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Questão 1
2020Matemática

(IME - 2020 - Questo 1) Determine a soma dos coeficientes dena expanso de

Questão 1
2020Matemática

[IME - 2020/2021 - 2 fase] Calcule o(s) valor(es) de k real(is) para que o determinante da matriz abaixo seja igual a 24.

Questão 1
2020Química

[IME - 2020/2021 - 2Fase] Estabelea a relao entre as estruturas de cada par abaixo, identificando-as como enantimeros, diastereoismeros, ismeros constitucionais ou representaes diferentes de um mesmo composto. a) b) c) d) e)

Questão 1
2020Português

[IME - 2020/2021 - 2 fase] Publicada em 1902, a partir de um trabalho de correspondente de guerra encomendado pelo jornal A Provncia de So Paulo ao engenheiro militar Euclides da Cunha, oriundo da Escola Militar da Praia Vermelha (atualmente, Instituto Militar de Engenharia), a obra Os Sertes aborda os acontecimentos da chamada guerra de Canudos, que foi o confronto entre um movimento popular missinico e o Exrcito Nacional, de 1896 a 1897, no interior do estado da Bahia. Uma leitura obrigatria para a compreenso da sociedade e da cultura brasileira, a obra reflete a descoberta pelo autor de um Brasil profundo, desconhecido pela elite intelectual e poltica do litoral, e se tornou obra cannica de expresso dos problemas e temas da nacionalidade. Em tom erudito, Os Sertes se caracteriza pelo encontro do estilo com os conceitos cientficos, que so estetizados e transfigurados, para estabelecer um novo plano de realidade humana, por meio de uma escrita tortuosa, gramaticalmente rebuscada, marcada pela rica adjetivao e reinveno lexical. Texto 1 Captulo 3 - A GUERRA DAS CAATINGAS 1 Os doutores na arte de matar que hoje, na Europa, invadem escandalosamente a cincia, perturbando-lhe o remanso com um retinir de esporas insolentes e formulam leis para a guerra, pondo em equao as batalhas, tm definido bem o papel das florestas como agente ttico precioso, de ofensiva ou defensiva. E ririam os sbios feldmarechais guerreiros de cujas mos 5 caiu o franquisque herico trocado pelo lpis calculista se ouvissem a algum que s caatingas pobres cabe funo mais definida e grave que s grandes matas virgens. Porque estas, malgrado a sua importncia para a defesa do territrio orlando as fronteiras e quebrando o embate s invases, impedindo mobilizaes rpidas e impossibilitando a translao das artilharias se tornam de algum modo neutras no curso das campanhas. Podem favorecer, indiferentemente, 10 aos dois beligerantes oferecendo a ambos a mesma penumbra s emboscadas, dificultando-lhes por igual as manobras ou todos os desdobramentos em que a estratgia desencadeia os exrcitos. So uma varivel nas frmulas do problema tenebroso da guerra, capaz dos mais opostos valores. Ao passo que as caatingas so um aliado incorruptvel do sertanejo em revolta. Entram 15tambm de certo modo na luta. Armam-se para o combate; agridem. Tranam-se, impenetrveis, ante o forasteiro, mas abrem-se em trilhas multvias, para o matuto que ali nasceu e cresceu. E o jaguno faz-se o guerrilheiro-tugue, intangvel... As caatingas no o escondem apenas, amparam-no. Ao avist-las, no vero, uma coluna em marcha no se surpreende. Segue pelos caminhos 20 em torcicolos, aforradamente. E os soldados, devassando com as vistas o matagal sem folhas, nem pensam no inimigo. Reagindo cancula e com o desalinho natural s marchas, prosseguem envoltos no vozear confuso das conversas travadas em toda a linha, virguladas de tinidos de armas, cindidas de risos joviais mal sofreados. que nada pode assust-los. Certo, se os adversrios imprudentes com eles se 25 afrontarem, sero varridos em momentos. Aqueles esgalhos far-se-o em estilhas a um breve choque de espadas e no crvel que os gravetos finos quebrem o arranco das manobras prontas. E l se vo, marchando, tranqilamente hericos... De repente, pelos seus flancos, estoura, perto, um tiro... A bala passa, rechinante, ou estende, morto, em terra, um homem. Sucedem-se, pausadas, 30 outras, passando sobre as tropas, em sibilos longos. Cem, duzentos olhos, mil olhos perscrutadores, volvem-se, impacientes, em roda. Nada vem. H a primeira surpresa. Um fluxo de espanto corre de uma a outra ponta das fileiras. E os tiros continuam raros, mas insistentes e compassados, pela esquerda, pela direita, pela frente agora, irrompendo de toda a banda. 35 Ento estranha ansiedade invade os mais provados valentes, ante o antagonista que v e no visto. Forma-se celeremente em atiradores uma companhia, mal destacada da massa de batalhes constritos na vareda estreita. Distende-se pela orla da caatinga. Ouve-se uma voz de comando; e um turbilho de balas rola estrugidoramente dentro das galhadas... Mas constantes, longamente intervalados sempre, zunem os projteis dos atiradores 40invisveis batendo em cheio nas fileiras. A situao rapidamente engravesce, exigindo resolues enrgicas. Destacam-se outras unidades combatentes, escalonando-se por toda a extenso do caminho, prontas primeira voz; e o comandante resolve carregar contra o desconhecido. Carrega-se contra os duendes. A fora, de baionetas caladas, rompe, impetuosa, o matagal numa expanso irradiante de cargas. 45Avana com rapidez. Os adversrios parecem recuar apenas. Nesse momento surge o antagonismo formidvel da caatinga. As sees precipitam-se para os pontos onde estalam os estampidos e estacam ante uma barreira flexvel, mas impenetrvel, de juremas. Enredam-se no cipoal que as agrilhoa, que Ihes arrebata das mos as armas, e no vingam transp-lo. Contornam-no. Volvem aos lados. V-se 50um como rastilho de queimada: uma linha de baionetas enfiando pelos gravetos secos. Lampeja por momentos entre os raios do sol joeirados pelas rvores sem folhas; e parte-se, faiscando, adiante, dispersa, batendo contra espessos renques de xiquexiques, unidos como quadrados cheios, de falanges, intransponveis, fervilhando espinhos... Circuitam-nos, estonteadamente, os soldados. Espalham-se, correm toa, num labirinto 55de galhos. Caem, presos pelos laos corredios dos quips reptantes; ou estacam, pernas imobilizadas por fortssimos tentculos. Debatem-se desesperadamente at deixarem em pedaos as fardas, entre as garras felinas de acleos recurvos das macambiras... Impotentes estadeiam, imprecando, o desapontamento e a raiva, agitando-se furiosos e inteis. Por fim a ordem dispersa do combate faz-se a disperso do tumulto. Atiram a esmo, sem 60pontaria, numa indisciplina de fogo que vitima os prprios companheiros. Seguem reforos. Os mesmos transes reproduzem-se maiores, acrescidas a confuso e a desordem; enquanto em torno, circulando-os, rtmicos, fulminantes, seguros, terrveis, bem apontados, caem inflexivelmente os projetis tio adversrio. De repente cessam. Desaparece o inimigo que ningum viu. 65 As sees voltam desfalcadas para a coluna, depois de inteis pesquisas nas macegas. E voltam como se sassem de recontro brao a brao, com selvagens: vestes em tiras; armas estrondadas ou perdidas; golpeados de gilvazes; claudicando, estropiados; mal reprimindo o doer infernal das folhas urticantes; frechados de espinhos.... . 