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Questão
2020Física

Em um recipiente termicamente isolado, 100 g de gelo, a -20 C e 300 g de gua, a 65C so misturados. Aps se alcanar o equilbrio trmico, a temperatura da mistura de aproximadamente, em graus Celsius: Dados: calor especfico da gua: 1,0 cal/g.K calor especfico do gelo: 0,53 cal/g.K calor de fuso da gua: 79,5 cal/g

Questão
2020Física

Uma mquina de Carnot projetada para operar com 200W de pot^~encia entre fontes de calor de 200C e 100C. Com base nas caractersticas descritas, a quantidade de calor absorvida por essa mquina, a cada segundo, de aproximadamente

Questão 12
2019Matemática

De quantas maneiras diferentes podemos escolher seis pessoas, incluindo pelo menos duas mulheres, de um grupo de sete homens e quatro mulheres?

Questão 13
2019Matemática

Considere uma loja que vende cinco tipos de refrigerantes. De quantas formas diferentes podemos comprar três refrigerantes?

Questão
2019Português

(EFOMM - 2019) Passeio Infncia Primeiro vamos l embaixo no crrego; pegaremos dois pequenos cars dourados. E como faz calor, veja, os lagostins saem da toca. Quer ir de batelo, na ilha, comer ings? Ou vamos ficar bestando nessa areia onde o sol dourado atravessa a gua rasa? No catemos pedrinhas redondas para atiradeira, porque urgente subir no morro; os sanhaos esto bicando os cajus maduros. janeiro, grande ms de janeiro! Podemos cortar folhas de pita, ir para o outro lado do morro e descer escorregando no capim at a beira do aude. Com dois paus de pita, faremos uma balsa, e, como o carnaval no ms que vem, vamos apanhar tabatinga para fazer formas de mscaras. Ou ento vamos jogar bola-preta: do outro lado do jardim tem um p de saboneteira. Se quiser, vamos. Converta-se, bela mulher estranha, numa simples menina de pernas magras e vamos passear nessa infncia de uma terra longe. verdade que jamais comeu angu de fundo de panela? Bem pouca coisa eu sei: mas tudo que sei lhe ensino. Estaremos debaixo da goiabeira; eu cortarei uma forquilha com o canivete. Mas no consigo imagin-la assim; talvez se na praia ainda houver pitangueiras... Havia pitangueiras na praia? Tenho uma ideia vaga de pitangueiras junto praia. Iremos catar conchas cor-de-rosa e bzios crespos, ou armar o alapo junto do brejo para pegar papa-capim. Quer? Agora devem ser trs horas da tarde, as galinhas l fora esto cacarejando de sono, voc gosta de fruta-po assada com manteiga? Eu lhe dou aipim ainda quente com melado. Talvez voc fosse como aquela menina rica, de fora, que achou horrvel nosso pobre doce de abbora e coco. Mas eu a levarei para a beira do ribeiro, na sombra fria do bambual; ali pescarei piaus. H rolinhas. Ou ento ir descendo o rio numa canoa bem devagar e de repente dar um galope na correnteza, passando rente s pedras, como se a canoa fosse um cavalo solto. Ou nadar mar afora at no poder mais e depois virar e ficar olhando as nuvens brancas. Bem pouca coisa eu sei; os outros meninos riram de mim porque cortei uma iba de assa-peixe. Lembro-me que vi o ladro morrer afogado com os soldados de canoa dando tiros, e havia uma mulher do outro lado do rio gritando. Mas como eu poderia, mulher estranha, convert-la em menina para subir comigo pela capoeira? Uma vez vi uma urutu junto de um tronco queimado; e me lembro de muitas meninas. Tinha uma que era para mim uma adorao. Ah, paixo da infncia, paixo que no amarga. Assim eu queria gostar de voc, mulher estranha que ora venho conhecer, homem maduro. Homem maduro, ido e vivido; mas quando a olhei, voc estava distrada, meus olhos eram outra vez os encantados olhos daquele menino feio do segundo ano primrio que quase no tinha coragem de olhar a menina um pouco mais alta da ponta direita do banco. Adorao de infncia. Ao menos voc conhece um passarinho chamado sara? E um passarinho mido: imagine uma sara grande que de sbito aparecesse a um menino que s tivesse visto coleiros e curis, ou pobres cambaxirras. Imagine um arco-ris visto na mais remota infncia, sobre os morros e o rio. O menino da roa que pela primeira vez v as algas do mar se balanando sob a onda clara, junto da pedra. Ardente da mais pura paixo de beleza a adorao da infncia. Na minha adolescncia voc seria uma tortura. Quero lev-la para a meninice. Bem pouca coisa eu sei; uma vez na fazenda riram: ele no sabe nem passar um barbicacho! Mas o que sei lhe ensino; so pequenas coisas do mato e da gua, so humildes coisas, e voc to bela e estranha! Inutilmente tento convert-la em menina de pernas magras, o joelho ralado, um pouco de lama seca do brejo no meio dos dedos dos ps. Linda como a areia que a onda ondeou. Sara grande! Na adolescncia me torturaria; mas sou um homem maduro. Ainda assim s vezes como um bando de sanhaos bicando os cajus de meu cajueiro, um cardume de peixes dourados avanando, saltando ao sol, na piracema; um bambual com sombra fria, onde ouvi silvo de cobra, e eu quisera tanto dormir. Tanto dormir! Preciso de um sossego de beira de rio, com remanso, com cigarras. Mas voc como se houvesse demasiadas cigarras cantando numa pobre tarde de homem. Julho, 1945 Crnica extrada do livro 200 crnicas escolhidas, de Rubem Braga. O adjetivo na essncia um termo modificador do substantivo e pode se antepor ou pospor a este. Assinale a opo em que se percebe mudana de sentido quanto posio do adjetivo.

