicas txicas, irritantes e cancergenas. Bastaria referir substncias, mas teve de aparecer o qualificativo qumicas para lhes dar um ar mais tenebroso. Todas as substncias, naturais ou de sntese, so substncias qumicas! Todas as substncias, naturais ou de sntese, podem ser prejudiciais sade! Tudo depende da dose. Qualquer dia aparecer uma notcia na TV referindo, logo a seguir s notcias dos dirigentes e jogadores de futebol, que A gua, substncia com a frmula molecular H2O, foi a substncia qumica responsvel por muitas mortes nas nossas praias por falta de cuidado! Porque os Qumicos determinaram as estruturas e propriedades dessas substncias, haver razo para lhes chamar substncias qumicas? Estamos sendo envenenados pelas muitas substncias qumicas que invadem as nossas vidas? A ideia de que o cncer est aumentando devido a essas substncias qumicas desmentida pelas estatsticas sobre o assunto, exceo do fumo do tabaco, que a maior causa de aumento do cncer do pulmo e das vias respiratrias. O aumento da longevidade acarreta necessariamente um aumento do nmero de cnceres. Curiosamente, o tabaco natural e essas 4000 substncias txicas, irritantes e cancergenas resultam da queima das folhas do tabaco. A reao de combusto no foi inventada pelos qumicos; vem da idade da pedra, quando o homem descobriu o fogo. O nmero de cnceres das vias respiratrias na mulher s comeou a crescer em meados dos anos 60, com a emancipao da mulher e o subsequente uso do cigarro. o tipo de cncer responsvel pelo maior nmero de mortes nos Estados Unidos. No verdade que as substncias de sntese (as substncias qumicas) sejam uma causa importante de cncer; isso sucede somente quando h exposio a altas doses. As maiores causas de cncer so o cigarro, o excesso de lcool, certas viroses, inflamaes crnicas e problemas hormonais. A melhor defesa uma dieta rica em frutos e vegetais. H alguns anos, metade das substncias testadas (naturais e sintticas) em roedores deram resultado positivo em alguns testes de carcinogenicidade. Muitos alimentos contm substncias naturais que do resultado positivo, como o caso do caf torrado, embora esse resultado no possa ser diretamente relacionado ao aparecimento de um cncer, pois apenas a presena de doses muito elevadas das substncias pode justificar tal relao. Embora um estudo realizado por Michael Shechter, do Instituto do Corao de Sheba, Israel, mostrasse que a cafena do caf tem propriedades antioxidantes, atuando no combate a radicais livres, diminuindo o risco de doenas cardiovasculares e alguns tipos de cncer, a verdade que, h meia dzia de anos, s 3% dos compostos existentes no caf tinham sido testados. Das trinta substncias testadas no caf torrado, vinte e uma eram cancergenas em roedores e faltava testar cerca de um milhar! Vamos deixar de tomar caf? Certamente que no. O que sucede que a Qumica hoje capaz de detectar e caracterizar quantidades minsculas de substncias, o que no sucedia no passado. Como se disse, o veneno est na dose e essas substncias esto presentes em concentraes demasiado pequenas para causar danos. Diante do que se sabe das substncias analisadas at aqui, todos concordam que o importante consumir abundantes quantidades de frutos e vegetais. Isso compensa inclusive riscos associados possvel presena de pequenas quantidades de pesticidas. CORRA, Carlos. A Qumica em nossas vidas. Disponvel em: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=49746op=all. Acesso em 17 Abr 2015. (Texto adaptado) Texto 2 CONSUMIDORES COM MAIS ACESSO INFORMAO QUESTIONAM A VERDADE QUE LHES VENDIDA nio Rodrigo Se voc mulher, talvez j tenha observado com mais ateno como a publicidade de produtos de beleza, especialmente os voltados a tratamentos de rejuvenescimento, usualmente possuem novssimos componentes anti-idade e micro-cpsulas que ajudam a sua pele a ter mais firmeza em oito dias, por exemplo, ou mesmo que determinados organismos vivos (mesmo depois deenvazados, transportados e acondicionados em prateleiras com pouco controle de temperatura) fervilham aos milhes dentro de um vasilhame esperando para serem ingeridos ajudando a regular sua flora intestinal. Homens, crianas, e todo tipo de pblico tambm no esto fora do alcance desse discurso que utiliza um recurso cada vez mais presente na publicidade: a cincia e a tecnologia como argumento de venda. Silvania Sousa do Nascimento, doutora em didtica da cincia e tecnologia pela Universidade Paris VI e professora da Faculdade de Educao da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), enxerga nesse processo um resqucio da viso positivista, na qual a cincia pode ser entendida como verdade absoluta. A viso de que a cincia a baliza tica da verdade e o mito do cientista como gnio criador amplamente difundida, mas entra, cada vez mais, em atrito com a realidade, principalmente em uma sociedade informacional, como ( 1 ) nossa, acrescenta. Para entender esse processo numa sociedade pautada na dinmica da informao, Ricardo Cavallini, consultor corporativo e autor do livro O marketing depois de amanh (Universo dos Livros, 2007), afirma que, primeiramente, devemos repensar a noo de pblico especfico ou senso comum. Essas categorizaes esto sendo postas de lado. A publicidade contempornea trata com pessoas e elas tm cada vez mais acesso ( 2 ) informao e assim que vejo a comunicao: com fronteiras menos marcadas e deixando de lado o paradigma de que o pblico passivo, acredita. Silvania concorda e diz que a sociedade comea ( 3 ) perceber que a verdade suprema estanque, no condiz com o dia-a-dia. Ao se depararem com uma informao, as pessoas comeam a pesquisar e isso as aproxima do fazer cientfico, ou seja, de que a verdade questionvel, enfatiza. Para a professora da UFMG, isso cria o jornalista contnuo, um indivduo que pe a verdade prova o tempo todo. A noo de cincia atual a de verdade em construo, ou seja, de que determinados produtos ou processos imediatamente anteriores ao atual, so defasados. Cavallini considera que ( 4 ) trs linhas de pensamento possveis que poderiam explicar a utilizao do recurso da imagem cientfica para vender: a quantidade de informao que a cincia pode agregar a um produto; o quanto essa informao pode ser usada como diferencial na concorrncia entre produtos similares; e a cincia como um selo de qualidade ou garantia. Ele cita o caso dos chamados produtos verdes, associados a determinadas caractersticas com vis ecolgico ou produtos que precisam de algum tipo de auditoria para comprovarem seu discurso. Na mdia, a cincia entra como mecanismo de validao, criando uma marca de avano tecnolgico, mesmo que por pouqussimo tempo, finaliza Silvania. O fascnio por determinados temas cientficos segue a lgica da saturao do termo, ou seja, ecoar algo que j esteja exercendo certo fascnio na sociedade. O interesse do pblico muda bastante e a publicidade se aproveita desses temas que esto na mdia para recri-los a partir de um jogo de seduo com a linguagem diz Cristina Bruzzo, pesquisadora da Faculdade de Educao da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e que acompanhou ( 5 ) apropriao da imagem da molcula de DNA pelas mdias (inclusive publicidade). A imagem do DNA, por exemplo, foi acrescida de diversos sentidos, que no o sentido original para a cincia, e transformado em discurso de venda de diversos produtos, diz. Onde esto os dados comprovando as afirmaes cientficas, no entanto? De acordo com Eduardo Corra, do Conselho Nacional de Auto Regulamentao Publicitria (Conar) os anncios, antes de serem veiculados com qualquer informao de cunho cientfico, devem trazer os registros de comprovao das pesquisas em rgos competentes. Segundo ele, o Conar no tem o papel de avalizar metodologias ou resultados, o que fica a cargo do Ministrio da Sade, Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria (Anvisa) ou outros rgos. O consumidor pode pedir uma reviso ou confirmao cientfica dos dados apresentados, contudo em 99% dos casos esses certificados so garantia de qualidade. Se surgirem dvidas, quanto a dados numricos de pesquisas de opinio pblica, temos analistas no Conar que podem dar seus pareceres, esclarece Corra. Mesmo assim, de acordo com ele, os processos investigatrios so rarssimos. RODRIGO, Enio. Cincia e cultura na publicidade. Disponvel em: http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=S0009-67252009000100006script=sci_arttext.Acesso em 22/04/2015. Texto 3 SOLUO Joo Paiva Eu quero uma soluo homognea, preparada, coisa certa, controlada para ter tudo na mo. Soluo para questo que no ouso resolver. Diluda num balo elixir pra me entreter. Fao centrifugao para ter ar uniforme uso varinha conforme, seja mgica ou no. Busco uma soluo tudo lindo, direitinho eu quero ter tudo certinho ter o mundo nesta mo. Procuro mistura, ento aqueo tudo em cadinho. E vejo no ter soluo mas apenas um caminho... PAIVA, Joo. Quase poesia, quase qumica. Disponvel em: http://www.spq.pt/files/docs/boletim/poesia/quase-poesia-quase-quimica-jpaiva2012.pdf Acesso em: 22/04/2015. TEXTO 4 PSICOLOGIA DE UM VENCIDO Augusto dos Anjos Eu, filho do carbono e do amonaco, Monstro de escurido e rutilncia, Sofro, desde a epignese da infncia, A influncia m dos signos do zodaco Profundissimamente hipocondraco, Este ambiente me causa repugnncia... Sobe-me boca uma nsia anloga nsia Que se escapa da boca de um cardaco. J o verme este operrio das runas Que o sangue podre das carnificinas Come, e vida em geral declara guerra, Anda a espreitar meus olhos para ro-los, E h de deixar-me apenas os cabelos, Na frialdade inorgnica da terra! ANJOS, A. Eu e Outras Poesias. Rio de Janeiro: Civilizao Brasileira, 1998. Marque a opo em que difere das demais a funo sinttica exercida pelas oraes destacadas em negrito.

