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Questão 108
2016Português

(ENEM 2016) Sem acessrios nem som Escrever s para me livrar de escrever. Escrever sem ver, com riscos sentindo falta dos acompanhamentos com as mesmas lesmas e figuras sem fora de expresso. Mas tudo desafina: o pensamento pesa tanto quanto o corpo enquanto corto os conectivos corto as palavras rentes com tesoura de jardim cega e bruta com faco de mato. Mas a marca deste corte tem que ficar nas palavras que sobraram. Qualquer coisa do que desapareceu continuou nas margens, nos talos no atalho aberto a talhe de foice no caminho de rato. FREITAS FILHO, A. Mquina de escrever: poesia reunida e revista. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2003. Nesse texto, a reflexo sobre o processo criativo aponta para uma concepo de atividade potica que pe em evidncia o(a)

Questão 109
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(ENEM 2016) A origem da obra de arte (2002) uma instalao seminal na obra de Maril Dardot. Apresentada originalmente em sua primeira exposio individual, no Museu de Arte da Pampulha, em Belo Horizonte, a obra constitui um convite para a interao do espectador, instigado a compor palavras e sentenas e a distribu-las pelo campo. Cada letra tem o feitio de um vaso de cermica (ou ser o contrrio?) e, disposio do espectador, encontram-se utenslios de plantio, terra e sementes. Para abrigar a obra e servir de ponto de partida para a criao dos textos, foi construdo um pequeno galpo, evocando uma estufa ou um ateli de jardinagem. As 1 500 letras-vaso foram produzidas pela cermica que funciona no Instituto Inhotim, em Minas Gerais, num processo que durou vrios meses e contou com a participao de dezenas de mulheres das comunidades do entorno. Plantar palavras, semear ideias o que nos prope o trabalho. No contexto de Inhotim, onde natureza e arte dialogam de maneira privilegiada, esta proposio se torna, de certa maneira, mais perto da possibilidade. Disponvel em: www.inhotim.org.br. Acesso em: 22 maio 2013 (adaptado). A funo da obra de arte como possibilidade de experimentao e de construo pode ser constatada no trabalho de Maril Dardot porque

Questão 110
2016Português

(Enem 2016) O senso comum que s os seres humanos so capazes de rir. Isso no verdade? No. O riso bsico o da brincadeira, da diverso, da expresso fsica do riso, do movimento da face e da vocalizao ns compartilhamos com diversos animais. Em ratos, j foram observadas vocalizaes ultrassnicas que ns no somos capazes de perceber e que eles emitem quando esto brincando de ―rolar no cho. Acontecendo de o cientista provocar um dano em um local especfico no crebro, o rato deixa de fazer essa vocalizao e a brincadeira vira briga sria. Sem o riso, o outro pensa que est sendo atacado. O que nos diferencia dos animais que no temos apenas esse mecanismo bsico. Temos um outro mais evoludo. Os animais tm o senso de brincadeira, como ns, mas no tm senso de humor. O crtex, a parte superficial do crebro deles, no to evoludo como o nosso. Temos mecanismos corticais que nos permitem, por exemplo, interpretar uma piada. Disponvel em: http://globonews.globo.com. Acesso em: 31 mai. 2012 (adaptado). A coeso textual responsvel por estabelecer relaes entre as partes do texto. Analisando o trecho ― Acontecendo de o cientista provocar um dano em um local especfico no crebro, verifica-se que ele estabelece com a orao seguinte uma relao de

Questão 111
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(ENEM 2016) Mandinga Era a denominao que, no perodo das grandes navegaes, os portugueses davam costa ocidental da frica. A palavra se tornou sinnimo de feitiaria porque os exploradores lusitanos consideravam bruxos os africanos que ali habitavam que eles davam indicaes sobre a existncia de ouro na regio. Em idioma nativo, manding designava terra de feiticeiros. A palavra acabou virando sinnimo de feitio, sortilgio. COTRIM, M. O pulo do gato 3. So Paulo: Gerao Editorial, 2009 (fragmento). No texto, evidencia-se que a construo do significado da palavra mandinga resulta de um(a)

Questão 112
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(Enem 2016) Texto I Nesta poca do ano, em que comprar compulsivamente a principal preocupao de boa parte da populao, imprescindvel refletirmos sobre a importncia da mdia na propagao de determinados comportamentos que induzem ao consumismo exacerbado. No clssico livro O capital, Karl Marx aponta que no capitalismo os bens materiais, ao serem fetichizados, passam a assumir qualidades que vo alm da mera materialidade. As coisas so personificadas e as pessoas so coisificadas. Em outros termos, um automvel de luxo, uma manso em um bairro nobre ou a ostentao de objetos de determinadas marcas famosas so alguns dos fatores que conferem maior valorizao e visibilidade social a um indivduo. LADEIRA, F. F. Reflexes sobre o consumismo. Disponvel em: http://observatoriodaimprensa.com.br. Acesso em: 18 jan. 2015. Texto II Todos os dias, em algum nvel, o consumo atinge nossa vida, modifica nossas relaes, gera e rege sentimentos, engendra fantasias, aciona comportamentos, faz sofrer, faz gozar. s vezes constrangendo-nos em nossas aes no mundo, humilhando e aprisionando, s vezes ampliando nossa imaginao e nossa capacidade de desejar, consumimos e somos consumidos. Numa poca toda codificada como a nossa, o cdigo da alma (o cdigo do ser) virou cdigo do consumidor! Fascnio pelo consumo, fascnio do consumo. Felicidade, luxo, bem-estar, boa forma, lazer, elevao espiritual, sade, turismo, sexo, famlia e corpo so hoje refns da engrenagem do consumo. BARCELLOS, G. A alma do consumo. Disponvel em: www.diplomatique.org.br. Acesso em: 18 jan. 2015 Esses textos propem uma reflexo crtica sobre o consumismo. Ambos partem do ponto de vista de que esse hbito