Questão
2019Física

(Efomm 2019) Um condutor retilíneo PT, de resistência R = 20,0, está em contato com um condutor de resistência desprezível e dobrado em forma de U, como indica a figura. O conjunto está imerso em um campo de indução magnéticaB, uniforme, de intensidade 15,0 T, de modo que B é ortogonal ao plano do circuito. Seu Demi, um operador, puxa o condutor PT, de modo que este se move com velocidade constante v, como indica a figura, sendo v = 4,0 m/s. Determine a forma eletromotriz induzida no circuito e o valor da força aplicada por seu Demi ao condutor PT.

Questão
2019Física

(Efomm 2019) Um tenente da EFOMM construiu um dispositivo para o laboratório de Física da instituição. O dispositivo é mostrado na figura a seguir. Podemos observar que uma barra metálica, de 5 m de comprimento e 30 kg, está suspensa por duas molas condutoras de peso desprezível, de constante elástica 500 N/m e presas ao teto. As molas estão com uma deformação de 100 mm e a barra está imersa num campo magnético uniforme da intensidade 8,0 T. Determine a intensidade e o sentido da corrente elétrica real que se deve passar pela barra para que as molas não alterem a deformação.

Questão
2019Física

No circuito a seguir, o galvanmetro no acusa passagem de corrente. Determine o valor da corrente eltrica i no circuito.

Questão
2019Física

(Efomm 2019) No laboratrio de Fsica da EFOMM existe um galvanmetro de resistncia interna 0,80 que pode medir, sem se danificar, correntes de intensidade de at 20 mA. Tenente Rocha, professor de fsica da EFOMM, resolveu associar ao galvanmetro um resistor denominado shunt, para que ele se torne um miliampermetro de fundo de escala 200 mA. Qual dever ser o valor do shunt associado e o valor da resistncia do miliampermetro, respectivamente?

Questão
2019Física

A figura abaixo mostra a vista superior de um anel de raio R que est contido em um plano horizontal e que serve de trilho, para que uma pequena conta de massa m se movimente sobre ele sem atrito. Uma mola de constante elstica k e o comprimento natural R, com uma extremidade fixa no ponto A do anel e com a outra ligada conta, ir mov-la no sentido anti-horro. Inicialmente, a conta est em repouso e localiza-se no pontoB,que diametralmente oposto ao ponto A.SeP um ponto qualquer e o ngulo entre os segmentos AB e AP, a velocidade da conta, ao passar por P,