Questão 8
2015Português

[IME-2015 / 2016 - 1 fase] Texto 1 A QUMICA EM NOSSAS VIDAS Carlos Corra H a ideia generalizada de que o que natural bom e o que sinttico, o que resulta da ao do homem, mau. No vou citar os terremotos, tsunamis e tempestades, tudo natural, que no tm nada de bom, mas certas substncias naturais muito ms, como as toxinas produzidas naturalmente por certas bactrias e os vrus, todos to na moda nestes ltimos tempos. Dentre os maiores venenos que existem, seis so naturais. S o sarin (gs dos nervos) e as dioxinas que so de origem sinttica. Muitos alimentos contm substncias naturais que podem causar doenas, como por exemplo o isocianato de alila (alho, mostarda) que pode originar tumores, o benzopireno (defumados, churrascos) causador de cncer do estmago, os cianetos (amndoas amargas, mandioca) que so txicos, as hidrazinas (cogumelos) que so cancergenas, a saxtoxina (marisco) e a tetrodotoxina (peixe estragado) que causam paralisia e morte, certos taninos (caf, cacau) causadores de cncer do esfago e da boca e muitos outros. A m imagem da Qumica resulta da sua m utilizao e deve-se particularmente disperso de resduos no ambiente (que levam ao aquecimento global e mudanas climticas, ao buraco da camada de oznio e contaminao das guas e solos) e utilizao de aditivos alimentares e pesticidas. Muitos desses males so o resultado da pouca educao dos cidados. Quem separa e compacta o lixo? Quem entrega nas farmcias os medicamentos que se encontram fora do prazo de validade? Quem trata os efluentes dos currais e das pocilgas? Quem deixa toda a espcie de lixo nas areias das nossas praias e matas? Quem usa e abusa do automvel? Quem berra contra as queimadas mas enche a sala de fumaa, intoxicando toda a famlia? Quem no admira o fogo de artifcio, que enche a atmosfera e as guas de metais pesados? H o hbito de utilizar a expresso substncia qumica para designar substncias sintetizadas, imprimindo-lhes um ar perverso, de substncia maldita. H tempos passou na TV um anncio destinado a combater o uso do tabaco que dizia: o fumo do tabaco contm mais de 4000 substncias qumicas txicas, irritantes e cancergenas. Bastaria referir substncias, mas teve de aparecer o qualificativo qumicas para lhes dar um ar mais tenebroso. Todas as substncias, naturais ou de sntese, so substncias qumicas! Todas as substncias, naturais ou de sntese, podem ser prejudiciais sade! Tudo depende da dose. Qualquer dia aparecer uma notcia na TV referindo, logo a seguir s notcias dos dirigentes e jogadores de futebol, que A gua, substncia com a frmula molecular H2O, foi a substncia qumica responsvel por muitas mortes nas nossas praias por falta de cuidado! Porque os Qumicos determinaram as estruturas e propriedades dessas substncias, haver razo para lhes chamar substncias qumicas? Estamos sendo envenenados pelas muitas substncias qumicas que invadem as nossas vidas? A ideia de que o cncer est aumentando devido a essas substncias qumicas desmentida pelas estatsticas sobre o assunto, exceo do fumo do tabaco, que a maior causa de aumento do cncer do pulmo e das vias respiratrias. O aumento da longevidade acarreta necessariamente um aumento do nmero de cnceres. Curiosamente, o tabaco natural e essas 4000 substncias txicas, irritantes e cancergenas resultam da queima das folhas do tabaco. A reao de combusto no foi inventada pelos qumicos; vem da idade da pedra, quando o homem descobriu o fogo. O nmero de cnceres das vias respiratrias na mulher s comeou a crescer em meados dos anos 60, com a emancipao da mulher e o subsequente uso do cigarro. o tipo de cncer responsvel pelo maior nmero de mortes nos Estados Unidos. No verdade que as substncias de sntese (as substncias qumicas) sejam uma causa importante de cncer; isso sucede somente quando h exposio a altas doses. As maiores causas de cncer so o cigarro, o excesso de lcool, certas viroses, inflamaes crnicas e problemas hormonais. A melhor defesa uma dieta rica em frutos e vegetais. H alguns anos, metade das substncias testadas (naturais e sintticas) em roedores deram resultado positivo em alguns testes de carcinogenicidade. Muitos alimentos contm substncias naturais que do resultado positivo, como o caso do caf torrado, embora esse resultado no possa ser diretamente relacionado ao aparecimento de um cncer, pois apenas a presena de doses muito elevadas das substncias pode justificar tal relao. Embora um estudo realizado por Michael Shechter, do Instituto do Corao de Sheba, Israel, mostrasse que a cafena do caf tem propriedades antioxidantes, atuando no combate a radicais livres, diminuindo o risco de doenas cardiovasculares e alguns tipos de cncer, a verdade que, h meia dzia de anos, s 3% dos compostos existentes no caf tinham sido testados. Das trinta substncias testadas no caf torrado, vinte e uma eram cancergenas em roedores e faltava testar cerca de um milhar! Vamos deixar de tomar caf? Certamente que no. O que sucede que a Qumica hoje capaz de detectar e caracterizar quantidades minsculas de substncias, o que no sucedia no passado. Como se disse, o veneno est na dose e essas substncias esto presentes em concentraes demasiado pequenas para causar danos. Diante do que se sabe das substncias analisadas at aqui, todos concordam que o importante consumir abundantes quantidades de frutos e vegetais. Isso compensa inclusive riscos associados possvel presena de pequenas quantidades de pesticidas. CORRA, Carlos. A Qumica em nossas vidas. Disponvel em: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=49746op=all. Acesso em 17 Abr 2015. (Texto adaptado) Texto 2 CONSUMIDORES COM MAIS ACESSO INFORMAO QUESTIONAM A VERDADE QUE LHES VENDIDA nio Rodrigo Se voc mulher, talvez j tenha observado com mais ateno como a publicidade de produtos de beleza, especialmente os voltados a tratamentos de rejuvenescimento, usualmente possuem novssimos componentes anti-idade e micro-cpsulas que ajudam a sua pele a ter mais firmeza em oito dias, por exemplo, ou mesmo que determinados organismos vivos (mesmo depois deenvazados, transportados e acondicionados em prateleiras com pouco controle de temperatura) fervilham aos milhes