70 A luta desigual. A fora militar decai a um plano interior Batem-na o homem e a terra. E quando o serto estua nos bochornos dos estios longos no difcil prever a quem cabe a vitria. Enquanto o minotauro, impotente e possante, inerme com a sua envergadura de ao e grifos de baionetas, sente a garganta exsicar-se-lhe de sede e, aos primeiros sintomas da fome, reflui retaguarda, fugindo ante o deserto ameaador e estril, aquela flora agressiva abre ao sertanejo 75 um seio carinhoso e amigo. (...) A natureza toda protege o sertanejo. Talha-o como Anteu, indomvel. um tit bronzeado fazendo vacilar a marcha dos exrcitos. CUNHA, Euclides da. Os Sertes (Campanha de Canudos). 2 ed. So Paulo: Editora Ciranda Cultural, 2018. p. 181-186. Texto 2 ESTADOS DE VIOLNCIA 1 A Guerra, na longa histria dos homens, ter tido seus atores e suas cenas, seus heris e seus espaos. seus personagens e seus teatros. Diversidade incrvel das fardas, dos costumes, enfeites, armaduras, equipamentos. Multiplicidade dos terrenos: barro espesso ou poeira asfixiante, brejos viscosos, desfiladeiros rochosos, prados gordurentos ou pancies sombrias, 5 colinas acidentadas, montanhas dentadas, muros grossos das cidades fortificadas, portes e fossos profundos. Sem mesmo falar das tticas de combate, da evoluo tcnica das armas. Mas o que malgrado tudo ficaria e basearia a distino entre guerras maiores e menores, grandes e pequenas, verdadeiras e degradadas, era essa forma pura de fois exrcitos engajando foras representando entidades polticas identificveis, afrontando-se em batalhas decisivas, terrestres 10 ou martimas, que os colocavam em contato com seu princpio de encerramento: vitria ou derrota. ainda possvel essa forma pura de guerra, depois que as grandes e principais potncias dispem da arma absoluta (o fogo nuclear), depois ainda que um s possui uma superioridade arrasadora das foras clssicas de destruio, tecnologias de reconhecimento, tcnicas de fundio de preciso, depois enfim que as democracias desenvolveram uma cultura 15 de negociao, de arbitragem em que o recurso fora nua dado como inadequado, selvagem, contraproducente? Imagina-se que no futuro ainda grandes potncias mobilizem o conjunto de suas foras vivas para se medirem? Na trama visvel, dilacerada das grandes guerras contemporneas, reconhecem-se apenas a paisagem cultural da guerra, as nervuras de sua representao dominante. No se veem mais, 20 e tanto melhor, colunas de soldados em centenas de milhares chegando ao futuro campo de batalha, dispondo-se em ordem para a batalha decisiva. No se espera mais com um entusiasmo ansioso a sano das armas: durao da batalha, data de vitria ou da derrota (...) Os estados de violncia fazem aparecer uma multiplicidade de figuras novas: o terrorista, o chefe de faces, o mercenrio, o soldado profissional, o engenheiro de informtica, o responsvel da segurana 25 etc. No exrcito disciplinado, mas redes dispersas, concorrentes, profissionais da violncia. Mudanas ainda no nvel do teatro dos conflitos. Para a guerra: uma plancie, espaos largos, s vezes colinas ou rios, em todo caso campanhas (para no levar em conta aqui guerras de cerco). E depois vem o espetculo desolador aps a batalha: os inimigos como que abraados na morte, corpos juncando o solo, fardas rasgadas, manchas de sangue. Um grande silncio depois de 30 tantos gritos e de vaias. O novo teatro hoje a cidade. No a cidade fortificada, em torno da qual se entrincheira, mas a cidade viva dos transeuntes. A dos espaos pblicos: mercados, garagens, terraos de caf, metrs... A das ruas que francos atiradores isolados transformam em teatro de feira para divertimentos atrozes (...) Tempos e espaos, personagens e cadveres. Aqui se trata apenas do regime de imagens 35 de violncia armada que se acha transformado. A aposta filosfica sera dizer que acontece outra coisa, e no a guerra, que se poderia chamar provisoriamente de estado de violncia, porque eles se oporiam ao que os clssicos tinham definido como estado de guerra e tambm como estado de natureza (...) Diante da inquietante extravagncia desses conflitos dificilmente identificveis ou 40 codificveis nos quadros da anlise estratgica clssica, ouve-se mesmo: o pior estava por vir. preciso dizer que a polemologia (estudo da guerra) no reconhece mais seus filhos: nem seus chefes responsveis, nem seus soldados dceis, nem seus heris esplndidos, nem seus mortos no campo de honra. Chega-se mesmo a se queixar. Neste ponto, contudo, a nostalgia dificilmente suportvel. Sobretutdo para lastimar guerras que s vezes nem mesmo foram vividas 45 pessoalmente. Estas boas velhas guerras, com bons velhos inimigos, fomentadas por Estados, alegando razes, deve-se recordar que foram tambm o instrumento das mais baixas ambies, das mais loucas pretenses, dos mais srdidos clculos? Que elas acarretaram sem falhar o sacrifcio de milhes de homens que no pediam seno para viver, que elas esgotaram precocemente civilizaes desenvolvidas, conduziram culturas prestigiosas ao suicdio? 50 Resta, alm de um pensamento nostlgico, compreender o que causa os estados atuais de violncia. Ento, antes que falar da nova guerra, de guerra selvagem, guerra sem a guerra, de guerra sem fim, de guerra assimtrica, de guerra civil generalizada, de guerra ruiva, preciso elucidar, em lugar do jogo antigo da guerra e da paz, as estruturaes destes estados de violncia (...) Como a filosofia clssica tinha conceituado o estado de guerra e de 55 natureza, seria preciso esboar a anlise filosfica dos estados de violncia, como distrubuio contempornea das foras de destruio. GROS, Frdric. Estados de violncia: ensaio sobre o fim da guerra. Traduo de Jos Augusto da Silva. Aparecida, SP. Editora Ideias Letras, 2009. p. 227-232 (texto adaptado). De acordo com o Texto 1, pode-se afirmar que a Guerra de Canudos foi:

Questão 1
2020Física

[IME - 2020/2021 - 2 fase] H diversos meios de se medir a intensidade de um campo magntico. Usando-se uma balana de dois braos, com pratos P1e P2, possvel fazer essa medio. A figura mostra um retngulo JKLM suspenso por um dos pratos de uma balana, o qual constitudo de um nmero n de espiras superpostas. Cada uma das espiras percorrida por uma corrente i, cujo sentido inicial mostrado na figura. A parte inferior das espiras est inserida numa regio de campo magntico. Se o sentido da corrente for invertido, verifica-se a necessidade de colocar uma carga extra, de massa m, no prato da balana em que as espiras esto suspensas, para restaurar o equilbrio do sistema. Considerando g a acelerao da gravidade local, determine a intensidade de. Dados: - g = 9,8 m/s2 - n = 100 espiras - i = 0,01 A - a = 5,00 cm - m = 10,0 g

Questão 1
2020Química

(IME - 2020 - Quest o 31) Considere DADOS: R=0,08 atm.L/ K.mol=8,3 J/ K.mol=62,3 mmHG.L/ K.mol A presso de vapor do benzeno em atm, a temperatu de 298 K, aproximadamente:

Questão 2
2020Português

[IME - 2020/2021 - 2 fase] Publicada em 1902, a partir de um trabalho de correspondente de guerra encomendado pelo jornal A Provncia de So Paulo ao engenheiro militar Euclides da Cunha, oriundo da Escola Militar da Praia Vermelha (atualmente, Instituto Militar de Engenharia), a obra Os Sertes aborda os acontecimentos da chamada guerra de Canudos, que foi o confronto entre um movimento popular missinico e o Exrcito Nacional, de 1896 a 1897, no interior do estado da Bahia. Uma leitura obrigatria para a compreenso da sociedade e da cultura brasileira, a obra reflete a descoberta pelo autor de um Brasil profundo, desconhecido pela elite intelectual e poltica do litoral, e se tornou obra cannica de expresso dos problemas e temas da nacionalidade. Em tom erudito, Os Sertes se caracteriza pelo encontro do estilo com os conceitos cientficos, que so estetizados e transfigurados, para estabelecer um novo plano de realidade humana, por meio de uma escrita tortuosa, gramaticalmente rebuscada, marcada pela rica adjetivao e reinveno lexical. Texto 1 Captulo 3 - A GUERRA DAS CAATINGAS 1 Os doutores na arte de matar que hoje, na Europa, invadem escandalosamente a cincia, perturbando-lhe o remanso com um retinir de esporas insolentes e formulam leis para a guerra, pondo em equao as batalhas, tm definido bem o papel das florestas como agente ttico precioso, de ofensiva ou defensiva. E ririam os sbios feldmarechais guerreiros de cujas mos 5caiu o franquisque herico trocado pelo lpis calculista se ouvissem a algum que s caatingas pobres cabe funo mais definida e grave que s grandes matas virgens. Porque estas, malgrado a sua importncia para a defesa do territrio orlando as fronteiras e quebrando o embate s invases, impedindo mobilizaes rpidas e impossibilitando a translao das artilharias se tornam de algum modo neutras no curso das campanhas. Podem favorecer, indiferentemente, 10 aos dois beligerantes oferecendo a ambos a mesma penumbra s emboscadas, dificultando-lhes por igual as manobras ou todos os desdobramentos em que a estratgia desencadeia os exrcitos. So uma varivel nas frmulas do problema tenebroso da guerra, capaz dos mais opostos valores. Ao passo que as caatingas so um aliado incorruptvel do sertanejo em revolta. Entram 15tambm de certo modo na luta. Armam-se para o combate; agridem. Tranam-se, impenetrveis, ante o forasteiro, mas abrem-se em trilhas multvias, para o matuto que ali nasceu e cresceu. E o jaguno faz-se o guerrilheiro-tugue, intangvel... As caatingas no o escondem apenas, amparam-no. Ao avist-las, no vero, uma coluna em marcha no se surpreende. Segue pelos caminhos 20 em torcicolos, aforradamente. E os soldados, devassando com as vistas o matagal sem folhas, nem pensam no inimigo. Reagindo cancula e com o desalinho natural s marchas, prosseguem envoltos no vozear confuso das conversas travadas em toda a linha, virguladas de tinidos de armas, cindidas de risos joviais mal sofreados. que nada pode assust-los. Certo, se os adversrios imprudentes com eles se 25 afrontarem, sero varridos em momentos. Aqueles esgalhos far-se-o em estilhas a um breve choque de espadas e no crvel que os gravetos finos quebrem o arranco das manobras prontas. E l se vo, marchando, tranqilamente hericos... De repente, pelos seus flancos, estoura, perto, um tiro... A bala passa, rechinante, ou estende, morto, em terra, um homem. Sucedem-se, pausadas, 30 outras, passando sobre as tropas, em sibilos longos. Cem, duzentos olhos, mil olhos perscrutadores, volvem-se, impacientes, em roda. Nada vem. H a primeira surpresa. Um fluxo de espanto corre de uma a outra ponta das fileiras. E os tiros continuam raros, mas insistentes e compassados, pela esquerda, pela direita, pela frente agora, irrompendo de toda a banda. 