Questão
2019Português

(EFOMM - 2019) Como Dizia Meu Pai J se tomou hbito meu, em meio a uma conversa, preceder algum comentrio por uma introduo: Como dizia meu pai... Nem sempre me reporto a algo que ele realmente dizia, sendo apenas uma maneira coloquial de dar nfase a alguma opinio. De uns tempos para c, porm, comecei a perceber que a opinio, sem ser de caso pensado, parece de fato corresponder a alguma coisa que Seu Domingos costumava dizer. Isso significar talvez Deus queira que insensivelmente vou me tomando com o correr dos anos cada vez mais parecido com ele. Ou, pelo menos, me identificando com a herana espiritual que dele recebi. No raro me surpreendo, antes de agir, tentando descobrir como ele agiria em semelhantes circunstncias, repetindo uma atitude sua, at mesmo esboando um gesto seu. Ao formular uma ideia, percebo que estou concebendo, para nortear meu pensamento, um princpio que, se no foi enunciado por ele, s pode ter sido inspirado por sua presena dentro de mim. No fim tudo d certo... Ainda ontem eu tranquilizava um de meus filhos com esta frase, sem reparar que repetia literalmente o que ele costumava dizer, sempre concluindo com olhar travesso: Se no deu certo, porque ainda no chegou no fim. Gosto de evocar a figura mansa de Seu Domingos, a quem chamvamos paizinho, a subir pausadamente a escada da varanda de nossa casa, todos os dias, ao cair da tarde, egresso do escritrio situado no poro. Ou depois do jantar, sentado com minha me no sof de palhinha da varanda, como namorados, trocando notcias do dia. Os filhos guardavam zelosa distncia, at que ela ia aos seus afazeres e ele se punha disposio de cada um, para ouvir nossos problemas e ajudar a resolv-los. Finda a ltima audincia, passava a mo no chapu e na bengala e saa para uma volta, um encontro eventual com algum amigo. Regressava religiosamente uma hora depois, e tendo descido a p at o centro, subia sempre de bonde. Se acaso ainda estvamos acordados, podamos contar com o saquinho de balas que o paizinho nunca deixava de trazer. Costumava se distrair realizando pequenos consertos domsticos: uma boia de descarga, a bucha de uma torneira, um fusvel queimado. Dispunha para isso da necessria habilidade e de uma preciosa caixa de ferramentas em que ningum mais podia tocar. Aprendi com ele como indispensvel, para a boa ordem da casa, ter mo pelo menos um alicate e uma chave de fenda. Durante algum tempo andou s voltas com o velho relgio de parede que fora de seu pai, hoje me pertence e amanh ser de meu filho: estava atrasando. Depois de remexer durante vrios dias em suas entranhas, deu por findo o trabalho, embora ao remont-lo houvessem sobrado umas pecinhas, que alegou no fazerem falta. O relgio passou a funcionar sem atrasos, e as batidas a soar em horas desencontradas. Como, alis, acontece at hoje. Tinha por hbito emitir um pequeno sopro de assovio, que tanto podia ser indcio de paz de esprito como do esforo para controlar a perturbao diante de algum aborrecimento. As coisas so como so e no como deviam ser. Ou como gostaramos que fossem. Este pronunciamento se fazia ouvir em geral quando diante de uma fatalidade a que no se poderia fugir. Queria dizer que devemos nos conformar com o fato de nossa vontade no poder prevalecer sobre a vontade de Deus - embora jamais fosse assim eloquente em suas concluses. Estas quase sempre eram, mesmo, eivadas de certo ceticismo preventivo ante as esperanas vs: O que no tem soluo, solucionado est. E tudo que acontece bom talvez no chegasse ao cmulo do otimismo de afirmar isso, como seu filho Gerson, mas no vacilava em sustentar que toda mudana para melhor: se mudou, porque no estava dando certo. E se quiser que mude, no podendo fazer nada para isso, espere, que mudar por si. [...] Tudo isso que de uns tempos para c me vem ocorrendo, s vezes inconscientemente, como legado de meu pai, teve seu coroamento h poucos dias, quando eu ia caminhando distrado pela praia. Revirava na cabea, no sei a que propsito, uma frase ouvida desde a infncia e que fazia parte de sua filosofia: no se deve aumentar a aflio dos aflitos. Esta mxima me conduziu a outra, enunciada por Carlos Drummond de Andrade no filme que fiz sobre ele, a qual certamente Seu Domingos perfilharia: no devemos exigir das pessoas mais do que elas podem dar. De repente fui fulminado poruma verdade to absoluta que tive de parar, completamente zonzo, fechando os olhos para entender melhor. No entanto era uma verdade evanglica, de clareza cintilante como um raio de sol, cheguei a fazer uma vnia de gratido a Seu Domingos por me hav-la enviado: S h um meio de resolver qualquer problema nosso: resolver primeiro o do outro. Com o tempo, a cidade foi tomando conhecimento do seu bom senso, da experincia adquirida ao longo de uma vida sem maiores ambies: Seu Domingos, alm de representante de umas firmas inglesas, era procurador de partes solene designao para uma atividade que hoje talvez fosse referida como a de um despachante. A princpio os amigos, conhecidos, e depois at desconhecidos passaram a procur-lo para ouvir um conselho ou receber dele uma orientao. Era de se ver a romaria no seu escritrio todas as manhs: um funcionrio que dera desfalque, uma mulher abandonada pelo marido, um pai agoniado com problemas do filho era gente assim que vinha buscar com ele alvio para a sua dvida, o seu medo, a sua aflio. O prprio Governador, que no o conhecia pessoalmente, certa vez o consultou atravs de um secretrio, sobre questo administrativa que o atormentava. No se falando nos filhos: mesmo depois de ter sado de casa, mais de uma vez tomei trem ou avio e fui colher uma palavra sua que hoje tanta falta me faz. Resta apenas evoc-la, como fao agora, para me servir de consolo nas horas ms. No momento, ele prprio est aqui a meu lado, com o seu sorriso bom. SABINO, Fernando. A volta por cima. In: Obra Reunida v. III. Rio de Janeiro: Ed. Nova Aguilar, 1996. (Texto adaptado) Com base no texto, responda questoque se segue. Assinale a opo em que a palavra sublinhada pertence a uma categoria diferente dos demais pronomes.