dentro de um vasilhame esperando para serem ingeridos ajudando a regular sua flora intestinal. Homens, crianas, e todo tipo de pblico tambm no esto fora do alcance desse discurso que utiliza um recurso cada vez mais presente na publicidade: a cincia e a tecnologia como argumento de venda. Silvania Sousa do Nascimento, doutora em didtica da cincia e tecnologia pela Universidade Paris VI e professora da Faculdade de Educao da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), enxerga nesse processo um resqucio da viso positivista, na qual a cincia pode ser entendida como verdade absoluta. A viso de que a cincia a baliza tica da verdade e o mito do cientista como gnio criador amplamente difundida, mas entra, cada vez mais, em atrito com a realidade, principalmente em uma sociedade informacional, como ( 1 ) nossa, acrescenta. Para entender esse processo numa sociedade pautada na dinmica da informao, Ricardo Cavallini, consultor corporativo e autor do livro O marketing depois de amanh (Universo dos Livros, 2007), afirma que, primeiramente, devemos repensar a noo de pblico especfico ou senso comum. Essas categorizaes esto sendo postas de lado. A publicidade contempornea trata com pessoas e elas tm cada vez mais acesso ( 2 ) informao e assim que vejo a comunicao: com fronteiras menos marcadas e deixando de lado o paradigma de que o pblico passivo, acredita. Silvania concorda e diz que a sociedade comea ( 3 ) perceber que a verdade suprema estanque, no condiz com o dia-a-dia. Ao se depararem com uma informao, as pessoas comeam a pesquisar e isso as aproxima do fazer cientfico, ou seja, de que a verdade questionvel, enfatiza. Para a professora da UFMG, isso cria o jornalista contnuo, um indivduo que pe a verdade prova o tempo todo. A noo de cincia atual a de verdade em construo, ou seja, de que determinados produtos ou processos imediatamente anteriores ao atual, so defasados. Cavallini considera que ( 4 ) trs linhas de pensamento possveis que poderiam explicar a utilizao do recurso da imagem cientfica para vender: a quantidade de informao que a cincia pode agregar a um produto; o quanto essa informao pode ser usada como diferencial na concorrncia entre produtos similares; e a cincia como um selo de qualidade ou garantia. Ele cita o caso dos chamados produtos verdes, associados a determinadas caractersticas com vis ecolgico ou produtos que precisam de algum tipo de auditoria para comprovarem seu discurso. Na mdia, a cincia entra como mecanismo de validao, criando uma marca de avano tecnolgico, mesmo que por pouqussimo tempo, finaliza Silvania. O fascnio por determinados temas cientficos segue a lgica da saturao do termo, ou seja, ecoar algo que j esteja exercendo certo fascnio na sociedade. O interesse do pblico muda bastante e a publicidade se aproveita desses temas que esto na mdia para recri-los a partir de um jogo de seduo com a linguagem diz Cristina Bruzzo, pesquisadora da Faculdade de Educao da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e que acompanhou ( 5 ) apropriao da imagem da molcula de DNA pelas mdias (inclusive publicidade). A imagem do DNA, por exemplo, foi acrescida de diversos sentidos, que no o sentido original para a cincia, e transformado em discurso de venda de diversos produtos, diz. Onde esto os dados comprovando as afirmaes cientficas, no entanto? De acordo com Eduardo Corra, do Conselho Nacional de Auto Regulamentao Publicitria (Conar) os anncios, antes de serem veiculados com qualquer informao de cunho cientfico, devem trazer os registros de comprovao das pesquisas em rgos competentes. Segundo ele, o Conar no tem o papel de avalizar metodologias ou resultados, o que fica a cargo do Ministrio da Sade, Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria (Anvisa) ou outros rgos. O consumidor pode pedir uma reviso ou confirmao cientfica dos dados apresentados, contudo em 99% dos casos esses certificados so garantia de qualidade. Se surgirem dvidas, quanto a dados numricos de pesquisas de opinio pblica, temos analistas no Conar que podem dar seus pareceres, esclarece Corra. Mesmo assim, de acordo com ele, os processos investigatrios so rarssimos. RODRIGO, Enio. Cincia e cultura na publicidade. Disponvel em: http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=S0009-67252009000100006script=sci_arttext.Acesso em 22/04/2015. Texto 3 SOLUO Joo Paiva Eu quero uma soluo homognea, preparada, coisa certa, controlada para ter tudo na mo. Soluo para questo que no ouso resolver. Diluda num balo elixir pra me entreter. Fao centrifugao para ter ar uniforme uso varinha conforme, seja mgica ou no. Busco uma soluo tudo lindo, direitinho eu quero ter tudo certinho ter o mundo nesta mo. Procuro mistura, ento aqueo tudo em cadinho. E vejo no ter soluo mas apenas um caminho... PAIVA, Joo. Quase poesia, quase qumica. Disponvel em: http://www.spq.pt/files/docs/boletim/poesia/quase-poesia-quase-quimica-jpaiva2012.pdf Acesso em: 22/04/2015. TEXTO 4 PSICOLOGIA DE UM VENCIDO Augusto dos Anjos Eu, filho do carbono e do amonaco, Monstro de escurido e rutilncia, Sofro, desde a epignese da infncia, A influncia m dos signos do zodaco Profundissimamente hipocondraco, Este ambiente me causa repugnncia... Sobe-me boca uma nsia anloga nsia Que se escapa da boca de um cardaco. J o verme este operrio das runas Que o sangue podre das carnificinas Come, e vida em geral declara guerra, Anda a espreitar meus olhos para ro-los, E h de deixar-me apenas os cabelos, Na frialdade inorgnica da terra! ANJOS, A. Eu e Outras Poesias. Rio de Janeiro: Civilizao Brasileira, 1998. Marque a opo em que a respectiva substituio dos termos destacados no prejudicaria o sentido encontrado no contexto dado. I - Silvania () enxerga nesse processo um resqucio da viso positivista, na qual a cincia pode ser entendida como verdade absoluta. (texto 2, 2 pargrafo) II - () assim que vejo a comunicao: com fronteiras menos marcadas e deixando de lado o paradigma de que o pblico passivo (texto 2, 3 pargrafo) III - Silvania concorda e diz que () a verdade suprema estanque. () Texto 2, 3 pargrafo) IV - Monstro de escurido e rutilncia, (texto 4, verso 2)