35 Ento estranha ansiedade invade os mais provados valentes, ante o antagonista que v e no visto. Forma-se celeremente em atiradores uma companhia, mal destacada da massa de batalhes constritos na vareda estreita. Distende-se pela orla da caatinga. Ouve-se uma voz de comando; e um turbilho de balas rola estrugidoramente dentro das galhadas... Mas constantes, longamente intervalados sempre, zunem os projteis dos atiradores 40invisveis batendo em cheio nas fileiras. A situao rapidamente engravesce, exigindo resolues enrgicas. Destacam-se outras unidades combatentes, escalonando-se por toda a extenso do caminho, prontas primeira voz; e o comandante resolve carregar contra o desconhecido. Carrega-se contra os duendes. A fora, de baionetas caladas, rompe, impetuosa, o matagal numa expanso irradiante de cargas. 45Avana com rapidez. Os adversrios parecem recuar apenas. Nesse momento surge o antagonismo formidvel da caatinga. As sees precipitam-se para os pontos onde estalam os estampidos e estacam ante uma barreira flexvel, mas impenetrvel, de juremas. Enredam-se no cipoal que as agrilhoa, que Ihes arrebata das mos as armas, e no vingam transp-lo. Contornam-no. Volvem aos lados. V-se 50um como rastilho de queimada: uma linha de baionetas enfiando pelos gravetos secos. Lampeja por momentos entre os raios do sol joeirados pelas rvores sem folhas; e parte-se, faiscando, adiante, dispersa, batendo contra espessos renques de xiquexiques, unidos como quadrados cheios, de falanges, intransponveis, fervilhando espinhos... Circuitam-nos, estonteadamente, os soldados. Espalham-se, correm toa, num labirinto 55de galhos. Caem, presos pelos laos corredios dos quips reptantes; ou estacam, pernas imobilizadas por fortssimos tentculos. Debatem-se desesperadamente at deixarem em pedaos as fardas, entre as garras felinas de acleos recurvos das macambiras... Impotentes estadeiam, imprecando, o desapontamento e a raiva, agitando-se furiosos e inteis. Por fim a ordem dispersa do combate faz-se a disperso do tumulto. Atiram a esmo, sem 60pontaria, numa indisciplina de fogo que vitima os prprios companheiros. Seguem reforos. Os mesmos transes reproduzem-se maiores, acrescidas a confuso e a desordem; enquanto em torno, circulando-os, rtmicos, fulminantes, seguros, terrveis, bem apontados, caem inflexivelmente os projetis tio adversrio. De repente cessam. Desaparece o inimigo que ningum viu. 65 As sees voltam desfalcadas para a coluna, depois de inteis pesquisas nas macegas. E voltam como se sassem de recontro brao a brao, com selvagens: vestes em tiras; armas estrondadas ou perdidas; golpeados de gilvazes; claudicando, estropiados; mal reprimindo o doer infernal das folhas urticantes; frechados de espinhos.... . 70 A luta desigual. A fora militar decai a um plano interior Batem-na o homem e a terra. E quando o serto estua nos bochornos dos estios longos no difcil prever a quem cabe a vitria. Enquanto o minotauro, impotente e possante, inerme com a sua envergadura de ao e grifos de baionetas, sente a garganta exsicar-se-lhe de sede e, aos primeiros sintomas da fome, reflui retaguarda, fugindo ante o deserto ameaador e estril, aquela flora agressiva abre ao sertanejo 75 um seio carinhoso e amigo. (...) A natureza toda protege o sertanejo. Talha-o como Anteu, indomvel. um tit bronzeado fazendo vacilar a marcha dos exrcitos. CUNHA, Euclides da.Os Sertes(Campanha de Canudos). 2 ed. So Paulo: Editora Ciranda Cultural, 2018. p. 181-186. Texto 2 ESTADOS DE VIOLNCIA 1 A Guerra, na longa histria dos homens, ter tido seus atores e suas cenas, seus heris e seus espaos. seus personagens e seus teatros. Diversidade incrvel das fardas, dos costumes, enfeites, armaduras, equipamentos. Multiplicidade dos terrenos: barro espesso ou poeira asfixiante, brejos viscosos, desfiladeiros rochosos, prados gordurentos ou pancies sombrias, 5 colinas acidentadas, montanhas dentadas, muros grossos das cidades fortificadas, portes e fossos profundos. Sem mesmo falar das tticas de combate, da evoluo tcnica das armas. Mas o que malgrado tudo ficaria e basearia a distino entre guerras maiores e menores, grandes e pequenas, verdadeiras e degradadas, era essa forma pura de fois exrcitos engajando foras representando entidades polticas identificveis, afrontando-se em batalhas decisivas, terrestres 10 ou martimas, que os colocavam em contato com seu princpio de encerramento: vitria ou derrota. ainda possvel essa forma pura de guerra, depois que as grandes e principais