Questão
2019Física

(EFOM 2019) Um condutor esfrico P, de raio 4,0 cm e carregado com carga 8,0 nC, est inicialmente muito distante de outros condutores e no vcuo. Esse condutor a seguir colocado concentricamente com um outro condutor T, que esfrico, oco e neutro. As superfcies interna e externa de T tm raios 8,0 cm e 10,0 cm, respectivamente. Determine a diferena de potencial entre P e T, quando P estiver no interior de T.

Questão
2018Português

O homem deve reencontrar o Paraíso... Rubem Alves Era uma família grande, todos amigos. Viviam como todos nós: moscas presas na enorme teia de aranha que é a vida da cidade. Todos os dias a aranha que é a vida da cidade. Todos os dias a aranha lhes arrancava um pedaço. Ficaram cansados. Resolveram mudar de vida: um sonho louco: navegar! Um barco, o mar, o céu, as estrelas, os horizontes sem fim: liberdade. Venderam o que tinham, compraram um barco capaz de atravessar mares e sobreviver tempestades. Mas para navegar não basta sonhar. É preciso saber. São muitos os saberes necessários para se navegar. Puseram-se então a estudar cada um aquilo que teria de fazer no barco: manutenção do casco, instrumentos de navegação, astronomia, meteorologia, as velas, as cordas, as polias e roldanas, os mastros, o leme, os parafusos, o motor, o radar, o rádio, as ligações elétricas, os mares, os mapas... Disse cero o poeta: Navegar é preciso, a ciência da navegação é saber preciso, exige aparelhos, números e medições. Barcos se fazem com precisão, astronomia se aprende com o rigor da geometria, velas se fazem com saberes exatos sobre tecidos, cordas e ventos, instrumentos de navegação não informam mais ou menos. Assim, eles se tornaram cientistas, especialistas, cada um na sua juntos para navegar. Chegou então o momento de grande decisão para onde navegar. Um sugeria as geleiras do sul do Chile, outro os canais dos fiordes da Noruega, um outro queria conhecer os exóticos mares e praias das ilhas do Pacífico, e houve mesmo quem quisesse navegar nas rotas de Colombo. E foi então que compreenderam que, quando o assunto era a escolha do destino, as ciências que conheciam para nada serviam. De nada valiam, tabelas, gráficos, estatísticas. Os computadores, coitados, chamados a dar seu palpite, ficaram em silêncio. Os computadores não têm preferências falta-lhes essa sutil capacidade de gostar, que é a essência da vida humana. Perguntados sobre o porto de sua escolha, disseram que não entendiam a pergunta, que não lhes importava para onde se estava indo. Se os barcos se fazem com ciência, a navegação faz-se com sonhos. Infelizmente a ciência, utilíssima, especialista em saber como as coisas funcionam, tudo ignora sobre o coração humano. É preciso sonhar para se decidir sobre o destino da navegação. Mas o coração humano, lugar dos sonhos, ao contrário da ciência, é coisa preciosa. Disse certo poeta: Viver não é preciso. Primeiro vem o impreciso desejo. Primeiro vem o impreciso desejo de navegar. Só depois vem a precisa ciência de navegar. Naus e navegação têm sido uma das mais poderosas imagens na mente dos poetas. Ezra Pound inicia seus Cânticos dizendo: E pois com a nau no mar/ assestamos a quilho contra as vagas... Cecília Meireles: Foi, desde sempre, o mar! A solidez da terra, monótona/ parece-nos fraca ilusão! Queremos a ilusão do grande mar / multiplicada em suas malhas de perigo. E Nietzsche: Amareis a terra de vossos filhos, terra não descoberta, no mar mais distante. Que as vossas velas não se cansem de procurar esta terra! O nosso leme nos conduz para a terra dos nossos filhos... Viver é navegar no grande mar! Não só os poetas: C. Wright Mills, um sociólogo sábio, comparou a nossa civilização a uma galera que navega pelos mares. Nos porões estão os remadores. Remam com precisão cada vez maior. A cada novo dia recebem novos, mais perfeitos. O ritmo da remadas acelera. Sabem tudo sobre a ciência do remar. A galera navega cada vez mais rápido. Mas, perguntados sobre o porto