Questão 9
2015Português

[IME-2015 / 2016 - 1 fase] Texto 1 A QUMICA EM NOSSAS VIDAS Carlos Corra H a ideia generalizada de que o que natural bom e o que sinttico, o que resulta da ao do homem, mau. No vou citar os terremotos, tsunamis e tempestades, tudo natural, que no tm nada de bom, mas certas substncias naturais muito ms, como as toxinas produzidas naturalmente por certas bactrias e os vrus, todos to na moda nestes ltimos tempos. Dentre os maiores venenos que existem, seis so naturais. S o sarin (gs dos nervos) e as dioxinas que so de origem sinttica. Muitos alimentos contm substncias naturais que podem causar doenas, como por exemplo o isocianato de alila (alho, mostarda) que pode originar tumores, o benzopireno (defumados, churrascos) causador de cncer do estmago, os cianetos (amndoas amargas, mandioca) que so txicos, as hidrazinas (cogumelos) que so cancergenas, a saxtoxina (marisco) e a tetrodotoxina (peixe estragado) que causam paralisia e morte, certos taninos (caf, cacau) causadores de cncer do esfago e da boca e muitos outros. A m imagem da Qumica resulta da sua m utilizao e deve-se particularmente disperso de resduos no ambiente (que levam ao aquecimento global e mudanas climticas, ao buraco da camada de oznio e contaminao das guas e solos) e utilizao de aditivos alimentares e pesticidas. Muitos desses males so o resultado da pouca educao dos cidados. Quem separa e compacta o lixo? Quem entrega nas farmcias os medicamentos que se encontram fora do prazo de validade? Quem trata os efluentes dos currais e das pocilgas? Quem deixa toda a espcie de lixo nas areias das nossas praias e matas? Quem usa e abusa do automvel? Quem berra contra as queimadas mas enche a sala de fumaa, intoxicando toda a famlia? Quem no admira o fogo de artifcio, que enche a atmosfera e as guas de metais pesados? H o hbito de utilizar a expresso substncia qumica para designar substncias sintetizadas, imprimindo-lhes um ar perverso, de substncia maldita. H tempos passou na TV um anncio destinado a combater o uso do tabaco que dizia: o fumo do tabaco contm mais de 4000 substncias qumicas txicas, irritantes e cancergenas. Bastaria referir substncias, mas teve de aparecer o qualificativo qumicas para lhes dar um ar mais tenebroso. Todas as substncias, naturais ou de sntese, so substncias qumicas! Todas as substncias, naturais ou de sntese, podem ser prejudiciais sade! Tudo depende da dose. Qualquer dia aparecer uma notcia na TV referindo, logo a seguir s notcias dos dirigentes e jogadores de futebol, que A gua, substncia com a frmula molecular H2O, foi a substncia qumica responsvel por muitas mortes nas nossas praias por falta de cuidado! Porque os Qumicos determinaram as estruturas e propriedades dessas substncias, haver razo para lhes chamar substncias qumicas? Estamos sendo envenenados pelas muitas substncias qumicas que invadem as nossas vidas? A ideia de que o cncer est aumentando devido a essas substncias qumicas desmentida pelas estatsticas sobre o assunto, exceo do fumo do tabaco, que a maior causa de aumento do cncer do pulmo e das vias respiratrias. O aumento da longevidade acarreta necessariamente um aumento do nmero de cnceres. Curiosamente, o tabaco natural e essas 4000 substncias txicas, irritantes e cancergenas resultam da queima das folhas do tabaco. A reao de combusto no foi inventada pelos qumicos; vem da idade da pedra, quando o homem descobriu o fogo. O nmero de cnceres das vias respiratrias na mulher s comeou a crescer em meados dos anos 60, com a emancipao da mulher e o subsequente uso do cigarro. o tipo de cncer responsvel pelo maior nmero de mortes nos Estados Unidos. No verdade que as substncias de sntese (as substncias qumicas) sejam uma causa importante de cncer; isso sucede somente quando h exposio a altas doses. As maiores causas de cncer so o cigarro, o excesso de lcool, certas viroses, inflamaes crnicas e problemas hormonais. A melhor defesa uma dieta rica em frutos e vegetais. H alguns anos, metade das substncias testadas (naturais e sintticas) em roedores deram resultado positivo em alguns testes de carcinogenicidade. Muitos alimentos contm substncias naturais que do resultado positivo, como o caso do caf torrado, embora esse resultado no possa ser diretamente relacionado ao aparecimento de um cncer, pois apenas a presena de doses muito elevadas das substncias pode justificar tal relao. Embora um estudo realizado por Michael Shechter, do Instituto do Corao de Sheba, Israel, mostrasse que a cafena do caf tem propriedades antioxidantes, atuando no combate a radicais livres, diminuindo o risco de doenas cardiovasculares e alguns tipos de cncer, a verdade que, h meia dzia de anos, s 3% dos compostos existentes no caf tinham sido testados. Das trinta substncias testadas no caf torrado, vinte e uma eram cancergenas em roedores e faltava testar cerca de um milhar! Vamos deixar de tomar caf? Certamente que no. O que sucede que a Qumica hoje capaz de detectar e caracterizar quantidades minsculas de substncias, o que no sucedia no passado. Como se disse, o veneno est na dose e essas substncias esto presentes em concentraes demasiado pequenas para causar danos. Diante do que se sabe das substncias analisadas at aqui, todos concordam que o importante consumir abundantes quantidades de frutos e vegetais. Isso compensa inclusive riscos associados possvel presena de pequenas quantidades de pesticidas. CORRA, Carlos. A Qumica em nossas vidas. Disponvel em: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=49746op=all. Acesso em 17 Abr 2015. (Texto adaptado) Texto 2 CONSUMIDORES COM MAIS ACESSO INFORMAO QUESTIONAM A VERDADE QUE LHES VENDIDA nio Rodrigo Se voc mulher, talvez j tenha observado com mais ateno como a publicidade de produtos de beleza, especialmente os voltados a tratamentos de rejuvenescimento, usualmente possuem novssimos componentes anti-idade e micro-cpsulas que ajudam a sua pele a ter mais firmeza em oito dias, por exemplo, ou mesmo que determinados organismos vivos (mesmo depois deenvazados, transportados e acondicionados em prateleiras com pouco controle de temperatura) fervilham aos milhes dentro de um vasilhame esperando para serem ingeridos ajudando a regular sua flora intestinal. Homens, crianas, e todo tipo de pblico tambm no esto fora do alcance desse discurso que utiliza um recurso cada vez mais presente na publicidade: a cincia e a tecnologia como argumento de venda. Silvania Sousa do Nascimento, doutora em didtica da cincia e tecnologia pela Universidade Paris VI e professora da Faculdade de Educao da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), enxerga nesse processo um resqucio da viso positivista, na qual a cincia pode ser entendida como verdade absoluta. A viso de que a cincia a baliza tica da verdade e o mito do cientista como gnio criador amplamente difundida, mas entra, cada vez mais, em atrito com a realidade, principalmente em uma sociedade informacional, como ( 1 ) nossa, acrescenta. Para entender esse processo numa sociedade pautada na dinmica da informao, Ricardo Cavallini, consultor corporativo e autor do livro O marketing depois de amanh (Universo dos Livros, 2007), afirma que, primeiramente, devemos repensar a noo de pblico especfico ou senso comum. Essas categorizaes esto sendo postas de lado. A publicidade contempornea trata com pessoas e elas tm cada vez mais acesso ( 2 ) informao e assim que vejo a comunicao: com fronteiras menos marcadas e deixando de lado o paradigma de que o pblico passivo, acredita. Silvania concorda e diz que a sociedade comea ( 3 ) perceber que a verdade suprema estanque, no condiz com o dia-a-dia. Ao se depararem com uma informao, as pessoas comeam a pesquisar e isso as aproxima do fazer cientfico, ou seja, de que a verdade questionvel, enfatiza. Para a professora da UFMG, isso cria o jornalista contnuo, um indivduo que pe a verdade prova o tempo todo. A noo de cincia atual a de verdade em construo, ou seja, de que determinados produtos ou processos imediatamente anteriores ao atual, so defasados. Cavallini considera que ( 4 ) trs linhas de pensamento possveis que poderiam explicar a utilizao do recurso da imagem cientfica para vender: a quantidade de informao que a cincia pode agregar a um produto; o quanto essa informao pode ser usada como diferencial na concorrncia entre produtos similares; e a cincia como um selo de qualidade ou garantia. Ele cita o caso dos chamados produtos verdes, associados a determinadas caractersticas com vis ecolgico ou produtos que precisam de algum tipo de auditoria para comprovarem seu discurso. Na mdia, a cincia entra como mecanismo de validao, criando uma marca de avano tecnolgico, mesmo que por pouqussimo tempo, finaliza Silvania. O fascnio por determinados temas cientficos segue a lgica da saturao do termo, ou seja, ecoar algo que j esteja exercendo certo fascnio na sociedade. O interesse do pblico muda bastante e a publicidade se aproveita desses temas que esto na mdia para recri-los a partir de um jogo de seduo com a linguagem diz Cristina Bruzzo, pesquisadora da Faculdade de Educao da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e que acompanhou ( 5 ) apropriao da imagem da molcula de DNA pelas mdias (inclusive publicidade). A imagem do DNA, por exemplo, foi acrescida de diversos sentidos, que no o sentido original para a cincia, e transformado em discurso de venda de diversos produtos, diz. Onde esto os dados comprovando as afirmaes cientficas, no entanto? De acordo com Eduardo Corra, do Conselho Nacional de Auto Regulamentao Publicitria (Conar) os anncios, antes de serem veiculados com qualquer informao de cunho cientfico, devem trazer os registros de comprovao das pesquisas em rgos competentes. Segundo ele, o Conar no tem o papel de avalizar metodologias ou resultados, o que fica a cargo do Ministrio da Sade, Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria (Anvisa) ou outros rgos. O consumidor pode pedir uma reviso ou confirmao cientfica dos dados apresentados, contudo em 99% dos casos esses certificados so garantia de qualidade. Se surgirem dvidas, quanto a dados numricos de pesquisas de opinio pblica, temos analistas no Conar que podem dar seus pareceres, esclarece Corra. Mesmo assim, de acordo com ele, os processos investigatrios so rarssimos. RODRIGO, Enio. Cincia e cultura na publicidade. Disponvel em: http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=S0009-67252009000100006script=sci_arttext.Acesso em 22/04/2015. Texto 3 SOLUO Joo Paiva Eu quero uma soluo homognea, preparada, coisa certa, controlada para ter tudo na mo. Soluo para questo que no ouso resolver. Diluda num balo elixir pra me entreter. Fao centrifugao para ter ar uniforme uso varinha conforme, seja mgica ou no. Busco uma soluo tudo lindo, direitinho eu quero ter tudo certinho ter o mundo nesta mo. Procuro mistura, ento aqueo tudo em cadinho. E vejo no ter soluo mas apenas um caminho... PAIVA, Joo. Quase poesia, quase qumica. Disponvel em: http://www.spq.pt/files/docs/boletim/poesia/quase-poesia-quase-quimica-jpaiva2012.pdf Acesso em: 22/04/2015. TEXTO 4 PSICOLOGIA DE UM VENCIDO Augusto dos Anjos Eu, filho do carbono e do amonaco, Monstro de escurido e rutilncia, Sofro, desde a epignese da infncia, A influncia m dos signos do zodaco Profundissimamente hipocondraco, Este ambiente me causa repugnncia... Sobe-me boca uma nsia anloga nsia Que se escapa da boca de um cardaco. J o verme este operrio das runas Que o sangue podre das carnificinas Come, e vida em geral declara guerra, Anda a espreitar meus olhos para ro-los, E h de deixar-me apenas os cabelos, Na frialdade inorgnica da terra! ANJOS, A. Eu e Outras Poesias. Rio de Janeiro: Civilizao Brasileira, 1998. Nas opes abaixo, o vocbulo destacado indica uso de recurso coesivo referencial, exceto em:

Questão 10
2015Português

[IME-2015 / 2016 - 1 fase] Texto 2 CONSUMIDORES COM MAIS ACESSO INFORMAO QUESTIONAM A VERDADE QUE LHES VENDIDA nio Rodrigo Se voc mulher, talvez j tenha observado com mais ateno como a publicidade de produtos de beleza, especialmente os voltados a tratamentos de rejuvenescimento, usualmente possuem novssimos componentes anti-idade e micro-cpsulas que ajudam a sua pele a ter mais firmeza em oito dias, por exemplo, ou mesmo que determinados organismos vivos (mesmo depois deenvazados, transportados e acondicionados em prateleiras com pouco controle de temperatura) fervilham aos milhes dentro de um vasilhame esperando para serem ingeridos ajudando a regular sua flora intestinal. Homens, crianas, e todo tipo de pblico tambm no esto fora do alcance desse discurso que utiliza um recurso cada vez mais presente na publicidade: a cincia e a tecnologia como argumento de venda. Silvania Sousa do Nascimento, doutora em didtica da cincia e tecnologia pela Universidade Paris VI e professora da Faculdade de Educao da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), enxerga nesse processo um resqucio da viso positivista, na qual a cincia pode ser entendida como verdade absoluta. A viso de que a cincia a baliza tica da verdade e o mito do cientista como gnio criador amplamente difundida, mas entra, cada vez mais, em atrito com a realidade, principalmente em uma sociedade informacional, como ( 1 ) nossa, acrescenta. Para entender esse processo numa sociedade pautada na dinmica da informao, Ricardo Cavallini, consultor corporativo e autor do livro O marketing depois de amanh (Universo dos Livros, 2007), afirma que, primeiramente, devemos repensar a noo de pblico especfico ou senso comum. Essas categorizaes esto sendo postas de lado. A publicidade contempornea trata com pessoas e elas tm cada vez mais acesso ( 2 ) informao e assim que vejo a comunicao: com fronteiras menos marcadas e deixando de lado o paradigma de que o pblico passivo, acredita. Silvania concorda e diz que a sociedade comea ( 3 ) perceber que a verdade suprema estanque, no condiz com o dia-a-dia. Ao se depararem com uma informao, as pessoas comeam a pesquisar e isso as aproxima do fazer cientfico, ou seja, de que a verdade questionvel, enfatiza. Para a professora da UFMG, isso cria o jornalista contnuo, um indivduo que pe a verdade prova o tempo todo. A noo de cincia atual a de verdade em construo, ou seja, de que determinados produtos ou processos imediatamente anteriores ao atual, so defasados. Cavallini considera que ( 4 ) trs linhas de pensamento possveis que poderiam explicar a utilizao do recurso da imagem cientfica para vender: a quantidade de informao que a cincia pode agregar a um produto; o quanto essa informao pode ser usada como diferencial na concorrncia entre produtos similares; e a cincia como um selo de qualidade ou garantia. Ele cita o caso dos chamados produtos verdes, associados a determinadas caractersticas com vis ecolgico ou produtos que precisam de algum tipo de auditoria para comprovarem seu discurso. Na mdia, a cincia entra como mecanismo de validao, criando uma marca de avano tecnolgico, mesmo que por pouqussimo tempo, finaliza Silvania. O fascnio por determinados temas cientficos segue a lgica da saturao do termo, ou seja, ecoar algo que j esteja exercendo certo fascnio na sociedade. O interesse do pblico muda bastante e a publicidade se aproveita desses temas que esto na mdia para recri-los a partir de um jogo de seduo com a linguagem diz Cristina Bruzzo, pesquisadora da Faculdade de Educao da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e que acompanhou ( 5 ) apropriao da imagem da molcula de DNA pelas mdias (inclusive publicidade). A imagem do DNA, por exemplo, foi acrescida de diversos sentidos, que no o sentido original para a cincia, e transformado em discurso de venda de diversos produtos, diz. Onde esto os dados comprovando as afirmaes cientficas, no entanto? De acordo com Eduardo Corra, do Conselho Nacional de Auto Regulamentao Publicitria (Conar) os anncios, antes de serem veiculados com qualquer informao de cunho cientfico, devem trazer os registros de comprovao das pesquisas em rgos competentes. Segundo ele, o Conar no tem o papel de avalizar metodologias ou resultados, o que fica a cargo do Ministrio da Sade, Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria (Anvisa) ou outros rgos. O consumidor pode pedir uma reviso ou confirmao cientfica dos dados apresentados, contudo em 99% dos casos esses certificados so garantia de qualidade. Se surgirem dvidas, quanto a dados numricos de pesquisas de opinio pblica, temos analistas no Conar que podem dar seus pareceres, esclarece Corra. Mesmo assim, de acordo com ele, os processos investigatrios so rarssimos. RODRIGO, Enio. Cincia e cultura na publicidade. Disponvel em: http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=S0009-67252009000100006script=sci_arttext.Acesso em 22/04/2015. Dentre os vocbulos abaixo, assinale aquele cuja regra de acentuao diversa daquela usada no vocbulo destacado em: (...) a verdade questionvel . (3 pargrafo, texto 2)

