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(UFU - 2021 - MEDICINA)No conto O homem que sabia

(UFU - 2021 - MEDICINA) No conto “O homem que sabia javanês”, um dos mais conhecidos contos de Lima Barreto, o protagonista Castelo narra seus sucessos como um suposto conhecedor de javanês, que se vale de sua esperteza para obter um posto de chefe de consulado em Havana.

[...] Passei a ser uma glória nacional e, ao saltar no cais Pharoux, recebi uma ovação de todas as classes sociais e o presidente da república, dias depois, convidava-me para almoçar em sua companhia. Dentro de seis meses fui despachado cônsul em Havana, onde estive seis anos e para onde voltarei, a fim de aperfeiçoar os meus estudos das línguas da Malaia, Melanésia e Polinésia.
— É fantástico, observou Castro, agarrando o copo de cerveja.
— Olha: se não fosse estar contente, sabes que ia ser?
— Que?
— Bacteriologista eminente. Vamos?
— Vamos.

BARRETO, Lima. O homem que sabia javanês e outros contos. Curitiba: Polo Editorial do Paraná, 1997, p. 8. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000153.pdf. Acesso em: 02 jun. 2021.]

Sobre o lugar das malandragens de Castelo no contexto da obra de Lima Barreto, assinale a alternativa INCORRETA.

A

Castelo difere muito de outros protagonistas de Lima Barreto – como Isaías Caminha e Policarpo Quaresma, heróis, até certo ponto ingênuos, que valorizam as regras e a ordem, ainda que à custa de sua felicidade ou de sua sanidade.

B

Marginalizado por ser mestiço, o anti-herói Castelo se vinga, aplicando golpes em figurões ricos que, para não admitirem seu desconhecimento, aceitam os mais absurdos conselhos do falso professor de javanês, para divertimento do leitor.

C

Ao elaborar a história do sucesso de Castelo, que obtém honrarias diversas e promoção financeira, fingindo um falso saber, Lima Barreto faz uma crítica ácida à superficialidade e ao academicismo da intelectualidade brasileira de seu tempo.

D

Malandro, Castelo tem preguiça de estudar de fato, por isso ele adquire dados rasos sobre o javanês, só o suficiente para seus ardis. O final do conto implica que a ignorância generalizada da sociedade daria espaço para outros falsos especialistas.