potncias dispem da arma absoluta (o fogo nuclear), depois ainda que um s possui uma superioridade arrasadora das foras clssicas de destruio, tecnologias de reconhecimento, tcnicas de fundio de preciso, depois enfim que as democracias desenvolveram uma cultura 15 de negociao, de arbitragem em que o recurso fora nua dado como inadequado, selvagem, contraproducente? Imagina-se que no futuro ainda grandes potncias mobilizem o conjunto de suas foras vivas para se medirem? Na trama visvel, dilacerada das grandes guerras contemporneas, reconhecem-se apenas a paisagem cultural da guerra, as nervuras de sua representao dominante. No se veem mais, 20 e tanto melhor, colunas de soldados em centenas de milhares chegando ao futuro campo de batalha, dispondo-se em ordem para a batalha decisiva. No se espera mais com um entusiasmo ansioso a sano das armas: durao da batalha, data de vitria ou da derrota (...) Os estados de violncia fazem aparecer uma multiplicidade de figuras novas: o terrorista, o chefe de faces, o mercenrio, o soldado profissional, o engenheiro de informtica, o responsvel da segurana 25 etc. No exrcito disciplinado, mas redes dispersas, concorrentes, profissionais da violncia. Mudanas ainda no nvel do teatro dos conflitos. Para a guerra: uma plancie, espaos largos, s vezes colinas ou rios, em todo caso campanhas (para no levar em conta aqui guerras de cerco). E depois vem o espetculo desolador aps a batalha: os inimigos como que abraados na morte, corpos juncando o solo, fardas rasgadas, manchas de sangue. Um grande silncio depois de 30tantos gritos e de vaias. O novo teatro hoje a cidade. No a cidade fortificada, em torno da qual se entrincheira, mas a cidade viva dos transeuntes. A dos espaos pblicos: mercados, garagens, terraos de caf, metrs... A das ruas que francos atiradores isolados transformam em teatro de feira para divertimentos atrozes (...) Tempos e espaos, personagens e cadveres. Aqui se trata apenas do regime de imagens 35 de violncia armada que se acha transformado. A aposta filosfica sera dizer que acontece outra coisa, e no a guerra, que se poderia chamar provisoriamente de estado de violncia, porque eles se oporiam ao que os clssicos tinham definido como estado de guerra e tambm como estado de natureza (...) Diante da inquietante extravagncia desses conflitos dificilmente identificveis ou 40 codificveis nos quadros da anlise estratgica clssica, ouve-se mesmo: o pior estava por vir. preciso dizer que a polemologia (estudo da guerra) no reconhece mais seus filhos: nem seus chefes responsveis, nem seus soldados dceis, nem seus heris esplndidos, nem seus mortos no campo de honra. Chega-se mesmo a se queixar. Neste ponto, contudo, a nostalgia dificilmente suportvel. Sobretutdo para lastimar guerras que s vezes nem mesmo foram vividas 45pessoalmente. Estas boas velhas guerras, com bons velhos inimigos, fomentadas por Estados, alegando razes, deve-se recordar que foram tambm o instrumento das mais baixas ambies, das mais loucas pretenses, dos mais srdidos clculos? Que elas acarretaram sem falhar o sacrifcio de milhes de homens que no pediam seno para viver, que elas esgotaram precocemente civilizaes desenvolvidas, conduziram culturas prestigiosas ao suicdio? 50 Resta, alm de um pensamento nostlgico, compreender o que causa os estados atuais de violncia. Ento, antes que falar da nova guerra, de guerra selvagem, guerra sem a guerra, de guerra sem fim, de guerra assimtrica, de guerra civil generalizada, de guerra ruiva, preciso elucidar, em lugar do jogo antigo da guerra e da paz, as estruturaes destes estados de violncia (...) Como a filosofia clssica tinha conceituado o estado de guerra e de 55natureza, seria preciso esboar a anlise filosfica dos estados de violncia, como distrubuio contempornea das foras de destruio. GROS, Frdric.Estados de violncia: ensaio sobre o fim da guerra.Traduo de Jos Augusto da Silva. Aparecida, SP. Editora Ideias Letras, 2009. p. 227-232 (texto adaptado). Considere os trechos do Texto 1 a seguir: I. E riam os sbiosfeldmarechais- guerreiros de cujas mos caiu ofranquisqueheroico trocado pelo lpis calculista - se ouvissem a algum que s caatingas pobres cabe a funo mais definida e grave que s grandes matas virgens (linhas 04 a 06). II. E ojaguno faz-se o guerrilheiro-tugue, intangvel... (linha 17) III. Os doutores na arte de matar que hoje, na Europa, invadem escandalosamente a cincia, pertubando-lhe o remando com um retinir de esporas insolentes - e formulam leis para a guerra, ponto em equao as batalhasm, tm definido bem o papel das florestas como agente ttico precioso, de ofensiva ou defensiva (linha 01 a 04). correto afirmar que:

Questão 2
2020Química

[IME - 2020/2021 - 2Fase] Um cientista prepara uma amostra de 1,1g do istopo C11do carbono de extrema pureza. Esse istopo radioativo, iniciando seu decaimento aps a preparao (instante inical t0= 0). Sabendo-se que sua meia-vida de 21 min, calcule a massa restante de C11no instante t = 1h e 31min.

Questão 2
2020Matemática

(IME - 2020 - Questo 2) Considere que,e. Sabendo-se que, determine o valor de.

Questão 2
2020Física

[IME - 2020/2021 - 2 fase] Um circuito composto por uma fonte de tenso constante que alimenta resistores por intermdio de seis chaves. As chaves esto inicialmente abertas e mudam de estado sequencialmente nas faixas de tempo da tabela at concluir um ciclo completo: Observaes: as chaves so ideais; todas as faixas possuem a mesma durao; o ciclo se repete 10 vezes por minuto; a mudana de estado das chaves acontece sempre, instantaneamente, no incio de cada faixa de tempo; e todas as chaves so abertas instantaneamente no final da faixa de tempo 10. Diante do exposto, pede-se: a) a energia fornecida pela fonte, em joules, em 10 minutos; b) a curva de potncia (Watt) em funo do tempo (seguno), forneccida pela fonte durante um ciclo completa; e c) uma alternativa de configurao do circuito que, com chaves permanentemente fechadas, implica em um consumo de energia desde t = 0 at t = 10min igual ao consumo obtido do item a).

Questão 2
2020Matemática

[IME - 2020/2021 - 2 fase] Calcule os valores reais de x que satisfaam a inequao.

Questão 3
2020Química

[IME - 2020/2021 - 2Fase] Titulou-se uma soluo 0,15 molar deFe2+comCe4+com o eletrodo de platina mergulhado em 40,0 mL da soluo e acoplado a um eletrodo de referncia por meio de uma ponte salina. A titulao, conforme a reao abaixo, foi monitorada pela leitura de um voltmetro. Calcule a fora eletromotriz (fem)indicada nesse voltmetro aps a adio de 8,0mL de uma soluo de Ce4+0,15 molar, a 298 K.