Questão 11
2015Português

[IME-2015 / 2016 - 1 fase] Texto 1 A QUMICA EM NOSSAS VIDAS Carlos Corra H a ideia generalizada de que o que natural bom e o que sinttico, o que resulta da ao do homem, mau. No vou citar os terremotos, tsunamis e tempestades, tudo natural, que no tm nada de bom, mas certas substncias naturais muito ms, como as toxinas produzidas naturalmente por certas bactrias e os vrus, todos to na moda nestes ltimos tempos. Dentre os maiores venenos que existem, seis so naturais. S o sarin (gs dos nervos) e as dioxinas que so de origem sinttica. Muitos alimentos contm substncias naturais que podem causar doenas, como por exemplo o isocianato de alila (alho, mostarda) que pode originar tumores, o benzopireno (defumados, churrascos) causador de cncer do estmago, os cianetos (amndoas amargas, mandioca) que so txicos, as hidrazinas (cogumelos) que so cancergenas, a saxtoxina (marisco) e a tetrodotoxina (peixe estragado) que causam paralisia e morte, certos taninos (caf, cacau) causadores de cncer do esfago e da boca e muitos outros. A m imagem da Qumica resulta da sua m utilizao e deve-se particularmente disperso de resduos no ambiente (que levam ao aquecimento global e mudanas climticas, ao buraco da camada de oznio e contaminao das guas e solos) e utilizao de aditivos alimentares e pesticidas. Muitos desses males so o resultado da pouca educao dos cidados. Quem separa e compacta o lixo? Quem entrega nas farmcias os medicamentos que se encontram fora do prazo de validade? Quem trata os efluentes dos currais e das pocilgas? Quem deixa toda a espcie de lixo nas areias das nossas praias e matas? Quem usa e abusa do automvel? Quem berra contra as queimadas mas enche a sala de fumaa, intoxicando toda a famlia? Quem no admira o fogo de artifcio, que enche a atmosfera e as guas de metais pesados? H o hbito de utilizar a expresso substncia qumica para designar substncias sintetizadas, imprimindo-lhes um ar perverso, de substncia maldita. H tempos passou na TV um anncio destinado a combater o uso do tabaco que dizia: o fumo do tabaco contm mais de 4000 substncias qumicas txicas, irritantes e cancergenas. Bastaria referir substncias, mas teve de aparecer o qualificativo qumicas para lhes dar um ar mais tenebroso. Todas as substncias, naturais ou de sntese, so substncias qumicas! Todas as substncias, naturais ou de sntese, podem ser prejudiciais sade! Tudo depende da dose. Qualquer dia aparecer uma notcia na TV referindo, logo a seguir s notcias dos dirigentes e jogadores de futebol, que A gua, substncia com a frmula molecular H2O, foi a substncia qumica responsvel por muitas mortes nas nossas praias por falta de cuidado! Porque os Qumicos determinaram as estruturas e propriedades dessas substncias, haver razo para lhes chamar substncias qumicas? Estamos sendo envenenados pelas muitas substncias qumicas que invadem as nossas vidas? A ideia de que o cncer est aumentando devido a essas substncias qumicas desmentida pelas estatsticas sobre o assunto, exceo do fumo do tabaco, que a maior causa de aumento do cncer do pulmo e das vias respiratrias. O aumento da longevidade acarreta necessariamente um aumento do nmero de cnceres. Curiosamente, o tabaco natural e essas 4000 substncias txicas, irritantes e cancergenas resultam da queima das folhas do tabaco. A reao de combusto no foi inventada pelos qumicos; vem da idade da pedra, quando o homem descobriu o fogo. O nmero de cnceres das vias respiratrias na mulher s comeou a crescer em meados dos anos 60, com a emancipao da mulher e o subsequente uso do cigarro. o tipo de cncer responsvel pelo maior nmero de mortes nos Estados Unidos. No verdade que as substncias de sntese (as substncias qumicas) sejam uma causa importante de cncer; isso sucede somente quando h exposio a altas doses. As maiores causas de cncer so o cigarro, o excesso de lcool, certas viroses, inflamaes crnicas e problemas hormonais. A melhor defesa uma dieta rica em frutos e vegetais. H alguns anos, metade das substncias testadas (naturais e sintticas) em roedores deram resultado positivo em alguns testes de carcinogenicidade. Muitos alimentos contm substncias naturais que do resultado positivo, como o caso do caf torrado, embora esse resultado no possa ser diretamente relacionado ao aparecimento de um cncer, pois apenas a presena de doses muito elevadas das substncias pode justificar tal relao. Embora um estudo realizado por Michael Shechter, do Instituto do Corao de Sheba, Israel, mostrasse que a cafena do caf tem propriedades antioxidantes, atuando no combate a radicais livres, diminuindo o risco de doenas cardiovasculares e alguns tipos de cncer, a verdade que, h meia dzia de anos, s 3% dos compostos existentes no caf tinham sido testados. Das trinta substncias testadas no caf torrado, vinte e uma eram cancergenas em roedores e faltava testar cerca de um milhar! Vamos deixar de tomar caf? Certamente que no. O que sucede que a Qumica hoje capaz de detectar e caracterizar quantidades minsculas de substncias, o que no sucedia no passado. Como se disse, o veneno est na dose e essas substncias esto presentes em concentraes demasiado pequenas para causar danos. Diante do que se sabe das substncias analisadas at aqui, todos concordam que o importante consumir abundantes quantidades de frutos e vegetais. Isso compensa inclusive riscos associados possvel presena de pequenas quantidades de pesticidas. CORRA, Carlos. A Qumica em nossas vidas. Disponvel em: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=49746op=all. Acesso em 17 Abr 2015. (Texto adaptado) Quem usa e abusa do automvel? (4 pargrafo, texto 1). Assinale a opo em que a regra ortogrfica diverge em relao grafia dos verbos acima apresentados.