do destino, respondem os remadores: O porto não nos importa. O que importada é a velocidade com que navegamos. C Wright Mills usou esta metáfora para descrever a nossa civilização por meio duma imagem plástica: multiplicam-se os meios técnicos e científicos ao nosso dispor, que fazem com que as mudanças sejam cada vez mais rápidas; mas não temos ideia alguma de para onde navegamos. Para onde? Somente um navegador louco ou perdido navegaria sem ter ideia do para onde. Em relação à vida da sociedade, ela contém a busca de uma utopia. Utopia, na linguagem comum, é usada como sonho impossível de ser realizado. Mas não é isso. Utopia é um ponto inatingível que indica uma direção. Mário Quintana explicou a utopia com um verso: Se as coisas são inatingíveis... ora!/ não é um motivo para não querê-las... Que tristes os caminho, se não fora/ A mágica presença das estrelas! Karl Mannheim, outro sociólogo sábio que poucos leem, já na década de 1920 diagnosticava a doença da nossa civilização: Não temos consciência de direções, não escolhemos direções. Faltam-nos estrelas que nos indiquem o destino. Hoje, ele dizia, as únicas perguntas que são feitas, determinadas pelo pragmatismo da tecnologia (o importante é produzir o objeto) e pelo objetivismo da ciência (o importante é saber como funciona), são: Como posso fazer tal coisa? Como posso resolver este problema concreto em particular? E conclui: E em todas essas perguntas sentimos o eco intimista: não preciso de me preocupar com o todo, ele tomará conta de si mesmo. Em nossas escolas é isso que se ensina: a precisa ciência da navegação, sem que os estudantes sejam levados a sonhar com as estrelas. A nau navega veloz e sem rumo. Nas universidades, essa doença assume a forma de peste epidêmica: cada especialista se dedica com paixão e competência, a fazer pesquisas sobre o seu parafuso, sua polia, sua vela, seu mastro. Dizem que seu dever é produzir conhecimento. Se forem bem-sucedidas, suas pesquisas serão publicadas em revistas internacionais. Quando se lhes pergunta: Para onde seu barco está navegando?, eles respondem: Isso não é científico. Os sonhos não são objetos de conhecimento científico. E assim ficam os homens comuns abandonados por aqueles que, por conhecerem mares e estrelas, lhes poderiam mostrar o rumo. Não posso pensar a missão das escolas, começando com as crianças e continuando com os cientistas, como outra que não a da realização do dito poeta: Navegar é preciso. Viver não é preciso. É necessário ensinar os precisos saberes da navegação enquanto ciência. Mas é necessário apontar com imprecisos sinais para os destinos da navegação: A terra dos filhos dos meus filhos, no mar distante... Na verdade, a ordem verdadeira é a inversa. Primeiro, os homens sonham com navegar. Depois aprendem a ciência da navegação. É inútil ensinar a ciência da navegação a quem mora nas montanhas. O meu sonho para a educação foi dito por Bachelard: O universo tem um destino de felicidade. O homem deve reencontrar o Paraíso. O paraíso é o jardim, lugar de felicidade, prazeres e alegrias para os homens e mulheres. Mas há um pesadelo que me atormenta: o deserto. Houve um momento em que se viu, por entre as estrelas, um brilho chamado progresso. Está na bandeira nacional... E, quilha contra as vagas, a galera navega em direção ao progresso, a uma velocidade cada vez maior, e ninguém questiona a direção. E é assim que as florestas são destruídas, os rios se transformam em esgotos de fezes e veneno, o ar se enche de gases, os campos se cobrem de lixo e tudo ficou feio e triste. Sugiro aos educadores que pensem menos nas tecnologias do ensino psicologias e quinquilharias e tratem de sonhar, com os seus alunos, sonhos de um Paraíso. Obs.: O texto foi adaptado às regras do Novo Acordo Ortográfico. (Efomm 2018) Mario Quintana explicou a utopia com um verso (...) Analisando-se os fragmentos que se seguem, a regência da forma verbal que difere do exemplo acima aparece na alternativa