Questão 3
2020Português

[IME - 2020/2021 - 2 fase] Publicada em 1902, a partir de um trabalho de correspondente de guerra encomendado pelo jornal A Provncia de So Paulo ao engenheiro militar Euclides da Cunha, oriundo da Escola Militar da Praia Vermelha (atualmente, Instituto Militar de Engenharia), a obra Os Sertes aborda os acontecimentos da chamada guerra de Canudos, que foi o confronto entre um movimento popular missinico e o Exrcito Nacional, de 1896 a 1897, no interior do estado da Bahia. Uma leitura obrigatria para a compreenso da sociedade e da cultura brasileira, a obra reflete a descoberta pelo autor de um Brasil profundo, desconhecido pela elite intelectual e poltica do litoral, e se tornou obra cannica de expresso dos problemas e temas da nacionalidade. Em tom erudito, Os Sertes se caracteriza pelo encontro do estilo com os conceitos cientficos, que so estetizados e transfigurados, para estabelecer um novo plano de realidade humana, por meio de uma escrita tortuosa, gramaticalmente rebuscada, marcada pela rica adjetivao e reinveno lexical. Texto 1 Captulo 3 - A GUERRA DAS CAATINGAS 1 Os doutores na arte de matar que hoje, na Europa, invadem escandalosamente a cincia, perturbando-lhe o remanso com um retinir de esporas insolentes e formulam leis para a guerra, pondo em equao as batalhas, tm definido bem o papel das florestas como agente ttico precioso, de ofensiva ou defensiva. E ririam os sbios feldmarechais guerreiros de cujas mos 5caiu o franquisque herico trocado pelo lpis calculista se ouvissem a algum que s caatingas pobres cabe funo mais definida e grave que s grandes matas virgens. Porque estas, malgrado a sua importncia para a defesa do territrio orlando as fronteiras e quebrando o embate s invases, impedindo mobilizaes rpidas e impossibilitando a translao das artilharias se tornam de algum modo neutras no curso das campanhas. Podem favorecer, indiferentemente, 10 aos dois beligerantes oferecendo a ambos a mesma penumbra s emboscadas, dificultando-lhes por igual as manobras ou todos os desdobramentos em que a estratgia desencadeia os exrcitos. So uma varivel nas frmulas do problema tenebroso da guerra, capaz dos mais opostos valores. Ao passo que as caatingas so um aliado incorruptvel do sertanejo em revolta. Entram 15tambm de certo modo na luta. Armam-se para o combate; agridem. Tranam-se, impenetrveis, ante o forasteiro, mas abrem-se em trilhas multvias, para o matuto que ali nasceu e cresceu. E o jaguno faz-se o guerrilheiro-tugue, intangvel... As caatingas no o escondem apenas, amparam-no. Ao avist-las, no vero, uma coluna em marcha no se surpreende. Segue pelos caminhos 20 em torcicolos, aforradamente. E os soldados, devassando com as vistas o matagal sem folhas, nem pensam no inimigo. Reagindo cancula e com o desalinho natural s marchas, prosseguem envoltos no vozear confuso das conversas travadas em toda a linha, virguladas de tinidos de armas, cindidas de risos joviais mal sofreados. que nada pode assust-los. Certo, se os adversrios imprudentes com eles se 25 afrontarem, sero varridos em momentos. Aqueles esgalhos far-se-o em estilhas a um breve choque de espadas e no crvel que os gravetos finos quebrem o arranco das manobras prontas. E l se vo, marchando, tranqilamente hericos... De repente, pelos seus flancos, estoura, perto, um tiro... A bala passa, rechinante, ou estende, morto, em terra, um homem. Sucedem-se, pausadas, 30 outras, passando sobre as tropas, em sibilos longos. Cem, duzentos olhos, mil olhos perscrutadores, volvem-se, impacientes, em roda. Nada vem. H a primeira surpresa. Um fluxo de espanto corre de uma a outra ponta das fileiras. E os tiros continuam raros, mas insistentes e compassados, pela esquerda, pela direita, pela frente agora, irrompendo de toda a banda. 35 Ento estranha ansiedade invade os mais provados valentes, ante o antagonista que v e no visto. Forma-se celeremente em atiradores uma companhia, mal destacada da massa de batalhes constritos na vareda estreita. Distende-se pela orla da caatinga. Ouve-se uma voz de comando; e um turbilho de balas rola estrugidoramente dentro das galhadas... Mas constantes, longamente intervalados sempre, zunem os projteis dos atiradores 40invisveis batendo em cheio nas fileiras. A situao rapidamente engravesce, exigindo resolues enrgicas. Destacam-se outras unidades combatentes, escalonando-se por toda a extenso do caminho, prontas primeira voz; e o comandante resolve carregar contra o desconhecido. Carrega-se contra os duendes. A fora, de baionetas caladas, rompe, impetuosa, o matagal numa expanso irradiante de cargas. 45Avana com rapidez. Os adversrios parecem recuar apenas. Nesse momento surge o antagonismo formidvel da caatinga. As sees precipitam-se para os pontos onde estalam os estampidos e estacam ante uma barreira flexvel, mas impenetrvel, de juremas. Enredam-se no cipoal que as agrilhoa, que Ihes arrebata das mos as armas, e no vingam transp-lo. Contornam-no. Volvem aos lados. V-se 50um como rastilho de queimada: uma linha de baionetas enfiando pelos gravetos secos. Lampeja por momentos entre os raios do sol joeirados pelas rvores sem folhas; e parte-se, faiscando, adiante, dispersa, batendo contra espessos renques de xiquexiques, unidos como quadrados cheios, de falanges, intransponveis, fervilhando espinhos... Circuitam-nos, estonteadamente, os soldados. Espalham-se, correm toa, num labirinto 55de galhos. Caem, presos pelos laos corredios dos quips reptantes; ou estacam, pernas imobilizadas por fortssimos tentculos. Debatem-se desesperadamente at deixarem em pedaos as fardas, entre as garras felinas de acleos recurvos das macambiras... Impotentes estadeiam, imprecando, o desapontamento e a raiva, agitando-se furiosos e inteis. Por fim a ordem dispersa do combate faz-se a disperso do tumulto. Atiram a esmo, sem 60pontaria, numa indisciplina de fogo que vitima os prprios companheiros. Seguem reforos. Os mesmos transes reproduzem-se maiores, acrescidas a confuso e a desordem; enquanto em torno, circulando-os, rtmicos, fulminantes, seguros, terrveis, bem apontados, caem inflexivelmente os projetis tio adversrio. De repente cessam. Desaparece o inimigo que ningum viu. 65 As sees voltam desfalcadas para a coluna, depois de inteis pesquisas nas macegas. E voltam como se sassem de recontro brao a brao, com selvagens: vestes em tiras; armas estrondadas ou perdidas; golpeados de gilvazes; claudicando, estropiados; mal reprimindo o doer infernal das folhas urticantes; frechados de espinhos.... . 