Questão 12
2015Português

[IME-2015 / 2016 - 1 fase] Texto 2 CONSUMIDORES COM MAIS ACESSO INFORMAO QUESTIONAM A VERDADE QUE LHES VENDIDA nio Rodrigo Se voc mulher, talvez j tenha observado com mais ateno como a publicidade de produtos de beleza, especialmente os voltados a tratamentos de rejuvenescimento, usualmente possuem novssimos componentes anti-idade e micro-cpsulas que ajudam a sua pele a ter mais firmeza em oito dias, por exemplo, ou mesmo que determinados organismos vivos (mesmo depois deenvazados, transportados e acondicionados em prateleiras com pouco controle de temperatura) fervilham aos milhes dentro de um vasilhame esperando para serem ingeridos ajudando a regular sua flora intestinal. Homens, crianas, e todo tipo de pblico tambm no esto fora do alcance desse discurso que utiliza um recurso cada vez mais presente na publicidade: a cincia e a tecnologia como argumento de venda. Silvania Sousa do Nascimento, doutora em didtica da cincia e tecnologia pela Universidade Paris VI e professora da Faculdade de Educao da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), enxerga nesse processo um resqucio da viso positivista, na qual a cincia pode ser entendida como verdade absoluta. A viso de que a cincia a baliza tica da verdade e o mito do cientista como gnio criador amplamente difundida, mas entra, cada vez mais, em atrito com a realidade, principalmente em uma sociedade informacional, como ( 1 ) nossa, acrescenta. Para entender esse processo numa sociedade pautada na dinmica da informao, Ricardo Cavallini, consultor corporativo e autor do livro O marketing depois de amanh (Universo dos Livros, 2007), afirma que, primeiramente, devemos repensar a noo de pblico especfico ou senso comum. Essas categorizaes esto sendo postas de lado. A publicidade contempornea trata com pessoas e elas tm cada vez mais acesso ( 2 ) informao e assim que vejo a comunicao: com fronteiras menos marcadas e deixando de lado o paradigma de que o pblico passivo, acredita. Silvania concorda e diz que a sociedade comea ( 3 ) perceber que a verdade suprema estanque, no condiz com o dia-a-dia. Ao se depararem com uma informao, as pessoas comeam a pesquisar e isso as aproxima do fazer cientfico, ou seja, de que a verdade questionvel, enfatiza. Para a professora da UFMG, isso cria o jornalista contnuo, um indivduo que pe a verdade prova o tempo todo. A noo de cincia atual a de verdade em construo, ou seja, de que determinados produtos ou processos imediatamente anteriores ao atual, so defasados. Cavallini considera que ( 4 ) trs linhas de pensamento possveis que poderiam explicar a utilizao do recurso da imagem cientfica para vender: a quantidade de informao que a cincia pode agregar a um produto; o quanto essa informao pode ser usada como diferencial na concorrncia entre produtos similares; e a cincia como um selo de qualidade ou garantia. Ele cita o caso dos chamados produtos verdes, associados a determinadas caractersticas com vis ecolgico ou produtos que precisam de algum tipo de auditoria para comprovarem seu discurso. Na mdia, a cincia entra como mecanismo de validao, criando uma marca de avano tecnolgico, mesmo que por pouqussimo tempo, finaliza Silvania. O fascnio por determinados temas cientficos segue a lgica da saturao do termo, ou seja, ecoar algo que j esteja exercendo certo fascnio na sociedade. O interesse do pblico muda bastante e a publicidade se aproveita desses temas que esto na mdia para recri-los a partir de um jogo de seduo com a linguagem diz Cristina Bruzzo, pesquisadora da Faculdade de Educao da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e que acompanhou ( 5 ) apropriao da imagem da molcula de DNA pelas mdias (inclusive publicidade). A imagem do DNA, por exemplo, foi acrescida de diversos sentidos, que no o sentido original para a cincia, e transformado em discurso de venda de diversos produtos, diz. Onde esto os dados comprovando as afirmaes cientficas, no entanto? De acordo com Eduardo Corra, do Conselho Nacional de Auto Regulamentao Publicitria (Conar) os anncios, antes de serem veiculados com qualquer informao de cunho cientfico, devem trazer os registros de comprovao das pesquisas em rgos competentes. Segundo ele, o Conar no tem o papel de avalizar metodologias ou resultados, o que fica a cargo do Ministrio da Sade, Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria (Anvisa) ou outros rgos. O consumidor pode pedir uma reviso ou confirmao cientfica dos dados apresentados, contudo em 99% dos casos esses certificados so garantia de qualidade. Se surgirem dvidas, quanto a dados numricos de pesquisas de opinio pblica, temos analistas no Conar que podem dar seus pareceres, esclarece Corra. Mesmo assim, de acordo com ele, os processos investigatrios so rarssimos. RODRIGO, Enio. Cincia e cultura na publicidade. Disponvel em: http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=S0009-67252009000100006script=sci_arttext.Acesso em 22/04/2015. Acerca do vocbulo categorizaes (3 pargrafo, texto 2) e da expresso marca de avano tecnolgico, mesmo que por pouqussimo tempo (5 pargrafo, texto 2), podemos afirmar que I. o vocbulo categorizaes refere-se a componentes anti-idade e microcpsulas que ajudam a sua pele a ter mais firmeza em oito dias. II. a expresso marca de avano tecnolgico, mesmo que por pouqussimo tempo traz a ideia de verdade questionvel. III. o vocbulo categorizaes retoma as noes de pblico especfico e senso comum. Marque a opo correta:

Questão 13
2015Português

[IME-2015 / 2016 - 1 fase] Texto 3 SOLUO Joo Paiva Eu quero uma soluo homognea, preparada, coisa certa, controlada para ter tudo na mo. Soluo para questo que no ouso resolver. Diluda num balo elixir pra me entreter. Fao centrifugao para ter ar uniforme uso varinha conforme, seja mgica ou no. Busco uma soluo tudo lindo, direitinho eu quero ter tudo certinho ter o mundo nesta mo. Procuro mistura, ento aqueo tudo em cadinho. E vejo no ter soluo mas apenas um caminho... PAIVA, Joo. Quase poesia, quase qumica. Disponvel em: http://www.spq.pt/files/docs/boletim/poesia/quase-poesia-quase-quimica-jpaiva2012.pdf Acesso em: 22/04/2015. Sobre o texto 3 podemos inferir que I. o autor do texto nos traz uma mensagem altamente negativa e pessimista do fazer cientfico. II. o vocbulo que confere ttulo ao texto pode ter o mesmo valor semntico no primeiro e quinto versos, o que confirma a inteno do cientista em para ter tudo na mo (verso 4). III. o cientista falha quando no encontra meios em seu trabalho cotidiano para solucionar, com extrema preciso, tudo o que lhe vier s mos para fazer. Marque a opo correta:

Questão 14
2015Português

[IME-2015 / 2016 - 1 fase] Texto 2 CONSUMIDORES COM MAIS ACESSO INFORMAO QUESTIONAM A VERDADE QUE LHES VENDIDA nio Rodrigo Se voc mulher, talvez j tenha observado com mais ateno como a publicidade de produtos de beleza, especialmente os voltados a tratamentos de rejuvenescimento, usualmente possuem novssimos componentes anti-idade e micro-cpsulas que ajudam a sua pele a ter mais firmeza em oito dias, por exemplo, ou mesmo que determinados organismos vivos (mesmo depois deenvazados, transportados e acondicionados em prateleiras com pouco controle de temperatura) fervilham aos milhes dentro de um vasilhame esperando para serem ingeridos ajudando a regular sua flora intestinal. Homens, crianas, e todo tipo de pblico tambm no esto fora do alcance desse discurso que utiliza um recurso cada vez mais presente na publicidade: a cincia e a tecnologia como argumento de venda. Silvania Sousa do Nascimento, doutora em didtica da cincia e tecnologia pela Universidade Paris VI e professora da Faculdade de Educao da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), enxerga nesse processo um resqucio da viso positivista, na qual a cincia pode ser entendida como verdade absoluta. A viso de que a cincia a baliza tica da verdade e o mito do cientista como gnio criador amplamente difundida, mas entra, cada vez mais, em atrito com a realidade, principalmente em uma sociedade informacional, como ( 1 ) nossa, acrescenta. Para entender esse processo numa sociedade pautada na dinmica da informao, Ricardo Cavallini, consultor corporativo e autor do livro O marketing depois de amanh (Universo dos Livros, 2007), afirma que, primeiramente, devemos repensar a noo de pblico especfico ou senso comum. Essas categorizaes esto sendo postas de lado. A publicidade contempornea trata com pessoas e elas tm cada vez mais acesso ( 2 ) informao e assim que vejo a comunicao: com fronteiras menos marcadas e deixando de lado o paradigma de que o pblico passivo, acredita. Silvania concorda e diz que a sociedade comea ( 3 ) perceber que a verdade suprema estanque, no condiz com o dia-a-dia. Ao se depararem com uma informao, as pessoas comeam a pesquisar e isso as aproxima do fazer cientfico, ou seja, de que a verdade questionvel, enfatiza. Para a professora da UFMG, isso cria o jornalista contnuo, um indivduo que pe a verdade prova o tempo todo. A noo de cincia atual a de verdade em construo, ou seja, de que determinados produtos ou processos imediatamente anteriores ao atual, so defasados. Cavallini considera que ( 4 ) trs linhas de pensamento possveis que poderiam explicar a utilizao do recurso da imagem cientfica para vender: a quantidade de informao que a cincia pode agregar a um produto; o quanto essa informao pode ser usada como diferencial na concorrncia entre produtos similares; e a cincia como um selo de qualidade ou garantia. Ele cita o caso dos chamados produtos verdes, associados a determinadas caractersticas com vis ecolgico ou produtos que precisam de algum tipo de auditoria para comprovarem seu discurso. Na mdia, a cincia entra como mecanismo de validao, criando uma marca de avano tecnolgico, mesmo que por pouqussimo tempo, finaliza Silvania. O fascnio por determinados temas cientficos segue a lgica da saturao do termo, ou seja, ecoar algo que j esteja exercendo certo fascnio na sociedade. O interesse do pblico muda bastante e a publicidade se aproveita desses temas que esto na mdia para recri-los a partir de um jogo de seduo com a linguagem diz Cristina Bruzzo, pesquisadora da Faculdade de Educao da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e que acompanhou ( 5 ) apropriao da imagem da molcula de DNA pelas mdias (inclusive publicidade). A imagem do DNA, por exemplo, foi acrescida de diversos sentidos, que no o sentido original para a cincia, e transformado em discurso de venda de diversos produtos, diz. Onde esto os dados comprovando as afirmaes cientficas, no entanto? De acordo com Eduardo Corra, do Conselho Nacional de Auto Regulamentao Publicitria (Conar) os anncios, antes de serem veiculados com qualquer informao de cunho cientfico, devem trazer os registros de comprovao das pesquisas em rgos competentes. Segundo ele, o Conar no tem o papel de avalizar metodologias ou resultados, o que fica a cargo do Ministrio da Sade, Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria (Anvisa) ou outros rgos. O consumidor pode pedir uma reviso ou confirmao cientfica dos dados apresentados, contudo em 99% dos casos esses certificados so garantia de qualidade. Se surgirem dvidas, quanto a dados numricos de pesquisas de opinio pblica, temos analistas no Conar que podem dar seus pareceres, esclarece Corra. Mesmo assim, de acordo com ele, os processos investigatrios so rarssimos. RODRIGO, Enio. Cincia e cultura na publicidade. Disponvel em: http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=S0009-67252009000100006script=sci_arttext.Acesso em 22/04/2015. Texto 3 SOLUO Joo Paiva Eu quero uma soluo homognea, preparada, coisa certa, controlada para ter tudo na mo. Soluo para questo que no ouso resolver. Diluda num balo elixir pra me entreter. Fao centrifugao para ter ar uniforme uso varinha conforme, seja mgica ou no. Busco uma soluo tudo lindo, direitinho eu quero ter tudo certinho ter o mundo nesta mo. Procuro mistura, ento aqueo tudo em cadinho. E vejo no ter soluo mas apenas um caminho... PAIVA, Joo. Quase poesia, quase qumica. Disponvel em: http://www.spq.pt/files/docs/boletim/poesia/quase-poesia-quase-quimica-jpaiva2012.pdf Acesso em: 22/04/2015. O autor do texto 2 discute acerca dos temas Cincia como baliza tica da verdade e Mito do cientista como gnio criador. Considerando essas reflexes e o contedo do texto 3, podemos afirmar que

Questão 15
2015Português

[IME-2015 / 2016 - 1 fase] TEXTO 4 PSICOLOGIA DE UM VENCIDO Augusto dos Anjos Eu, filho do carbono e do amonaco, Monstro de escurido e rutilncia, Sofro, desde a epignese da infncia, A influncia m dos signos do zodaco Profundissimamente hipocondraco, Este ambiente me causa repugnncia... Sobe-me boca uma nsia anloga nsia Que se escapa da boca de um cardaco. J o verme este operrio das runas Que o sangue podre das carnificinas Come, e vida em geral declara guerra, Anda a espreitar meus olhos para ro-los, E h de deixar-me apenas os cabelos, Na frialdade inorgnica da terra! ANJOS, A. Eu e Outras Poesias. Rio de Janeiro: Civilizao Brasileira, 1998. Acerca da expresso Este ambiente e do verbo come (6 e 11 versos do texto 4, respectivamente), podemos afirmar que I. a expresso faz referncia a nossa existncia no planeta em que vivemos. II. o sujeito do verbo em questo o sangue podre das carnificinas (verso 10). III. o verbo em questo tem o mesmo sujeito de anda (verso 12). IV. a expresso refere-se ao do trabalho final do operrio das runas (verso 9). Marque a opo correta:

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