Questão 113
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(ENEM 2016) Quem procura a essncia de um conto no espao que fica entre a obra e seu autor comete um erro: muito melhor procurar no no terreno que fica entre o escritor e sua obra,mas justamente no terreno que fica entre o texto e seu leitor. OZ, A. De amor e trevas. So Paulo: Cia. das Letras, 2005 (fragmento). A progresso temtica de um texto pode ser estruturada por meio de diferentes recursos coesivos, entre os quais se destaca a pontuao. Nesse texto, o emprego dos dois pontos caracteriza uma operao textual realizada com a finalidade de

Questão 114
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(Enem 2016) O livro A frmula secreta conta a histria de um episdio fundamental para o nascimento da matemtica moderna e retrata uma das disputas mais virulentas da cincia renascentista. Frmulas misteriosas, duelos pblicos, traies, genialidade, ambio e matemtica! Esse o instigante universo apresentado no livro, que resgata a histria dos italianos Tartaglia e Cardano e da frmula revolucionria para resoluo de equaes de terceiro grau. A obra reconstitui um episdio polmico que marca, para muitos, o incio do perodo moderno da matemtica. Em ltima anlise, A frmula secreta apresenta-se como uma tima opo para conhecer um pouco mais sobre a histria da matemtica e acompanhar um dos debates cientficos mais inflamados do sculo XVI no campo. Mais do que isso, uma obra de fcil leitura e uma boa mostra de que possvel abordar temas como lgebra de forma interessante, inteligente e acessvel ao grande pblico. GARCIA, M. Duelos, segredos e matemtica. Disponvel em: http://cienciahojeuol.com.br. Acesso em: 6 out. 2015 (adaptado). Na construo textual, o autor realiza escolhas para cumprir determinados objetivos. Nesse sentido, a funo social desse texto :

Questão 115
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(ENEM 2016) A partida de trem Marcava seis horas da manh. Angela Pralini pagou o txi e pegou sua pequena valise. Dona Maria Rita de Alvarenga Chagas Souza Melo desceu do Opala da filha e encaminharam-se para os trilhos. A velha bem-vestida e com joias. Das rugas que a disfaravam saa a forma pura de um nariz perdido na idade, e de uma boca que outrora devia ter sido cheia e sensvel. Mas que importa? Chega-se a um certo ponto e o que foi no importa. Comea uma nova raa. Uma velha no pode comunicar-se. Recebeu o beijo gelado de sua filha que foi embora antes do trem partir. Ajudara-a antes a subir no vago. Sem que neste houvesse um centro, ela se colocara do lado. Quando a locomotiva se ps em movimento, surpreendeu-se um pouco: no esperava que o trem seguisse nessa direo e sentara-se de costas para o caminho. Angela Pralini percebeu-lhe o movimento e perguntou: A senhora deseja trocar de lugar comigo? Dona Maria Rita se espantou com a delicadeza, disse que no, obrigada, para ela dava no mesmo. Mas parecia ter-se perturbado. Passou a mo sobre o camafeu filigranado de ouro, espetado no peito, passou a mo pelo broche. Seca. Ofendida? Perguntou afinal a Angela Pralini: por causa de mim que a senhorita deseja trocar de lugar? LISPECTOR, C. Onde estivestes de noite. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980 (fragmento). A descoberta de experincias emocionais com base no cotidiano recorrente na obra de Clarice Lispector. No fragmento, o narrador enfatiza o(a)

Questão 116
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(ENEM 2016) Esses chopes dourados [...] quando a gerao de meu pai batia na minha a minha achava que era normal que a gerao de cima s podia educar a de baixo batendo quando a minha gerao batia na de vocs ainda no sabia que estava errado mas a gerao de vocs j sabia e cresceu odiando a gerao de cima a chegou esta hora em que todas as geraes j sabem de tudo e pssimo ter pertencido gerao do meio tendo errado quando apanhou da de cima e errado quando bateu na de baixo e sabendo que apesar de amaldioados ramos todos inocentes. WANDERLEY, J. In: MORICONI, I. (Org.). Os cem melhores poemas brasileiros do sculo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001 (fragmento). Ao expressar uma percepo de atitudes e valores situados na passagem do tempo, o eu lrico manifesta uma angstia sintetizada na