Questão
2018Inglês

(EFOMM - 2018) Which option is NOT correct?

Questão
2018Português

O homem deve reencontrar o Paraíso... Rubem Alves Era uma família grande, todos amigos. Viviam como todos nós: moscas presas na enorme teia de aranha que é a vida da cidade. Todos os dias a aranha que é a vida da cidade. Todos os dias a aranha lhes arrancava um pedaço. Ficaram cansados. Resolveram mudar de vida: um sonho louco: navegar! Um barco, o mar, o céu, as estrelas, os horizontes sem fim: liberdade. Venderam o que tinham, compraram um barco capaz de atravessar mares e sobreviver tempestades. Mas para navegar não basta sonhar. É preciso saber. São muitos os saberes necessários para se navegar. Puseram-se então a estudar cada um aquilo que teria de fazer no barco: manutenção do casco, instrumentos de navegação, astronomia, meteorologia, as velas, as cordas, as polias e roldanas, os mastros, o leme, os parafusos, o motor, o radar, o rádio, as ligações elétricas, os mares, os mapas... Disse cero o poeta: Navegar é preciso, a ciência da navegação é saber preciso, exige aparelhos, números e medições. Barcos se fazem com precisão, astronomia se aprende com o rigor da geometria, velas se fazem com saberes exatos sobre tecidos, cordas e ventos, instrumentos de navegação não informam mais ou menos. Assim, eles se tornaram cientistas, especialistas, cada um na sua juntos para navegar. Chegou então o momento de grande decisão para onde navegar. Um sugeria as geleiras do sul do Chile, outro os canais dos fiordes da Noruega, um outro queria conhecer os exóticos mares e praias das ilhas do Pacífico, e houve mesmo quem quisesse navegar nas rotas de Colombo. E foi então que compreenderam que, quando o assunto era a escolha do destino, as ciências que conheciam para nada serviam. De nada valiam, tabelas, gráficos, estatísticas. Os computadores, coitados, chamados a dar seu palpite, ficaram em silêncio. Os computadores não têm preferências falta-lhes essa sutil capacidade de gostar, que é a essência da vida humana. Perguntados sobre o porto de sua escolha, disseram que não entendiam a pergunta, que não lhes importava para onde se estava indo. Se os barcos se fazem com ciência, a navegação faz-se com sonhos. Infelizmente a ciência, utilíssima, especialista em saber como as coisas funcionam, tudo ignora sobre o coração humano. É preciso sonhar para se decidir sobre o destino da navegação. Mas o coração humano, lugar dos sonhos, ao contrário da ciência, é coisa preciosa. Disse certo poeta: Viver não é preciso. Primeiro vem o impreciso desejo. Primeiro vem o impreciso desejo de navegar. Só depois vem a precisa ciência de navegar. Naus e navegação têm sido uma das mais poderosas imagens na mente dos poetas. Ezra Pound inicia seus Cânticos dizendo: E pois com a nau no mar/ assestamos a quilho contra as vagas... Cecília Meireles: Foi, desde sempre, o mar! A solidez da terra, monótona/ parece-nos fraca ilusão! Queremos a ilusão do grande mar / multiplicada em suas malhas de perigo. E Nietzsche: Amareis a terra de vossos filhos, terra não descoberta, no mar mais distante. Que as vossas velas não se cansem de procurar esta terra! O nosso leme nos conduz para a terra dos nossos filhos... Viver é navegar no grande mar! Não só os poetas: C. Wright Mills, um sociólogo sábio, comparou a nossa civilização a uma galera que navega pelos mares. Nos porões estão os remadores. Remam com precisão cada vez maior. A cada novo dia recebem novos, mais perfeitos. O ritmo da remadas acelera. Sabem tudo sobre a ciência do remar. A galera navega cada vez mais rápido. Mas, perguntados sobre o porto do destino, respondem os remadores: O porto não nos importa. O que importada é a velocidade com que navegamos. C Wright Mills usou esta metáfora para descrever a nossa