70 A luta desigual. A fora militar decai a um plano interior Batem-na o homem e a terra. E quando o serto estua nos bochornos dos estios longos no difcil prever a quem cabe a vitria. Enquanto o minotauro, impotente e possante, inerme com a sua envergadura de ao e grifos de baionetas, sente a garganta exsicar-se-lhe de sede e, aos primeiros sintomas da fome, reflui retaguarda, fugindo ante o deserto ameaador e estril, aquela flora agressiva abre ao sertanejo 75 um seio carinhoso e amigo. (...) A natureza toda protege o sertanejo. Talha-o como Anteu, indomvel. um tit bronzeado fazendo vacilar a marcha dos exrcitos. CUNHA, Euclides da.Os Sertes(Campanha de Canudos). 2 ed. So Paulo: Editora Ciranda Cultural, 2018. p. 181-186. Texto 2 ESTADOS DE VIOLNCIA 1 A Guerra, na longa histria dos homens, ter tido seus atores e suas cenas, seus heris e seus espaos. seus personagens e seus teatros. Diversidade incrvel das fardas, dos costumes, enfeites, armaduras, equipamentos. Multiplicidade dos terrenos: barro espesso ou poeira asfixiante, brejos viscosos, desfiladeiros rochosos, prados gordurentos ou pancies sombrias, 5 colinas acidentadas, montanhas dentadas, muros grossos das cidades fortificadas, portes e fossos profundos. Sem mesmo falar das tticas de combate, da evoluo tcnica das armas. Mas o que malgrado tudo ficaria e basearia a distino entre guerras maiores e menores, grandes e pequenas, verdadeiras e degradadas, era essa forma pura de fois exrcitos engajando foras representando entidades polticas identificveis, afrontando-se em batalhas decisivas, terrestres 10 ou martimas, que os colocavam em contato com seu princpio de encerramento: vitria ou derrota. ainda possvel essa forma pura de guerra, depois que as grandes e principais potncias dispem da arma absoluta (o fogo nuclear), depois ainda que um s possui uma superioridade arrasadora das foras clssicas de destruio, tecnologias de reconhecimento, tcnicas de fundio de preciso, depois enfim que as democracias desenvolveram uma cultura 15 de negociao, de arbitragem em que o recurso fora nua dado como inadequado, selvagem, contraproducente? Imagina-se que no futuro ainda grandes potncias mobilizem o conjunto de suas foras vivas para se medirem? Na trama visvel, dilacerada das grandes guerras contemporneas, reconhecem-se apenas a paisagem cultural da guerra, as nervuras de sua representao dominante. No se veem mais, 20 e tanto melhor, colunas de soldados em centenas de milhares chegando ao futuro campo de batalha, dispondo-se em ordem para a batalha decisiva. No se espera mais com um entusiasmo ansioso a sano das armas: durao da batalha, data de vitria ou da derrota (...) Os estados de violncia fazem aparecer uma multiplicidade de figuras novas: o terrorista, o chefe de faces, o mercenrio, o soldado profissional, o engenheiro de informtica, o responsvel da segurana 25 etc. No exrcito disciplinado, mas redes dispersas, concorrentes, profissionais da violncia. Mudanas ainda no nvel do teatro dos conflitos. Para a guerra: uma plancie, espaos largos, s vezes colinas ou rios, em todo caso campanhas (para no levar em conta aqui guerras de cerco). E depois vem o espetculo desolador aps a batalha: os inimigos como que abraados na morte, corpos juncando o solo, fardas rasgadas, manchas de sangue. Um grande silncio depois de 30tantos gritos e de vaias. O novo teatro hoje a cidade. No a cidade fortificada, em torno da qual se entrincheira, mas a cidade viva dos transeuntes. A dos espaos pblicos: mercados, garagens, terraos de caf, metrs... A das ruas que francos atiradores isolados transformam em teatro de feira para divertimentos atrozes (...) Tempos e espaos, personagens e cadveres. Aqui se trata apenas do regime de imagens 35 de violncia armada que se acha transformado. A aposta filosfica sera dizer que acontece outra coisa, e no a guerra, que se poderia chamar provisoriamente de estado de violncia, porque eles se oporiam ao que os clssicos tinham definido como estado de guerra e tambm como estado de natureza (...) Diante da inquietante extravagncia desses conflitos dificilmente identificveis ou 40 codificveis nos quadros da anlise estratgica clssica, ouve-se mesmo: o pior estava por vir. preciso dizer que a polemologia (estudo da guerra) no reconhece mais seus filhos: nem seus chefes responsveis, nem seus soldados dceis, nem seus heris esplndidos, nem seus mortos no campo de honra. Chega-se mesmo a se queixar. Neste ponto, contudo, a nostalgia dificilmente suportvel. Sobretutdo para lastimar guerras que s vezes nem mesmo foram vividas 45pessoalmente. Estas boas velhas guerras, com bons velhos inimigos, fomentadas por Estados, alegando razes, deve-se recordar que foram tambm o instrumento das mais baixas ambies, das mais loucas pretenses, dos mais srdidos clculos? Que elas acarretaram sem falhar o sacrifcio de milhes de homens que no pediam seno para viver, que elas esgotaram precocemente civilizaes desenvolvidas, conduziram culturas prestigiosas ao suicdio? 50 Resta, alm de um pensamento nostlgico, compreender o que causa os estados atuais de violncia. Ento, antes que falar da nova guerra, de guerra selvagem, guerra sem a guerra, de guerra sem fim, de guerra assimtrica, de guerra civil generalizada, de guerra ruiva, preciso elucidar, em lugar do jogo antigo da guerra e da paz, as estruturaes destes estados de violncia (...) Como a filosofia clssica tinha conceituado o estado de guerra e de 55natureza, seria preciso esboar a anlise filosfica dos estados de violncia, como distrubuio contempornea das foras de destruio. GROS, Frdric.Estados de violncia: ensaio sobre o fim da guerra.Traduo de Jos Augusto da Silva. Aparecida, SP. Editora Ideias Letras, 2009. p. 227-232 (texto adaptado). O Texto 1 intercala processos dissertativo-argumentativo e descritivo-narrativo. Isso se confirma, respectivamente, pelas seguintes caractersticas:

Questão 3
2020Matemática

[IME - 2020/2021 - 2 fase] Considere uma progresso aritmtica (PA) de nmeros inteiros com razo p 2, eu primeiro termo maior do que 2 e seu ltimo termo menor do que 47. Retirando-se uma determinada quantidade de elementos da PA, recai-se em uma PG de 3 elementos e razo q 2. Para p e q inteiros, p diferente de q, determine a PA cuja soma de seus elementos seja a maior possvel.

Questão 3
2020Matemática

(IME - 2020 - Questo 3) Seja a funoConsidere uma reta qualquer que corta o grfico dessa funo em quatro pontos distintos:e. O valor de:

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