Questão 117
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(Enem 2016) Centro das atenes em um planeta cada vez mais interconectado, a Floresta Amaznica expe inmeros dilemas. Um dos mais candentes diz respeito madeira e sua explorao econmica, uma saga que envolve os muitos desafios para a conservao dos recursos naturais s geraes futuras. Com o olhar jornalstico, crtico e ao mesmo tempo didtico, adentramos a Amaznia em busca de histrias e sutilezas que os dados nem sempre revelam. Lapidamos estatsticas e estudoscientficos para construir uma sntese til a quem direciona esforos para conservar a floresta, seja no setor pblico, seja no setor privado, seja na sociedade civil. Guiada como uma reportagem, rica em informaes ilustradas, a obra Madeira de ponta a ponta revela a diversidade de fraudes na cadeia de produo, transporte e comercializao da madeira, bem como as iniciativas de boas prticas que se disseminam e trazem esperana rumo a um modelo de convivncia entre desenvolvimento e manuteno da floresta. VlLLELA. M.; SPINK, P. In: ADEODATO, S. et al, Madeira de ponta a ponta: o caminho desde a floresta at o consumo. So Paulo: FGV RAE, 2011 (adaptado). A fim de alcanar seus objetivos comunicativos, os autores escreveram esse texto para:

Questão 118
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(ENEM 2016) Nesse texto, a combinao de elementos verbais e no verbais configura-se como estratgia argumentativa para

Questão 119
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(ENEM 2016) Prolas absolutas H, no seio de uma ostra, um movimento ainda que imperceptvel. Qualquer coisa imiscuiu-se pela fissura, uma partcula qualquer, diminuta e invisvel. Venceu as paredeslacradas, que se fecham como a boca que tem medo de deixar escapar um segredo. Venceu. E agora penetra o ncleo da ostra, contaminando-lhe a prpria substncia. A ostra reage, imediatamente. E comea a secretar o ncar. um mecanismo de defesa, uma tentativa de purificao contra a partcula invasora. Com uma pacincia de fundo de mar, a ostra profanada continua seu trabalho incansvel, secretando por anos a fio o ncar que aos poucos se vai solidificando. dessa solidificao que nascem as prolas. As prolas so, assim, o resultado de uma contaminao. A arte por vezes tambm. A arte quase sempre a transformao da dor. [...] Escrever preciso. preciso continuar secretando o ncar, formar a prola que talvez seja imperfeita, que talvez jamais seja encontrada e viva para sempre encerrada no fundo do mar. Talvez estas, as prolas esquecidas, jamais achadas, as prolas intocadas e por isso absolutas em si mesmas, guardem em si uma parcela faiscante da eternidade. SEIXAS, H. Uma ilha chamada livro. Rio de Janeiro: Record, 2009 (fragmento). Considerando os aspectos estticos e semnticos presentes no texto, a imagem da prola configura uma percepo que

Questão 120
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(ENEM 2016) Querido dirio Hoje topei com alguns conhecidos meus Me do bom-dia, cheios de carinho Dizem para eu ter muita luz, ficar com Deus Eles tm pena de eu viver sozinho [...] Hoje o inimigo veio me espreitar Armou tocaia l na curva do rio Trouxe um porrete a m de me quebrar Mas eu no quebro porque sou macio, viu HOLANDA, C. B. Chico. Rio de Janeiro: Biscoito Fino, 2013 (fragmento). Uma caracterstica do gnero dirio que aparece na letra da cano de Chico Buarque o(a)

Questão 121
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(ENEM 2016) De domingo Outrossim... O qu? O que o qu? O que voc disse. Outrossim? . O que que tem? Nada. S achei engraado. No vejo a graa. Voc vai concordar que no uma palavra de todos os dias. Ah, no . Alis, eu s uso domingo. Se bem que parece mais uma palavra de segunda-feira. No. Palavra de segunda-feira bice. nus. nus tambm. Desiderato. Resqucio. Resqucio de domingo. No, no. Segunda. No mximo tera. Mas outrossim, francamente... Qual o problema? Retira o outrossim. No retiro. uma tima palavra. Alis uma palavra difcil de usar. No qualquer um que usa outrossim. VERISSIMO, L. F. Comdias da vida privada. Porto Alegre: LPM, 1996 (fragmento). No texto, h uma discusso sobre o uso de algumas palavras da lngua portuguesa. Esse uso promove o(a)

Questão 122
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(ENEM/2016) Receita Tome-se um poeta não cansado, Uma nuvem de sonho e uma flor, Três gotas de tristeza, um tom dourado, Uma veia sangrando de pavor. Quando a massa já ferve e se retorce Deita-se a luz dum corpo de mulher, Duma pitada de morte se reforce, Que um amor de poeta assim requer. SARAMAGO, J. Os poemas possíveis. Alfragide: Caminho, 1997. Os gêneros textuais caracterizam-se por serem relativamente estáveis e podem reconfigurar-se em função do propósito comunicativo. Esse texto constitui uma mescla de gêneros, pois

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