civilização por meio duma imagem plástica: multiplicam-se os meios técnicos e científicos ao nosso dispor, que fazem com que as mudanças sejam cada vez mais rápidas; mas não temos ideia alguma de para onde navegamos. Para onde? Somente um navegador louco ou perdido navegaria sem ter ideia do para onde. Em relação à vida da sociedade, ela contém a busca de uma utopia. Utopia, na linguagem comum, é usada como sonho impossível de ser realizado. Mas não é isso. Utopia é um ponto inatingível que indica uma direção. Mário Quintana explicou a utopia com um verso: Se as coisas são inatingíveis... ora!/ não é um motivo para não querê-las... Que tristes os caminho, se não fora/ A mágica presença das estrelas! Karl Mannheim, outro sociólogo sábio que poucos leem, já na década de 1920 diagnosticava a doença da nossa civilização: Não temos consciência de direções, não escolhemos direções. Faltam-nos estrelas que nos indiquem o destino. Hoje, ele dizia, as únicas perguntas que são feitas, determinadas pelo pragmatismo da tecnologia (o importante é produzir o objeto) e pelo objetivismo da ciência (o importante é saber como funciona), são: Como posso fazer tal coisa? Como posso resolver este problema concreto em particular? E conclui: E em todas essas perguntas sentimos o eco intimista: não preciso de me preocupar com o todo, ele tomará conta de si mesmo. Em nossas escolas é isso que se ensina: a precisa ciência da navegação, sem que os estudantes sejam levados a sonhar com as estrelas. A nau navega veloz e sem rumo. Nas universidades, essa doença assume a forma de peste epidêmica: cada especialista se dedica com paixão e competência, a fazer pesquisas sobre o seu parafuso, sua polia, sua vela, seu mastro. Dizem que seu dever é produzir conhecimento. Se forem bem-sucedidas, suas pesquisas serão publicadas em revistas internacionais. Quando se lhes pergunta: Para onde seu barco está navegando?, eles respondem: Isso não é científico. Os sonhos não são objetos de conhecimento científico. E assim ficam os homens comuns abandonados por aqueles que, por conhecerem mares e estrelas, lhes poderiam mostrar o rumo. Não posso pensar a missão das escolas, começando com as crianças e continuando com os cientistas, como outra que não a da realização do dito poeta: Navegar é preciso. Viver não é preciso. É necessário ensinar os precisos saberes da navegação enquanto ciência. Mas é necessário apontar com imprecisos sinais para os destinos da navegação: A terra dos filhos dos meus filhos, no mar distante... Na verdade, a ordem verdadeira é a inversa. Primeiro, os homens sonham com navegar. Depois aprendem a ciência da navegação. É inútil ensinar a ciência da navegação a quem mora nas montanhas. O meu sonho para a educação foi dito por Bachelard: O universo tem um destino de felicidade. O homem deve reencontrar o Paraíso. O paraíso é o jardim, lugar de felicidade, prazeres e alegrias para os homens e mulheres. Mas há um pesadelo que me atormenta: o deserto. Houve um momento em que se viu, por entre as estrelas, um brilho chamado progresso. Está na bandeira nacional... E, quilha contra as vagas, a galera navega em direção ao progresso, a uma velocidade cada vez maior, e ninguém questiona a direção. E é assim que as florestas são destruídas, os rios se transformam em esgotos de fezes e veneno, o ar se enche de gases, os campos se cobrem de lixo e tudo ficou feio e triste. Sugiro aos educadores que pensem menos nas tecnologias do ensino psicologias e quinquilharias e tratem de sonhar, com os seus alunos, sonhos de um Paraíso. Obs.: O texto foi adaptado às regras do Novo Acordo Ortográfico. (Efomm 2018) Assinale a alternativa em que a forma verbal sublinhada tem um valor significativo, nocional.

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